quarta-feira, 17 de setembro de 2025

A história se repete

 Está ficando cada vez mais difícil entender este país, aliás este mundo, em que vivemos. Talvez seja isso mesmo que desejam alguns donos do poder, fico pensando em revendo a “A doutrina do Choque” da Naomi Klein: o caos a serviço da dominação e da mudança despercebida, dissimulada.

Ontem fiquei cismando sobre o caos no Reino Unido, pancadaria, mortes, feridos, prisões. Hoje a visão trágica de Gaza e de seu povo sendo martirizado. Aqui, à sorrelfa, os deputados praticando a maior das torpezas, tentando criar uma rota de fuga da lei. Um esculacho, perdoem-me a linguagem, na nação, no povo brasileiro.

Realmente acredito que tal torpeza não irá progredir no Senado; mas só a votação escondida na madrugada e o seu resultado, onde 353 deputados aprovaram um texto obsceno que praticamente os retira a cidadania responsável, já é vergonhoso. Já que qualquer cidadão não está acima da lei e tem a justiça ao seu alcance. Não é o que este “esculacho”, perdoem-me, faz. Simplesmente os tira ao alcance da Lei, em caso de delito, dependendo de votação secreta a autorização da Câmara para que o delituoso seja processado. Uma vergonha mesmo. Mas, repito, não creio que algo tão sujo possa progredir. Afinal um dos objetivos da dita PEC é desviar a pressão da “anistia" que não passa nem no Senado nem no STF.

Mas, situando a nossa temporalidade política no contexto geopolítico, podemos ver a possível retaliação de Trump ao Brasil, ou seja, ao BRICS, (nada tem a ver com Bolsonaro, um mero “bode expiatório”) que é a não concessão de “visto diplomático” aos membros da delegação brasileira que acompanharão o Presidente Lula na Abertura da Assembleia Geral da ONU, tradição desde o tempo de Oswaldo Aranha em 1955. Este comportamento claramente mostra que Trump, ao hostilizar o Brasil, está realmente vendo e temendo o BRICS na sua dimensão plena: econômica, política, e militar.

Se no ambiente dos BRICS as transações com o dólar como moeda preferencial progressivamente migrarem para outra forma, ou entre as moedas locais ou com moeda transitória, acelera-se então a decadência do império. Percebo que os think-tanks americanos, contratados ou não pelo governo, já sinalizaram para Trump a inexorabilidade da ascensão da China à condição de hegemon já nesta década. Daí este comportamento desesperado.

O Brasil agregando tanto fatores econômicos positivos e político-sociais ainda precários, além de se encontrar na zona de influência direta dos EUA, passa ser um alvo preferencial, já que os demais, incluindo aí a Venezuela, mesmo com sua monumental reserva de petróleo, não têm a mesma capacidade de influência geopolítica/diplomática.

E realmente Trump já não tem muitas escolhas para manter o poder intocável; a Europa de aliado pleno passou a ser problema agravado pelo desastre da Ucrânia, criado por eles mesmos americanos, e pela irresponsável ação europeia nos NordStream´s; Israel, ou mais precisamente o sionismo, este sim a lápide do túmulo do “american way of life”, que não conseguiu transferir o poder econômico, como já o fizera outrora com o império britânico, para o velho “Império do Meio”, Zhongguó. 

 Que Trump saiba: - Diante desta lição histórica a América cairá inexoravelmente junto com o sionismo internacional, tal como a Élia Capitolina. A História sempre se repete.

Nenhum comentário:

Postar um comentário