quinta-feira, 29 de maio de 2025

Independência...De quem?

 As notícias de hoje referentes a manifestação do Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a favor, (pelo menos é assim que se tem interpretado) da independência absoluta do Banco Central e que está no Congresso baseada na PEC 65, me obriga à reflexão, ainda que seja um quase analfabeto absoluto em economia; pelo menos em “economês”. Mas sou obrigado a declaração de “quase” pois pude assistir uma aula completa da Professora Maria da Conceição Tavares, propiciada pela tecnologia gravada por algum aluno vidente. Nesta, ela abordava uma questão de equilíbrio fiscal e soberania da política monetária.

De fato não tenho capacidade de fazer um julgamento isento totalmente sobre a declaração de Galípolo mas posso lembrar do mencionado “trilema do impossível” 1 .

Os críticos da PEC 65, como eu, sabem que abrir mão da independência da política monetária é um suicídio. Vide a Argentina em 2001 com a sua pesada “âncora cambial” que queria ganhar nas três frentes (câmbio, controle de contas e independência monetária)… Afundou.

Mas, o que desejo exteriorizar é a frugalidade do embate sobre a dita “independência do Banco Central”. Na minha humilde opinião tal independência tem suas vantagens e desvantagens: - A meu juízo, uma desvantagem...neste momento histórico, eu friso. Lembremo-nos que.. no presente momento...Trump reclama e vocifera contra tal independência do FED, pois a considera prejudicial a estratégia da MAGA. Se não houvesse tal independência, o que ocorreria se o FED estivesse na mão de Clinton? Nem pensar.

Mas o que penso, neste momento, é que as flutuações da economia, tanto vista sob a ótica nacional quanto a internacional, dependendo da duração de seus ciclos, têm diferentes implicações. A duração dos ciclos econômicos, hoje (variando ao longo da história) têm implicações diferenciadas. Se ocorrerem no espaço econômico americano terão outras consequências se comparados aos que ocorrerem nos espaços nacionais de outros países. (como o nosso por exemplo ). Daí a avaliação do impacto dos ciclos exigirem o conhecimento das componentes econômicas específicas, sociais e...aí entra então uma nova componente que se acelera...a ambiental.

Definitivamente estou fugindo ao “debate” sobre a conveniência da “independência” por achar que neste momento, não existem, falo “no mundo inteiro”, as condições que a justifiquem, pelo contrário. A percepção que a aceleração dos ciclos dos fenômenos socio-econômicos agora se alimenta, além das componentes políticas, de componentes ambientais, tecnológicas e da própria percepção humana está profundamente afetada pela utilização das tecnologias de comunicação: telefonia celular, redes sociais, IA e toda sorte de experimentos e trapalhadas que fazem com estas. Considero que os avanços e os aprofundamentos teóricos sobre o tema, por parte de Kate Raworth (ver “economia donut”) melhor exprimem o que aqui tento pobremente mostrar: a influência planetária nos fenômenos econômicos.

A presente reflexão busca pavimentar o que já foi desenvolvido em blogs passados desde “Lixo e Luxo” (01/04/25) e dar base epistemológica para enfrentar a realidade tornada cada vez mais complexa. Ou a percepção dela, pelo menos para mim, confesso apedeuta econômico. Daí a minha pergunta: Independência? De quem?

1 Dilema de Mundell – Fleming que estabelece a impossibilidade de conciliação dos três objetivos que se mostram antagônicos dois a dois:
I) é impossível ter independência da política monetária e estabilidade da taxa de câmbio, desde que se faça o fechamento da conta de capitais.
II) é possível abrir a conta de capitais e preservar a independência monetária desde que se deixe o câmbio flutuar.
III) é possível fixar o câmbio e manter a livre movimentação de capitais abrindo mão da autonomia do comando da política monetária.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

É agora ou nunca

 Tenho pesquisado continuamente na internet um assunto que iniciei nas postagens a partir de “Lixo e Luxo”, desde abril deste ano. A ideia básica que move esta pesquisa se refere ao aproveitamento das matérias-primas orgânicas para produção de plástico (notadamente o bagaço de cana), juntamente a utilização de microorganismos para decomposição dos plásticos (ver o blog “Degradação dos plásticos- sequência de "Lixo e Luxo" de 14 de abril ). A motivação real é a criação de indústrias especializadas nestas duas direções: a produção orgânica de plásticos e a decomposição (reaproveitamento, se possível) destes.

Reconhecemos que o momento atual, tanto do ponto econômico quanto político e geopolítico, é oportuno e não gostaria de ver, como vi pessoalmente ao longo destes sessenta e tantos anos, mais uma oportunidade perdida. Como se diz, “mais um vôo de galinha”.

Do ponto de vista econômico brasileiro temos agora oportunidades. Mas também do ponto de vista político brasileiro vejo que temos que ultrapassar os empecilhos sempre criados pela direita, como aliás secularmente o fizeram desde o falanstério de Santa Catarina, passando pela Fábrica do Galeão com o “Muniz-M7” até chegar na quase demolição da Embraer. Vencidos os obstáculos, o que se apresenta então: a recuperação das indústrias de base, pois sem elas não será possível galgar a escala tecnológica. É ilusão imaginar que se dedicar a quinta geração eletrônica, aeronáutica etc...sem ter, uma siderurgia/metalurgia por exemplo, que lhes dê sustentação técnica e econômica. Como fabricar um motor a jato aeronáutico, mesmo o mais simples, sem dominar a fundição de metais de alta resistência térmica (tungstênio, molibdênio por ex.)? Esta recuperação nos leva a demanda de capital, que até o momento só serviu para engordar o improdutivo, especulador, etc...etc...“o tal mercado”. Cabe então a pergunta: Onde buscá-lo? Internamente? Internacionalmente? Em ambas as origens seria a resposta mais óbvia: BNDES e NBD.

Não podemos deixar passar esta oportunidade de ter duas fontes de financiamento sem ter que empenhar a alma, como seria o caso do FMI. Talvez possa ser a última chance de acordar e se “levantar do berço esplêndido” a que nos impuseram e ainda impõe (quem?) desde o utópico falanstério do Saí até os dias de hoje, quando nossa mídia discute futilidades e a escatologia de senhoras arruaceiras. É agora ou nunca.