sábado, 20 de setembro de 2025

Vamos nós Padilha.

 Ontem fiquei, não surpreso, mas absolutamente estupefato com a restrição que impuseram ao Ministro da Saúde Alexandre Padilha em participando da comitiva do Presidente Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU. Obviamente o médico Alexandre Padilha, que já salvara muitas vidas, não iria rastejar humilhando a sua própria: - Negou-se a participar da comitiva.

Agora procuremos ver o que motiva a sanção a Alexandre Padilha, então Ministro da Saúde: - Criou o “Programa Mais Médicos”, com sua experiência de ter clinicado nos territórios indígenas no interior do Pará, onde salvara a vida de tantos infectados pela malária, tuberculose e outras doenças tropicais. Vai buscar a ajuda dos médicos cubanos, que tanto ajudaram no atendimento das comunidades carentes; médicos estes que além de serem vilmente ofendidos por médicos brasileiros racistas ainda foram rejeitados com base em “desculpas” burocráticas. Lembrando que nem os expulsando se propuseram os nossos conterrâneos a ir clinicar nos lugares pobres e remotos onde os cubanos, por dever de ofício e por já terem feito em sua terra natal, o faziam com bravura.

Pelo fato de Alexandre Padilha ter este honroso currículo, pelo fato de ter buscado auxílio com os cubanos, hoje Trump lhe impõe sanção, Lei Magnitsky, e outras bobageiras; o que pouco lhe afeta na dedicação a saúde e soberania da nação. Imagine sanção de um país cuja saúde, apesar de toda a sua riqueza, se situa entre as piores do mundo; os parentes das vítimas da “covid” que o digam.

Eis o meu desagravo a este médico cuja carreira tanto nos envaidece como brasileiros.

Mas, falando em Trump, aqui vai mais uma deste histriônico presidente: - Trump pede a União Europeia que apliquem tarifa de 100% a China e India para pressionarem a Rússia. Logo a quem...A Europa fechando fábricas, extinguindo benefícios sociais, aumentando o desemprego, irá atender a esta demanda de Trump?

Se Trump se relaciona com os estados europeus, seus aliados naturais desta forma, o que podemos esperar nós? Preparemo-nos para o pior, mesmo sabendo que Trump é passageiro, mesmo estando a nossa nação infestada internamente com a praga do entreguismo, da covardia e da burrice social. 

Ladeira acima é mais difícil, mas...vamos nós.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

A história se repete

 Está ficando cada vez mais difícil entender este país, aliás este mundo, em que vivemos. Talvez seja isso mesmo que desejam alguns donos do poder, fico pensando em revendo a “A doutrina do Choque” da Naomi Klein: o caos a serviço da dominação e da mudança despercebida, dissimulada.

Ontem fiquei cismando sobre o caos no Reino Unido, pancadaria, mortes, feridos, prisões. Hoje a visão trágica de Gaza e de seu povo sendo martirizado. Aqui, à sorrelfa, os deputados praticando a maior das torpezas, tentando criar uma rota de fuga da lei. Um esculacho, perdoem-me a linguagem, na nação, no povo brasileiro.

Realmente acredito que tal torpeza não irá progredir no Senado; mas só a votação escondida na madrugada e o seu resultado, onde 353 deputados aprovaram um texto obsceno que praticamente os retira a cidadania responsável, já é vergonhoso. Já que qualquer cidadão não está acima da lei e tem a justiça ao seu alcance. Não é o que este “esculacho”, perdoem-me, faz. Simplesmente os tira ao alcance da Lei, em caso de delito, dependendo de votação secreta a autorização da Câmara para que o delituoso seja processado. Uma vergonha mesmo. Mas, repito, não creio que algo tão sujo possa progredir. Afinal um dos objetivos da dita PEC é desviar a pressão da “anistia" que não passa nem no Senado nem no STF.

Mas, situando a nossa temporalidade política no contexto geopolítico, podemos ver a possível retaliação de Trump ao Brasil, ou seja, ao BRICS, (nada tem a ver com Bolsonaro, um mero “bode expiatório”) que é a não concessão de “visto diplomático” aos membros da delegação brasileira que acompanharão o Presidente Lula na Abertura da Assembleia Geral da ONU, tradição desde o tempo de Oswaldo Aranha em 1955. Este comportamento claramente mostra que Trump, ao hostilizar o Brasil, está realmente vendo e temendo o BRICS na sua dimensão plena: econômica, política, e militar.

Se no ambiente dos BRICS as transações com o dólar como moeda preferencial progressivamente migrarem para outra forma, ou entre as moedas locais ou com moeda transitória, acelera-se então a decadência do império. Percebo que os think-tanks americanos, contratados ou não pelo governo, já sinalizaram para Trump a inexorabilidade da ascensão da China à condição de hegemon já nesta década. Daí este comportamento desesperado.

O Brasil agregando tanto fatores econômicos positivos e político-sociais ainda precários, além de se encontrar na zona de influência direta dos EUA, passa ser um alvo preferencial, já que os demais, incluindo aí a Venezuela, mesmo com sua monumental reserva de petróleo, não têm a mesma capacidade de influência geopolítica/diplomática.

E realmente Trump já não tem muitas escolhas para manter o poder intocável; a Europa de aliado pleno passou a ser problema agravado pelo desastre da Ucrânia, criado por eles mesmos americanos, e pela irresponsável ação europeia nos NordStream´s; Israel, ou mais precisamente o sionismo, este sim a lápide do túmulo do “american way of life”, que não conseguiu transferir o poder econômico, como já o fizera outrora com o império britânico, para o velho “Império do Meio”, Zhongguó. 

 Que Trump saiba: - Diante desta lição histórica a América cairá inexoravelmente junto com o sionismo internacional, tal como a Élia Capitolina. A História sempre se repete.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Quem virá agora?

 Ontem 150.000 cidadãos ingleses foram para as ruas reclamar dos imigrantes e pedindo a cabeça do Trabalhista Starmer. Não tendo como voltar ao status de potência colonial e diminuindo os índices de qualidade de vida, principalmente depois do BREXIT, é de se esperar que tal manifestação seja inevitável, dado as condições de estado democrático, mas não evitando um final de pancadaria e prisões.

O que vem realmente empurrando o Reino Unido para uma posição de desconforto social e decadência é a intransigência neoliberal inaugurada pela administração Tatcher, pois migração a partir das colônias sempre houve desde os tempos vitorianos.

A perda das indústrias britânicas de alta tecnologia primeiramente em direção aos Estados Unidos e posteriormente para o oriente, antes até da China de Deng Xiaoping, esta sim é que iniciou este processo. Lembremo-nos que Tatcher ao privatizar serviços essenciais, que agora têm de ser retornados, iniciou um crescimento do desemprego que nem a imigração conseguiu reverter.

Se não bastasse essa realidade (a decadência acelerada do Better Life Index da OCDE) os últimos governos não se opõe colocar seu militares a participar das aventuras bélicas iniciadas pelos americanos, sem se importar em pagar aos americanos aluguel para manter os ICBM´s e arvorar em potência militar se prestando a enviar “instrutores” para Ucrânia, para serem sacrificados inutilmente. 

Cabe até a pergunta: Será que Boris Johnson, ao boicotar o acordo de paz que ucranianos e russos já haviam construído em Istambul em maio de 2022, pretendia pegar os espólios da Ucrânia, sabendo da inevitável destruição? Tendo a acreditar que sim.

Se observarmos a situação política do Reino Unido, depois do desastre do BREXIT, através do tempo de permanência dos gabinetes veremos que os cidadãos britânicos mantiveram os “conservadores” 1durante mais de vinte oito anos, de Tatcher até o final de Tony Blair. Depois Gordon Brown e David Cameron se equilibraram como puderam. Só faltou mesmo o BREXIT para sacramentar o projeto “Demolição UK”. Cabe a pergunta então: - A quem interessa a submissão do Reino Unido, centenário aliado das dinastias árabes? Há de se refletir sobre o complicado jogo do poder. Mas o que pessoalmente muito lamento é que a partir de 31 de janeiro de 2020 sacramentou-se a transformação do império, com todos os seus defeitos e contradições, num ajudante de ordens apenas. O BREXIT, o epitáfio da decadência iniciada pela Tory Tatcher. Quem virá agora?

1 Não estou falando do Partido Conservador, pois Tony Blair, Trabalhista, andou metido na Gurra do Iraque.