Fugindo um pouco da linha que
venho seguindo nos blogs; uma referente a uma preocupação
planetária, que cobre geração, coleta e tratamento dos resíduos
produzidos pela nossa civilização em todas as escalas, da coleta a
produção de derivados; a outra que se refere ao avanço da IA
aplicada principalmente a área farmacológica, sendo que nesta
última passei a dar atenção a recente inferência desta em níveis
comportamentais; por exemplo a última publicação onde abordo a
conexão da psicologia de Jung e a biologia quântica, hoje não
posso deixar de expressar a minha opinião, talvez perplexidade,
sobre a rejeição da proposta da extinção do regime de trabalho 6
por 1, isto é, considerar cinco dias como base.
Sobre
o tema lembro ainda quando comecei a trabalhar o regime se baseava na
legislação de 1943, que determinava 48 horas semanais, com limite
de oito horas diárias. Logo se passou a aplicar uma derivação
sendo sábado considerado meio dia. Sob a mesma legislação
passou-se a praticar a isenção do sábado, acrescendo uma hora e
trinta e seis minutos (1h-36m) para compensar o sábado não
trabalhado, perfazendo nove horas e trinta e seis minutos diários de
segunda-feira a sexta-feira; regime este que até hoje sobrevive
talvez na maioria dos casos. Ocorre que há categorias, comerciários
por exemplo, que sofrem aberto desrespeito a legislação. Isto
ocorre obviamente devido a tolerância permitida de quem depende do
escasso emprego. Tanto é verdade que há até economistas e
políticos que ainda preconizam a velha regra de manter desemprego
como controle de inflação.
Lembro
de um livro que li por volta de 1963, “O elogio do lazer”
do filósofo e matemático Bertrand Russel, que me deixava dividido.
Muito jovem trabalhava na saudosa PANAIR do BRASIL (que é assunto
para futuro texto – ou melhor, desabafo) e o horário para mim era
apenas um detalhe; por mim ficava o dia inteiro ao lado dos aviões,
paixão que nutro até os dias de hoje. Lá já trabalhava das sete
até cinco e meia da tarde, já que não havia expediente aos sábados
na oficina.
Mencionei
estar dividido naquela época, pois a paixão pela aviação e a
leitura de Bertrand Russel não podiam ser conciliadas na minha mente
muito jovem. E porque cito este embate psicológico? Porque este
conflito também reside na essência do pensamento de boa parte
daqueles que se insurgem contra a atual proposta governamental. Não
a totalidade dos “insurretos”, pois muitos assim estão por
interesse imediato como empregadores e primários de percepção
política ou social, outros por mera birra política, já que são
contra o governo atual que propõe a redução, acusando-a como
sempre de eleitoreira, e outros por não entenderem mesmo os
benefícios que outrora o grande pensador, filósofo e matemático já
vaticinava.
Também
temos que lembrar que a evolução industrial se deu em meio a
evolução tecnológica mas...esta financiada pelo trabalho exaustivo
de mais de doze horas diárias. Basta o exemplo das tecelagens
inglesas do início do século XX. A visão desta imagem abaixo serve
melhor do que mal poderia descrever aquela exploração.
Aduz-se que a redução proposta ainda convive com a exploração do trabalho
escravo, volta e meia presente no noticiário. Ou seja, a redução
tem como opositores uma gama ampla que vem desde as crenças
primitivas (próprio B.Russel abre seu livro com esta citação:
“Como grande parte da minha geração, fui criado com o adágio:
“Satanás reserva sempre alguma traquinice para as mãos ociosas”)
até a pura e simples oposição,
esta também motivada por crenças não muito confessáveis, ou por
interesse ou por primarismo mesmo.
Como muitos interpõe a
redução do horário de trabalho como causador de desemprego,
expõe-se uma falácia: desemprego versus inflação. A evolução do pensamento
econômico, após Galbraith por exemplo, já nos indica a falácia do
desemprego como forma de contenção de inflação; isto é ciência
barata, se é ciência.
Portanto, não querendo
estender o limite de leitura, ainda que desejando que as ideias que
expus se propaguem, deixo aqui a frase do Alfred North Whitehead, que
também admiro totalmente:
As
ideias não são para guardar; alguma coisa tem que ser feito com
elas