Tenho que fazer a pergunta, após ver na imprensa internacional a liberação, por parte do novo governo da Alemanha, de oitocentos bilhões de euros, fora do orçamento(https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2025/03/05/entenda-a-guinada-historica-da-alemanha-e-dos-europeus-nos-gastos-bilionarios-com-defesa.htm). Equilíbrio fiscal ainda está na moda?
E a implacável cobrança que a Alemanha de Angela Merkel fez a Grécia de Yanis Varoufakis? Citava a higidez fiscal, citava a deficit orçamentário e não perdoou um centavo sequer.
Hoje, seja para gastar em armamento na Ucrânia, seja para recuperar as indústrias alemãs, que o déficit vá as favas. Esse discurso de déficit zero era em outros tempos para enganar os trouxas que acreditavam nessas aberrações econômicas, tiradas de cursos de economia fajutas.
Ocorre que a intolerância com que trataram a Grécia, acabou por arrastar Portugal, Itália, Irlanda, Espanha para uma situação financeira que, não somente inibiu investimentos públicos, cujos resultados hoje fazem falta, mas também desequilibrou a economia mundial em 2008 a ponto de levá-la a uma crise que, como era de se esperar, já que os rios correm para o mar, veio desaguar seus resultados na economia americana. Afora os erros megalomaníacos, não fora a intervenção do Estado americano, a crise ter-se-ia prolongado. Até quando?
Mas, quando Angela Merkel, fulminou Varoufakys, sopravam os ventos do neoliberalismo, este, nada mais que um eufemismo para repetir as políticas aplicadas pelos países centrais, ainda nos anos 30 do século XX, escaldados estavam pela crise de 29. Há ainda os estragos causados pela dupla Reagan-Tatcher, esses, recentes á época e badalados pelos neófitos. Recolhi na internet uma charge muito engraçada que sintetisa o espírito crítico (depois que a tempestade passou é claro)

Mas não posso deixar de trazer este tema para os nossos tempos brasileiros. Só que aqui, diferentemente da situação da Alemanha de Merkel, o tal do equilíbrio fiscal que alardeam, nada mais é que uma manobra política encomendada ao Parlamento, retrato fiel de uma geração despolitizada e inculta mesmo, para manter privilégios da "turma da bufunfa", como diz Paulo Nogueira Batista Jr. ( cujo pai tive a honra, ainda garoto, de conhecer pela mão de minha saudosa Tia Lalica no Itamaraty ). Discursos com um economês "tatibitati", que denunciam pouca leitura, e reflexão menos ainda, repetem fórmulas já atropeladas pelos países centrais. Que o diga o atual Chancelar Alemão.
Aconselho a leitura de uma entrevista da Profa. Mariana Matzzucato, (cujo endereço anexo a seguir) cujo título é: "Para guerra o dinheiro aparece do nada".https://www.ihu.unisinos.br/categorias/645211-para-a-guerra-o-dinheiro-surge-do-nada-entrevista-com-mariana-mazzucato
Fica uma pergunta terrível: Será que, para nós brasileiros, uma guerra nos salvaria dessa parvoíce esperta e aproveitadora apelidada de "equilíbrio fiscal", que a tantos tontos engana?
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