sexta-feira, 6 de junho de 2025

A atualíssima frase de Pulitzer

     Vejo na imprensa notícias sobre a guerra da Ucrânia, sobre todos os tipos de mazelas políticas; mas quando espero ver notícias sobre os progressos para coibir o brutal massacre de crianças palestinas, vejo uma imprensa surda, cega e muda, senão sórdida. Não esperaria mais do que isso confesso, pois tenho consciência de quem as financia e manipula. Quanto aos temas da guerra é mais do que óbvio que tomarão partido, mesmo que emitam opinião e distorçam dados e fatos: às favas a verdade. Mas sobre o genocídio de Gaza não poderia tolerar tal sordidez.

    O próprio Pulitzer, já no início do século XX, esculpiu no granito da história uma frase que se tornou célebre: -“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”. Portanto não é de se espantar quanto tivemos há pouco tempo, gente rezando para pneus, fazendo código morse com telefones na cabeça...e mesmo depredando o patrimônio público a mando de um torpe e ignóbil que não só confessa cultuar a tortura, como a dizer que “rolou um clima” com uma menina de quatorze anos.  Estamos falando de um personagem, mas o que dizer daqueles eleitos (para confirmar a frase de Pulitzer) para o parlamento... 

    E a imprensa? A imprensa nada mais fez do que ratificar a frase de Pulitzer.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Esta é uma guerra ainda colonial - continuação

     O blog de ontem (Esta é uma guerra ainda colonial), expressando a percepção que as causas do presente conflito na Ucrânia remontam há muito mais tempo; não somente aos desdobramentos dos interesses da Chevron desde os anos 2000, representados então pelos senadores americanos, lobistas da petroleira, John McCain e Christopher Murphy, juntamente à ação malévola de Victoria Nuland, levaram-me a outro tema que se conecta a este tanto historicamente quanto geopoliticamente: o evento conhecido como a “Carga da Brigada Ligeira”.

    Este evento, a carga de cavalaria comandada então por Lord Cardigan que resultou na perda de metade do contingente, se desenrolou na Guerra da Crimeia, na tentativa de tomada da fortaleza de Balaclava em Sebastopol. Apesar de ter sido um desastre militar passou à história com um glamour inexplicável. Aliás, bem explicável, pois o lord, representando a nobreza inglesa, nem foi responsabilizado nem incomodado pelo erro. Como mostrado no blog, tanto a Inglaterra, na figura da Rainha Victória; a França que tinha Napoleão III querendo imitar mediocremente o tio Napoleão I; a Russia do Czares Nicolau I e Alexandre II; a Itália, com o Conde Cavour (que aliás, mais tarde, veio a ser punido pelo Papa por querer fazer uma “reforma agrária” à custa do clero), representavam o poder colonial da Europa.

    Mas apresento agora uma outra faceta histórica: - O que fora um erro militar acabou por ser imortalizado no cinema pela arte inglesa e pela industria cinematográfica americana em 1934: “A carga da Brigada Ligeira”. No cinema  Errol FlinnOlivia de Havilland e o jovem David Niven, este último, que alias já no final de sua carreira, veio expor nos seus dois livros as misérias (exploração sexual, drogas e perseguições políticas) de Hollywood, transformaram a derrota em sucesso de bilheteria. Só eu, já na década de cinquenta, fui ver duas vezes. Nas seções de cinema aos domingos depois da missa no colégio, havia debate. Os alunos mais velhos do científico, inexplicavelmente – para mim ainda no ginásio – , “baixaram o sarrafo” no Major Vickers (Errol Flinn) por aquele erro histórico. Lá ia eu saber…

    Mas queria realmente expor desde a exteriorização desde evento, foi o que se desenvolveu como consequência da Guerra da Crimeia, o “Tratado de Paris” de 1856, o que inexoravelmente fortaleceu a Alemanha em detrimento ao Império Austro-Húngaro e a fez se opor a Rússia. Foi daí que nasceram hostilidades que se propagaram...até hoje. Fazendo justiça, os americanos só herdaram as faturas dessas guerras europeias...só que as ampliaram. O butim das guerras:  os "chernozem" ucranianos, o gaz e o patrimônio mineral russo que abarca toda a "cadeia de Mendeleiev".

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Esta é uma guerra ainda colonial.

     A atual “Conversações sobre Acordo de Paz” entre Rússia e Ucrânia é uma retomada daquela de 2022, onde Boris Johnson se intrometeu e fez abortar uma paz, quase alcançada, quando ainda não havia um milhão de mortos. Realmente só posso entender este volume de mortos se gerados deliberadamente, pois há experiência histórica de conflito na mesma região com este mesmo número1, a “Guerra da Crimeia” que durou de 1853 até 1856. São as mesmas nações beligerantes e só não havia ainda os Estados Unidos da América, pois este estava ocupado com as prévias da sua guerra particular, a Guerra Civil (1861 – 1865). A experiência sangrenta de mais um século não serviu para nada?

    A Guerra da Ucrânia hoje, revive através da OTAN, os mesmos beligerantes, que vou chamar de “Ocidente”, de 1853. Ou seja, estas nações, outrora impérios coloniais (França, Inglaterra, Itália e mesmo Turquia) tem como motivação, inter alia, a cobiça da Eurásia, ou seja, as imensas terras e riquezas da Rússia. Só pode.

    O que não é informado para os felizes desavisados do ocidente é que o atual conflito teve sua origem muito antes de 2022, i.e. a “invasão pela Rússia”. A própria existência da OTAN, desnecessária após a extinção do “Pacto de Varsóvia”, já é um elemento que nos indica a permanência das causas da secular beligerância. Só que agora impulsionada, há mais de dez anos pela cobiça da Chevron, que teve seus interesses representados pelo então senadores americanos John McCain e Christopher Murphy; estes, juntamente com Victoria Nuland, já haviam “determinado” quem deveria governar a Ucrânia após a queda do então presidente eleito Yanukovich promovida pelo golpe de estado em curso, este objetivamente parido pela Revolução Laranja. Tal manobra fora motivo de uma ligação telefônica com o embaixador americano na época. Ocorre que a ligação fora raqueada por algum serviço secreto, (altamente provável que fosse o russo) e foi postada no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=YBWP48O_5Mo). Mais tarde Victória Nuland pede desculpas etc..etc… mas a gravação, eivada de palavrões, deixava claro o espírito que orientava os acontecimentos que iriam desaguar nos tristes episódios da “Praça Maidan” e no consequente morticínio de hoje.

    Para quem ingenuamente acha que tal beligerância se iniciou em 2022, deixo abaixo um triste quadro (um único apenas) de um vídeo datado de mais de 10 anos, onde se vê o tratamento que era dado a população de Donetsk, para que não sobre dúvida da motivação desta guerra. Motivação que insiste em sobreviver após o ano de 1856. Motivação que só deve ser consequência da perda dos impérios coloniais europeus, agora alimentada pela perda de um mais novo império colonial, que neste momento também resiste desesperadamente em sobreviver.


Esta é uma guerra ainda colonial.

1Rússia: 450.000 mortos e 80.000 feridos - 

Turquia, França, Inglaterra e Itália: 225.000 mortos e 50.000 feridos