As notícias de hoje referentes a manifestação do Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a favor, (pelo menos é assim que se tem interpretado) da independência absoluta do Banco Central e que está no Congresso baseada na PEC 65, me obriga à reflexão, ainda que seja um quase analfabeto absoluto em economia; pelo menos em “economês”. Mas sou obrigado a declaração de “quase” pois pude assistir uma aula completa da Professora Maria da Conceição Tavares, propiciada pela tecnologia gravada por algum aluno vidente. Nesta, ela abordava uma questão de equilíbrio fiscal e soberania da política monetária.
De fato não tenho capacidade de fazer um julgamento isento totalmente sobre a declaração de Galípolo mas posso lembrar do mencionado “trilema do impossível” 1 .
Os críticos da PEC 65, como eu, sabem que abrir mão da independência da política monetária é um suicídio. Vide a Argentina em 2001 com a sua pesada “âncora cambial” que queria ganhar nas três frentes (câmbio, controle de contas e independência monetária)… Afundou.
Mas, o que desejo exteriorizar é a frugalidade do embate sobre a dita “independência do Banco Central”. Na minha humilde opinião tal independência tem suas vantagens e desvantagens: - A meu juízo, uma desvantagem...neste momento histórico, eu friso. Lembremo-nos que.. no presente momento...Trump reclama e vocifera contra tal independência do FED, pois a considera prejudicial a estratégia da MAGA. Se não houvesse tal independência, o que ocorreria se o FED estivesse na mão de Clinton? Nem pensar.
Mas o que penso, neste momento, é que as flutuações da economia, tanto vista sob a ótica nacional quanto a internacional, dependendo da duração de seus ciclos, têm diferentes implicações. A duração dos ciclos econômicos, hoje (variando ao longo da história) têm implicações diferenciadas. Se ocorrerem no espaço econômico americano terão outras consequências se comparados aos que ocorrerem nos espaços nacionais de outros países. (como o nosso por exemplo ). Daí a avaliação do impacto dos ciclos exigirem o conhecimento das componentes econômicas específicas, sociais e...aí entra então uma nova componente que se acelera...a ambiental.
Definitivamente estou fugindo ao “debate” sobre a conveniência da “independência” por achar que neste momento, não existem, falo “no mundo inteiro”, as condições que a justifiquem, pelo contrário. A percepção que a aceleração dos ciclos dos fenômenos socio-econômicos agora se alimenta, além das componentes políticas, de componentes ambientais, tecnológicas e da própria percepção humana está profundamente afetada pela utilização das tecnologias de comunicação: telefonia celular, redes sociais, IA e toda sorte de experimentos e trapalhadas que fazem com estas. Considero que os avanços e os aprofundamentos teóricos sobre o tema, por parte de Kate Raworth (ver “economia donut”) melhor exprimem o que aqui tento pobremente mostrar: a influência planetária nos fenômenos econômicos.
A presente reflexão busca pavimentar o que já foi desenvolvido em blogs passados desde “Lixo e Luxo” (01/04/25) e dar base epistemológica para enfrentar a realidade tornada cada vez mais complexa. Ou a percepção dela, pelo menos para mim, confesso apedeuta econômico. Daí a minha pergunta: Independência? De quem?
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