A partir de toda as ações de Trump, dentro dos EUA e também a partir do porrete “tarifaço” com que vem brandindo sobre as cabeças de Lula, Xi, Putin, Ramaphosa e Modi passo a acreditar que tal comportamento visa realmente é o ambiente interno americano. São tantas as contradições nas ações de Trump que sugerem, tal como estaria explicado na “Doutrina do Choque” de Naomi Klein, a criação de um estado de tensão interna, a ponto de gerar conflitos e comoção social, o que obrigaria a instalação de um estado de exceção, ou estado de guerra, por parte do Washington sem data de término; ou seja a instalação de uma ditadura, tal como tentada no seis de janeiro de 2021 no ataque ao Capitólio. Seria a única forma que Trump imaginaria para se livrar da tutela do “estado profundo”, dos neocons e, talvez (??), tentar um reset na impagável dívida americana.
Por que imagino essa situação? Por ser, na minha interpretação, a raiz das mutuamente conflitantes medidas que têm gerado comoção na opinião pública interna, juntamente o distanciamento dos EUA na diplomacia americana: - uma predição, um sinal, de um “reset” próximo.
Diante desta possibilidade i.e. de um “reset”, ou uma moratória americana, acho que estaríamos, nós brasileiros e todos os demais que entesouraram dólares (moeda e títulos) em uma situação muito pior que imaginaria o mais pessimista dos neoliberais; caso não houvesse a opção de um sistema substituto do SWIFT. Portanto, qualquer que seja o desdobramento do governo Trump seria sempre oportuno e previdente, tanto para o Brasil quanto os demais países do BRICS, já ir se livrando do excesso de dólares; de preferência trocando por bens reais não apenas títulos e moedas. Eis a razão porque a China ainda irá demorar a propor uma moeda transnacional. Enquanto isso vão se fazendo trocas nas moedas locais; o que não é o ideal do ponto de vista operacional e mesmo estratégico. Mas enquanto não se chega a uma situação de distribuição ótima de moedas e valores, as trocas em recursos próprios é uma solução viável...até que os EUA façam uma moratória, mesmo interna; que é um dos piores cenários...e os formuladores de guerras americanos sabem disso.
Mesmo eu não tendo conhecimento sobre economia, posso afirmar que as guerras encomendadas no presente nada mais são que a preparação para um cenário onde os artefatos nucleares seriam meros estalinhos perto de um grande “reset”. Os europeus sabem muito bem disso pois seriam os mais prejudicados. Daí terem se comportado sentadinhos quetinhos enquanto Trump passava um sabão no rebelde Zelensky; lamentável.
Realmente não estou descrevendo o enredo de um filme de Quentin Tarantino, tampouco quero ser pessimista, pois sei que Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul têm quadros diplomáticos e competentes economistas, entretanto o cenário que se criou com a inesperada e vertiginosa queda do poder americano sob Trump, juntamente o comportamento absolutamente repreensível de Ursula Von der Leyen desde os tempos da pandemia, (nem quero falar da Victoria Nuland), juntamente ao inconcebível “desastre” do NordStream, leva a uma situação só vista na história nos períodos pré-guerra, mas “omnia cum pretium”. Se quisermos sair dessa teremos que pagar um preço, principalmente no estado do bem estar social da Europa. Mas qual e quão grande este será? Só caminhando em direção a sobrevivência e o convívio pacífico é que saberemos. El caminar hace el camino.
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