Está ficando cada vez mais difícil entender este país, aliás este mundo, em que vivemos. Talvez seja isso mesmo que desejam alguns donos do poder, fico pensando em revendo a “A doutrina do Choque” da Naomi Klein: o caos a serviço da dominação e da mudança despercebida, dissimulada.
Ontem fiquei cismando sobre o caos no Reino Unido, pancadaria, mortes, feridos, prisões. Hoje a visão trágica de Gaza e de seu povo sendo martirizado. Aqui, à sorrelfa, os deputados praticando a maior das torpezas, tentando criar uma rota de fuga da lei. Um esculacho, perdoem-me a linguagem, na nação, no povo brasileiro.
Realmente acredito que tal torpeza não irá progredir no Senado; mas só a votação escondida na madrugada e o seu resultado, onde 353 deputados aprovaram um texto obsceno que praticamente os retira a cidadania responsável, já é vergonhoso. Já que qualquer cidadão não está acima da lei e tem a justiça ao seu alcance. Não é o que este “esculacho”, perdoem-me, faz. Simplesmente os tira ao alcance da Lei, em caso de delito, dependendo de votação secreta a autorização da Câmara para que o delituoso seja processado. Uma vergonha mesmo. Mas, repito, não creio que algo tão sujo possa progredir. Afinal um dos objetivos da dita PEC é desviar a pressão da “anistia" que não passa nem no Senado nem no STF.
Mas, situando a nossa temporalidade política no contexto geopolítico, podemos ver a possível retaliação de Trump ao Brasil, ou seja, ao BRICS, (nada tem a ver com Bolsonaro, um mero “bode expiatório”) que é a não concessão de “visto diplomático” aos membros da delegação brasileira que acompanharão o Presidente Lula na Abertura da Assembleia Geral da ONU, tradição desde o tempo de Oswaldo Aranha em 1955. Este comportamento claramente mostra que Trump, ao hostilizar o Brasil, está realmente vendo e temendo o BRICS na sua dimensão plena: econômica, política, e militar.
Se no ambiente dos BRICS as transações com o dólar como moeda preferencial progressivamente migrarem para outra forma, ou entre as moedas locais ou com moeda transitória, acelera-se então a decadência do império. Percebo que os think-tanks americanos, contratados ou não pelo governo, já sinalizaram para Trump a inexorabilidade da ascensão da China à condição de hegemon já nesta década. Daí este comportamento desesperado.
O Brasil agregando tanto fatores econômicos positivos e político-sociais ainda precários, além de se encontrar na zona de influência direta dos EUA, passa ser um alvo preferencial, já que os demais, incluindo aí a Venezuela, mesmo com sua monumental reserva de petróleo, não têm a mesma capacidade de influência geopolítica/diplomática.
E realmente Trump já não tem muitas escolhas para manter o poder intocável; a Europa de aliado pleno passou a ser problema agravado pelo desastre da Ucrânia, criado por eles mesmos americanos, e pela irresponsável ação europeia nos NordStream´s; Israel, ou mais precisamente o sionismo, este sim a lápide do túmulo do “american way of life”, que não conseguiu transferir o poder econômico, como já o fizera outrora com o império britânico, para o velho “Império do Meio”, Zhongguó.
Que Trump saiba: - Diante desta lição histórica a América cairá inexoravelmente junto com o sionismo internacional, tal como a Élia Capitolina. A História sempre se repete.
Nenhum comentário:
Postar um comentário