segunda-feira, 16 de março de 2026

Redução 6x1 considerações e ideias

 Fugindo um pouco da linha que venho seguindo nos blogs; uma referente a uma preocupação planetária, que cobre geração, coleta e tratamento dos resíduos produzidos pela nossa civilização em todas as escalas, da coleta a produção de derivados; a outra que se refere ao avanço da IA aplicada principalmente a área farmacológica, sendo que nesta última passei a dar atenção a recente inferência desta em níveis comportamentais; por exemplo a última publicação onde abordo a conexão da psicologia de Jung e a biologia quântica, hoje não posso deixar de expressar a minha opinião, talvez perplexidade, sobre a rejeição da proposta da extinção do regime de trabalho 6 por 1, isto é, considerar cinco dias como base.

Sobre o tema lembro ainda quando comecei a trabalhar o regime se baseava na legislação de 1943, que determinava 48 horas semanais, com limite de oito horas diárias. Logo se passou a aplicar uma derivação sendo sábado considerado meio dia. Sob a mesma legislação passou-se a praticar a isenção do sábado, acrescendo uma hora e trinta e seis minutos (1h-36m) para compensar o sábado não trabalhado, perfazendo nove horas e trinta e seis minutos diários de segunda-feira a sexta-feira; regime este que até hoje sobrevive talvez na maioria dos casos. Ocorre que há categorias, comerciários por exemplo, que sofrem aberto desrespeito a legislação. Isto ocorre obviamente devido a tolerância permitida de quem depende do escasso emprego. Tanto é verdade que há até economistas e políticos que ainda preconizam a velha regra de manter desemprego como controle de inflação.

Lembro de um livro que li por volta de 1963, “O elogio do lazer”1 do filósofo e matemático Bertrand Russel, que me deixava dividido. Muito jovem trabalhava na saudosa PANAIR do BRASIL (que é assunto para futuro texto – ou melhor, desabafo) e o horário para mim era apenas um detalhe; por mim ficava o dia inteiro ao lado dos aviões, paixão que nutro até os dias de hoje. Lá já trabalhava das sete até cinco e meia da tarde, já que não havia expediente aos sábados na oficina.

Mencionei estar dividido naquela época, pois a paixão pela aviação e a leitura de Bertrand Russel não podiam ser conciliadas na minha mente muito jovem. E porque cito este embate psicológico? Porque este conflito também reside na essência do pensamento de boa parte daqueles que se insurgem contra a atual proposta governamental. Não a totalidade dos “insurretos”, pois muitos assim estão por interesse imediato como empregadores e primários de percepção política ou social, outros por mera birra política, já que são contra o governo atual que propõe a redução, acusando-a como sempre de eleitoreira, e outros por não entenderem mesmo os benefícios que outrora o grande pensador, filósofo e matemático já vaticinava.

Também temos que lembrar que a evolução industrial se deu em meio a evolução tecnológica mas...esta financiada pelo trabalho exaustivo de mais de doze horas diárias. Basta o exemplo das tecelagens inglesas do início do século XX. A visão desta imagem abaixo serve melhor do que mal poderia descrever aquela exploração.

Aduz-se que a redução proposta ainda convive com a exploração do trabalho escravo, volta e meia presente no noticiário. Ou seja, a redução tem como opositores uma gama ampla que vem desde as crenças primitivas (próprio B.Russel abre seu livro com esta citação: “Como grande parte da minha geração, fui criado com o adágio: “Satanás reserva sempre alguma traquinice para as mãos ociosas”) até a pura e simples oposição, esta também motivada por crenças não muito confessáveis, ou por interesse ou por primarismo mesmo.

Como muitos interpõe a redução do horário de trabalho como causador de desemprego, expõe-se uma falácia: desemprego versus inflação. A evolução do pensamento econômico, após Galbraith por exemplo, já nos indica a falácia do desemprego como forma de contenção de inflação; isto é ciência barata, se é ciência.

Portanto, não querendo estender o limite de leitura, ainda que desejando que as ideias que expus se propaguem, deixo aqui a frase do Alfred North Whitehead, que também admiro totalmente:

As ideias não são para guardar; alguma coisa tem que ser feito com elas

1“O elogio do lazer” – Companhoa Editora Nacional - 1957

quinta-feira, 12 de março de 2026

Lorem ipsum

 No blog de ontem 26-03-11, fiz referência ao navio “catador de lixo” que opera no Oceano Pacífico e indiquei a fonte daquela reportagem. Mas gostaria de adicionar a sugestão de leitura do relatório de 2024 (o de 2025 ainda não foi publicado) da UNEP (órgão da ONU) sobre a evolução das atividades relacionadas ao tratamento de resíduos e também de implicações no meio ambiente. O endereço para acesso está na nota de rodapé1 Sugiro uma breve leitura (em inglês) para quem quiser ter uma ideia genérica sobre o assunto.

Dando continuidade, também ao blog de ontem, que foi referenciado, estou complementando hoje, pois ontem ultrapassaríamos o desejado limite de uma página, e indico complementarmente a leitura de um artigo da jornalista-bióloga Bianca Bosso, disponível no repositório da USP, cujo endereço está disponível na nota de rodapé2, que agrega conhecimento sobre pesquisa de física quântica e seu desdobramento em biologia quântica. O trabalho é muito útil para ter uma amplitude de conhecimento, ao mesmo tempo que mostra o quanto as pesquisas efetuadas no Brasil se aproximam do estado-da-arte.

No mais, apenas sugiro boas leituras e que também não caiam nas esparrelas pseudo-puritanas da grande mídia que, em época de eleição é claro, tem surtos de “puritanismo” semelhantes às notas de três reais. Seus textos parecem até com aqueles “helps” pseudo-latinos que começam  “lorem ipsum…” e depois um monte de coisa sem nexo.

1- https://wedocs.unep.org/rest/api/core/bitstreams/daa56f4d-2479-4e10-88c6-4d65da463299/content

2 https://repositorio.usp.br/directbitstream/9cf9dfe6-300f-4179-b467-0ef69735d8d2/3255422.pdf#:~:text=*%20%E2%80%9CEnquanto%20a%20biologia%20qu%C3%A2ntica%20investiga%20se,t%C3%ADnhamos%20tanto%20controle%20sobre%20as%20propriedades%20qu%C3%A2nticas.%E2%80%9D

quarta-feira, 11 de março de 2026

Direção certa

 Vi ontem um artigo que me alegrou bastante pois publiquei em 23 de abril do ano passado um blog que chamado “Já é uma questão de sobrevivência” alertando sobre um fenômeno da existência de uma “ilha artificial de lixo”; ilha esta já visível por satélite.

Reproduzo deste artigo de ontem 1 a imagem abaixo que vale mais do que mil palavras

Mas o que principalmente trago hoje é a constatação de uma reflexão que fiz somente agora diante do cenário de evolução científica, apesar da minha plena ignorância dos dois polos que ousei conectar, que é a ligação, do estatuto ontológico que Carl Jung concebeu como arquétipo, com a moderna ciência da biologia quântica

O garimpo feito na internet acabou trazendo pouco material, mas um especialmente se acoplava a minha intuição, que expandia a ideia basilar a conceitos mais elaborados e profundos. Reproduzo aqui 2 parte da síntese (Abstract) do artigo de Charles.D. Laughlin, do Dept. of Sociology & Anthropology, Carleton University, Ottawa, Ontario, Canada KIS , que revela a colimação com a minha “curiosidade”:

C.G. Jung deixou muita ambiguidade em torno do estatuto ontológico dos arquétipos e do inconsciente coletivo. Ele fez isso devido à inadequação da ciência de sua época. …. O artigo revisa algumas das evidências a favor do acoplamento neurofisiológico-quântico direto e sugere como o processamento neural e os eventos quânticos podem se interpenetrar.”

O que move minha curiosidade é a esperança que sigam na evolução da psicologia clínica, da psiquiatria e na propedêutica com o auxílio da biologia quântica, em busca de novos fármacos que venham auxiliar no alívio e na cura do sofrimento humano. Mas a minha curiosidade vai um pouco mais longe que expresso com a seguinte questão: Quanto a AI vai auxiliar e acelerar este acoplamento neurofisiológico-quântico?

Tenho esperança que estamos caminhando na direção certa.



terça-feira, 10 de março de 2026

Vamos estimular

 Aprofundei a pesquisa sobre a aplicação de AI nos fármacos, após ter sido estimulado e ajudado por um amigo paciente que, sendo cientista de dados cedeu material que está produzindo para doutorado em importante instituição tecnológica militar na área de AI. Na realidade fui salvo de afogamento por ele quando tentei mergulhar fundo nos algoritmos e nas técnicas que busquei na bibliografia de seus trabalhos. Primeiro porque o aprendizado profundo, não confundir com “deep learning”, era uma viagem aos centros de pesquisa e universidades chinesas e segundo porque a qualidade e quantidade destes trabalhos é algo que está alcançando níveis e uma extensão que ultrapassam o que se faz no ocidente. Níveis estes que não consigo nem de longe me aproximar e desdobramentos que nos levam a conclusões preocupantes. 

Uma destas é presente na discussão sobre a conveniência e viabilidade de instalação aqui no país de data-centers (Google, X, Meta, etc...), pois a demanda de energia elétrica e de água de refrigeração é incompatível com os benefícios que estes centros possam trazer: ocupam pouca mão-de-obra e esta de nível intermediário. Por esta razão estão sendo literalmente expulsos de seu país de origem. Agrava esta situação quando sabemos que o controle e posse dos dados permanecem nas instituições na origem. Então uma questão que naturalmente aflora é: qual a vantagem então do desenvolvimento da AI. Nem gosto de dizer inteligência artificial porque, como diz o médico e neurocientista Professor Miguel Nicolelis (cujo a obra aconselho fortemente a leitura), “nem é inteligência, nem é artificial”. O que se denomina AI é a aplicação extrema de recursos matemáticos que se tornou viável com a paralela evolução da tecnologia de processamento, não somente na arquitetura dos processadores, quanto na sua velocidade e na armazenagem de dados. Uma das promissoras técnicas sendo desenvolvida por empresas chinesas é relativa a transmissão de dados inter-circuitos processadores e inter-unidades: em lugar de corrente elétrica, o que gera calor, portanto fator limitante de velocidade, emprega-se luz incoerente, inclusive com menor probabilidade de erro. O imenso custo de refrigerçãoe alimenbtação dá lugar a viabilidade de aplicação coerente de recuros econômicos.

Mas voltando a aplicação de AI na farmacologia, talvez até confirmando o Professor Nicolelis, o exemplo mencionado ontem que se referia a plataforma R-DELF da Exscientia/Recursion1 permitiu reconhecer dentre milhares de testes e ensaios feitos em fármacos candidatos uma “saída” mais útil na geração de produtos contra uma extensa gama de enfermidades. AI? São métodos computacionais apromorados. 

Enfim uma questão essencial: vamos estimular a construção de empresas (startups) empregando os vastos recursos educacionais disponíveis nesta direção...

Em vez de tentar destruir, como estão agora tentando nossos destros fascistoides de plantão.

1 Sugiro fortemente acessar o site da Exscentia/Recursion: https://www.recursion.com/recursion-decoded

segunda-feira, 9 de março de 2026

Ainda AI

Tenho repetidamente expressado minha indignação com o assassinato das crianças em Gaza e daquelas do colégio iraniano. Mortes dolosamente perpetradas e conluiadas por Israel e Estados Unidos; este último que, com o poder militar que possui, poderia evitá-las.

Como temos que dar atenção (até por sobrevivência psíquica) as boas novas, sejam culturais e científicas, chamo a atenção para o artigo no site chinês XINHUA1 , que noticia a impressão 3d por síntese não-coerente digital de campos de luz holográficos (DISH, em inglês). Experimentos mostram que essa tecnologia pode concluir a fabricação de estruturas complexas em escala milimétrica em apenas 0,6 segundos, atingindo um tamanho mínimo de estrutura imprimível de 12 micrômetros e uma taxa de impressão de até 333 milímetros cúbicos por segundo. O que podemos intuir é a possibilidade de produzir dispositivo cirúrgico cardíaco, sob medida, que dispense a abertura da caixa torácica; e mesmo outras cirurgias não invasivas.

Dentre as várias notícias garimpadas, onde a maioria se relaciona a AI, as que mais têm chamado particularmente a minha atenção são aquelas aplicadas a pesquisa farmacológica, pois tenho um interesse especial por ter uma irmã cientista dedicada a esta área. Tenho focado a pesquisa por interesses transversais, aquelas relacionadas a GSK.: 

. A GSK aplica IA para entender a causalidade genética de doenças, o que pode reduzir as taxas de deserção em fases avançadas de testes clínicos .

. A AstraZeneca, por exemplo, usa uma ferramenta de IA generativa (PathChat DX®) para analisar imagens e dados clínicos, ajudando a identificar pacientes que responderiam melhor a tratamentos oncológicos, o que pode até incluir vacinas.

Em resumo, a IA já é uma ferramenta prática na área farmacológica que está sendo usada para:

Aceleração, automatizando descobertas e experimentos. Previsão, antecipando mutações virais criando vacinas "à prova de futuro" (R-DELF). Precisão, buscando os melhores alvos e projetando antígenos mais potentes ex: Evaxion.

Há ainda outras facilmente encontradas na internet mas, continuo restringindo as postagens a uma página, até para facilitar a leitura.

Por hoje é só.

1(https://portuguese.news.cn/20260222/fa026739d2ed41659af01b97b818e2e7/c.html)

domingo, 8 de março de 2026

Vamos em frente

 Após um período de silêncio queria externar opinião diante da triste realidade que o mundo exibia e ainda exibe em Gaza, onde dezenas de milhares de crianças foram, e ainda são, brutalmente assassinadas pelas bombas israelenses.

O cenário político no Brasil também não me animava pois a extrema direita, e a direita também, dissimulada, herdeiras de fato do que mais torpe existe em nossa existência social, a herança da escravidão, pois se julga ainda detentora do Estado como indenização, se esmerava, e se esmera, embalada no desespero da iminência de uma derrocada eleitoral, nas mais sórdidas manobras parlamentares.

Não seria caso de me surpreender, mas a cada dia se assiste ao cada vez mais sórdido em matéria de política, de jornalismo e de decadência social. Tudo muito bem propagandeado e alimentado pela mídia mainstream. Aliás, não deveria mesmo ser surpresa pois Pulitzer já o havia previsto já em 1917.

Quando a Trump, com sua diplomacia lupanar acaba expondo a realidade das monarquias (se é que se pode assim chamá-las) da região do golfo, (Bahreim, Emirados Árabes Unidos, Catar, Abu Dhabi, Kuwait e Arábia Saudita) herdeiras do poder britânico que se aposentou em 1971, devido a negociação com as sete grandes para daí reestruturar o preço do petróleo, segundo uma nova realidade hegemônica chamada petrodólar, acaba também expondo uma camada de poder ainda mais intrincada baseada nas correntes religiosas xiitas, sunitas e wanabitas que, apesar de se apresentarem como todas muçulmanas, disputam poder e dominação.

Agora, depois de mais uma trapalhada do Trump, ficará mais difícil negociar um equilíbrio a favor da economia petrolífera, quando todos aqueles monarcas, que têm suas riquezas guardadas na City, não vão arriscar o pescoço a favor do macho alfa da região, o esquartejador herdeiro saudita, Príncipe Mohammad bin Salman que tomou o poder militarmente com a ajuda das sete grandes e dos governos ocidentais e o silêncio ensurdecedor de toda comunidade europeia.

Aliás os muçulmanos xiitas do Iran sabem muito bem desta realidade, pois a viveram em 1953 na derrubada do governo Mossadegh e em 1979 quando tiveram que lutar pela sua soberania petrolífera e nacional contra os EUA e sua aliada wanabita Arábia Saudita.

Se já não bastasse assistir na TV a toda essa súcia ainda vemos o funeral das cento e setenta meninas muçulmanas assassinadas neste ataque israelense-americano sob o olhar destes monarcas muçulmanos do Golfo entupidos de petróleo e ouro naqueles hotéis de obsceno luxo e frivolidade.

Mas, buscando a serenidade e a lucidez, teremos que olhar para o lado bom da evolução e da sobrevivência. E aí veremos as notícias, por exemplo, da evolução dos processos de recuperação de embalagens PETs em meio aos resíduos urbanos, a evolução da biologia quântica, a evolução da aplicação da inteligência artificial na criação e produção de fármacos.

Se conectarmos estas novidades científicas e tecnológicas aplicadas ao bem-estar, saúde e sobrevivência humana à realidade política e geo-política também podemos retirar lições transversais:

- a ciência da AI (os seus pesquisadores) passa a reconhecer benefícios e riscos a saúde física e intelectual dos seres humanos

- a tecnologia aplicada a AI, que se aperfeiçoa no sentido de substituir as conexões chip-to-chip e a internas dos data-center eliminando custos altíssimos, fazendo-a cada vez mais ao alcance do seu uso legítimo por parte da humanidade.

E então, exorcizando as mazelas da recalcitrante doença política destra, aumentando as esperanças de uma nova ordem, aí teremos o ponto de inflexão para uma nova fase que tanto desejamos; ainda que tenhamos que arrastar este cadáver insepulto da direita mundial.

Mas...vamos em frente





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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Lixo e petróleo

 Ontem assisti um bem elaborado vídeo promocional da ORIZON. Interessado no assunto e dando prosseguimento ao blog “Lixo e Luxo” de 01/04/25 (https://www.youtube.com/watch?v=mhYOSlM4io) busquei na página https://orizonvr.com.br/ da empresa ver a evolução desta nestes últimos anos e dar saúde e vida longa ao Sr. Pilão. E que ele sirva de exemplo para outros empreendedores. Com ele o lixo virou um luxo.

Afora a divulgação deste bem sucedido e luxuoso empreendimento no lixo, há algumas questões que não poderia passar despercebidas; e uma delas é a relação do Brasil com os Estados Unidos após o episódio do sequestro do presidente Maduro que, no meu modo de ver “caiu de maduro” mesmo. Justifico o meu ponto de vista pela facilidade que os militares do EUA tiveram em desligar a defesa antiaérea venezuelana. Por mais que queiram negar, contraponho cinquenta milhões de dólares oferecidos pela captura do presidente; além do fato que Maduro não se configurava como um herdeiro de fato do Chavismo. Se aproximava, para ser mais condescendente. O quero então realçar são as três questões derivam deste fato rumoroso e emblemático:

1- A secura americana por petróleo.

2- A utilização do petróleo como salvaguarda dos petrodólares.

3- O enfrentamento a China no hemisfério ocidental; na América Latica propriamente, já que o binômio União Europeia / OTAN deixou de ser um contraponto a Rússia que, acabou utilizando as sanções como impulsionador de suas indústrias.

Senão vejamos 1: A secura americana por petróleo

A sociedade que praticamente fundou o automobilismo, relaxou na construção de ferrovias, ou pelo conforto e pela mobilidade propiciada pelo automóvel, ou por “influência” dos capitais empatados tanto na exploração do petróleo quanto na construção das autoestradas. A expansão acelerada do automobilismo a partir da década de 30 realmente fez negligenciar a utilização da ferrovia; tanto que a maioria faliu nos anos pós guerra WWII. Realmente o automobilismo tem um peso fundamental; se considerarmos então o transporte aéreo aí é que a secura exponencia. Mesmo esta abordagem superficial revela a não existência de transporte ferroviário subsidiado tanto para carga quanto para passageiros; o que não ocorreu nas economias do Japão e Europa pós-guerra WWII. Os EUA, muito mais que o resto do mundo, ficou refém do petróleo.

2- A utilização do petróleo como salvaguarda dos petrodólares.

Não cabe aqui aprofundamento da análise da gênese da crise do petróleo de 1973, mas como síntese do aprendizado adquirido podemos ver a adequação da política externa americana às relações com a Arábia Saudita e demais países produtores do Golfo (Arábia SauditaIraqueIrãKuwaitCatar e Emirados Árabes Unidos). A política externa em relação a estes países, que era monolítica, passou a ser modulada segundo os interesses israelenses combinados com a oferta de petróleo e as mesmas relações com a OPEP. Ou seja, como os EUA iriam tirar partido da aproximação com a Arábia Saudita, Catar e Emirados e, ao mesmo tempo, satisfazer as exigências israelenses; exigências estas que também interferiam no mercado financeiro interno; isto é, os banqueiros. Hoje é absolutamente visível aquela relação, inclusive quando os EUA jogam sua reputação no lixo pressionados pelos compromissos assumidos naquela época. Os petrodólares são a essência daqueles compromissos.

3- O enfrentamento a China no hemisfério ocidental; na América Latica propriamente, já que o binômio União Europeia / OTAN deixou de ser um contraponto a Rússia que, acabou utilizando as sanções como impulsionador de suas indústrias.

A manobra “Maduro kidnapping”, a meu juízo, não tem os desdobramentos que têm sido propaladas na mídia mainstream; Trump não consultou previamente as petroleiras para saber o passo seguinte. Aí está a prova que o ceo da Exxon não sabia quão desastrada era, do ponto de vista profissional, técnico e econômico. Tal manobra tem o condão de manter a bolha dos governos de direita da América Latina e com isso afastá-la comercialmente da China. Acho que Trump, Rúbio e demais confiam demais nos governantes deste campo da direita, afinal eles são de direita. Será que não conhecem a lenda do escorpião e do sapo para cruzar o rio? 

Nem Trump aprendeu com o primeiro mandato, nem Rúbio tem o mínimo verniz diplomático. Ambos estão se metendo a fogueteiros e acabam apenas cumprindo o protocolo neocon. Do episódio “Maduro kidnapping” até o controle absoluto de governos latino-americanos, há um caminho um pouco diferente do que propala a mídia mainstream. Este caminho passa pelo comércio, pelo auxílio financeiro e pelo investimento direto. A China aprendeu o caminho com o tempo e praticou, praticou, praticou.

Não desejo aqui aprofundar o assunto petróleo combustível, pois já é por si só complexo demais no seu destino combustível. Quero sim realçar a vertente petróleo-plásticos, embalagens “pet” e demais poluidores do planeta. Aqui tem riqueza também. Que o diga o Sr. Pilão da ORIZON.