Após o anúncio da tão badalada reunião do Alaska fiquei de tocaia para capturar na imprensa mundial as diversas leituras, a maioria delas tendenciosas para um lado e para o outro, e entender, à luz da percepção dos tempos presente e pretérito, as motivações de ambas as partes.
Na percepção deste zeitgeist também não posso deixar de considerar meus referenciais éticos, políticos e ideológicos; todavia deixando deliberadamente operar um filtro para que não viesse a repetir a vulgaridade das várias matérias que correm na “mídia”. Como disse, a maioria tendenciosa e sem a preocupação de aplicar qualquer filtro ético. Entretanto também não posso deixar de pesar a consciência e julgamento de quem pouco se preocupa com o genocídio de Gaza e o assassinato deliberado de crianças.
Coloco que a questão de entender como motivação do encontro é perceber a imensa pressão que sofre Trump, em meio ao ataque de neocons, a contínua briga entre as agências de inteligência do governo americano1 e a nua e crua realidade de uma economia que se desconstrói mais rapidamente do que se esperava. O MAGA era a tábua de salvação que se apresentava à época das eleições, pois os democratas fracassaram exatamente por se afogarem na corrupção e na rasputza2 da Guerra da Ucrânia. Lembremo-nos que Trump prometera na campanha eleitoral acabar com a guerra em vinte e quatro horas, depois de cem dias; ou seja precisava dar alguma resposta ao povo americano.
Ao mesmo tempo a administração republicana passou a perceber, como já o fizera no primeiro mandato, (basta ver o famoso discurso de Vice Vance na Europa onde dizia claramente que não era justo o cidadão americano pagar pelo social welfare europeu, enquanto vários deles americanos eram moradores de rua) que ao europeus cabia o ônus, ou a maior parte deste, das despesas de defesa militar. O que há décadas os cidadãos americanos, democratas de um lado e republicanos de outro, cobram dos governos que se alternam são os USD 55 – 80 bilhões 3 que todo o ano se escoam quando europeus mal contribuem com menos de um décimo desta montanha de dinheiro público.
Hoje os governos americanos dos últimos anos, sejam democratas ou republicanos, e mesmo o povo americano se dão conta de que enquanto gastavam estes quase cem bilhões de dólares anuais arrumando briga mundo afora, os chineses gastavam em torno de USD 1 trilhão em educação e USD 1,2 trilhões em saúde. Pergunte-se então porque passaram à segunda posição no ranking econômico.
Qualquer que seja a orientação ideológica de quem venha a avaliar a situação do que Trump herdou, inclusive do seu primeiro mandato, com um mínimo de atenção, verá que a “Guerra da Ucrânia” fora uma herança, na qual o Departamento de Estado (considere-se aí Victoria Nuland et caterva), têm absoluta responsabilidade. Tivessem olhado com respeito para o trabalhador americano mantendo as indústrias de base em seu território hoje não estariam estendendo tapete vermelho para Putin no Alaska. Não estariam perdendo o enorme valor da indústria aeronáutica (aviônicos, motores, etc…) que os russos deixaram de comprar devido as milhares de sanções aplicadas irresponsavelmente a torto e a direito. Tampouco explodido o NordStream, um ativo que hoje enorme falta faz a economia ocidental.
Mas o que incomoda de facto, pelo menos a mim e à aqueles brasileiros com responsabilidade social, independentemente da sua raiz ideológica, é Trump ceder a chantagem, ou se aproveitar dela para fraquejar os BRICS, de um foragido da lei que, desesperadamente tenta salvar seu pai, outro fora-da-lei, de um julgamento isento, dentro dos trâmites legais normais (assim como o fizeram com o ex-presidente Lula quando preso por quase dois anos por um juiz vassalo e sem pudor algum do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e das inúmeras agências de inteligência no exterior CIA, DIA, NSA, NRO, NGA ). Tivesse o pai feito o que fez, se fosse nos Estados Unidos da América, hoje já estaria em Guantanamo ou talvez sendo “homenageado” em Arlington Memorial VA.USA. Mas...somos brasileiros no coração. Alguns...
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2Rasputza – Lama que se forma no fim da primavera e que historicamente impediu o avanços dos exércitos.
3Forças no Exterior:
Alemanha: O epicentro das forças dos EUA na Europa.
Total: Aproximadamente 35.000 a 38.000 militares.
Principais Bases:
Wiesbaden: Sede do Comando dos EUA para a Europa (USEUCOM) e do Comando do Exército dos EUA na Europa (USAREUR).
Ramstein: A base aérea americana mais importante fora dos EUA. Sede do Comando da Força Aérea dos EUA na Europa (USAFE) e uma plataforma crucial para projeção de poder, medical evacuation (MEDEVAC) e inteligência.
Grafenwöhr/Hohenfels: Maior área de treinamento e campo de provas do Exército dos EUA fora dos Estados Unidos.
Stuttgart: Sede do Comando dos EUA para a África (USAFRICOM) e do Comando da Marinha dos EUA na Europa e África.
Spangdahlem: Base Aérea importante para caças e outras aeronaves.
Itália:
Total: Cerca de 13.000 militares.
Principais Bases:
Aviano: Base Aérea com esquadrões de caças F-16 e, futuramente, F-35.
Gaeta: Porto-base para a Esquadra Six da Marinha dos EUA, que inclui destróieres e cruzadores com sistema de defesa Aegis.
Sigonella: Base Naval e Aérea crucial para operações no Mediterrâneo, Oriente Médio e África, servindo como hub de logística, inteligência e vigilância (com drones Global Hawk, por exemplo).
Vicenza: Base do 173ª Brigada Aerotransportada e das forças de operações especiais.
Reino Unido:
Total: Cerca de 9.500 militares.
Principais Bases:
RAF Lakenheath e RAF Mildenhall: Bases da Força Aérea fundamentais. Lakenheath é a base de caças F-15E e F-35A, enquanto Mildenhall abriga aeronaves de reabastecimento aéreo (KC-135) e transporte especial.
Espanha:
Total: Cerca de 3.500 militares.
Principais Bases:
Rota: Base Naval que serve como porto-base para quatro destróieres Aegis, parte do sistema de defesa de mísseis da OTAN.
Morón: Base Aérea que serve como ponto de apoio para forças de reação rápida, incluindo uma "Força-Tarefa Aérea de Resposta de Crise" (Crisis Response Air Task Force).
Polônia: A presença na Polônia cresceu dramaticamente após 2014. Embora não seja uma "presença permanente" no sentido clássico (por questões de acordos com a Rússia), há uma presença rotativa e contínua.
Força: A missão principal é a Força-Tarefa Polónia, que inclui uma brigada de combate blindada rotativa. O número de tropas dos EUA no país varia, mas é uma das maiores presenças na linha de frente do Leste.
Outros Países com Presença Significativa:
Romênia, Letônia, Lituânia, Estônia: Esses países, assim como a Polónia, abrigam forças de Presença Avançada Reforçada (eFP) da OTAN, que incluem tropas dos EUA em caráter rotativo. O objetivo é dissuasão e defesa coletiva.
Noruega: Presença rotativa de fuzileiros navais para treinamento no Ártico.
Grécia e Turquia: Possuem bases importantes para a OTAN e os EUA (ex: Incirlik, na Turquia), mas a presença permanente é menor se comparada aos países listados acima.
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