quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Espero

 Ontem lí a mensagem que Trump enviou a Xi para que não esquecessem nesta comemoração dos 80 anos de vitória sobre o Japão em 1945 a colaboração dos EUA na luta, onde muitos americanos morreram heroicamente. Ao final ele faz uma ironia estendendo as saudações a Putin e Kim Jong Un “que conspiram contra os Estados Unidos”. Ironias à parte, Trump tem razão na cobrança à memória daqueles que ajudaram na libertação da China e que me fez lembrar da campanha da Birmânia, atual Myanmar.

Lembro da menção a esta campanha na revista “LIFE” (uma coleção que possuía na adolescência) onde mostra a tropa de mulas que foi o meio possível de avançar na floresta da Birmânia. Este episódio virou filme (no Brasil, “Os comandos do Inferno” – Merril´s Marauder ) que pouco ou nada referenciava ao trabalho de um oficial engajado, ex-corretor de seguros, que viabilizou o avanço naquela densa floresta tropical sob o regime das monções; (Major William A. L. Borden, busquei agora na internet). Não pude perder este filme pois minha mãe não perdia um filme do ator Jeff Chandler, já que ela o achava muito parecido com meu pai. Mas, para incômodo dela, eu achei uma “obra de carregação” hollywoodiana. Eu conhecia a verdadeira narrativa a partir da revista LIFE (circa 1946). Nesta reportagem de LIFE, diferentemente do filme, apareciam as mulas que eram transportadas de avião desde o território americano num memorável esforço logístico. Talvez Trump nem saiba desse episódio que narrei. Aliás, não sabe muitas coisas…

Aproveito então para comentar o desfile militar que assisti uma boa parte. Um verdadeiro espetáculo de “exibição de força”, comme il faut, onde mostra avanços bélicos, equipamentos, veículos e novidades que ocidente ainda não possui. Quanto aos MBT´s (main battle tanks) e aos drones foi um espetáculo à parte. Por que menciono esta particularidade de superioridade sobre as nações ocidentais e mesmo sobre a Rússia? Porque Xi Jinping no seu discurso de abertura do congresso do Partido Comunista teria mencionado que a “questão de Taiwan” seria resolvida ainda no seu governo. O que podemos inferir então? - Vamos botar os pés no chão: a superioridade de Taiwan na tecnologia de produção de “chips” brevemente será superada. Por duas razões: a) a China, particularmente a Huawey, já encomendou a futura geração. b) a atual tecnologia de produção de chips terá de ser obrigatoriamente mudada devido, por um lado pelo estrago que provoca no meio ambiente dado a enorme quantidade de água que utiliza poluindo-a com metais pesados; por outro, pelo alto índice de descarte que ocorre na produção do “waffle”. Ou seja, já estamos na fronteira da ruptura tecnológica. O que se conclui: Xi Jinping já foi informado destes fatos e do prazo para a tomada da nova tecnologia; fez as contas e agora é só esperar para Taiwan perder a sua importância relativa. Nesse momento os EUA perderão também seu interesse: _ Buscarão uma presa mais valiosa.

Dado que esta demonstração de força ainda irá provocar reações secundárias no continente europeu que, por sua vez, será obrigatoriamente premido a uma decisão sobre a construção de uma nova balança “bem estar social x poder militar”, balança esta que se equilibra com ajuda americana, sem a qual a economia de todos os países simplesmente revogaria o “estado-de-bem-estar-social”, que hoje é uma instituição em si mesma. O cenário já está montado ao meu ver.

Lembrando então a Campanha da Birmânia que precisou para a vitória, da ajuda das mulas do Fort Warren - Cheyenne, Wyoming, EUA. (onde se criavam as mulas,, hoje base de mísseis intercontinentais), hoje os americanos verão que, para saírem dessa posição de difícil sobrevivência, onde a importação de produtos agrícolas passou a ser fator estratégico, terão que continuar a usar as “mulas latinas”, para que sua agricultura sobreviva, mesmo com o atual alto grau de mecanização.

Esta demonstração de força propiciada pela parada do PLA chinês só me fez reforçar a ideia que a verdadeira e definitiva guerra travar-se-á na manutenção dos mananciais de água potável, na evolução da agricultura orgânica de escala, no controle inteligente das epidemias e menos na eficácia de armamentos que pouco a pouco se tornam obsoletos. Diferentemente dos romanos que diziam “si vis pacem para bellum” – se desejas a paz, faça a guerra, ouso dizer no meu latim de ginásio : "Si vis bellum vincere, pacem fac". 

 E “ac per hoc”, Israel irá perder esta guerra genocida. Espero


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