terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Evoluir minha gente...evoluir

Afora as tramoias conterrâneas, todas já frequentando a diária antologia popular, pois qualquer cidadão do povo brasileiro sabe, até por intuição, que a malta que frequenta o parlamento não resiste a mais superficial investigação sobre seus malfeitos, de tão descarados. O estranho é que esta malta lá está através do voto, segundo uma legislação eleitoral desengonçada que se apoia no mais maroto expediente, a compra sob diversas formas do voto: da promessa de emprego público, até a doação de dentadura. 
 Agora, mais recentemente, se associa a estes expedientes primitivos a interferência religiosa com mais ênfase. 
Antes, desde a velha república, a interferência era de uma só igreja; agora, democraticamente, somam-se dezenas de novas igrejas neopentecostais. 
 Eis, em poucas palavras, o cenário que expressa a cultura política que as forças conservadoras cultivam na nossa sociedade. Somente consigo, desta forma sintética, ver o efeito que o conservadorismo impôs na nossa sociedade desde os tempos da velha república. Esta, por sua vez, herdeira da pérfida escravidão que durou muito mais tempo que a república. “Res” que de pública não tem nada. Basta ver a que ponto chegamos após o período de distopia tendo dois espécimens, um preso e outro sentado na cadeira do senado a disparar as mais absurdas e patéticas sandices, nos deixando a enorme questão de como este apedeuta conseguiu passar no concurso para juiz federal. Como? 
Mas...chegando aos dias de hoje, me deparo com a discussão absolutamente diversa: A produção dos chip´s de dois nanômetros( 2 nM). Que impacto realmente este tem e terá na atual economia? 
Confesso a dificuldade que tenho em responder e coloco dois exemplos que talvez justifiquem a minha dificuldade de entender.: a maravilha tecnológica (nem tanto) que é o caça americano F-35. Projeto F-35 Lightning II (EUA) 
 • Início formal do projeto: 1996 (como programa Joint Strike Fighter - JSF).
• Contexto: O programa JSF foi lançado para consolidar vários projetos de caças táticos dos anos 80 e 90 (como o CALF) em um único programa multinacional. 
A fase de demonstração e validação (que definiu os conceitos da Lockheed Martin X-35 e Boeing X-32) começou oficialmente em 1996. 
 • Primeiro voo do protótipo X-35: 2000. 
 • Primeiro voo do F-35A de produção: 2006. 
Observe que o projeto desta maravilha tecnológica data de 1996. Nesta época a tecnologia de semicondutores predominante variava de 800 nm (0.8 μm) a 600 nm (0.6 μm). 
Exemplos: O Intel 486 (lançado em 1989) usava processador de 1 μm e depois 0.8 μm. Os primeiros processadores Pentium (1993) usavam 0.8 μm e depois 0.6 μm. 
Ou seja, o projeto inicial somente podia incorporar e projetar facilidades e aviônicos daquela dimensão. 

O outro projeto, este do lado russo, o caça Su-57 da Rússia 
Projeto Sukhoi Su-57 (Rússia) 
 • Início formal do projeto: 2002 (como programa PAK FA - Perspectivny Aviatsionny Kompleks Frontovoy Aviatsii, ou Complexo Aeronáutico Futuro para a Aviação de Frente). 
 • Contexto: O programa foi iniciado para desenvolver um caça de 5ª geração que substituiria os caças Sukhoi Su-27 na Força Aérea Russa. O contrato oficial de desenvolvimento foi concedido à Sukhoi em 2002. 
 • Primeiro voo do protótipo (T-50): 2010. 
 • Entrada em serviço operacional inicial: 2020 (após um processo prolongado de desenvolvimento e testes Observe-se que este, o SU-57, bem mais recente, advém de uma origem que ainda não domina a tecnologia dos “nanos” e se projeta mais eficiente do ponto de vista militar. 

Daí advém a seguinte pergunta: Por quê, nós brasileiros, não podemos desenvolver e iniciar a “reindustrialização” na área de semicondutores a partir de um patamar tecnológico compatível com a real demanda da indústria de eletrodomésticos, automobilísticos etc? … Lembrando que na década de 1960 chegamos (cheguei) a produzir semicondutores no estado-da-arte e eletrônicos que competiam em qualidade com produtos japoneses.
A diferença entre os nossos e os nipônicos? Preço; os nossos produtos não eram subvencionados. 
Aí veio a mais primária e ignorante justificativa para desistir: os importados eram mais baratos, os nossos automóveis eram uma carroça, e toda sorte de sandices piegas e primárias que foram bravejadas pelo “Caçador de Marajás”. 
Lá repousava o nosso conservadorismo, o nosso ...como o chamava mesmo Nelson Rodrigues?
Temos que evoluir minha gente.

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