terça-feira, 10 de março de 2026

Vamos estimular

 Aprofundei a pesquisa sobre a aplicação de AI nos fármacos, após ter sido estimulado e ajudado por um amigo paciente que, sendo cientista de dados cedeu material que está produzindo para doutorado em importante instituição tecnológica militar na área de AI. Na realidade fui salvo de afogamento por ele quando tentei mergulhar fundo nos algoritmos e nas técnicas que busquei na bibliografia de seus trabalhos. Primeiro porque o aprendizado profundo, não confundir com “deep learning”, era uma viagem aos centros de pesquisa e universidades chinesas e segundo porque a qualidade e quantidade destes trabalhos é algo que está alcançando níveis e uma extensão que ultrapassam o que se faz no ocidente. Níveis estes que não consigo nem de longe me aproximar e desdobramentos que nos levam a conclusões preocupantes. 

Uma destas é presente na discussão sobre a conveniência e viabilidade de instalação aqui no país de data-centers (Google, X, Meta, etc...), pois a demanda de energia elétrica e de água de refrigeração é incompatível com os benefícios que estes centros possam trazer: ocupam pouca mão-de-obra e esta de nível intermediário. Por esta razão estão sendo literalmente expulsos de seu país de origem. Agrava esta situação quando sabemos que o controle e posse dos dados permanecem nas instituições na origem. Então uma questão que naturalmente aflora é: qual a vantagem então do desenvolvimento da AI. Nem gosto de dizer inteligência artificial porque, como diz o médico e neurocientista Professor Miguel Nicolelis (cujo a obra aconselho fortemente a leitura), “nem é inteligência, nem é artificial”. O que se denomina AI é a aplicação extrema de recursos matemáticos que se tornou viável com a paralela evolução da tecnologia de processamento, não somente na arquitetura dos processadores, quanto na sua velocidade e na armazenagem de dados. Uma das promissoras técnicas sendo desenvolvida por empresas chinesas é relativa a transmissão de dados inter-circuitos processadores e inter-unidades: em lugar de corrente elétrica, o que gera calor, portanto fator limitante de velocidade, emprega-se luz incoerente, inclusive com menor probabilidade de erro. O imenso custo de refrigerçãoe alimenbtação dá lugar a viabilidade de aplicação coerente de recuros econômicos.

Mas voltando a aplicação de AI na farmacologia, talvez até confirmando o Professor Nicolelis, o exemplo mencionado ontem que se referia a plataforma R-DELF da Exscientia/Recursion1 permitiu reconhecer dentre milhares de testes e ensaios feitos em fármacos candidatos uma “saída” mais útil na geração de produtos contra uma extensa gama de enfermidades. AI? São métodos computacionais apromorados. 

Enfim uma questão essencial: vamos estimular a construção de empresas (startups) empregando os vastos recursos educacionais disponíveis nesta direção...

Em vez de tentar destruir, como estão agora tentando nossos destros fascistoides de plantão.

1 Sugiro fortemente acessar o site da Exscentia/Recursion: https://www.recursion.com/recursion-decoded

segunda-feira, 9 de março de 2026

Ainda AI

Tenho repetidamente expressado minha indignação com o assassinato das crianças em Gaza e daquelas do colégio iraniano. Mortes dolosamente perpetradas e conluiadas por Israel e Estados Unidos; este último que, com o poder militar que possui, poderia evitá-las.

Como temos que dar atenção (até por sobrevivência psíquica) as boas novas, sejam culturais e científicas, chamo a atenção para o artigo no site chinês XINHUA1 , que noticia a impressão 3d por síntese não-coerente digital de campos de luz holográficos (DISH, em inglês). Experimentos mostram que essa tecnologia pode concluir a fabricação de estruturas complexas em escala milimétrica em apenas 0,6 segundos, atingindo um tamanho mínimo de estrutura imprimível de 12 micrômetros e uma taxa de impressão de até 333 milímetros cúbicos por segundo. O que podemos intuir é a possibilidade de produzir dispositivo cirúrgico cardíaco, sob medida, que dispense a abertura da caixa torácica; e mesmo outras cirurgias não invasivas.

Dentre as várias notícias garimpadas, onde a maioria se relaciona a AI, as que mais têm chamado particularmente a minha atenção são aquelas aplicadas a pesquisa farmacológica, pois tenho um interesse especial por ter uma irmã cientista dedicada a esta área. Tenho focado a pesquisa por interesses transversais, aquelas relacionadas a GSK.: 

. A GSK aplica IA para entender a causalidade genética de doenças, o que pode reduzir as taxas de deserção em fases avançadas de testes clínicos .

. A AstraZeneca, por exemplo, usa uma ferramenta de IA generativa (PathChat DX®) para analisar imagens e dados clínicos, ajudando a identificar pacientes que responderiam melhor a tratamentos oncológicos, o que pode até incluir vacinas.

Em resumo, a IA já é uma ferramenta prática na área farmacológica que está sendo usada para:

Aceleração, automatizando descobertas e experimentos. Previsão, antecipando mutações virais criando vacinas "à prova de futuro" (R-DELF). Precisão, buscando os melhores alvos e projetando antígenos mais potentes ex: Evaxion.

Há ainda outras facilmente encontradas na internet mas, continuo restringindo as postagens a uma página, até para facilitar a leitura.

Por hoje é só.

1(https://portuguese.news.cn/20260222/fa026739d2ed41659af01b97b818e2e7/c.html)

domingo, 8 de março de 2026

Vamos em frente

 Após um período de silêncio queria externar opinião diante da triste realidade que o mundo exibia e ainda exibe em Gaza, onde dezenas de milhares de crianças foram, e ainda são, brutalmente assassinadas pelas bombas israelenses.

O cenário político no Brasil também não me animava pois a extrema direita, e a direita também, dissimulada, herdeiras de fato do que mais torpe existe em nossa existência social, a herança da escravidão, pois se julga ainda detentora do Estado como indenização, se esmerava, e se esmera, embalada no desespero da iminência de uma derrocada eleitoral, nas mais sórdidas manobras parlamentares.

Não seria caso de me surpreender, mas a cada dia se assiste ao cada vez mais sórdido em matéria de política, de jornalismo e de decadência social. Tudo muito bem propagandeado e alimentado pela mídia mainstream. Aliás, não deveria mesmo ser surpresa pois Pulitzer já o havia previsto já em 1917.

Quando a Trump, com sua diplomacia lupanar acaba expondo a realidade das monarquias (se é que se pode assim chamá-las) da região do golfo, (Bahreim, Emirados Árabes Unidos, Catar, Abu Dhabi, Kuwait e Arábia Saudita) herdeiras do poder britânico que se aposentou em 1971, devido a negociação com as sete grandes para daí reestruturar o preço do petróleo, segundo uma nova realidade hegemônica chamada petrodólar, acaba também expondo uma camada de poder ainda mais intrincada baseada nas correntes religiosas xiitas, sunitas e wanabitas que, apesar de se apresentarem como todas muçulmanas, disputam poder e dominação.

Agora, depois de mais uma trapalhada do Trump, ficará mais difícil negociar um equilíbrio a favor da economia petrolífera, quando todos aqueles monarcas, que têm suas riquezas guardadas na City, não vão arriscar o pescoço a favor do macho alfa da região, o esquartejador herdeiro saudita, Príncipe Mohammad bin Salman que tomou o poder militarmente com a ajuda das sete grandes e dos governos ocidentais e o silêncio ensurdecedor de toda comunidade europeia.

Aliás os muçulmanos xiitas do Iran sabem muito bem desta realidade, pois a viveram em 1953 na derrubada do governo Mossadegh e em 1979 quando tiveram que lutar pela sua soberania petrolífera e nacional contra os EUA e sua aliada wanabita Arábia Saudita.

Se já não bastasse assistir na TV a toda essa súcia ainda vemos o funeral das cento e setenta meninas muçulmanas assassinadas neste ataque israelense-americano sob o olhar destes monarcas muçulmanos do Golfo entupidos de petróleo e ouro naqueles hotéis de obsceno luxo e frivolidade.

Mas, buscando a serenidade e a lucidez, teremos que olhar para o lado bom da evolução e da sobrevivência. E aí veremos as notícias, por exemplo, da evolução dos processos de recuperação de embalagens PETs em meio aos resíduos urbanos, a evolução da biologia quântica, a evolução da aplicação da inteligência artificial na criação e produção de fármacos.

Se conectarmos estas novidades científicas e tecnológicas aplicadas ao bem-estar, saúde e sobrevivência humana à realidade política e geo-política também podemos retirar lições transversais:

- a ciência da AI (os seus pesquisadores) passa a reconhecer benefícios e riscos a saúde física e intelectual dos seres humanos

- a tecnologia aplicada a AI, que se aperfeiçoa no sentido de substituir as conexões chip-to-chip e a internas dos data-center eliminando custos altíssimos, fazendo-a cada vez mais ao alcance do seu uso legítimo por parte da humanidade.

E então, exorcizando as mazelas da recalcitrante doença política destra, aumentando as esperanças de uma nova ordem, aí teremos o ponto de inflexão para uma nova fase que tanto desejamos; ainda que tenhamos que arrastar este cadáver insepulto da direita mundial.

Mas...vamos em frente





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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Lixo e petróleo

 Ontem assisti um bem elaborado vídeo promocional da ORIZON. Interessado no assunto e dando prosseguimento ao blog “Lixo e Luxo” de 01/04/25 (https://www.youtube.com/watch?v=mhYOSlM4io) busquei na página https://orizonvr.com.br/ da empresa ver a evolução desta nestes últimos anos e dar saúde e vida longa ao Sr. Pilão. E que ele sirva de exemplo para outros empreendedores. Com ele o lixo virou um luxo.

Afora a divulgação deste bem sucedido e luxuoso empreendimento no lixo, há algumas questões que não poderia passar despercebidas; e uma delas é a relação do Brasil com os Estados Unidos após o episódio do sequestro do presidente Maduro que, no meu modo de ver “caiu de maduro” mesmo. Justifico o meu ponto de vista pela facilidade que os militares do EUA tiveram em desligar a defesa antiaérea venezuelana. Por mais que queiram negar, contraponho cinquenta milhões de dólares oferecidos pela captura do presidente; além do fato que Maduro não se configurava como um herdeiro de fato do Chavismo. Se aproximava, para ser mais condescendente. O quero então realçar são as três questões derivam deste fato rumoroso e emblemático:

1- A secura americana por petróleo.

2- A utilização do petróleo como salvaguarda dos petrodólares.

3- O enfrentamento a China no hemisfério ocidental; na América Latica propriamente, já que o binômio União Europeia / OTAN deixou de ser um contraponto a Rússia que, acabou utilizando as sanções como impulsionador de suas indústrias.

Senão vejamos 1: A secura americana por petróleo

A sociedade que praticamente fundou o automobilismo, relaxou na construção de ferrovias, ou pelo conforto e pela mobilidade propiciada pelo automóvel, ou por “influência” dos capitais empatados tanto na exploração do petróleo quanto na construção das autoestradas. A expansão acelerada do automobilismo a partir da década de 30 realmente fez negligenciar a utilização da ferrovia; tanto que a maioria faliu nos anos pós guerra WWII. Realmente o automobilismo tem um peso fundamental; se considerarmos então o transporte aéreo aí é que a secura exponencia. Mesmo esta abordagem superficial revela a não existência de transporte ferroviário subsidiado tanto para carga quanto para passageiros; o que não ocorreu nas economias do Japão e Europa pós-guerra WWII. Os EUA, muito mais que o resto do mundo, ficou refém do petróleo.

2- A utilização do petróleo como salvaguarda dos petrodólares.

Não cabe aqui aprofundamento da análise da gênese da crise do petróleo de 1973, mas como síntese do aprendizado adquirido podemos ver a adequação da política externa americana às relações com a Arábia Saudita e demais países produtores do Golfo (Arábia SauditaIraqueIrãKuwaitCatar e Emirados Árabes Unidos). A política externa em relação a estes países, que era monolítica, passou a ser modulada segundo os interesses israelenses combinados com a oferta de petróleo e as mesmas relações com a OPEP. Ou seja, como os EUA iriam tirar partido da aproximação com a Arábia Saudita, Catar e Emirados e, ao mesmo tempo, satisfazer as exigências israelenses; exigências estas que também interferiam no mercado financeiro interno; isto é, os banqueiros. Hoje é absolutamente visível aquela relação, inclusive quando os EUA jogam sua reputação no lixo pressionados pelos compromissos assumidos naquela época. Os petrodólares são a essência daqueles compromissos.

3- O enfrentamento a China no hemisfério ocidental; na América Latica propriamente, já que o binômio União Europeia / OTAN deixou de ser um contraponto a Rússia que, acabou utilizando as sanções como impulsionador de suas indústrias.

A manobra “Maduro kidnapping”, a meu juízo, não tem os desdobramentos que têm sido propaladas na mídia mainstream; Trump não consultou previamente as petroleiras para saber o passo seguinte. Aí está a prova que o ceo da Exxon não sabia quão desastrada era, do ponto de vista profissional, técnico e econômico. Tal manobra tem o condão de manter a bolha dos governos de direita da América Latina e com isso afastá-la comercialmente da China. Acho que Trump, Rúbio e demais confiam demais nos governantes deste campo da direita, afinal eles são de direita. Será que não conhecem a lenda do escorpião e do sapo para cruzar o rio? 

Nem Trump aprendeu com o primeiro mandato, nem Rúbio tem o mínimo verniz diplomático. Ambos estão se metendo a fogueteiros e acabam apenas cumprindo o protocolo neocon. Do episódio “Maduro kidnapping” até o controle absoluto de governos latino-americanos, há um caminho um pouco diferente do que propala a mídia mainstream. Este caminho passa pelo comércio, pelo auxílio financeiro e pelo investimento direto. A China aprendeu o caminho com o tempo e praticou, praticou, praticou.

Não desejo aqui aprofundar o assunto petróleo combustível, pois já é por si só complexo demais no seu destino combustível. Quero sim realçar a vertente petróleo-plásticos, embalagens “pet” e demais poluidores do planeta. Aqui tem riqueza também. Que o diga o Sr. Pilão da ORIZON.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Daquele jeito

 Hoje, o primeiro dia útil de 2026, parece domingo, como se domingo não fosse útil, que não servisse para lembrar daqueles a quem tanto devemos.

Sim hoje 2/01/2026 uma sexta-feira como tantas, cheias de esperanças e tantas trapalhadas políticas, tantas correções de rumo, e também de tantas ameaças a nossa soberania, aqui estamos nós brasileiros. Brasileiros de profissão, profissão de fé, ainda que muitos a tenham perdido, aqui estamos, fazendo justiça, e de pé, após tantos ataques, regressos e desesperanças, comemorando a sobrevivência, após tantas ignomínias e covardias. Mas com fé.

Mas, também hoje...como não estou imune, quero dizer que também tenho aquela parcela do “por não estarmos melhor”, melhor em vários sentidos, tanto pessoal quanto socialmente.

Por isso quero agradecer a todos que até aqui, durante estes oitenta e um anos, quem diria, me carregaram na carruagem dourada de sua paciência, na santa tolerância de suas sabedorias, e impulsionaram a minha existência, até para suportar a dor mais imensa e inesquecível da perda; aliás, como são todas perdas, umas mais suaves ou doloridas que outras.

Entro neste ano de 2026, lamentando não poder abraçar todos aqueles que mencionei acima, quero dizer, um pouco diferente de como dizia Vinícius e Toquinho:

Hoje chego aos oitenta, quem diria
Com alegria até sem razão de ser
Na esperança que os lares

de todos meus pares como você

apesar dos pesares
Me tragam você

E num abraço apertado,

De esperança lotado

Do fundo do peito

Como é do meu jeito

Agradeço a você


Um feliz 2026, do jeito que o povo gosta.




sábado, 20 de dezembro de 2025

Gaia

 Vejo em recente publicação (https://www.blogger.com/blog/post/edit/7714812914870144096/3643943140453545578) a notícia do desenvolvimento na Coreia do Sul, a geração de chips quânticos baseado em camada 2D de substrato de dissulfeto de molibdênio (MoS2) no lugar do Silício, com espessura de um átomo. Se combinarmos a matéria do blog anterior, onde comento as novas técnicas de produção de chips, que se estende desde a permanência comercial das versões pré-nano até a versão 3D e a substituição de corrente elétrica por feixe de luz, com esta última, podemos inferir a proximidade de um salto tecnológico equivalente à aquela experimentada quando se saltou do transistor para os processadores Intel 8080, passando pelo 4040 que dá início a era da miniaturização dos “chips”. As vantagens trazidas pela aplicação desta tecnologia micr-chip são tão grandes que nem dá para aqui se aquilatar, basta ver o tamanho e a potência dos smart-phones que estamos usando.

Com isso percebemos a proximidade do novo patamar tecnológico que advirá.

Podemos antever que a utilização de dissulfeto de molibdênio (MoS2) irá expandir uma demanda de molibdênio que se obtém desde a mineração do cobre, este já escasseando suas jazidas, ou melhor, diminuindo o teor de cobre das jazidas atuais, e com isto imporá um custo inicial que justificará a manutenção, durante um bom tempo, do silício como substrato. Assim a opção por construções 3D terá uma vantagem, sobre esta anunciada 2D, que requer muito maior precisão com custo inicial bem maior; inclusive o custo ecológico. O maior deles o custo da água. Água que se gasta enormemente no processo de produção dos “waffles”.

Temos que lembrar ainda que mesmo o silício, que é abundante na crosta terrestre, teve demanda predatória nos séculos IXX e XX, (tanto para construção civil quanto para produção de garrafas), destruindo praias fluviais, principalmente no continente europeu e também contaminando a água. Os principais rios da Europa tiveram problemas de destruição de margens e alta turbidez. Esta componente ecológica hoje tem notória importância, tanto do ponto de vista de custo, quanto do ponto de vista social.

Esta componente social, ou melhor, política e social, tem no presente uma importância diferenciada já que, junto com a expansão das capacidades humanas mímicas da tecnologia, se abre neste século uma janela de oportunidade com o advento do movimento ecológico e do multilateralismo, ainda que tendo de vencer a “natureza guerreira e dominadora”, inerente a nossa memória límbica de homem caçador dominante sobre o coletor e que nos empurra para a guerra e a dominação; como que imitando o demiurgo. O refinamento de nossas capacidades criativas e dominadoras sobre a natureza tem neste século um ponto de inflexão, mas que continua a depender da mãe solo; tanto que lutamos e morremos por ela, Gaia; cheia de molibdênio, lítio, silício, prata, nióbio, urânio, titânio, cobre, ferro, ouro e ...água.


Geração de Chips Quânticos - Aleksandra Lima dos Santos, Publicado 15 de Dezembro, 2025

 “Camadas atômicas perfeitas abrem caminho para a próxima geração de chips quânticos”

Por Aleksandra Lima dos Santos, Publicado 15 de Dezembro, 2025

Geração de Chips Quânticos

© LuchschenF – Shutterstock

Pesquisadores conseguiram produzir, em escala industrial, um semicondutor com a espessura de um único átomo e praticamente livre de defeitos. O feito pode transformar a estabilidade dos chips quânticos e abrir um novo capítulo na eletrônica avançada, indo além da teoria e funcionando em dispositivos reais.


Durante décadas, o progresso da eletrônica esteve ligado à miniaturização dos componentes. Transistores cada vez menores permitiram chips mais rápidos, eficientes e baratos. No entanto, essa estratégia está chegando a um limite físico delicado. Quando os dispositivos atingem a escala atômica, imperfeições quase invisíveis passam a comprometer seriamente o desempenho. Em tecnologias como a computação quântica, esses defeitos podem ser simplesmente fatais.
É nesse contexto que o recente avanço de um grupo de pesquisadores da Coreia do Sul ganha relevância. Pela primeira vez, foi possível fabricar camadas atômicas de um semicondutor de forma contínua, praticamente sem falhas e em tamanho compatível com a produção industrial.


O material que pode mudar o jogo

O centro da descoberta é o dissulfeto de molibdênio, conhecido como MoS₂. Trata-se de um material bidimensional, com espessura equivalente a um único átomo — mais de cem vezes mais fino que um fio de cabelo humano.
Há anos o MoS₂ desperta interesse porque, diferentemente do grafeno, ele é um semicondutor “completo”: permite ligar e desligar a corrente elétrica de forma controlada, algo essencial para transistores. O problema sempre foi a fabricação. Produzir grandes áreas desse material, uniformes e sem defeitos estruturais, parecia inviável fora do laboratório.

Defeitos microscópicos, impactos gigantes

Em escala atômica, pequenas falhas fazem enorme diferença. No MoS₂, os defeitos costumam surgir nas fronteiras entre domínios cristalinos. Embora invisíveis a olho nu, essas imperfeições interrompem o movimento dos elétrons e destroem propriedades quânticas fundamentais.

Para chips quânticos, isso significa ruído, perda de coerência e erros de processamento. Eliminar esses defeitos exigia algo além de ajustes pontuais: era necessário controlar o posicionamento dos átomos durante o crescimento do material.

Crescimento guiado átomo por átomo

A solução veio do aprimoramento da chamada epitaxia de van der Waals, aplicada sobre um tipo especial de safira levemente inclinada, conhecida como substrato vicinal. Em nível atômico, essa superfície apresenta “degraus” naturais que funcionam como guias invisíveis.

Esses degraus orientam os átomos do MoS₂ durante o crescimento, forçando uma organização mais ordenada. Com controle preciso de temperatura, pressão e deposição, os pesquisadores conseguiram formar monocamadas contínuas, uniformes e praticamente perfeitas em áreas do tamanho de uma bolacha de silício.


Geração De Chips Quânticos1

© Shutterstock – Yurchanka Siarhei


Quando o material prova seu valor

A validação definitiva veio dos testes eletrônicos. As camadas produzidas exibiram transporte quântico coerente, com sinais de fenômenos como localização fraca e indícios iniciais do efeito Hall quântico. Isso indica que os elétrons conseguem se mover sem perder sua fase quântica — algo essencial para chips quânticos estáveis.
Além disso, o material apresentou alta mobilidade eletrônica. Para demonstrar viabilidade prática, os pesquisadores fabricaram matrizes completas de transistores, que funcionaram de forma eficiente à temperatura ambiente, próximos dos limites teóricos do material.

Por que isso importa para o futuro

A computação quântica exige materiais extremamente estáveis, e cada defeito é uma fonte potencial de erro. Um semicondutor bidimensional, livre de imperfeições e fabricável em larga escala, remove um dos maiores gargalos do setor.
Mais do que um avanço pontual, o método pode ser adaptado a outros materiais bidimensionais, ampliando seu impacto em sensores, memórias avançadas e eletrônica de baixo consumo. Não significa chips quânticos perfeitos amanhã, mas mostra que a fabricação atômica precisa já é uma realidade industrial — e não mais apenas uma promessa científica.

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