terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Reflexão no metrõ

Bom dia amigos

Hoje pela manhã, lá pelas 06:00 h, na minha leitura de metrô, vazio com aquelas figuras sonolentas de trabalhadores da madrugada que voltavam para casa, todos descendo na Central para ainda encarar um trem para Japerí, Queimados, Belford Roxo e adjacências ( só mais uns minutinhos, uns 60, 70, isso quando não atrasa ), os fiquei comparando com o objeto da leitura, um artigo do Professor Luiz Belluzzo, "As armadilhas do dinheiro". No artigo, a uma certa altura  cita um estudo do Board of Governors do FED, aquele banco central  "independente" que sacou 700 bilhões de dólares do povo americano para comprar títulos privados tão podres, que o cheiro acabou chegando até aqui. Lá citava o estudo:

 "...em relação à turbulência financeira e ao rompimento do crédito associado à crise financeira global, corporações procuraram ativamente aumentar recursos líquidos a fim de acumular ativos financeiros e reforçar seus balanços. Se este tipo de cautela das empresas tem sido relevante, isto pode ter conduzido a investimentos mais frágeis do que normalmente esperado e ajuda a explicar a fraqueza da recuperação da economia global...descobrimos que a contraparte do declínio nos recursos voltados para investimentos são as elevações nos pagamentos para investidores sob forma de dividendos e recompra das próprias ações e..., em menor extensão, acumulação líquida elevada de ativos financeiros".

Traduzindo, o Fed diz clara e insofismavelmente que durante a crise, esta se realimentou do próprio crédito. Ou seja, banco fabricando dinheiro e o Tesouro dos países, todos, inclusive a América, tendo de cobrir, com dinheiro do contribuinte, é claro, o buraco deixado pelos ...que não trabalham. Simples assim.

E aqui para engabelar os mais ingênuos, e tentar comprar à preço de ocasião, a nossa riqueza material e imaterial, desmontam-se empreiteiras, Petrobrás, simples escritórios de engenharia, para-se a construção do submarino nuclear, etc....à guiza de que somos corruptos por natureza;  à menos de uma minoria que pouco se dá se a economia vai parar, se vamos perder empregos, se haverá um recrudescimento do crime, do roubo de rua. 
Pouco importa, o importante é dar continuidade a lavagem cerebral que anda em curso já faz um bom tempo.

E é bom lembrar, já vai fazer um ano que o Marcelo Odebrecht está preso. Por causa de corrupção ? Só um ingênuo recalcitrante pode acreditar. O mais perigoso meliante preso pela polícia, não fica à disposição tanto tempo. 

Está mais do que claro que a "nossa" crise há muito deixou de ser econômica ( financeira sim ) e tem os mais deslavados motivos politiqueiros enraizados na estratégia do NSA, Pentágono, CIA, etc...
Digo financeira e não econômica, pois acabamos de pagar mais de 500 bilhões de juros, gerando o déficit nominal dos 613 bilhões. Ou seja 500 bilhões subtraídos do dinheiro público para pagar os financiadores da própria crise ( eufemismo para : "a construção da arapuca pra pegar o produto do trabalho" ). Isto sim, é corrupção.

Contra fatos, diz o ditado, não há argumentos. 

Um abraço do Zé

la punizione è inevitabile

Era tutto questo periodo insufficiente per la riflessione e il pentimento? Basta solo un po 'di maturità e ragionamento.

L'arte è massime espressioni di umanità​. 

Dunque, il telaio mostra una "famiglia" veramente unita. 
E il "capo" guardia i ricordi della persona amata.
 Non voleva un "Rinascimento"?

Agora aguenta a Máfia, ou vá bater panela.
Ou então aprenda que ódio só gera ódio, e aprenda a conviver com os diferentes, com os mais pobres; pois é deles que depende teu sustento agora ​e para sempre, já que a tua aposentadoria foi pro ralo (a não ser que tu sejas juiz, desembargador, ou mesmo militar). 


Mira a tua obra.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Fim de Carnaval

Vai sumindo a euforia do carnaval, os blocos renitentes. Aqui no Rio de Janeiro, ainda perseveram as batucadas até o próximo domingo, negando-se a se entregar à sobriedade do período da quaresma. 
Já houve tempos, e eu testemunhei isso ainda criança, que as pessoas mais idosas se vestiam de negro neste período. As crianças, por alguma promessa dos pais, se vestiam de roxo. Soa muito estranho hoje, mas eram os tempos. Não sou saudoso deles não, apenhas os testemunhei, pois minha família já dava sinais de uma certa independência religiosa e cultural.

E é desta independência cultural, quiçá religiosa, que falo agora: - percebo nos planos culturais, políticos e mesmo religiosos uma renitência qual os blocos de carnaval; negam-se a evoluir e sustentam preconceitos que hoje estão sendo o superlativo do atraso, da superficialidade e, pior, da incapacidade de resistir aos mais elementares ataques a capacidade de reflexão, de ponderamento das ideias, da temperança, da sobriedade dos desejos, da meditação, por um átimo que seja. 
Parece que ainda vestimos nossas crianças de roxo...
E onde se nota mais agudamente este fenômeno de superficialidade e incapacidade de reflexão ? - Na classe média, presa fácil dos meios de comunicação, onde pouco se exige de reflexão, onde se consome ideias prontas, manchetes sensacionalistas. The Sun e The Mirror na Inglaterra, Bild na Alemanha, o The New York Daily News na América. No Brasil, nem preciso dizer os nomes, pois todo mundo já os conhece.

Chamo atenção ainda  para os eufemismos "desregulamentação do mercado", "estado mínimo", dentre outros, e que são repetidos pela turba, sem que reflita dois minutos sobre seu significado.
Senão vejamos: - "desregulamentação" significa lexicamente " não ter, retirar, descontinuar a regulamentação. Qual regulamentação ? Aquela que faz Mercado e Estado agirem simbioticamente na busca da sustentabilidade e do desenvolvimento.
Retirar tal regulamentação, esteja esta afrouxada pelo liberalismo ou apertada pela planificação míope da burocracia do Estado, significa perder as competências simbióticas e deixar a entropia levar ao caos. Simples assim.
Que Reagan e Thatcher, há mais de trinta anos, tenham ingenua e parvamente  levado o mundo a desaguar nesta sandice não é de se espantar. Mas repeti-los hoje é sinal da mais rasa e completa ignorância da complexidade econômica. E vem a mídia tentar explicar, mais do que maliciosamente, tal complexidade com o simplório: - somos um país de corruptos. O mais honesto e lúcido liberalista não poderia chegar a esta conclusão, tal a sua superficialidade. É o exemplo mais exato e preciso da ingenuidade diante da malícia. Soubessem o nível de corrupção real, que corre nos estratos financeiros mais upward do estamento social do primeiro mundo não dariam um segundo de atenção a tanta sandice escrita e falada pela mídia, seja o The Sun, o The Mirror ou os daqui mesmo.

Quanto ao "Estado mínimo", por ser patrimonialista, poderia me auxiliar do conhecido Dr. Jessé Souza, colecionador de títulos de doutorado em universidades da Alemanha, da América e do Brasil na área de sociologia e filosofia com um trecho: ...

"Como a compreensão dos mecanismos sociais que constroem a desigualdade e a injustiça social institucionalizada é complexa e incompreensível para a multidão de pessoas que tem que levar a sua vida cotidiana, a tese do patrimonialismo e da corrupção apenas estatal resolve toda essa complexidade em uma só tacada - produzindo a ilusão que se compreende o mundo e as causas das misérias sociais-, ao criar o "culpado" personalizado e materializado no Estado. Todos os problemas sociais acontecem devido a corrupção supostamente estatal . Mas o "golpe de mestre" desta tese é o ganho afetivo ao tornar a sociedade ....tão virtuosa quanto o mercado, "expulsando" o mal em um outro  (grifo meu) bem identificado..,". * 

Completando, ou seja, eles, os outros...et pour cause, o Estado.

Portanto, não há muito o que se duvidar da intencionalidade volitiva da mídia.
E para fechar o raciocínio deixaria três sentenças que simbolizam pensamento e as constatações adrede mencionadas.

. Não menos que 70% do PIB são ganhos de capital ( e não de produção ). 
. O Sr.Marcelo Odebrecht segue preso há meses qual um meliante da rua; ele que criou    a capacidade de armamento moderno ser produzido no país. 
. O presidente do Bradesco, o Sr. Trabuco,  já pediu que se parasse a politicagem e nos     dedicássemos ao trabalho e a produção. 

Liberalismo ? Estado mínimo ? Ora me poupem.

* - "A tolice da inteligência brasileira "- pag 92 - Leya Editora -2015 - Souza, Jessé ISBN 978-85-7734-588-5

Meu bom dia a Michael Moore

Estou anexando o texto recolhido por Fernando Brito, onde Michael Moore ( pra lá de manjado como teaser da América ) vem fazendo um histórico de "zebras", desde JFK, passando por Zachary Taylor em 1849, até Obama nos dias de hoje.

Mas o meu interesse no artigo não advém apenas das possíveis guinadas na política americana; que aliás nem tem sido tão grandes, basta ver a enrascada em que, hoje com Obama, se meteu na Syria, apenas para defender os interesses das petroleiras. Nem percebeu que existia, faz tempo, uma base russa em Latakia. Nem avaliou o quando seria desastroso apoiar o grupo que se transformou no monstro islâmico que hoje tenta combater, mas meio algemado pelas alianças com a Arábia Saudita que financia deslavadamente, abertamente, o Estado Islâmico, à troco de desestabilizar as correntes opostas que por lá militam, xiitas, sunitas. Isto sem falar no indireto financiamento da Al Qaeda.
Mas voltando aqui a América; - quais as chances de Bernie Sanders ? Pouco importa. Mesmo sendo uma evolução política, se compararmos aos tempos  do baby Bush, será lenta a marcha de pacificação do estado americano, já que criaram uma economia orientada para guerra... e que tem funcionado, à margem da brutal emissão de moeda, que leva, via a própria moeda,  inflação ao resto do mundo.
E nem estou falando da montanha de papel sujo (derivativos ) que querem conseguir transformar em ativos reais...
Haja petróleo, haja minério, haja siderurgia, haja grãos, as verdadeiras blue ships, para conseguir trocar pela montanha de mais de 300 trilhões de penny stocks derivativas.
Perguntaria então:
- Conseguiria Bernie esta empreitada ? Desentortar a economia...
- Haveria real mudança, com os europeus inertes perante a montanha de recursos nos paraísos fiscais ( dentro da própria Europa ) ?
- Mandaria a Dona Liliana se comportar ?

É...estou aqui esperando e dando tratos sobre o que vai acontecer...
Mais preocupado estou com este bando de tarados a querer derramar sangue, em vez de gerar riqueza, em vez de construir o país, em vez de democratizar a educação, partidários do quanto pior melhor, desde que inviabilize o governo.
Não importa se jogar-nos numa bürgerkrieg aos moldes de 1812; não importa as consequências deste "running amok" malaio; não importa as lições da Espanha de 39; não importa a desgraça que se abateu sobre as Filipinas.
Nada importa, nem o sofrimento dos seus, ...desde que se dê vazão ao ódio de classe. Desde que se abomine as nossas origens de raça, cor e cultura. Desde que se rejeite a nossa negritude e a nossa preferência pela paz....
Estou preocupado sim...mas, ainda tenho saúde para ajudar a lutar contra esta onda, senão de burrice, de ódio.
Boa leitura
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Michael Moore: o meu apoio a Bernie Sanders

POR FERNANDO BRITO · 03/02/2016

Jari da Rocha, colaborador mais que atento do Tijolaço  – para o qual promete um texto para estes dias – traz, fresquinho (com a tradução doHenri Figueiredo) o depoimento do cineasta Michael Moore ao candidato dito socialista (o que, por lá pelos EUA , é palavrão só de mencionar), Bernie Sanders , que se tornou a grande estrela das eleições primárias norte-americanas.

A derrota de Trump, entre os republicanos, pode ter sido inesperada, mas não cria um fato novo na disputa.

O virtual empate entre Sanders e Hillary Clinton, este sim, tem potencial – por enquanto, apenas potencial – de dar um rumo novo à sucessão de Barack Obama. A diferença, de apenas 0,2% foi tão pequena que, em alguns condados, para decidir quem ficaria com o delegado local, tiveram de apelar para o “toss” de uma moedinha, o nosso conhcido cara ou coroa. Se duvidar, veja no jornal inglês The Guardian, com vídeo  e tudo.

Qualquer analista político diria, hoje, que é improvável uma vitória de Sanders e estaria certo. Há dois dias, porém, antes das primárias de Iowa, diria com a maior convicção que seria impossível.

Ao texto de Moore:

O meu apoio a Bernie Sanders

Michael Moore

Meus caros amigos,

Quando eu era criança, eles disseram que não havia nenhuma maneira deste nosso país de maioria protestante eleger um católico como presidente. Em seguida, John Fitzgerald Kennedy foi eleito presidente.

Na década seguinte, disseram que a América não elegeria um presidente do “Sul profundo”(¹). O último a conseguir isso por si mesmo (e não como vice-presidente) foi Zachary Taylor em 1849. E então nós elegemos Jimmy Carter presidente.

Em 1980, eles disseram que os eleitores nunca escolheriam um presidente divorciado que casou novamente. O país tinha modos muito religiosos para isso, disseram. Bem-vindo, presidente Ronald Reagan, 1981-1989.

Eles diziam que você não poderia ser eleito presidente se não tivesse servido nas Forças Armadas. Ninguém conseguia se lembrar de alguém que não servira eleito Comandante-em-chefe. Ou quem tinha confessado fumar (mas não tragar!) drogas ilegais. Presidente Bill Clinton, 1993-2001.

E, por fim, “eles” disseram que não havia maneira de os democratas ganharem se um homem negro fosse o indicado para a Presidência – e um homem negro cujo nome do meio era Hussein! Os Estados Unidos da América seriam ainda muito racistas pra isso. “Não faça isso!”, pessoas se advertiam discretamente entre si.

BOOM!

Você já se perguntou por que os especialistas, a classe política, sempre afirmam que o povo americano “simplesmente não está preparado” para alguma coisa – e eles estão sempre tão errados? Dizem o que dizem para proteger o status quo. Eles não querem distúrbios.

Tentam assustar as pessoas comuns para que elas votem contra o seu melhor julgamento.

Agora, neste ano, “eles” estão alegando que não há como um “socialista democrático” ser eleito presidente Estados Unidos. Essa é a principal afirmação que chega agora da campanha de Hillary Clinton.

Mas todas as pesquisas mostram Bernie Sanders realmente batendo Donald Trump por duas vezes mais votos do que se Hillary Clinton fosse a candidata.

Embora as pesquisas mostrem nacionalmente Hillary batendo Bernie entre os democratas, quando o pesquisador inclui todos os independentes, então Sanders bate Trump com vantagem de 2 por 1 sobre o resultado de Hillary.

A forma como a campanha de Clinton tem atacado Sanders de “socialista” é lamentável – e surda. De acordo com a NBC, 43% dos democratas de Iowa identificam-se mais estreitamente com o socialismo (partilha, ajuda) do que com o capitalismo (ganância, desigualdade). A maioria das pesquisas apontam que os jovens adultos (18-35) em toda a América preferem o socialismo (justiça social) ao capitalismo (egoísmo).

Então, o que é o socialismo democrático? É ter uma verdadeira democracia onde todo mundo tem um lugar à mesa, onde todos têm voz, não apenas os ricos.

O dicionário Merriam-Webster anunciou recentemente que a palavra mais buscada em sua versão on-line em 2015 foi “socialismo”. Se você tiver menos de 49 anos (o maior bloco de eleitores), os dias da Guerra Fria & Commie Pinkos(²) & a Ameaça Vermelha parecem tão estúpidos como o filme “Reefer Madness”.(³)

Se o maior argumento de Hillary a respeito de porque você deve votar nela é “Bernie é um socialista!” ou “Um socialista não pode vencer!”, então ela está perdida.

O New York Times, que admitiu ter criado histórias de armas de destruição em massa no Iraque e nos empurrou para invadir aquele país, já adotou Hillary Clinton – a candidata que votou a favor da Guerra do Iraque. Eu pensei que o Times tinha pedido desculpas e se reformado. O que está havendo?

Bem, o Times gosta que seus candidatos sejam realistas e pragmáticos. E para eles, isso significa Hillary Clinton. Ela não quer acabar com os bancos, não quer trazer de volta a lei Glass-Steagall(4), não quer aumentar o salário mínimo para US$ 15 por hora, não quer o sistema de saúde gratuito como o da Dinamarca. Que é apenas não realista, acho eu.

Claro, houve um tempo em que a mídia dizia que não era “realista” aprovar uma emenda constitucional dando às mulheres o direito de votar. Eles disseram que nunca passaria porque só legisladores homens votariam na emenda no Congresso e nas legislaturas estaduais. Isso, obviamente, significava que nunca passaria. Eles estavam errados.

Disseram uma vez que não era “realista” aprovar uma Lei de Direitos Civis E uma Lei do Direito ao Voto ao mesmo tempo. A América simplesmente não estava “pronta para isso”. Ambas passaram, em 1964 e 1965.

Há dez anos fomos informados que o casamento gay nunca seria lei do país. Que coisa boa que não demos ouvidos àqueles que nos diziam para sermos “pragmáticos”.

Hillary diz que os planos de Bernie apenas não são “realistas” ou “pragmáticos”. Esta semana, ela afirmou que “um sistema público de saúde nunca, jamais, vai acontecer”.(5) Nunca? Jamais? Uau. Por que não desistir assim?

Hillary também diz que não é prático oferecer universidade gratuita para todos. Você não pode ficar mais prático do que os alemães – e eles são capazes de fazê-lo. Assim como muitos outros países.

Clinton encontrará maneiras de pagar pela guerra e por benefícios fiscais para os ricos. Hillary Clinton foi a favor da guerra no Iraque, foi contra o casamento gay, a favor do Patriot Act(6), a favor do NAFTA , e quer colocar Ed Snowden na prisão. Isso é o bastante para embrulhar sua cabeça, especialmente quando você tem Bernie Sanders como uma alternativa. Ele será o oposto de tudo isso.

Há muitas coisas boas sobre Hillary. Mas é claro que ela está à direita de Obama e vai nos mover para trás, não para frente. Isso seria triste. Muito triste.

Oitenta e um por cento do eleitorado é feminino, de cor ou jovem (18-35). E os republicanos perderam a vasta maioria de 81% do país. Quem quer seja o democrata na disputa em novembro próximo vai ganhar. Ninguém deve votar por medo. Você deve votar em quem você acha que melhor representa o que você acredita.

Eles querem assustá-lo com a ideia de que vamos perder com Sanders. Os fatos, as pesquisas, gritam exatamente o oposto: nós temos uma chance melhor com Bernie!

Trump é alto e assustador – e os liberais se assustam fácil. Mas liberais também gostam de fatos. Aqui está um: menos de 19% de os EUA são caras brancos acima de 35 anos. Então acalme-se!

Finalmente, confira este gráfico – ele diz tudo. (Nota: Hillary agora mudou sua posição e é contra TPP – Trans-Pacific Partnership.)

Eu apoiei pela primeira vez Bernie Sanders a um cargo público em 1990, quando ele, como prefeito de Burlington, me pediu para ir até um comício na sua corrida eleitoral para se tornar congressista de Vermont. Eu acho que muitos não estavam dispostos a discursar por um declarado socialista democrático naquele momento.

Provavelmente alguém de seu escritório de campanha cheio de hippies disse: “Eu aposto que Michael Moore vai topar”. Eles estavam certos. Fiz o meu melhor para explicar por que precisávamos Bernie Sanders no Congresso dos EUA. Ele ganhou e eu tenho sido um defensor seu desde então – e ele nunca me deu razão para não continuar com esse apoio. Sinceramente, pensei que nunca escreveria começando com as palavras: “Por favor, vote no senador Bernie Sanders para ser o nosso próximo Presidente dos Estados Unidos da América”.

Eu não pediria isso para vocês se não achasse que nós real e verdadeiramente precisamos dele. E nós precisamos. Talvez mais do que imaginamos.

Atenciosamente,
Michael Moore

Tradução: Henri Figueiredo

NOTAS DO TRADUTOR

1) Deep South. Extremo Sul ou Sul Profundo.

2) Pinko é uma gíria cunhada em 1925 nos Estados Unidos para descrever uma pessoa considerada simpatizante do comunismo, embora não necessariamente um membro do Partido Comunista. Tem conotação pejorativa e serve para descrever qualquer um percebido como esquerdista ou socialista.

3) “Reefer Madness”, também conhecido como “Tell Your Children”, é um filme-propaganda de 1936 feito para exibição nas escolas contra o uso da maconha e relacionando-a com loucura e violência. Foi dirigido por Louis J. Gasnier.

4) A lei Glass-Steagall, ou ato Glass Steagall de 1933, estabeleceu a Federal Deposit Insurance Corporation, ou agência garantidora de créditos. A lei foi promulgada pela administração de Franklin D. Roosevelt para, basicamente, evitar um colapso financeiro sistêmico (como aquele ocorrido em 1929) e foi fundamental para o New Deal. Em novembro de 1999 foi revogada devido ao lobby do setor financeiro junto ao Congresso dos EUA. O documentário vencedor do Oscar “Inside Job” mostra como a derrubada da lei Glass-Steagall ajudou na grande crise do sistema em 2008. O cancelamento da Glass-Stegall removeu a separação que antes existia entre os bancos comerciais e os de inversão (que, fundamentalmente, especulam com ativos mobiliários de natureza não-exigível).

5) A frase original é “(…) single payer health care will NEVER, EVER, happen.” – O pagamento único de saúde (Single payer healthcare) é um sistema em que o governo, ao invés de as seguradoras privadas, paga por todos os custos de saúde. Sistemas de pagamento único podem contratar os serviços de saúde de organizações privadas (como é o caso no Canadá) ou podem ter e empregar recursos de saúde e pessoal (como é o caso no Reino Unido). O termo “pagador único” descreve apenas o mecanismo de financiamento referente aos cuidados de saúde financiado por um único organismo público a partir de um único fundo.

6) USA PATRIOT Act, a “Lei Patriótica” ou “Ato Patriota” é o decreto por George W. Bush logo depois do 11 de Setembro de 2001, em 26 de outubro de 2001. Permite, entre outras medidas, que órgãos de segurança e de inteligência dos EUA interceptem ligações telefônicas e e-mails de organizações e pessoas supostamente envolvidas com o terrorismo, sem necessidade de qualquer autorização da Justiça, sejam elas estrangeiras ou americanas. Após várias prorrogações durante o governo de George Bush, em 27 de julho de 2011, o presidente Barack Obama sancionou a extensão do USA PATRIOT Act contrariando sua promessa de campanha.

[A principal fonte da maioria das notas foi a Wikipedia em inglês. Todas passaram por edição e checagem em ao menos uma segunda fonte.]

LEIA O TEXTO ORIGINAL “My endorsement of Bernie Sanders“. O documentarista Michael Moore, vencedor do Oscar por “Tiros em Columbine” (2002), divulgou esta carta dirigida aos eleitores norte-americanos na noite de 1º de fevereiro de 2016, durante o Caucus de Iowa – primeira eleição das Primárias à Presidência dos EUA. A apuração final indicou que Hillary teve 49,8% contra 49,6% de Sanders – diferença, portanto, de apenas 0,2%.

Mensagem aos amigos

Após a leitura de blogs pela manhã (hoje não me privei desta costumeira missão) viralizei o artigo do Fernando Brito que fala sobre as fofocas da Dona Josefina na vila onde morou. Nada mais preciso e, ao mesmo tempo, tão revoltante: pagar R$ 30.000,00 por mês para um procurador servir a interesses inconfessáveis.

Mas estou lhe escrevendo hoje para externar uma sensação que o Conselhão provocou, e vai provocar ainda mais: - Surpresa !

Como aqueles neoliberais ( se é que se pode chamar de ignorante político deste nome, melhor diria o próprio FHC - neo bobo ) vão entender o Presidente do Bradesco dando apoio a Dilma. Fico a me perguntar o que passa agora na cabeça dessa gente. Um banqueiro? Aliás, o maior banqueiro privado do país. Afinal, é um banqueiro. Isto vai criar uma barafunda na cabeça dessa gente...acredite

Vamos equacionar o seguinte então:

- Por maior que seja o esforço do Moro em arpoar  o Lula, vai acabar se ferindo com o arpão. Já está, aliás.

- Por mais que o MP se esforce na missão de vazar, distorcer, etc..vai conseguir pegar é o Cunha   

- Por maior que seja a crise mundial que se origina da tentativa de transformar 600 trilhões de derivativos em ativos reais ( daí querer degradar a Petrobrás PN a menos de 1 Dólar ) a economia brasileira, independentemente dos aspectos financeiros/contábeis, se baseia em reservas reais de commodities, afora o petróleo, em insolação, em abundância de água. Por mais que se queira degradar os commodities estes tem um valor mínimo que garante o abastecimento dos países centrais, para garantir os custos de distribuição, armazenagem e os lucros dos seus empresários, além dos produtores, é claro. Ou seja o sistema, na base, não depende  tanto de seus desdobramentos finais, já que a realimentação positiva lhe dá um caráter  markoviano. ( desculpe-me o matematicismo ).
Com isso quero dizer que a resiliência dos sistemas tropicais, sendo muito grande, dado a abundância de energia (solar, na sua essência), acaba por consertar os defeitos inerentes à sua própria natureza. Logo de cara quero dizer que não compartilho com ideias de Faoro, DaMatta, Sergio Buarque etc... Quando falo de defeitos inerentes, falo de civilização, de todos os povos. Acho a cultura do samba e do jeitinho uma evolução ainda não depurada da civilidade. Ela é a quintessência da resiliência, da adaptabilidade, da resistência; enfim, da capacidade de sobreviver. Já demos provas de sobra; - na nossa idade vivemos pessoalmente experiências que as ratificam.
Pois bem, quanto a economia, acho que vamos ultrapassar a fase. Ponto

- Que a Dama de Ferro é, e a realidade tem provado, de aço, e não vai vender barato a guerra empreendida pela Dona Liliana e seguida pelos parvos de aluguel. Terminará o seu mandato com a nota máxima possível.

- Que, em não conseguindo pegar o Lula, e mesmo o pegando, terão deixado um espaço para a esquerda preenchê-lo com uma infinidade de opções. Ou seja, o sistema tomou uma forma n-ergódica e não adianta mais gastar energia. Mesmo que venham a consumar a patranha. O Lula terá conseguido ( se não se vitimizar ainda ) atrair o fogo das baterias da direita para um alvo que não o verdadeiro. ....Genial esse cara. Obama tava certo...È o cara.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A causa primária

Enviada aos amigos da rede em 07/12/15


"Bom dia amigos

Hoje pela manhã tive certeza de algumas opiniões que tenho sobre o momento atual; e então gostaria de compartilhá-las com vocês.

O que moveu a esta escrita, foi ter ouvido na viagem de metrô, lá pelas seis horas da manhã, quando os trabalhadores da noite voltam para suas casas, e eu indo para minha labuta, uma frase que por si só explicaria boa parte das causas da lamentável situação em que se encontra o povo brasileiro. 
Não tem nada à ver com economia, não tem nada à ver com política, mas tem à ver com tudo isso e mais o envolvimento emocional que cerca o presente momento. 

Um grupo conversava sobre futebol; alguns comemoravam não a vitória, mas desclassificação do clube Vasco da Gama, caindo para segunda divisão do futebol brasileiro. 
Não seria motivo de espanto saber que existem antagonismos entre torcidas, à ponto de se matarem. 
Mas naquele momento alguém pronunciou a palavra  ódio, para justificar o motivo de comemoração do rebaixamento.

Precisaria de muito estudo sobre psicologia para explicar o fenômeno de antagonismos ferozes entre torcidas; mas o senso comum já nos diz que boa parte deste antagonismo é alimentado e realimentado pelos que necessitam deste para pagar repórteres, encher estádios, vender revistas; enfim, sustentar a indústria do futebol. Que por sinal, já revelou  seu lado mafioso, levando para cadeia alguns cartolas internacionais. Lá nos States, aqui não.

O "ódio" é a palavra que também explicaria a situação atual. 

Instilado nas mentes mais primárias e pueris, foi capaz de levar a Alemanha aos atos mais ignóbeis. 
À época, alimentado por vitórias militares, conseguida à custa das mentes agudas de generais que herdaram o saber de von Clausewitz, notadamente Halder que representava a nata do Estado-Maior, diferentemente de Hitler que personificava a escória do estado-menor, acabou confundindo a todos e tudo. Levou á derrota; mas, pior, à degradação moral.  
Mas quantos, não tiveram a coragem de abandonar tudo, riqueza, status social, e migrar ? 
Nem eram judeus ou outros perseguidos; apenas viram a desgraça que se aproximava. Na minha família há um caso emblemático até.

Só a cultura do ódio, insuflado por mentes sofisticadas, poderá dar sentido à situação atual. 
Não há, rigorosamente não há, qualquer justificativa, seja econômica, seja política, que possa explicar o caos a ser implantado, disseminando a destruição do Estado. Este, o custodiante de riquezas.

Não está mesmo em jogo o espectro  das personalidades de Dilma ou de quem quer quem seja, (mesmo a de Temer, a de Eduardo Cunha, o Rasputin da República )  senão os interesses nas imensas reservas petrolíferas, juntamente as imensas reservas minerais, a produção de alimentos em escala planetária,  afora a maior área de insolação do planeta; o que se traduziria em futuro não muito distante ( 30 , 50 anos talvez ) na maior fonte de energia, superando, e sendo complementada até, por  todas as demais juntas (hidráulica, nuclear, eólica, fóssil).  Pergunte a qualquer professor de física.

A palavra ódio hoje perpassa a lógica, o bom senso, a razoabilidade. É facilmente instilada nas mentes mais primárias. É até comum ouvir pessoas afirmando "odeio isso ou aquilo". Tornou-se vulgar, corriqueiro, inconspícuo, tolerável. Move assassinatos em massa, em nome de religião. Indivíduos disparam à esmo contra quem lhes pareça diferente, ou oposto. - Não pensa como eu, destruo; pronto. Simples degradação. Não mais do que isso. 

Aqui e alhures a morte em troca de riqueza.
A morte em troca de petróleo.

Mentes primárias e fracas para engrossarem o discurso falso e fazerem o serviço sujo não faltarão.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Entrevista com Tim Vickery - repasse

Nem precisa fazer apresentações. Basta ler o artigo que recolhi de Conversa Afiada. Para auxiliar a entender, bem posso dizer que a primeira geladeira lá em casa foi uma Colspot comprada no crediário da Sears Roebuck. O ano era 1956.  ....Cada palavra deste britânico carioca, Tim Vickery, vale esta lembrança.  

"Nunca foi tão bom para você"

O que adianta ir a Paris para encontrar o meu porteiro ? Não é, Jabor ?
Tim: a primeira geladeira a gente não esquece

O Conversa Afiada aceita sugestao da navegante Marize:
Oi, Paulo, tudo bem?
Você leu o texto de Tim Vickery, da BBC? Veja, quando puder. É muito bom. Acho até que vale um daqueles comentários deliciosos que você faz no blog.

Tim Vickery: Minha primeira geladeira e por que o Brasil de hoje lembra a Inglaterra dos anos 60


Acho que nasci com alguma parte virada para a lua. Chegar ao mundo na Inglaterra em 1965 foi um golpe e tanto de sorte. Que momento! The Rolling Stones cantavam I Can’t Get no Satisfaction, mas a minha trilha sonora estava mais para uma música do The Who, Anyway, Anyhow, Anywhere.
Na minha infância, nossa família nunca teve carro ou telefone, e lembro a vida sem geladeira, televisão ou máquina de lavar. Mas eram apenas limitações, e não o medo e a pobreza que marcaram o início da vida dos meus pais.
Tive saúde e escolas dignas e de graça, um bairro novo e verde nos arredores de Londres, um apartamento com aluguel a preço popular – tudo fornecido pelo Estado. E tive oportunidades inéditas. Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, uma possibilidade além dos horizontes de gerações anteriores. E não era de graça. Melhor ainda, o Estado me bancava.

Olhando para trás, fica fácil identificar esse período como uma época de ouro. O curioso é que, quando lemos os jornais dessa época, a impressão é outra. Crise aqui, crise lá, turbulência econômica, política e de relações exteriores. Talvez isso revele um pouco a natureza do jornalismo, sempre procurando mazelas. É preciso dar um passo para trás das manchetes para ganhar perspectiva.

Será que, em parte, isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Não tenho dúvidas de que o país é hoje melhor do que quando cheguei aqui, 21 anos atrás. A estabilidade relativa da moeda, o acesso ao crédito, a ampliação das oportunidades e as manchetes de crise – tudo me faz lembrar um pouco da Inglaterra da minha infância.
Por lá, a arquitetura das novas oportunidades foi construída pelo governo do Partido Trabalhista nos anos depois da Segunda Guerra (1945-55). E o Partido Conservador governou nos primeiros anos da expansão do consumo popular (1955-64). Eles contavam com um primeiro-ministro hábil e carismático, Harold Macmillan, que, em 1957, inventou a frase emblemática da época: "nunca foi tão bom para você" ("you’ve never had it so good", em inglês).
É a versão britânica do "nunca antes na história desse país". Impressionante, por sinal, como o discurso de Macmillan trazia quase as mesmas palavras, comemorando um "estado de prosperidade como nunca tivemos na história deste país" ("a state of prosperity such as we have never had in the history of this country", em inglês).

Macmillan, "Supermac" na mídia, era inteligente o suficiente para saber que uma ação gera uma reação. Sentia na pele que setores da classe média, base de apoio principal de seu partido, ficaram incomodados com a ascensão popular.

Em 1958, em meio a greves e negociações com os sindicatos, notou "a raiva da classe média" e temeu uma "luta de classes". Quatro anos mais tarde, com o seu partido indo mal nas pesquisas, ele interpretou o desempenho como resultado da "revolta da classe média e da classe média baixa", que se ressentiam da intensa melhora das condições de vida dos mais pobres ou da chamada "classe trabalhadora" ("working class", em inglês) na Inglaterra.

Em outras palavras, parte da crise política que ele enfrentava foi vista como um protesto contra o próprio progresso que o país tinha alcançado entre os mais pobres.

Mais uma vez, eu faço a pergunta – será que isso também se aplica ao Brasil de 2015?

Alguns anos atrás, encontrei um conterrâneo em uma pousada no litoral carioca. Ele, já senhor de idade, trabalhava como corretor da bolsa de valores. Me contou que saiu da Inglaterra no início da década de 70, revoltado porque a classe operária estava ganhando demais.

No Brasil semifeudal, achou o seu paraíso. Cortei a conversa, com vontade de vomitar. Como ele podia achar que suas atividades valessem mais do que as de trabalhadores em setores menos "nobres"? Me despedi do elemento com a mesquinha esperança de que um assalto pudesse mudar sua maneira de pensar a distribuição de renda.

Mais tarde, de cabeça fria, tentei entender. Ele crescera em uma ordem social que estava sendo ameaçada, e fugiu para um lugar onde as suas ultrapassadas certezas continuavam intactas.

Agora, não preciso nem fazer a pergunta. Posso fazer uma afirmação. Essa história se aplica perfeitamente ao Brasil de 2015. Tem muita gente por aqui com sentimentos parecidos. No fim das contas, estamos falando de uma sociedade com uma noção muito enraizada de hierarquia, onde, de uma maneira ainda leve e superficial, a ordem social está passando por transformações. Óbvio que isso vai gerar uma reação.

No cenário atual, sobram motivos para protestar. Um Estado ineficiente, um modelo econômico míope sofrendo desgaste, burocracia insana, corrupção generalizada, incentivada por um sistema político onde governabilidade se negocia.


A revolta contra tudo isso se sente na onda de protestos. Mas tem um outro fator muito mais nocivo que inegavelmente também faz parte dos protestos: uma reação contra o progresso popular. Há vozes estridentes incomodadas com o fato de que, agora, tem que dividir certos espaços (aeroportos, faculdades) com pessoas de origem mais humilde. Firme e forte é a mentalidade do: "de que adianta ir a Paris para cruzar com o meu porteiro?".

Harold Macmillan, décadas atrás, teve que administrar o mesmo sentimento elitista de seus seguidores. Mas, apesar das manchetes alarmistas da época, foi mais fácil para ele. Há mais riscos e volatilidade neste lado do Atlântico. Uma crise prolongada ameaça, inclusive, anular algumas das conquistas dos últimos anos. Consumo não é tudo, mas tem seu valor. Sei por experiência própria que a primeira geladeira a gente nunca esquece.

*Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick