Ainda comentando o blog de ontem (19/0/25) “Alguns”, estamos assistindo a temperatura aumentando no plano internacional, e nacional também, com a decisão do envio de uma flotilha naval com quatro mil soldados embarcados em direção a Venezuela. Não é nada de se estranhar pois no passado Trump, quando soube das reservas petrolíferas da Venezuela teria dito a assessores: “Por que não vamos lá tomar?”. Com a maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela é um butim valioso. Só no século XX a Venezuela teve vinte e sete presidentes (sem contar Hugo Chávez), vários deles com mandato de menos de um ano. Não seria de estranhar agora, depois que os ingleses tomaram impunemente as suas reservas de ouro, viessem a oferecer recompensa pela cabeça do seu Presidente, com a justificativa de ser narcotraficante, já que a desculpa de eleições fraudadas não colou de tão esfarrapada que era. É muito petróleo...
Mas, deixando de lado a Venezuela, estou acompanhando o rumoroso affair Magnitsky; um dos instrumentos de pressão para que um dos membros dos BRICS+, talvez o atualmente mais fraco politicamente, venha a se enfraquecer a ponto de ano que vem, venha ser derrotado e substituído por um governo de “extrema direita” que venha retirar o país dos BRICS+. Friso aqui “extrema direita”, pois se vencedor um governo de direita, ou centro-direita, a este não será permitido dispensar a imensa receita de exportação do agronegócio para o nosso melhor e maior parceiro comercial. Ou seja, as manobras em direção a desestabilização do atual governo não reverterá necessariamente em afastamento da China. Só restará a ação da força e do golpe de estado novamente, como foi conseguido em 2016, com auxílio de Lava-Jato, forças armadas e tudo mais...e nem assim foi possível desgarrar o agronegócio e demais exportadores da dependência comercial da China, ainda que tentado o fastamento político.
Ou seja, não nos confundam com Venezuela, Irã e Etiópia, pois nações, assim como sistemas, animais, nações e qualquer aglomeração viva, principalmente as de grande complexidade e tamanho físico, está constituída de uma capacidade de resiliência proporcionada pela equifinalidade de seus componentes, “ainda que haja componentes em oposição a sua função final”, segundo Bertalanfy, Walter Ashby, Norbert Wiener e tantos outros.
Não espero que Hugo Motta, Alcolumbre e muito menos o capitão Tarcísio, o Ratinho, o Zema, Caiado e todos estes candidatos aos despojos políticos do bolsonarismo venham entender que este nosso caos brasileiro, estas nossas complexidades1, expressam a interação das diversas camadas sociais, étnicas, culturais da nossa vida, que é o locus onde a magia acontece – onde a vida, a inovação e a adaptação florescem. É essa a sutil dinâmica do nosso, ainda que lento, progresso; fronteira entre a fina flor da ordem e a bagunça do caos carnavalesco.
As diversas tentativas de golpe e levantes que há muito, à sorrelfa, foram tramados e financiados pela “ordem” e pela “meritocracia” acabam por trombar e ter que enfrentar as suas próprias e complexas macunaímicas contradições.
Nestes últimos tempos, desde Juscelino que eu me lembre, lá se vão setenta anos, após tantas tentativas ainda não se conseguiu dividir o “gigante adormecido”… e não se sabe o porquê. Que pena que Darcy Ribeiro não está mais entre nós para explicar melhor estas nossas sutilezas, complexidades e porquês.
1"Complexity: The Emerging Science at the Edge of Order and Chaos" - M. Mitchell Waldrop.
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