Fiquei refletindo sobre a reunião da CELAC, sobre a COP-30 e a nossa evolução (tenho que utilizar este termo, não há outro) econômica. O cenário latino-americano que foi construído desde os últimos quarenta anos deriva da criação do conhecido Consenso de Washinton, (termo criado pelo economista inglês John Willianson) que sugeria, e mesmo obrigava, medidas que nos levaram, todos os latinos que acreditaram ou foram induzidos pela sua ingenuidade, ignorância política e econômica ou conveniência, à uma situação cujo preço de correção hoje é quase impagável. Afora o fato de ter ajudado a potencializar, e mesmo construir, uma classe dominante absolutamente corrupta; praticamente em todos os países, não somente na América Latina.
Mas, se observarmos o que ocorreu na China no mesmo período, i.e. os últimos quarenta anos, veremos o que fez diferir o desenvolvimento foi a não adoção das medidas preconizadas por aquela Consenso. A motivação desta “não adoção” é discutível ideológica e politicamente. Vejamos o quadro abaixo que representa o PIB neste período.
Gostaria de comentar as ditas medidas sugeridas pelo Consenso e as questões a estas inerentes:
. Disciplina Fiscal: Evitar grandes déficits fiscais.
. Provavelmente os EUA não cumpriram esta medida. Só serviu para outros.
. Redirecionamento dos gastos públicos: Priorizar gastos em áreas essenciais como educação primária, saúde primária e infraestrutura, em vez de subsídios indiscriminados.
- Nós brasileiros cumprimos esta medida, mormente no que concerne a educação?
. Reforma tributária: Ampliar a base tributária e adotar alíquotas marginais moderadas.
. A nossa demorou os quarenta naos e ainda parece tímida.
. Liberação das taxas de juro: Permitir que as taxas de juros sejam determinadas pelo mercado.
Só mesmo um ingênuo para aplicar esta medida...(desde que não seja um experto)
. Taxa de câmbio competitiva: Adotar uma taxa de câmbio competitiva e orientada pelo mercado para impulsionar exportações.
. De produtos primários, deve ser.
. Liberação do comércio: Eliminar barreiras ao comércio, como restrições quantitativas à importação, substituindo tarifas por tarifas baixas e uniformes.
-Parece que o Trump não concorda com esta medida. Nem mesmo um economista não entende o objetivo desta medida.
. Liberação do investimento estrangeiro direto: Remover barreiras para o investimento estrangeiro direto.
-A China soube aplicar esta medida, mas acompanhada de outras bem mais sérias e inteligentes
. Privatização das empresas estatais: Transferir empresas estatais para o setor privado.
- Aqui e alhures virou uma farra oportunista, até abastecimento de água e esgotamento sanitário foi privatizado. Mas as nações europeias já estão voltando atrás. Afinal, se não há possibilidade de livre concorrência qual a justificativa?
. Desregulamentação: Abolir regulamentações que impeçam a entrada no mercado ou restrinjam a concorrência, com exceção de regulamentações de segurança, ambientais e de proteção ao consumidor.
- A medida anterior sugerida não a contradiz?
. Segurança jurídica sobre o direito de propriedade: Assegurar e proteger os direitos de propriedade.
- A China entendeu bem o objetivo desta medida.
Hoje sentimos profundamente os efeitos das medidas adotadas e o mais intrinsecamente destrutivo foi a consequente desindustrialização. E como este efeito induziu: um Ensino privado decadente, o desemprego em massa, a precarização do trabalho (ver a quantidade de jovens menores empregados pelo tráfico), a financeirização da economia e esta por sua vez oportunizando, através das altas taxas de juro, o aumento da corrupção.
Afora estas consequências descritas ainda temos que consertar os estragos na economia que a caterva extremista fez nos últimos anos no poder. E agora tenta desesperadamente retomá-lo. Oxalá não seja pelas urnas...já que as consideram inconfiáveis. Não há mais questões a debater com este extremo. O que lhes resta é a vulgarização da Segurança. Ou melhor, a letalização desta. O estrago foi grande mesmo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário