quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Estreito de Kerch e Teoria do Caos

Mesmo não sendo autorizado, dada a minha ignorância relativa, ao tema que ora  proponho comentar, gostaria de levantar algumas questões que derivam do episódio ou conflito, se é que pode-se assim chamá-lo, do Estreito de Kerch.

Aparentemente tal episódio seria derivado do contenciosos Russia-Ukrânia  que vem sendo alimentado pela OTAN, mais precisamente pelos EUA. Mas uma observação mais cuidadosa verá que tal conflito foi criado pela Ukrânia, ou melhor, pelo Presidente Porochenko para motivar  a Lei Marcial decretada logo após o incidente no claro intuito de postergar as eleições que se aproximam. Chegando a presidência por um golpe patrocinado desde fora, com pegadas da CIA na neve fofa do inverno de 2013, a famosa Revolução Laranja, ou Euro Maidan, e uma eleição após a derrubada do Presidente Yanukovych, este bilionário ucraniano não parece disposto agora a ceder o poder, pois sentiu o gostinho de uma importância que nem o dinheiro lhe proporcionara.  Elegeu então a separação da Crimeia como o moto de seu confronto coma a Russia, pois sabe muito bem que se avançar muito em Donbass, a reação de Putin será devastadora, assim como fez com a Checênia e a Odéssia do Norte. Prochenko é um jogador acostumado a grandes cartadas. Mas sabe que há limites também. 
A posição da Crimeia é altamente estratégica no Mar Negro e o Porto de Sabastopol, e não o Mar de Azov e seu acesso pelo Estreito de Kerch  é que é, e sempre foi o baricentro das tensões e interesses na região. 
Sebastopol foi fundada pelos russos, por Pontemkin lá no final do século 18. Abriga hoje  sede a Frota Russa do Mar Negro, foi motivo da Guerra da Criméia em 1855 que ceifou vidas na Batalha de Balaclava. É de uma importância estratégica para todos os países da região, Rússia, Romênia, Bulgaria, Ukânia, Georgia e Turquia. Não foi por outra razão que os EUA andaram a fomentar revoltas nestes três últimos, senão a criação de um "atoleiro" na linguagem militar, para a Rússia, agora considerada um inimigo poderoso, assim como a China, a Venezuela... e a pequenina Cuba.

Mas o que tem este conflito a ver conosco ?  Simplesmente a manutenção deste ponto de tensão alivia as possíveis tensões que adviriam se resolvêssemos protagonizar o BRICS, já que agora o governo, tanto do Temer que sai quanto do Bolsonaro que entra, que são siameses, praticamente se retiram do BRICS. Como Trump já sabe que não conseguiria intervir militarmente na Venezuela, convidou a Colômbia ( que já é um protetorado ) e o Brasil para a empreitada. Os nossos generais, incluindo aqueles mais falastrões, perceberam que se trataria de uma empreitada desastrosa para todos, pois não haveria vencedores nesta aventura desastrada. Trump agora está então refém dele mesmo. Só lhes resta ir lentamente desarmando artefatos que andou colocando no Mar da China, aliviando a tensão  com este sim, poderoso opositor; segurando a OTAN o quanto pode, já que os europeus mais ricos (França e Alemanha) já falam em criação de um Exército Europeu que não dependeria de ordens, como é hoje, de um comandante americano ( é até compreensível que um general francês ou alemão tenham que obedecer ao comandante da OTAN, um general americano ). Realmente Trump se meteu numa enrascada.
Lembro ainda que por aqui o então chanceler Zé Serra (PSDB), logo no início de Temer, assim como o filho do Bolsonaro, foi logo tomar a benção a Hillary Clinton. Lá se foi a PSDB pro ralo, Trump ganhou. E se os democratas vencem ? Nova virada.

Precisam avisar aos rapazes do ex-capitão que os sistemas complexos tem este nome por assim se comportarem. Como disse Edward Lorenz do MIT: Uma borboleta bate asas lá no MIT e desencadeia uma tempestade em Tóquio. É a síntese da Teoria do Caos.
Aliás estamos próximos dele. Falta pouco. 

      

       

Primarismo anunciado.

Está certo que a situação do país agora não me permite, eu e a qualquer um que tenha um pingo de seriedade, fazer prognósticos e mesmo sugerir um curso de ação na batalha pela soberania; hoje desleixada e avacalhada por ministros indicados por um notório sociopata vivendo no exterior. Figura, antes cômico, mas agora percebida como altamente perniciosa e de alta periculosidade.No entanto, tenho que considerar que, vivendo no país, sendo brasileiro, não poderia e nem conseguiria me alienar e me isentar de uma avaliação do atual cenário, teatro de operações de uma guerra híbrida que nos impuseram lutar.
O governo que se aproxima será constituído por figuras absolutamente desacreditadas pelos próprios correligionários. Um chanceler e um ministro da educação que não poderão orientar seus subordinados por absoluta falta de legitimidade e competência. Isso sem falar em Moro que suscitará toda sorte de conflitos com a sociedade e mesmo no seus ministério, agora totalmente desconfigurado e sem a solenidade ( não quero ser weberiano ) que o cargo exige.
Mas, por um lado, o Brasil não é um país pequeno, nem simples, nem desligado das demais nações; como se diz, não somos uma ilha. Isto implica em considerar os compromissos comerciais, políticos e diplomáticos anteriormente assumidos que afetam o comércio e nossas relações com as outras nações, sendo que a mais notória afetação será aquela que o presidente desdita, as relações com a China. Como um adolescente se intromete no conflito Washington - Pequim.
Diz um ditado popular: - pintos que ciscam com galos acabam bicados.
Se Bolsonaro pensa que, ao se submeter desta maneira indecorosa aos EUA, irá lhe render benesses, está é muito enganado. Até sem querer o gigante acaba pisando em quem está ao seu lado.
As relações com o Mercosul, estas então é que merecem a maior atenção, já que deste recebemos vantagens comerciais  e atenuamos nossos naturais problemas de fronteira. Parece que ele Bolsonaro e seu "posto ypiranga"  não se deram conta da magnitude e da complexidade desta criação de quase trinta anos que trouxe benefícios ainda intangíveis no plano geopolítico, diplomático, aduaneiro e comercial para as nações partícipes.

E aí naturalmente emerge uma questão: - Todos os participantes no nível mais alto de governo, ministros, secretários, comandantes militares  não se dão conta das bobageiras que saem da boca do Presidente e seu clã? E mesmo do Paulo Guedes ? E mesmo do Moro falando sobre o  faltoso confesso caixa-2 Onyx?  Após, diga-se de passagem, ter condenado o caixa-2 como crime mais grave do universo.

Ou nossos parceiros nos puxam a orelha e nos ajudam a colocar nos trilhos do bom senso, ou nós vamos nos perder em uma convulsão social sem precedentes, tal a inabilidade e primarismo anunciados. 

Será mesmo que generais, que tem obrigação de patriotismo e temperança, irão acompanhar estes pacóvios ?

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Temos de vencer

Utilizo uma derivação do segundo teorema de Kurt Gödel que nos indica que uma  proposição ...pode provar sua própria consistência se, e somente se, for inconsistente.(1) Nesta condição afirmo paradoxalmente que uma proposição somente será verdadeira se esta contiver a sua própria oposição.

Faço esta prévia afirmação matemática para dar continuidade ao e-mail anterior que replica a entrevista de Gilberto Carvalho onde afirma : - Só um levante popular tira Lula da prisão.

A partir deste e-mail recebi  importantes contribuições de companheiros que discordavam da afirmação, já que não acreditavam nesta remota possibilidade de levante. Recebi outras que concordavam com Gilberto Carvalho; realmente, só um levante popular tira Lula da prisão.

Entendo que tal oposição, achando ser remota a hipótese do levante, não pode desprezá-la, já que os outros meios institucionais somente teriam sucesso na condição de estar esta hipótese presente com razoável probabilidade. 
O controle das instituições, notadamente as Judiciárias, hoje absolutamente degradadas pelo golpe, somente poderia abrir uma possibilidade da candidatura, e mesmo a posse em caso de vitória nas eleições, se submetida a este aguilhão, o levante popular. Deixada a sua própria entropia, degradar-se-á ainda mais desprezando a Lei e manterá Lula como preso político até o fim dos tempos. Aliás um nada, se comparado com o que fizeram com sua esposa Dona Marisa Letícia.    

Todas a possibilidades e oportunidades de aglutinação popular não pode ser desprezada, pois  lembremo-nos de 2013, quando uma pequena manifestação por preço dos transportes evoluiu para as grandes passeatas e, querendo a esquerda ou não, inauguraram  a demolição, ou ajudaram na demolição,  do governo Dilma.   A centelha foi o despretensioso  movimento "catraca livre". E sem centelha não há chama.

Entendo a posição de Gilberto Carvalho; manter a "ameaça" de levante é um forte elemento de condicionamento das decisões do judiciário, já que o algoz principal, Moro, foi apanhado com a boca no anzol, tal a sua voracidade, tal a sua perseguição a Lula. Como disse em postagem anterior "Moro moreu". Resta agora explorar a contradições geradas no seio das instituições golpistas, todas estas submetidas aos gestores do capital, que já estes já demonstram desesperança neste time de incompetentes que levará inexoravelmente a economia ao desastre. Sabem que Lula é que tem as condições de mudar este cenário, pois é o único com credibilidade para fazer concessões e exigências. Nenhum dos demais candidatos incorpora a autoridade moral e política para o mandato e para a negociação.

A ameaça de levante deve ser então mantida,  ao mesmo tempo que a sequencia dos trâmites legais.

Não é somente na filosofia e na matemática que convivem contradições, também na realidade da vida. Temos de usar de todos meios ao nosso alcance para alcançar a vitória, tendo consciência de nossas fraquezas e as do inimigo, já disse Sun Tzu. Temos que ter a altivez da humildade, como fez Manuela D´Ávila que aceitou a sabatina do General VillasBoas e ir buscar ajuda externa. Temos que construir o levante, temos que utilizar todos os meios legais. Temos que vencer. Não há a opção da derrota.




 (1)
Teorema 1: "Qualquer teoria axiomática recursivamente enumerável e capaz de expressar algumas verdades básicas de aritmética não pode ser, ao mesmo tempo, completa e consistente. Ou seja, sempre há em uma teoria consistente proposições verdadeiras que não podem ser demonstradas nem negadas."

Teorema 2: "Uma teoria, recursivamente enumerável e capaz de expressar verdades básicas da aritmética e alguns enunciados da teoria da prova, pode provar sua própria consistência se, e somente se, for inconsistente."

terça-feira, 10 de julho de 2018

Moro moreu

Deixei passar a onda de indignação, se é que esta já passou, sobre o episódio triste do dia de domingo (08/07/2018), que entrará para história como o dia da degradação da justiça, para externar o pensamento que me acudiu tão logo percebi a voracidade e a avidez com que Moro se intrometeu no feito judiciário do Desembargador Favreto.

Tão logo soube da emissão do alvará de soltura quando estava almoçando através da inefável tv ligada na Globo, em pleno almoço, não dei crédito. Primeiramente porque era anunciado pela Globo, e segundo porque que não acreditava que progrediria em seu efeito.  Já não acreditava, e tampouco agora acredito, em soltura por um processo judicial normal.

Mas, mesmo na hora, me assaltou o seguinte pensamento: - Tanto os advogados, os Deputados Wadih Damous, Pimentel e Teixeira quanto o próprio Desembargador Favreto não são ingênuos e tampouco incompetentes e saberiam que a emissão do alvará desencadearia uma reação, tanto por parte da Polícia Federal quanto por parte de Thompson Flores e Gebran Neto, notórios ajudante-de-ordens de Moro. Sabe-se hoje até que Thompson Flores ligou para o Ministro Jungman "segurar" o cumprimento do alvará por parte do subordinado em Curitiba "até ele dar um jeito", ou seja, arrumar a prevaricação. Assim como ligou para Jungman, ligou também para o chefe Moro e este perderia as estribeiras. Foi o que aconteceu.

O que concluo é que o planejamento efetuado por Wadih Damous (tem a assinatura dele) construíra um resultado para ação jurídica que teria ganhos se resultasse na soltura obviamente, mas que também teria ganhos caso não lograsse êxito na soltura, pois poria o Moro em cheque e este morderia a isca. Ou seja, Moro foi apanhado com a boca no anzol, tão voraz e primariamente em sua missão carcereira.

Qualquer que seja a avaliação que se faça, por apoiador de Lula, ou mesmo pelo mais fanático e rancoroso opositor a ele, fica evidente e desmascarada a incapacidade de Moro julgar o que que que seja.

Vale aqui reproduzir uma mensagem que recebi no aplicativo de mensagens Telegram que serve bem neste momento: 

Observando quem escreveu e quando, fica notória a ilação com Moro.

Moro está definitivamente desnudado em sua incompetência jurídica e moral. Acho que nem o STF, mesmo do jeito que está comprometido com o golpe, irá gastar muita vela com ele, pois passou a ser defunto de terceira; não terá homenagem após este tiro certeiro de Wadih Damous. Moro está moralmente destruído. 

Como diria o coreano aqui da pastelaria: Moro moreu. 


sábado, 7 de julho de 2018

Chega de destruição.

 A Embraer é indubitavelmente um símbolo da capacidade tecnológica e não há brasileiro, por mais desligado ou mesmo com espírito de vira-lata,  que não tenha uma ponta de orgulho desta empresa repositório da nata da engenharia do ITA e demais instituições de ensino de qualidade.

Não há, do ponto de vista econômico, a menor justificativa de abrir mão deste grande e lucrativo negócio e adicionalmente, do ponto de vista estratégico, abrir mão de um diferencial científico e tecnológico que, ainda por cima, implica na capacidade de defesa da Nação. Visto por qualquer ângulo, o que hoje se percebe é a escancarada entrega da riquezas nacionais por parte de uma gangue que conseguiu alçar ao poder alavancada pelos agentes do império que a contratou para aplicar o golpe de estado que está velozmente degradando a nação.

Mesmo que se aplicasse o golpe no intuito de capturar as naturais, se deixada a capacidade deste povo evoluir tecnologicamente, mais cedo ou mais tarde. este povo alcançaria a mesma situação de competitividade e protagonismo científico e tecnológico. Então para que se elimine qualquer  tentativa de superação, retiram-se as chances expressas pela Embraer e principalmente a capacidade de independência nuclear. Por isso fizeram o que fizeram com o Almirante Othon Pinheiro. Não foi apenas para ficar com o petróleo e os aquíferos que deram o golpe, foi para cercear definitivamente a capacidade de reagir.

Nossos descendentes julgar-nos-ão amanhã pela coragem ou covardia que tivermos demonstrado hoje para dar um basta nesta destruição. Chega de destruição.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Transcrição : "Lula admite que não será candidato"

transcrito do "conversaafiada"

Lula admite que não será candidato


O Conversa Afiada publica sereno (sempre!) artigo de seu exclusivo colUnista, Joaquim Xavier:​
Para bom entendedor, meia palavra basta. Quando a palavra é inteira, nem precisa ser bom entendedor.

  •     Pela primeira vez, o ex-presidente Lula admitiu que será impedido de concorrer às eleições. É ele próprio quem reconhece no manifesto lido pela presidenta do PT no dia 3, embora o fato tenha sido escondido, como esperado, pela mídia oficial. Vamos às suas palavras: 
  •     “Tudo isso me leva a crer que já não há razões para acreditar que terei Justiça, pois o que vejo agora, no comportamento público de alguns ministros da Suprema Corte, é a mera reprodução do que se passou na primeira e na segunda instâncias.”
  •     O ex-presidente não poderia ser mais claro. Vítima de um processo fraudulento, sem provas de crimes, de uma armação com “Supremo e tudo”, como diria o funesto Romero Jucá, 
  •     Lula admite que o judiciário apodrecido a serviço do grande capital nativo e internacional fechou as portas para que ele dispute as eleições presidenciais. 
  •     Pouco importa que ao final do mesmo manifesto ele diga que será lançado como pré-candidato na convenção do PT.
  •     Trata-se sobretudo de saudação à bandeira da sua inocência, e uma maneira de reafirmar que se considera alvo, como é de fato, de uma maquinação sórdida destinada a tirar do pleito o nome preferido pela maioria esmagadora do povo brasileiro. Lula tem consciência de que, mantidas como estão, as condições para sua liberdade de concorrer em outubro estão cerradas. Não há como esperar que este supreminho reverta a operação iniciada no mensalão, continuada na quartelada judiciária-midiática-parlamentar que derrubou Dilma e coroada com sua prisão. “Já não há razões para acreditar que terei Justiça”: é o próprio Lula quem diz.

  •     A opção - Lula sabe disso, mas não falou porque mesmo numa solitária sente melhor do que ninguém a temperatura do povo - seria uma ampla mobilização capaz de obrigar os bandoleiros que assaltaram o poder a recuar.
  •     Essa alternativa não está à vista.
  •     O PT, mesmo com dois milhões de filiados, mostra-se impotente para mover suas tropas. Os sindicatos estão colocados na penúria pela reforma infame no âmbito trabalhista. Cardeais da “esquerda” preferem se perder em disputas de vaidades e personalismos em vez de estabelecer como prioridade a liberdade do mais importante líder popular que o país já conheceu.
  •     Diante de tamanha fragmentação de lideranças, o povo, que não é bobo, dificilmente sairá às ruas sem saber qual o rumo oferecido. Porém, nunca deixa de manifestar por outros meios que não suporta mais o caminho traçado pelos golpistas: a liquidação da soberania nacional; a volta ao estatuto de colônia; o desemprego em massa; o desmonte da indústria, da saúde pública, da educação; a revogação na prática da Lei Áurea; a militarização da segurança pública; e a eliminação mesmo física, nas palavras de um jurista como Pedro Serrano, de gente do povo pobre e seus representantes.
  •     Basta ver a quantas anda o caso Marielle/Anderson, o índice de mortalidade no campo e os números da intervenção pretensamente salvadora no Rio.
  •     Sobre esta, apenas um dado conta tudo: desde que ela foi decretada, o número de morte de civis cresceu 34% quando se faz a comparação com o mesmo período de 2017. Precisa desenhar?
  •     Se derrubaram Lula por um momento, os golpistas, no entanto, fracassaram em aparecer como alternativa palatável. 
  •     Sua única proposta é arruinar o Brasil, saída que o povo rejeita como mostram todas, todas mesmo, pesquisas de opinião.
  •     Prova disso é a incapacidade da direita de oferecer qualquer candidatura que não a de gente como Jair Bolsonaro, um primata fantasiado de humano incapaz de convencer mesmo os abutres que ele sonha representar.
  •     A luta agora se dá em dois fronts.
  •     Primeiro, garantir a realização de eleições, ainda não asseguradas diante da capacidade de manobras da camarilha golpista-judiciária–parlamentar-midiática no poder.
  •     Depois, construir uma candidatura capaz de canalizar o sentimento anti-golpista predominante na esmagadora maioria do país.
  •     Ninguém se iluda: o motor dessa candidatura será a palavra de Lula.
  •     Sem o seu aval, nada feito.
  •     Qual será o nome? É assunto para o próximo artigo.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Tirem as conclusões

Após a leitura dos dois artigos anteriores o amigo deverá estar perguntando: - O que fazer? Não sou nenhuma autoridade nem acadêmica, nem profissional que possa garantir uma receita infalível; estou armado apenas do meu profundo sentimento de patriotismo. Mas arrisco a dizer que a receita está também na leitura de von Clausewitz, e mesmo Sun Tzu. Não quero simplificar o problema, pois avalio a sua complexidade, apenas quero entendê-lo para então estabelecer os referenciais que pautarão a solução. O importante é não minimizar a natureza complexa do problema em questão: - Como sair dessa enrascada. 
Para problemas extremamente complexos existe a máxima que apenas soluções extremamente simples são capazes de resolvê-los. As soluções tem sua simplicidade quando são reconhecidas como "a solução";  até que tentativas de soluções mirabolantes fracassem. Ou seja, soluções complexas, não são soluções.

Quando me socorro em von Clausewitz, lembro o que o impressionou na Batalha de Valmy em 1792 foi a ferocidade dos cidadãos comuns que a travaram (naquela época o cidadão comum participava das batalhas já que precisava salvar sua pele e da sua família, caso fosse perdedor). Os conceitos de estratégia da guerra só afloram quando o fundamento principal está presente, a sua motivação. E a motivação é a violência, o ódio e a animosidade. A razão somente participará do jogo da guerra quando houver a animosidade, a oposição e paixão que a alimente. O próprio Clausewitz diz no seu Das Krieg: 
“A guerra, então, é apenas um verdadeiro camaleão, que modifica um pouco a sua natureza em cada caso concreto, mas é também, como fenômeno de conjunto e relativamente às tendências que nela predominam, uma surpreendente trindade em que se encontra, antes de mais nada, a violência original de seu elemento, o ódio e a animosidade, que é preciso considerar como um cego impulso natural, depois, o jogo das probabilidades e do acaso, que fazem dela uma livre atividade da alma, e, finalmente, a sua natureza subordinada de instrumento da política por via da qual ela pertence à razão pura.” (CLAUSEWITZ, Carl Von. Da Guerra. São Paulo:  Martins Fontes, 2010, p.30).
Quando me socorro em Sun Tzu, da mesma forma quero afirmar que o objeto da guerra não é senão
vencer.  Sun Tzu era um general, agia como general, pensava como general, mas sentia como o omem do povo que tinha que vencer para sobreviver. É conhecida sua afirmação: 
Derrotar o inimigo em cem batalhas não é a excelência suprema; a excelência suprema consiste em vencer o inimigo sem ser preciso luta
Ainda poderia adicionar a ação do General Zhukov  que diante de um inimigo mais armado, mais treinado, mais experiente, optou pela única saída possível: - Se fraquejar morre. Era a vitória ou a morte. Não havia saída possível.


Como estamos em uma Guerra, chamada agora de Guerra Híbrida, temos que ter consciência dos três  fundamentos que estes vitoriosos nos ensinaram: - Ter o conhecimento do inimigo, ter a motivação e vencer em qualquer hipótese. Sem estes três é certo que nós seremos derrotados.

A complexidade do teatro de operações nos mostra que, nós, brasileiros que temos a consciência da usurpação de nossa riqueza e de nosso território, não temos os recursos que dispõe o inimigo (sou obrigado a usar este nome, pois assim se portam os nossos que se entregaram, seja por conluio, seja por desistência). Ter esta consciência é parte do primeiro fundamento. A cidadela está em mãos daqueles que deram o golpe; tomaram-na em razão da fraqueza demonstrada pelos comandantes anteriores, já mencionei no artigo anterior. 

A motivação para luta e para o enfrentamento é carente diante da consciência da supremacia do inimigo; lembrando ainda que as forças (polícias e forças armadas) e parte do judiciário estão sob controle do inimigo, ainda que não totalmente. Sem esta motivação de enfrentamento escapa um dos elemento que von Clausewitz cita.  

Mas o terceiro fundamento está presente, desde que tenhamos consciência dele e esta consciência deve estar em todo o cidadão que não esteja cooptado, vencer a qualquer custo, caso contrário será eterno escravo e perderá tudo, da casa a dignidade.

Mas não podemos nos esquecer do conselho de Sun Tzu, "vencer o inimigo sem ser preciso luta".

Diante então do exposto temos que saber quais são as fraquezas e os objetivos do inimigo e conhecer também as nossas forças, os nossos pontos fortes, também como ensina Sun Tzu.
Algumas colocações sintetizam os fundamentos aqui relatados e expressam a "ferocidade da luta".


  • O inimigo deseja as nossas riquezas: o petróleo, a energia e a mão-de-obra escrava.
  • O inimigo não poderá nos destruir, caso contrário não terá a mão de obra barata para explorar o petróleo e a energia, ainda que importação de mão-de-obra barata seja possível. Mas esta é disputada ferozmente nas obras dos Emirados Árabes, no Qatar e alhures, e está situada na África e no Extremo Oriente, o que impõe dificuldades logísticas.
  • A nossa mão-de-obra barata (por isso as "reformas trabalhistas") já provou que pode almejar melhores condições tão logo escape dos controles do cativeiro.
  • Temos aliados que se opõe ao inimigo e que são reforços que podemos arregimentar, que são os partícipes dos BRICS.
  • A aplicação da força destes, principalmente a China, pode se dar exatamente nos pontos fracos do inimigo, exportação de minério de ferro e demais, grãos e carnes diversas. 
  • A aplicação desta força nos elementos estruturais (bancada do boi e agronegócio) abrem uma brecha nas defesas. Faltaria então um elemento essencial que abriria a resistência total que é relativo ao sistema financeiro. Este é a corrida aos bancos. Como dar a largada ?
Diante deste exposto resta-nos a solução mais simples possível para este complexo problema de vencer a guerra híbrida, que é abrir as brechas nos pontos fracos, o fornecimento para China e a corrida aos bancos. Na primeira existirá a aplicação de sobretaxas e na segunda a percepção popular que não somente a riqueza material está sendo cobiçada, mas também a sua própria. E só existe uma arma para este combate, a contrainformação. Essa tem que ser aplicada diuturnamente, diariamente e amplamente. Foi esta arma que aplicaram através da mídia para a preparação do golpe.
O resto os amigos terão de triar as suas próprias conclusões.