quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A titulo de contribuição

 Em uma postagem anterior cheguei a ser "repreendido" por criticar o "mercado", simplificação ou epíteto ´para "mercado financeiro". Hoje, acompanho na mídia as notícias sobre o caso Master-Vorcaro. Francamente não me surpreende que o tal do "mercado", aqui no nosso país e alhures,  não seja o criadouro dessas figuras espertas que buscam a super riqueza baseando-se na avidez dos investidores; a maioria destes também atrás de riqueza fácil. Em detrimento do trabalho, é claro. Há causas remotas.

Quando da implantação do neoliberalismo, alma mater das tramoias, aqui já identificado pela criação do "Consenso de Washington", se iniciava, no nosso país e alhures, a desindustrialização que tinha como um dos vetores a própria política governamental aplicada à compras estatais e também das empresas estatais que optava pela importação de máquinas e equipamentos, em detrimento da produção nacional, por ser "mais cara".  

Temos os exemplos das plataformas de petróleo da Petrobrás fabricadas do outro lado do mundo, na . Nem sei se o custo do translado era contabilizado no preço final, afinal espera-se de tudo nessa sandice. Além disso todos sabemos as condições de trabalho, sanitárias e do meio ambiente que reinavam naqueles estaleiros. O resultado era obviamente esperado: o alto custo de manutenção daquelas plataformas. Conversei com engenheiros da manutenção então sediados em Macaé-Rio de Janeiro que confirmaram a exponenciação dos custos. Mais grave ainda foi o caso da plataforma P-36 que em 2001 ceifou 11 vidas. As causas daquele desastre foram conhecidas: erro de projeto e dificuldade de manutenção. Origem do projeto e da fabricação: Itália e Canadá. Não tenho notícias de multas ou ressarcimento por parte dos fabricantes, mas terão valor irrisório perto daquelas onze vidas perdidas; além dos custos de sua reposição.  Nenhum dos custos e responsabilidades foram imputados a aqueles que conceberam: os negócios de "menor custo", se realmente aconteceram, ou  outras razões inconfessáveis.

Herdamos as consequencias daquela onda de neoliberalismo, hoje sendo desmontado nos países desenvolvidos que a adotaram. Exemplos não faltam: o retorno do serviço de abastecimento de água e de esgotamento sanitário em vários estados europeus; o retorno as telecomunicações críticas. No caso norteamericano atividades espaciais e de pesquisa tiveram seu modus operandi mantido devido as agências governamenais e ao financiamento direto pelo Estado.

No nosso caso, restringindo-se ao caso do sistema bancário , fico realmente com uma dúvida ou mesmo suspeitas. Como não sou nem economista tampouco um estudioso do sistema financeiro, muito menos aplicador, reside a dúvida sobre as causas da eliminação dos bancos estaduais. Havia nestes bancos nichos de interferência política e corrupção que justificariam medidas drásticas, mas quando houve a privatização destes, aí é que "virou festa"; não faltam casos exemplares: Banerj, Banespa, Banestado. s Casos estes mencionados os mais emblemáticos de corrupção. Tudo consequencia do dito "consesnso" sem senso. O que os bancos estaduais teriam hoje como vantagem seria a aplicação produtiva e a distribuição dos riscos, embora está escancarado hoje o caso de corrupção do banco brasiliense. 

Os bancos estaduais cumpriram a missão de alavancar o crescimento industrial desde o período JK até Geisel. Após estes, o endividamento externo, que caracterizou o período Figuieredo,  gerou a semente para aplicação do neoliberalismo. Os desastres que se seguiram, Sarney, Collor, FHC deixaram como herança a perda do parque industrial, terreno fértil para os "gênios do mercado" que pululam hoje, não somente explorando investidores mas também tentando controlar o Estado. Isso ocorre aqui e em países do primeiro mundo que adotaram o dito "Consenso" e hoje amargam o desmonte de seu parque industrial. Há muito ainda a refletir, mas deixo aqui o meu reclamo como contribuição.



Nenhum comentário:

Postar um comentário