sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Sorry

 Hoje estou realmente convicto que haverá, por parte do governo Trump, algo que levará a uma moratória, pelo menos interna; pois se o fizer no plano externo, no intuito de prejudicar os que entesouraram os títulos americanos, as consequências serão catastróficas externa e internamente; não acredito que o farão. Mas para alcançar autoridade para esta medida arriscada interna o governo americano terá de vencer algumas barreiras políticas, todas elas com potencial representação no congresso: o complexo industrial militar que consome uma generosa fatia do orçamento, os enfadonhos neocons herdeiros de Sarah Palin e Pat Buchanan e aqueles que depois de 2008 querem recuperar suas avarezas perdidas a qualquer custo.

Tanto o atual governo republicano, quanto os democratas sabem que perderam a corrida tecnológica e que as consequências da nefasta financeirização que tomou conta da economia, empurrando indústrias importantes para o extremo oriente na busca de “trabalho escravo” como diziam, implicaria em um tempo muito maior que os quatro (ou oito) anos para retomá-las, mesmo com investimento e participação estatal, tal como fizeram com Elon Musk e as autarquias federais. Ocorre que aqueles antes mencionados neoliberais renhidos nem querem ouvir falar de recuperação com a participação estatal; é coisa de comunista assim devem pensar. Só há então uma saída para Trump e seu movimento MAGA great again: fazê-lo à força. Daí ter já externado aqui que Trump terá de buscar à qualquer preço uma saída institucional que lhe ampare. Mas aí vem a inexorável pergunta: - Dará tempo nestes quatro anos? E ainda tem de arrastar a velha e cansada Europa, com suas aspirações oníricas no G7.

Para responder a questão colocada somente o tempo nos dirá, e esse tempo está se esgotando. Até lá Israel já trucidou milhões de crianças; Taiwan já jurou fidelidade a Peking; os ucranianos conseguiram botar generais corruptos,  oportunistas e banderistas para fora; Macron vai querer incorporar a Alemanha, o Reino Unido e o planeta Marte; Milei se exilou em El Salvador; Charles III exilou Thomas Bowles, contra a vontade de Camilla, para a Ilha de Ascenção ou Pitcairn; e Lula já com cem anos estará com uma tesão de vinte, como ele mesmo diz, sorry.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Espero

 Ontem lí a mensagem que Trump enviou a Xi para que não esquecessem nesta comemoração dos 80 anos de vitória sobre o Japão em 1945 a colaboração dos EUA na luta, onde muitos americanos morreram heroicamente. Ao final ele faz uma ironia estendendo as saudações a Putin e Kim Jong Un “que conspiram contra os Estados Unidos”. Ironias à parte, Trump tem razão na cobrança à memória daqueles que ajudaram na libertação da China e que me fez lembrar da campanha da Birmânia, atual Myanmar.

Lembro da menção a esta campanha na revista “LIFE” (uma coleção que possuía na adolescência) onde mostra a tropa de mulas que foi o meio possível de avançar na floresta da Birmânia. Este episódio virou filme (no Brasil, “Os comandos do Inferno” – Merril´s Marauder ) que pouco ou nada referenciava ao trabalho de um oficial engajado, ex-corretor de seguros, que viabilizou o avanço naquela densa floresta tropical sob o regime das monções; (Major William A. L. Borden, busquei agora na internet). Não pude perder este filme pois minha mãe não perdia um filme do ator Jeff Chandler, já que ela o achava muito parecido com meu pai. Mas, para incômodo dela, eu achei uma “obra de carregação” hollywoodiana. Eu conhecia a verdadeira narrativa a partir da revista LIFE (circa 1946). Nesta reportagem de LIFE, diferentemente do filme, apareciam as mulas que eram transportadas de avião desde o território americano num memorável esforço logístico. Talvez Trump nem saiba desse episódio que narrei. Aliás, não sabe muitas coisas…

Aproveito então para comentar o desfile militar que assisti uma boa parte. Um verdadeiro espetáculo de “exibição de força”, comme il faut, onde mostra avanços bélicos, equipamentos, veículos e novidades que ocidente ainda não possui. Quanto aos MBT´s (main battle tanks) e aos drones foi um espetáculo à parte. Por que menciono esta particularidade de superioridade sobre as nações ocidentais e mesmo sobre a Rússia? Porque Xi Jinping no seu discurso de abertura do congresso do Partido Comunista teria mencionado que a “questão de Taiwan” seria resolvida ainda no seu governo. O que podemos inferir então? - Vamos botar os pés no chão: a superioridade de Taiwan na tecnologia de produção de “chips” brevemente será superada. Por duas razões: a) a China, particularmente a Huawey, já encomendou a futura geração. b) a atual tecnologia de produção de chips terá de ser obrigatoriamente mudada devido, por um lado pelo estrago que provoca no meio ambiente dado a enorme quantidade de água que utiliza poluindo-a com metais pesados; por outro, pelo alto índice de descarte que ocorre na produção do “waffle”. Ou seja, já estamos na fronteira da ruptura tecnológica. O que se conclui: Xi Jinping já foi informado destes fatos e do prazo para a tomada da nova tecnologia; fez as contas e agora é só esperar para Taiwan perder a sua importância relativa. Nesse momento os EUA perderão também seu interesse: _ Buscarão uma presa mais valiosa.

Dado que esta demonstração de força ainda irá provocar reações secundárias no continente europeu que, por sua vez, será obrigatoriamente premido a uma decisão sobre a construção de uma nova balança “bem estar social x poder militar”, balança esta que se equilibra com ajuda americana, sem a qual a economia de todos os países simplesmente revogaria o “estado-de-bem-estar-social”, que hoje é uma instituição em si mesma. O cenário já está montado ao meu ver.

Lembrando então a Campanha da Birmânia que precisou para a vitória, da ajuda das mulas do Fort Warren - Cheyenne, Wyoming, EUA. (onde se criavam as mulas,, hoje base de mísseis intercontinentais), hoje os americanos verão que, para saírem dessa posição de difícil sobrevivência, onde a importação de produtos agrícolas passou a ser fator estratégico, terão que continuar a usar as “mulas latinas”, para que sua agricultura sobreviva, mesmo com o atual alto grau de mecanização.

Esta demonstração de força propiciada pela parada do PLA chinês só me fez reforçar a ideia que a verdadeira e definitiva guerra travar-se-á na manutenção dos mananciais de água potável, na evolução da agricultura orgânica de escala, no controle inteligente das epidemias e menos na eficácia de armamentos que pouco a pouco se tornam obsoletos. Diferentemente dos romanos que diziam “si vis pacem para bellum” – se desejas a paz, faça a guerra, ouso dizer no meu latim de ginásio : "Si vis bellum vincere, pacem fac". 

 E “ac per hoc”, Israel irá perder esta guerra genocida. Espero


segunda-feira, 1 de setembro de 2025

El caminar hace el camino

 A partir de toda as ações de Trump, dentro dos EUA e também a partir do porrete “tarifaço” com que vem brandindo sobre as cabeças de Lula, Xi, Putin, Ramaphosa e Modi passo a acreditar que tal comportamento visa realmente é o ambiente interno americano. São tantas as contradições nas ações de Trump que sugerem, tal como estaria explicado na “Doutrina do Choque” de Naomi Klein, a criação de um estado de tensão interna, a ponto de gerar conflitos e comoção social, o que obrigaria a instalação de um estado de exceção, ou estado de guerra, por parte do Washington sem data de término; ou seja a instalação de uma ditadura, tal como tentada no seis de janeiro de 2021 no ataque ao Capitólio. Seria a única forma que Trump imaginaria para se livrar da tutela do “estado profundo”, dos neocons e, talvez (??), tentar um reset na impagável dívida americana.

Por que imagino essa situação? Por ser, na minha interpretação, a raiz das mutuamente conflitantes medidas que têm gerado comoção na opinião pública interna, juntamente o distanciamento dos EUA na diplomacia americana: - uma predição, um sinal, de um “reset” próximo.

Diante desta possibilidade i.e. de um “reset”, ou uma moratória americana, acho que estaríamos, nós brasileiros e todos os demais que entesouraram dólares (moeda e títulos) em uma situação muito pior que imaginaria o mais pessimista dos neoliberais; caso não houvesse a opção de um sistema substituto do SWIFT. Portanto, qualquer que seja o desdobramento do governo Trump seria sempre oportuno e previdente, tanto para o Brasil quanto os demais países do BRICS, já ir se livrando do excesso de dólares; de preferência trocando por bens reais não apenas títulos e moedas. Eis a razão porque a China ainda irá demorar a propor uma moeda transnacional. Enquanto isso vão se fazendo trocas nas moedas locais; o que não é o ideal do ponto de vista operacional e mesmo estratégico. Mas enquanto não se chega a uma situação de distribuição ótima de moedas e valores, as trocas em recursos próprios é uma solução viável...até que os EUA façam uma moratória, mesmo interna; que é um dos piores cenários...e os formuladores de guerras americanos sabem disso.

Mesmo eu não tendo conhecimento sobre economia, posso afirmar que as guerras encomendadas no presente nada mais são que a preparação para um cenário onde os artefatos nucleares seriam meros estalinhos perto de um grande “reset”. Os europeus sabem muito bem disso pois seriam os mais prejudicados. Daí terem se comportado sentadinhos quetinhos enquanto Trump passava um sabão no rebelde Zelensky; lamentável.

Realmente não estou descrevendo o enredo de um filme de Quentin Tarantino, tampouco quero ser pessimista, pois sei que Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul têm quadros diplomáticos e competentes economistas, entretanto o cenário que se criou com a inesperada e vertiginosa queda do poder americano sob Trump, juntamente o comportamento absolutamente repreensível de Ursula Von der Leyen desde os tempos da pandemia, (nem quero falar da Victoria Nuland), juntamente ao inconcebível “desastre” do NordStream, leva a uma situação só vista na história nos períodos pré-guerra, mas “omnia cum pretium”. Se quisermos sair dessa teremos que pagar um preço, principalmente no estado do bem estar social da Europa. Mas qual e quão grande este será? Só caminhando em direção a sobrevivência e o convívio pacífico é que saberemos. El caminar hace el camino.