Fui cobrado, criticado melhor dizendo, por um parente leitor da última postagem (O estrago foi grande mesmo - 11/11/25) por não ter sido mais profundo na questão da desindustrialização. Sinto-me na obrigação da réplica, pois não sendo sociólogo, tampouco um estudioso da matéria, amarguei tempos difíceis quando da desisdustrialização, principalmente a partir de 1984, lá se vão os quarenta anos, Assim como eu, vários que se dedicavam ao desenvolvimento de sistemas de gestão industrial também o foram, mas muitos outros com clientela já firmada lograram, por sorte nossa brasileiros, sobreviver e mesmo evoluir. Ocorre que para fazer frente a evolução mundial (zeitgeist) remanescente ainda era, e ainda é, insuficiente.
O que ocorreu neste intervalo de quarenta anos onde a postagem anterior expõe a causa mais fundamental; realmente o que poderia ser agregado naquele texto seria a menção à tempestade perfeita que juntava o fator externo (Consenso de Washington) à aqueles internos que juntavam por sua vez, a baixa remuneração de trabalhadores, incluindo os qualificados, e a adesão do empresariado à práticas da financeirização, ou seja ao juro. A desindustrialização nasce desta simbiose. A desvalorização do trabalho já existia por razões culturais; a ela se juntou a financeirização.
Tive a oportunidade de conhecer empresários nestes tempos que heroicamente se opuseram a fechar as portas; alguns sossobraram, outros sobreviveram. Dentre os que conheci, e que sobreviveram, não aceitavam desempregar sabendo que tal prática reverter-se-ia contra eles mesmos. Rendo aqui a minha sincera homenagem a estes. E dentre estes alguns o fizeram por puro sentimento, pois não tinham extensão de conhecimento para identificar o fenômeno econômnico destrutivo do desemprego.
Por iutro lado também conheci economistas que defendiam uma "sadia" taxa de desemprego. Como não sou economista e tampouco acumulei saber para debater com estes defensores do desemprego em condições favoráveis, muitas vezes tive que me socorrer em Galbraith(1) que direcionava seu saber a questões mais sofisticadas relacionadas a educação e investimento, passando ao largo, muito ao largo, dessa questão esdrúxula. Chamo a atenção que nestes tempos Thomas Piketty ainda não havia produzido "O capital no século XXI". O tivesse já lido nem iria me dar ao trabalho do debate.
Mas, voltando a experiência pessoal durante estes anos difíceis, posso afirmar sem medo de errar que, aproveitando ao máximo para adquirir um pouco de cultura e leitura econômica, ainda que precária, pude identificar com mais precisão a simbiose, adrede mencionada, que gerou a nossa fragilidade econômica, expondo a herança colonial refratária ao trabalho e a adesão a valores culturais exógenos. Nem o mestiço da "Casa grande e senzala", tampouco o homem cordial das "Raizes do Brasil" nos deram a imunidade necessária para resistir aos ataques, as invectivas e aos consensos patrocinados alhures. Mas aos poucos estamos adquirindo a necessária resistência imunológica institucional contra os agentes "infecciosos"; externos e internos também. Sou otimista.
(1) - John Kenneth Galbraith: "O Novo Estado Industrial"- Civilização Brasileira- 1970
Nenhum comentário:
Postar um comentário