Hoje vejo no noticiário a tentativa de mudança na lei que proíbe a “importação” de RSU´s que apesar de vetada é alvo de pressão por parte, em última instância, do “mercado”. Não tenho interesse em comentar pois estou apenas dando notícia para que seja ressaltada a importância do tema que tenho procurado pesquisar na série “Lixo e Luxo”. Abaixo reproduzo parte da matéria publicada hoje (18/04/25) pela ABREMA-Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente,
O Senado aprovou nesta terça-feira, 17, um projeto de lei que restringe a importação de resíduos sólidos. O Brasil comprou ao menos 44 mil toneladas de lixo em 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Esses materiais são usados pela indústria recicladora, como a de embalagens de papelão e vidro. O texto final, porém, abre brecha para a entrada de lixo tóxico no País.
O que motivou realmente o blog de hoje foi a notícia que Trump pode elevar a tarifação de produtos chineses para 245%. Obviamente não se trata mais de guerra comercial com a China. Quando a questão chega a estas proporções é evidente para qualquer ser pensante que o que se busca não é a proteção do mercado local americano. O que se busca é o caos econômico e social. Acho que pensam ser a única saída para a crise americana.
Por que digo isso? Pois já não é a primeira vez que ocorre. Vou citar para ilustração Naomi Klein em “A doutrina do choque” quando lembra o episódio da destruição pelo tufão Katarina das escolas em Nova Orleans. Naquela oportunidade, em vez de reconstruírem as escolas, aproveitaram o caos e emitiram voucher para instituições privadas que lucraram o que quiseram enquanto a reconstrução das escolas, e outros prédios públicos, seguiu a passos de cágado; sendo que algumas escolas estão fechadas até hoje, i.e. há vinte anos. “A doutrina do choque” explica como o caos é perseguido para “gerar oportunidades” de investimento (se é este o nome, não desejo usar outro pouco cortês) por parte do “mercado”. A crise de 2008 hoje já é entendida por muitos pesquisadores e estudiosos independentes como que, no mínimo, desejada.
O que Trump exterioriza realmente não é guerra comercial, é o desejo de criar um ambiente tal, onde as economias desenvolvidas e proto-desenvolvidas, agora potencializadas política e economicamente pelos BRICS, não consigam seguir com o processo de desenvolvimento e de independência política. Daí o caos. Daí a “reserva” latinoamericana retomada na expressão “quintal”, outrora lançada pelo Presidente Monroe. Será o que resta aos economistas e think-tanks que usam o presidente Trump como ventríloquo, pois este realmente cumpre um papel difícil: dizer e fazer ameaças e desdizê-las dias depois. A estratégia de aproximação com a Rússia, por exemplo, é uma manobra diversionista, a instigação com a China é uma tentativa de ganhar tempo; mas o capital que manipula “o mercado”...aaah esse saberá usar esta oportunidade (ou caos) e transferir interesses ora estacionados nos EUA (zeitgeist) para países mais promissores; caso contrário serão absorvidos pela China. Esta manobra envolverá não apenas recursos financeiros, ou melhor, produtivos, mas também a cultura, o showbusiness, o soft-power. Por esta razão não somente a “economia” está mudando de endereço, mas os heróis também.
Trump se configura hoje como o Luthor da série televisiva, pois tentará inexoravelmente fugir do papel que lhe impõe Clark Kent. Por mais que ameace terá de retroceder ou correr em direção a autodestruição. Diferente do nosso Major Quaresma que teve seus sonhos e missão abortados pelo realismo sórdido, ainda em 1915, Trump hoje, em meio aos devaneios MAGA não poderá enfrentar o Clark Kent da realidade: Shijin ou Sísifo?
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