Após um período de silêncio
queria externar opinião diante da triste realidade que o mundo
exibia e ainda exibe em Gaza, onde dezenas de milhares de crianças
foram, e ainda são, brutalmente assassinadas pelas bombas
israelenses.
O
cenário político no Brasil também não me animava pois a extrema
direita, e a direita também, dissimulada, herdeiras de fato do que
mais torpe existe em nossa existência social, a herança da
escravidão, pois se julga ainda detentora do Estado como
indenização, se esmerava, e se esmera, embalada no desespero da
iminência de uma derrocada eleitoral, nas mais sórdidas manobras
parlamentares.
Não
seria caso de me surpreender, mas a cada dia se assiste ao cada vez
mais sórdido em matéria de política, de jornalismo e de decadência
social. Tudo muito bem propagandeado e alimentado pela mídia
mainstream. Aliás, não deveria mesmo ser surpresa pois Pulitzer já
o havia previsto já em 1917.
Quando
a Trump, com sua diplomacia lupanar acaba expondo a realidade das
monarquias (se é que se pode assim chamá-las) da região do golfo,
(Bahreim, Emirados Árabes Unidos, Catar, Abu Dhabi, Kuwait e Arábia
Saudita) herdeiras do poder britânico que se aposentou em 1971,
devido a negociação com as sete grandes para daí reestruturar o
preço do petróleo, segundo uma nova realidade hegemônica chamada
petrodólar, acaba também expondo uma camada de poder ainda mais
intrincada baseada nas correntes religiosas xiitas, sunitas e
wanabitas que, apesar de se apresentarem como todas muçulmanas,
disputam poder e dominação.
Agora,
depois de mais uma
trapalhada do Trump,
ficará mais difícil negociar um equilíbrio a favor da economia
petrolífera, quando todos aqueles monarcas, que têm suas riquezas
guardadas na City, não vão arriscar o pescoço a favor do macho
alfa da região, o esquartejador
herdeiro saudita,
Príncipe Mohammad bin
Salman que
tomou o poder militarmente com a ajuda das sete grandes e dos
governos ocidentais e o silêncio ensurdecedor
de
toda comunidade europeia.
Aliás
os muçulmanos xiitas do Iran sabem muito bem desta realidade, pois a
viveram em 1953 na derrubada do governo Mossadegh e em 1979 quando
tiveram que lutar pela sua soberania petrolífera e nacional contra
os EUA e sua aliada wanabita Arábia Saudita.
Se
já não bastasse assistir na TV a toda essa súcia ainda vemos o
funeral das cento e setenta meninas muçulmanas assassinadas neste
ataque israelense-americano sob o olhar destes
monarcas muçulmanos do Golfo entupidos de petróleo e ouro naqueles
hotéis de obsceno luxo e frivolidade.
Mas,
buscando a serenidade e a lucidez, teremos que olhar para o lado bom
da evolução e da sobrevivência. E aí veremos as notícias, por
exemplo, da
evolução dos processos de recuperação de embalagens PETs em meio
aos resíduos urbanos, a
evolução da biologia quântica,
a evolução da aplicação da inteligência artificial na criação
e produção de fármacos.
Se
conectarmos estas novidades científicas e tecnológicas
aplicadas ao bem-estar, saúde e sobrevivência humana à realidade
política e geo-política também podemos retirar lições
transversais:
-
a
ciência da AI (os seus pesquisadores) passa a reconhecer benefícios
e riscos a saúde física e intelectual dos seres humanos
-
a tecnologia
aplicada a AI, que se aperfeiçoa no sentido de substituir as
conexões chip-to-chip e a internas dos data-center eliminando custos
altíssimos, fazendo-a cada vez mais ao alcance do seu uso legítimo
por parte da humanidade.
E então,
exorcizando as mazelas da recalcitrante doença política destra,
aumentando as esperanças de uma nova ordem, aí teremos o
ponto de inflexão para uma nova fase que
tanto desejamos; ainda que tenhamos que arrastar este cadáver
insepulto da direita mundial.
Mas...vamos em frente
-