O blog de ontem (Esta é uma guerra ainda colonial), expressando a percepção que as causas do presente conflito na Ucrânia remontam há muito mais tempo; não somente aos desdobramentos dos interesses da Chevron desde os anos 2000, representados então pelos senadores americanos, lobistas da petroleira, John McCain e Christopher Murphy, juntamente à ação malévola de Victoria Nuland, levaram-me a outro tema que se conecta a este tanto historicamente quanto geopoliticamente: o evento conhecido como a “Carga da Brigada Ligeira”.
Este evento, a carga de cavalaria comandada então por Lord Cardigan que resultou na perda de metade do contingente, se desenrolou na Guerra da Crimeia, na tentativa de tomada da fortaleza de Balaclava em Sebastopol. Apesar de ter sido um desastre militar passou à história com um glamour inexplicável. Aliás, bem explicável, pois o lord, representando a nobreza inglesa, nem foi responsabilizado nem incomodado pelo erro. Como mostrado no blog, tanto a Inglaterra, na figura da Rainha Victória; a França que tinha Napoleão III querendo imitar mediocremente o tio Napoleão I; a Russia do Czares Nicolau I e Alexandre II; a Itália, com o Conde Cavour (que aliás, mais tarde, veio a ser punido pelo Papa por querer fazer uma “reforma agrária” à custa do clero), representavam o poder colonial da Europa.
Mas apresento agora uma outra faceta histórica: - O que fora um erro militar acabou por ser imortalizado no cinema pela arte inglesa e pela industria cinematográfica americana em 1934: “A carga da Brigada Ligeira”. No cinema Errol Flinn, Olivia de Havilland e o jovem David Niven, este último, que alias já no final de sua carreira, veio expor nos seus dois livros as misérias (exploração sexual, drogas e perseguições políticas) de Hollywood, transformaram a derrota em sucesso de bilheteria. Só eu, já na década de cinquenta, fui ver duas vezes. Nas seções de cinema aos domingos depois da missa no colégio, havia debate. Os alunos mais velhos do científico, inexplicavelmente – para mim ainda no ginásio – , “baixaram o sarrafo” no Major Vickers (Errol Flinn) por aquele erro histórico. Lá ia eu saber…
Mas queria realmente expor desde a exteriorização desde evento, foi o que se desenvolveu como consequência da Guerra da Crimeia, o “Tratado de Paris” de 1856, o que inexoravelmente fortaleceu a Alemanha em detrimento ao Império Austro-Húngaro e a fez se opor a Rússia. Foi daí que nasceram hostilidades que se propagaram...até hoje. Fazendo justiça, os americanos só herdaram as faturas dessas guerras europeias...só que as ampliaram. O butim das guerras: os "chernozem" ucranianos, o gaz e o patrimônio mineral russo que abarca toda a "cadeia de Mendeleiev".
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