quinta-feira, 19 de março de 2026

Complexidade

 Quando pedi a minha irmã uma crítica sobre o texto do último blog onde busquei, com ajuda de AI, a conexão entre a biologia quântica e a estrutura arquetipal da psicologia de Jung, aproveitei do seu profundo conhecimento da farmacologia, sua especialidade, por ter a esperança de haver uma função que, atravez de fármacos, alcançaria um alívio que amenizasse o sofrimento humano.

De posse da sua crítica e de uma experiência vivida em Carajás em 1989, hoje estabeci uma conexão que me faz remeter ao pensamento da complexidade que, inerente ao nosso universo, tento sintetizar (???, quanta ousadia) neste texto.

A tal complexidade extraí, como base, dos textos de Jacques Monod (O acso e a necessidade) e de Edgard Morin (Ciência com Consciência e O pensamento da Complexidade).

A complexidade que experimentei adveio da lembrança da defesa de tese na USP (1977) desta minha irmã, à época orientada pelo grande Maurício da Rocha e Silva combinada com a experiência que tive em Carajás ao ver e acompanhar a epopéia dos catatadores (folheiros) de folhas de jaborandí. Adicionei aqui a chamada para um vídeo que aprofunda o conhecimento desta epopeia e a evolução científica-econômica que desta partiu.1

Material adicional sobre a industrialização está disponível em 2

O elemento de conexão foi a ação da pilocarína extraida das folhas do jaborandi que é quimicamente parecida com a acetilcolina, cujo desdobramento da ação na musculatura lisa foi pesquisa e objeto do estudo já em 1977 por parte desta minha irmã.

A conexão que aqui me refiro deriva da mesma conexão que ocorre no meu sistema parassimpático, que em mim se estabelece, no nível que move (quase simultaneamente?) a concepção e a digitação deste texto no momento que o escrevo.

Ocorre que a percepção desta conexão não me garante nem certeza nem tampouco pertinencia desta mesma conexão; daí o pensamento da complexidade. Mas já basta para enfrentar o tema, ou ou por ousadia e ignorância, ou pelo profundo sentimento que sou parte desta mesma complexidade.

Escolhi a frase de Edgar Morin que melhor reflete este meu pensamento micro-parte deste complexo universo:

A consciência da complexidade nos faz compreender que não poderemos escapar jamais da incerteza e que jamais poderemos ter um saber total: 'a totalidade é a não verdade'.

1https://www.youtube.com/watch?v=N8Mp29yz1wA

2 https://sistemas.eel.usp.br/bibliotecas/monografias/2011/MEQ11005.pdf#:~:text=Figura%204%20%E2%80%93%20Estrutura%20dos%20alcal%C3%B3ides%20is%C3%B4meros,uma%20base%20cristalina%20opticamente%20ativa%2C%20sol%C3%BAvel%20em

segunda-feira, 16 de março de 2026

Redução 6x1 considerações e ideias

 Fugindo um pouco da linha que venho seguindo nos blogs; uma referente a uma preocupação planetária, que cobre geração, coleta e tratamento dos resíduos produzidos pela nossa civilização em todas as escalas, da coleta a produção de derivados; a outra que se refere ao avanço da IA aplicada principalmente a área farmacológica, sendo que nesta última passei a dar atenção a recente inferência desta em níveis comportamentais; por exemplo a última publicação onde abordo a conexão da psicologia de Jung e a biologia quântica, hoje não posso deixar de expressar a minha opinião, talvez perplexidade, sobre a rejeição da proposta da extinção do regime de trabalho 6 por 1, isto é, considerar cinco dias como base.

Sobre o tema lembro ainda quando comecei a trabalhar o regime se baseava na legislação de 1943, que determinava 48 horas semanais, com limite de oito horas diárias. Logo se passou a aplicar uma derivação sendo sábado considerado meio dia. Sob a mesma legislação passou-se a praticar a isenção do sábado, acrescendo uma hora e trinta e seis minutos (1h-36m) para compensar o sábado não trabalhado, perfazendo nove horas e trinta e seis minutos diários de segunda-feira a sexta-feira; regime este que até hoje sobrevive talvez na maioria dos casos. Ocorre que há categorias, comerciários por exemplo, que sofrem aberto desrespeito a legislação. Isto ocorre obviamente devido a tolerância permitida de quem depende do escasso emprego. Tanto é verdade que há até economistas e políticos que ainda preconizam a velha regra de manter desemprego como controle de inflação.

Lembro de um livro que li por volta de 1963, “O elogio do lazer”1 do filósofo e matemático Bertrand Russel, que me deixava dividido. Muito jovem trabalhava na saudosa PANAIR do BRASIL (que é assunto para futuro texto – ou melhor, desabafo) e o horário para mim era apenas um detalhe; por mim ficava o dia inteiro ao lado dos aviões, paixão que nutro até os dias de hoje. Lá já trabalhava das sete até cinco e meia da tarde, já que não havia expediente aos sábados na oficina.

Mencionei estar dividido naquela época, pois a paixão pela aviação e a leitura de Bertrand Russel não podiam ser conciliadas na minha mente muito jovem. E porque cito este embate psicológico? Porque este conflito também reside na essência do pensamento de boa parte daqueles que se insurgem contra a atual proposta governamental. Não a totalidade dos “insurretos”, pois muitos assim estão por interesse imediato como empregadores e primários de percepção política ou social, outros por mera birra política, já que são contra o governo atual que propõe a redução, acusando-a como sempre de eleitoreira, e outros por não entenderem mesmo os benefícios que outrora o grande pensador, filósofo e matemático já vaticinava.

Também temos que lembrar que a evolução industrial se deu em meio a evolução tecnológica mas...esta financiada pelo trabalho exaustivo de mais de doze horas diárias. Basta o exemplo das tecelagens inglesas do início do século XX. A visão desta imagem abaixo serve melhor do que mal poderia descrever aquela exploração.

Aduz-se que a redução proposta ainda convive com a exploração do trabalho escravo, volta e meia presente no noticiário. Ou seja, a redução tem como opositores uma gama ampla que vem desde as crenças primitivas (próprio B.Russel abre seu livro com esta citação: “Como grande parte da minha geração, fui criado com o adágio: “Satanás reserva sempre alguma traquinice para as mãos ociosas”) até a pura e simples oposição, esta também motivada por crenças não muito confessáveis, ou por interesse ou por primarismo mesmo.

Como muitos interpõe a redução do horário de trabalho como causador de desemprego, expõe-se uma falácia: desemprego versus inflação. A evolução do pensamento econômico, após Galbraith por exemplo, já nos indica a falácia do desemprego como forma de contenção de inflação; isto é ciência barata, se é ciência.

Portanto, não querendo estender o limite de leitura, ainda que desejando que as ideias que expus se propaguem, deixo aqui a frase do Alfred North Whitehead, que também admiro totalmente:

As ideias não são para guardar; alguma coisa tem que ser feito com elas

1“O elogio do lazer” – Companhoa Editora Nacional - 1957