Estou
anexando o texto recolhido por Fernando Brito, onde Michael Moore ( pra
lá de manjado como teaser da América ) vem fazendo um histórico de
"zebras", desde JFK, passando por Zachary Taylor em 1849, até Obama nos
dias de hoje.
Mas o meu interesse no artigo não advém apenas das
possíveis guinadas na política americana; que aliás nem tem sido tão
grandes, basta ver a enrascada em que, hoje com Obama, se meteu na
Syria, apenas para defender os interesses das petroleiras. Nem percebeu
que existia, faz tempo, uma base russa em Latakia. Nem avaliou o quando
seria desastroso apoiar o grupo que se transformou no monstro islâmico
que hoje tenta combater, mas meio algemado pelas alianças com a Arábia
Saudita que financia deslavadamente, abertamente, o Estado Islâmico, à
troco de desestabilizar as correntes opostas que por lá militam, xiitas,
sunitas. Isto sem falar no indireto financiamento da Al Qaeda.
Mas
voltando aqui a América; - quais as chances de Bernie Sanders ? Pouco
importa. Mesmo sendo uma evolução política, se compararmos aos tempos
do baby Bush, será lenta a marcha de pacificação do estado americano,
já que criaram uma economia orientada para guerra... e que tem
funcionado, à margem da brutal emissão de moeda, que leva, via a própria
moeda, inflação ao resto do mundo.
E nem estou falando da montanha de papel sujo (derivativos ) que querem conseguir transformar em ativos reais...
Haja
petróleo, haja minério, haja siderurgia, haja grãos, as verdadeiras
blue ships, para conseguir trocar pela montanha de mais de 300 trilhões
de penny stocks derivativas.
Perguntaria então:
- Conseguiria Bernie esta empreitada ? Desentortar a economia...
-
Haveria real mudança, com os europeus inertes perante a montanha de
recursos nos paraísos fiscais ( dentro da própria Europa ) ?
- Mandaria a Dona Liliana se comportar ?
É...estou aqui esperando e dando tratos sobre o que vai acontecer...
Mais
preocupado estou com este bando de tarados a querer derramar sangue, em
vez de gerar riqueza, em vez de construir o país, em vez de
democratizar a educação, partidários do quanto pior melhor, desde que
inviabilize o governo.
Não importa se jogar-nos numa bürgerkrieg aos
moldes de 1812; não importa as consequências deste "running amok"
malaio; não importa as lições da Espanha de 39; não importa a desgraça
que se abateu sobre as Filipinas.
Nada importa, nem o sofrimento dos
seus, ...desde que se dê vazão ao ódio de classe. Desde que se abomine
as nossas origens de raça, cor e cultura. Desde que se rejeite a nossa
negritude e a nossa preferência pela paz....
Estou preocupado sim...mas, ainda tenho saúde para ajudar a lutar contra esta onda, senão de burrice, de ódio.
Boa leitura==========================================
Michael Moore: o meu apoio a Bernie Sanders
POR FERNANDO BRITO · 03/02/2016
Jari
da Rocha, colaborador mais que atento do Tijolaço – para o qual
promete um texto para estes dias – traz, fresquinho (com a tradução
doHenri Figueiredo) o depoimento do cineasta Michael Moore ao candidato
dito socialista (o que, por lá pelos EUA , é palavrão só de mencionar),
Bernie Sanders , que se tornou a grande estrela das eleições primárias
norte-americanas.
A derrota de Trump, entre os republicanos, pode ter sido inesperada, mas não cria um fato novo na disputa.
O
virtual empate entre Sanders e Hillary Clinton, este sim, tem potencial
– por enquanto, apenas potencial – de dar um rumo novo à sucessão de
Barack Obama. A diferença, de apenas 0,2% foi tão pequena que, em alguns
condados, para decidir quem ficaria com o delegado local, tiveram de
apelar para o “toss” de uma moedinha, o nosso conhcido cara ou coroa. Se
duvidar, veja no jornal inglês The Guardian, com vídeo e tudo.
Qualquer
analista político diria, hoje, que é improvável uma vitória de Sanders e
estaria certo. Há dois dias, porém, antes das primárias de Iowa, diria
com a maior convicção que seria impossível.
Ao texto de Moore:
O meu apoio a Bernie Sanders
Michael Moore
Meus caros amigos,
Quando
eu era criança, eles disseram que não havia nenhuma maneira deste nosso
país de maioria protestante eleger um católico como presidente. Em
seguida, John Fitzgerald Kennedy foi eleito presidente.
Na década
seguinte, disseram que a América não elegeria um presidente do “Sul
profundo”(¹). O último a conseguir isso por si mesmo (e não como
vice-presidente) foi Zachary Taylor em 1849. E então nós elegemos Jimmy
Carter presidente.
Em 1980, eles disseram que os eleitores nunca
escolheriam um presidente divorciado que casou novamente. O país tinha
modos muito religiosos para isso, disseram. Bem-vindo, presidente Ronald
Reagan, 1981-1989.
Eles diziam que você não poderia ser eleito
presidente se não tivesse servido nas Forças Armadas. Ninguém conseguia
se lembrar de alguém que não servira eleito Comandante-em-chefe. Ou quem
tinha confessado fumar (mas não tragar!) drogas ilegais. Presidente
Bill Clinton, 1993-2001.
E, por fim, “eles” disseram que não
havia maneira de os democratas ganharem se um homem negro fosse o
indicado para a Presidência – e um homem negro cujo nome do meio era
Hussein! Os Estados Unidos da América seriam ainda muito racistas pra
isso. “Não faça isso!”, pessoas se advertiam discretamente entre si.
BOOM!
Você
já se perguntou por que os especialistas, a classe política, sempre
afirmam que o povo americano “simplesmente não está preparado” para
alguma coisa – e eles estão sempre tão errados? Dizem o que dizem para
proteger o status quo. Eles não querem distúrbios.
Tentam assustar as pessoas comuns para que elas votem contra o seu melhor julgamento.
Agora,
neste ano, “eles” estão alegando que não há como um “socialista
democrático” ser eleito presidente Estados Unidos. Essa é a principal
afirmação que chega agora da campanha de Hillary Clinton.
Mas
todas as pesquisas mostram Bernie Sanders realmente batendo Donald Trump
por duas vezes mais votos do que se Hillary Clinton fosse a candidata.
Embora
as pesquisas mostrem nacionalmente Hillary batendo Bernie entre os
democratas, quando o pesquisador inclui todos os independentes, então
Sanders bate Trump com vantagem de 2 por 1 sobre o resultado de Hillary.
A
forma como a campanha de Clinton tem atacado Sanders de “socialista” é
lamentável – e surda. De acordo com a NBC, 43% dos democratas de Iowa
identificam-se mais estreitamente com o socialismo (partilha, ajuda) do
que com o capitalismo (ganância, desigualdade). A maioria das pesquisas
apontam que os jovens adultos (18-35) em toda a América preferem o
socialismo (justiça social) ao capitalismo (egoísmo).
Então, o
que é o socialismo democrático? É ter uma verdadeira democracia onde
todo mundo tem um lugar à mesa, onde todos têm voz, não apenas os ricos.
O
dicionário Merriam-Webster anunciou recentemente que a palavra mais
buscada em sua versão on-line em 2015 foi “socialismo”. Se você tiver
menos de 49 anos (o maior bloco de eleitores), os dias da Guerra Fria
& Commie Pinkos(²) & a Ameaça Vermelha parecem tão estúpidos
como o filme “Reefer Madness”.(³)
Se o maior argumento de Hillary
a respeito de porque você deve votar nela é “Bernie é um socialista!”
ou “Um socialista não pode vencer!”, então ela está perdida.
O
New York Times, que admitiu ter criado histórias de armas de destruição
em massa no Iraque e nos empurrou para invadir aquele país, já adotou
Hillary Clinton – a candidata que votou a favor da Guerra do Iraque. Eu
pensei que o Times tinha pedido desculpas e se reformado. O que está
havendo?
Bem, o Times gosta que seus candidatos sejam realistas e
pragmáticos. E para eles, isso significa Hillary Clinton. Ela não quer
acabar com os bancos, não quer trazer de volta a lei Glass-Steagall(4),
não quer aumentar o salário mínimo para US$ 15 por hora, não quer o
sistema de saúde gratuito como o da Dinamarca. Que é apenas não
realista, acho eu.
Claro, houve um tempo em que a mídia dizia que
não era “realista” aprovar uma emenda constitucional dando às mulheres o
direito de votar. Eles disseram que nunca passaria porque só
legisladores homens votariam na emenda no Congresso e nas legislaturas
estaduais. Isso, obviamente, significava que nunca passaria. Eles
estavam errados.
Disseram uma vez que não era “realista” aprovar
uma Lei de Direitos Civis E uma Lei do Direito ao Voto ao mesmo tempo. A
América simplesmente não estava “pronta para isso”. Ambas passaram, em
1964 e 1965.
Há dez anos fomos informados que o casamento gay
nunca seria lei do país. Que coisa boa que não demos ouvidos àqueles que
nos diziam para sermos “pragmáticos”.
Hillary diz que os planos
de Bernie apenas não são “realistas” ou “pragmáticos”. Esta semana, ela
afirmou que “um sistema público de saúde nunca, jamais, vai
acontecer”.(5) Nunca? Jamais? Uau. Por que não desistir assim?
Hillary
também diz que não é prático oferecer universidade gratuita para todos.
Você não pode ficar mais prático do que os alemães – e eles são capazes
de fazê-lo. Assim como muitos outros países.
Clinton encontrará
maneiras de pagar pela guerra e por benefícios fiscais para os ricos.
Hillary Clinton foi a favor da guerra no Iraque, foi contra o casamento
gay, a favor do Patriot Act(6), a favor do NAFTA , e quer colocar Ed
Snowden na prisão. Isso é o bastante para embrulhar sua cabeça,
especialmente quando você tem Bernie Sanders como uma alternativa. Ele
será o oposto de tudo isso.
Há muitas coisas boas sobre Hillary.
Mas é claro que ela está à direita de Obama e vai nos mover para trás,
não para frente. Isso seria triste. Muito triste.
Oitenta e um
por cento do eleitorado é feminino, de cor ou jovem (18-35). E os
republicanos perderam a vasta maioria de 81% do país. Quem quer seja o
democrata na disputa em novembro próximo vai ganhar. Ninguém deve votar
por medo. Você deve votar em quem você acha que melhor representa o que
você acredita.
Eles querem assustá-lo com a ideia de que vamos
perder com Sanders. Os fatos, as pesquisas, gritam exatamente o oposto:
nós temos uma chance melhor com Bernie!
Trump é alto e assustador
– e os liberais se assustam fácil. Mas liberais também gostam de fatos.
Aqui está um: menos de 19% de os EUA são caras brancos acima de 35
anos. Então acalme-se!
Finalmente, confira este gráfico – ele diz
tudo. (Nota: Hillary agora mudou sua posição e é contra TPP –
Trans-Pacific Partnership.)
Eu apoiei pela primeira vez Bernie
Sanders a um cargo público em 1990, quando ele, como prefeito de
Burlington, me pediu para ir até um comício na sua corrida eleitoral
para se tornar congressista de Vermont. Eu acho que muitos não estavam
dispostos a discursar por um declarado socialista democrático naquele
momento.
Provavelmente alguém de seu escritório de campanha cheio
de hippies disse: “Eu aposto que Michael Moore vai topar”. Eles estavam
certos. Fiz o meu melhor para explicar por que precisávamos Bernie
Sanders no Congresso dos EUA. Ele ganhou e eu tenho sido um defensor seu
desde então – e ele nunca me deu razão para não continuar com esse
apoio. Sinceramente, pensei que nunca escreveria começando com as
palavras: “Por favor, vote no senador Bernie Sanders para ser o nosso
próximo Presidente dos Estados Unidos da América”.
Eu não pediria
isso para vocês se não achasse que nós real e verdadeiramente
precisamos dele. E nós precisamos. Talvez mais do que imaginamos.
Atenciosamente,
Michael Moore
Tradução: Henri Figueiredo
NOTAS DO TRADUTOR
1) Deep South. Extremo Sul ou Sul Profundo.
2)
Pinko é uma gíria cunhada em 1925 nos Estados Unidos para descrever uma
pessoa considerada simpatizante do comunismo, embora não
necessariamente um membro do Partido Comunista. Tem conotação pejorativa
e serve para descrever qualquer um percebido como esquerdista ou
socialista.
3) “Reefer Madness”, também conhecido como “Tell Your
Children”, é um filme-propaganda de 1936 feito para exibição nas
escolas contra o uso da maconha e relacionando-a com loucura e
violência. Foi dirigido por Louis J. Gasnier.
4) A lei
Glass-Steagall, ou ato Glass Steagall de 1933, estabeleceu a Federal
Deposit Insurance Corporation, ou agência garantidora de créditos. A lei
foi promulgada pela administração de Franklin D. Roosevelt para,
basicamente, evitar um colapso financeiro sistêmico (como aquele
ocorrido em 1929) e foi fundamental para o New Deal. Em novembro de 1999
foi revogada devido ao lobby do setor financeiro junto ao Congresso dos
EUA. O documentário vencedor do Oscar “Inside Job” mostra como a
derrubada da lei Glass-Steagall ajudou na grande crise do sistema em
2008. O cancelamento da Glass-Stegall removeu a separação que antes
existia entre os bancos comerciais e os de inversão (que,
fundamentalmente, especulam com ativos mobiliários de natureza
não-exigível).
5) A frase original é “(…) single payer health
care will NEVER, EVER, happen.” – O pagamento único de saúde (Single
payer healthcare) é um sistema em que o governo, ao invés de as
seguradoras privadas, paga por todos os custos de saúde. Sistemas de
pagamento único podem contratar os serviços de saúde de organizações
privadas (como é o caso no Canadá) ou podem ter e empregar recursos de
saúde e pessoal (como é o caso no Reino Unido). O termo “pagador único”
descreve apenas o mecanismo de financiamento referente aos cuidados de
saúde financiado por um único organismo público a partir de um único
fundo.
6) USA PATRIOT Act, a “Lei Patriótica” ou “Ato Patriota” é
o decreto por George W. Bush logo depois do 11 de Setembro de 2001, em
26 de outubro de 2001. Permite, entre outras medidas, que órgãos de
segurança e de inteligência dos EUA interceptem ligações telefônicas e
e-mails de organizações e pessoas supostamente envolvidas com o
terrorismo, sem necessidade de qualquer autorização da Justiça, sejam
elas estrangeiras ou americanas. Após várias prorrogações durante o
governo de George Bush, em 27 de julho de 2011, o presidente Barack
Obama sancionou a extensão do USA PATRIOT Act contrariando sua promessa
de campanha.
[A principal fonte da maioria das notas foi a
Wikipedia em inglês. Todas passaram por edição e checagem em ao menos
uma segunda fonte.]
LEIA O TEXTO ORIGINAL “My endorsement of
Bernie Sanders“. O documentarista Michael Moore, vencedor do Oscar por
“Tiros em Columbine” (2002), divulgou esta carta dirigida aos eleitores
norte-americanos na noite de 1º de fevereiro de 2016, durante o Caucus
de Iowa – primeira eleição das Primárias à Presidência dos EUA. A
apuração final indicou que Hillary teve 49,8% contra 49,6% de Sanders –
diferença, portanto, de apenas 0,2%.