A reação da direita
brasileira através dos órgãos da imprensa mainstream há
muito deixou de ser oposição, passou a ser algo que beira o
desespero, senão a estultícia. A reação desta aos acordos
assinados entre China e Brasil, obviamente úteis aos dois países
traz aspectos absolutamente estranhos aos interesses nacionais
brasileiros e demonstra a absoluta dependência aos interesses
americanos; (ia dizer atlanticistas, mas seria impreciso). Visto do
ponto de vista da política de controle e gestão das redes sociais e
demais produtos de internet nos demais países ocidentais, não temos
nenhuma política pública que possa se dizer restritiva; daí a
imensa quantidade do conteúdo inútil e pernicioso com que nos
defrontamos. Mas os serviços úteis, produtivos e que auxiliam na
evolução social, estão demonstrando que fazem parte de um novo
patamar civilizacional. Parece que os jornalões brasileiros, mesmo
dependendo e defendendo interesses internacionais, nem conseguem
enxergar a sua trajetória declinante em direção ao esquecimento e
ao consequente fim.
No
espectro dos grupos brasileiros temos exemplos de sobra que mostram a
predominância daqueles que tiveram acesso ao rádio e a televisão.
E mesmo estes, com a acesso a rádio e tv, quando diante de
concorrência e disputa política tiveram fim, visto terem perdido a
sua mais importante missão: a definitiva utilidade pública. Aqui
citamos dez exemplos dos principais grupos da imprensa, incluindo
aqueles com rádio e tv que existiam no século XX, que chegamos a
conhecer; lendo e assistindo.
1. Diários Associados
(em
declínio no século XX)
Fundado por Assis
Chateaubriand (Chatô),
foi o maior conglomerado de mídia do Brasil nos anos 1940-1960,
incluindo:
Jornais: Diário
da Noite, Jornal
do Commercio (RJ), Diário
de São Paulo.
Revistas: O
Cruzeiro (a
mais influente da época), A
Cigarra.
Rádios e TV: TV
Tupi (a
primeira do Brasil, falida em 1980).
Declínio:
Após a morte de Chatô (1968), o grupo entrou em crise financeira e
perdeu espaço para a Globo e
outros veículos.
2. Última Hora
(1951–1971, com tentativas de retorno)
Jornal fundado por Samuel
Wainer, com
apoio de Getúlio Vargas, conhecido por seu tom sensacionalista e
político.
Fim:
Fechado pela ditadura militar em 1971, sob acusação de corrupção.
Tentou voltar nos anos 1980, mas sem sucesso.
3. O Estado de S.
Paulo (grupo
original, antes da cisão)
A família Mesquita controlava
o Estadão,
mas o jornal foi censurado durante a ditadura (1964–1985).
Em 2002, parte da família
saiu e criou o Jornal
da Tarde (encerrado
em 2012).
4. Manchete (Bloch
Editores – anos 1990)
5. A Noite (1911–1957,
depois absorvido)
Um dos primeiros grandes
jornais do Rio de Janeiro, fundado por Irineu
Marinho (que
depois criou O
Globo).
Fim:
Foi comprado pelos Diários
Associados e
depois extinto.
6. Correio da Manhã
(1901–1974)
Jornal importante que apoiou
o golpe de 1964, mas depois criticou a ditadura.
Fim:
Fechado em 1974 por pressão do regime militar.
7. O Jornal
(1924–1975,
depois vendido)
8. Tribuna da Imprensa
(1949–2013,
com interrupções)
Fundado por Carlos
Lacerda, foi
um jornal combativo e
essencialmente político-partidário.
Fim:
Teve várias fases, mas entrou em declínio nos anos 2000 e fechou
em 2013.
9. A Luta (1900–1930,
extinto)
Jornal operário do Rio de
Janeiro, ligado a movimentos sociais.
Fim:
Fechado durante o Estado Novo (1937).
10. Gazeta de Notícias
(1875–1942,
depois absorvida)
Poder-se-ia
dizer que no caso brasileiro a componente política foi o principal
fator de degradação de tais grupos. Sim, foi importante a
componente política, mas as causas se estendem também a fatores
econômicos e gerenciais. Se utilizarmos o exemplo americano, onde a
liberdade de imprensa era, e ainda é, uma pedra fundamental do
Estado e praticamente, após a Guerra Civil, nunca houve golpes de
estado e demais pertubações políticas como
no nosso caso (aliás,
financiadas e protagonizadas pelos próprios EUA)
também a demolição de verdadeiros monumentos empresariais ocorreu
por interferência
política e ainda por não
acompanhar a evolução tecnológica. Evolução
esta que demanda verbas normalmente cedidas pelas agências estatais.
Podemos citar os seguintes casos de jornais no século XX, que
inclusive ainda temos
alguns exemplares :
1. New York
Herald Tribune (1966)
• Formado
pela fusão do New York Herald e do New York Tribune,
foi um dos principais jornais dos EUA no início do século XX.
• Declinou
devido à concorrência com o The New York Times e o New
York Post, encerrando suas operações em 1966.
2. Scripps-Howard
News Service
(transformado)
• A
E.W. Scripps Company foi um grande grupo de jornais e rádios, mas
muitos de seus veículos foram vendidos ou fundidos ao longo do
século XX.
• Alguns
jornais do grupo, como o Rocky Mountain News (fechado em
2009), sobreviveram até o século XXI antes de desaparecer.
▪ 3. Knight
Ridder (2006)
• Um
dos maiores conglomerados de jornais dos EUA, dono de The Miami
Herald, The Philadelphia Inquirer e San Jose Mercury
News.
• Foi
vendido para a McClatchy Company em 2006, que posteriormente também
entrou em falência (2020).
▪ 4. International
News Service
(INS) (1958)
• Fundado
por William Randolph Hearst, competia com a Associated Press (AP) e
United Press (UP).
• Fundiu-se
com a UP em 1958, formando a United Press International (UPI),
que perdeu relevância nas décadas seguintes.
▪ 5. Chicago
Daily News (1978)
• Um
dos jornais mais influentes dos EUA, fechou em 1978 devido ao
declínio nas vendas.
▪ 6. Look
Magazine
(1971) e Life Magazine
(versão original, 1972)
• Grandes
revistas ilustradas que fecharam devido à queda nas vendas e
concorrência com a televisão.
• Life foi
relançado posteriormente como revista especializada.
▪ 7. The
Saturday Evening Post
(original, 1969)
• Uma
das revistas mais populares dos EUA, entrou em declínio nos anos
1960 e deixou de ser publicada regularmente. Quem
nunca viu as ilustrações de Norman Rockwell do início do século?
Magistrais
▪ 8. Pulitzer
Newspapers (vendido
em 1995)
• Controlava
jornais como o St. Louis Post-Dispatch, mas foi vendido para a
Lee Enterprises.
• Muitos
desses grupos desapareceram devido à mudança nos hábitos de
consumo, concorrência da TV e, mais tarde, da internet. Alguns
títulos foram relançados digitalmente, mas perderam sua influência
original. Muitos
deles escorregaram na patranha de “Watergate”.
Há
ainda a imensa influência das tv´s abertas da
segunda metade do no
século XX. As Big Three:
*A
Fox
fundada em
1986 por Rupert Murdoch, tornou-se a "quarta rede" nos anos
1990, mas não é tão antiga quanto as "Big Three".
Como pode se ver pelo curto
histórico apresentado no Brasil e no EUA (nem quis mostrar o caso do
Reino Unido que é dramático), a mudança de fatores políticos,
econômicos, sociais e tecnológicos obrigará a uma revisão de
políticas públicas relacionadas a utilização dos meios de
comunicação.
A atual
situação dos
principais grupos de media brasileiros já é preocupante. Estão
ancorados em interesses econômicos e políticos absolutamente
decadentes desconexos
com a realidade geo-política e macroeconômica e dependendo de ação
de extrema-direita nas
redes-sociais, que
“travaille pour lui-même”.
Esta
já não encontra amparo na antiga pax-americana. Globo, Folha e
Estadão procuram um discurso tatibitati para
fazer oposição a atual evolução do Sul Global, capitaneada pelos
BRICS e tendo o Governo Lula, de
frente ampla, diga-se de passagem, como
ponta-de-lança desta
expansão do Sul Global,
realidade objetiva
inconteste ipso facto.
O último
“causo”
do jantar com as comitivas presidenciais, onde
a episódica manifestação sobre a rede social TikTok , quando a
cantilena orquestrada sobre a fala da Primeira-Dama, revelou-nos o
real gosto e maneiras da oposição, já atrapalhada com os eventos
golpistas e a patética figura do ex-presidente, à la manière et le
goût des républiques bananières. Elegante esta mídia...Não? Nem boas maneiras mais...