Jornal do Brasil - País - O cerco à indústria brasileira de defesa
Há vários pontos desta matéria que concordo plenamente, mas também percebo que é impossível (mesmo o USA ) dominar todas as tecnologias. Portanto, há de se balancear as ofertas, mas um ponto é absolutamente inquestionável: Se a empresa estrangeira ofereceu um valor para a compra da empresa brasileira, por que o Governo não ofereceu também? Afinal pagar juros é a única coisa que os economistas ditos não-liberais sabem fazer?
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Lutadores da Central
Esse Procurador Geral é mesmo um inútil. Se não inútil, pior, pois conseguiu, por incompetência ou intenção, desmontar a oportunidade de se fazer justiça e mesmo gerar as condições jurídicas e políticas para implantação de uma nova forma de financiamento de campanha, expurgando o "caixa2", forma viciada que gera as oportunidades de lavagem de dinheiro.
Talvez movido por razões políticas, ou mesmo comparsiado com alguém, conseguiu fazer da ação penal 470, o mensalão da mídia, peça que está sendo desmontada pausadamente pelos advogados de defesa, alguns até de forma primária. Mas nenhuma defesa foi mais terrível que a de Luiz Gushiken, do advogado Luis Justiniano de Arantes Fernandes, que de forma até pouco extravagante, com pouca retórica, mostrou a real natureza da ação 470, um espetáculo político tal como foi a Carta Brandi. Nada mais. Simplesmente os procuradores Antônio Fernando de Souza e o atual Roberto Gurgel surrupiaram peça dos autos.
Nada mais há a dizer e fazer senão continuar tocar a vida e ir trabalhar, como faz aquela grande quantidade de lutadores que vejo aqui da minha janela desembarcar na Central do Brasil, absolutamente desligada desta farsa e preocupada com a sua difícil luta pela sobrevivência.
Se observarmos pelo lado humano o sofrimento imposto a Gushiken pode ter se somatizado de tal forma a deixá-lo hoje neste estado de saúde.
Se observarmos pelo lado jurídico, simplesmente o próprio procurador contaminou os autos e desmereceu a ação, ao negar acesso a documentos de defesa e mesmo retirar o laudo da Visanet.
Resta agora esperar pelo pronunciamento da côrte suprema e seguir o exemplo dos anônimos lutadores aqui da Central do Brasil.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Falácia e esperança
Pautar os assuntos pela badalação da mídia não me agrada, mas me obriga e externar opinião, como soe a qualquer cidadão. Não há assunto que ocupe as páginas dos jornalões mais atual que o "Mensalão", nome bem dado a uma patranha que corrói a democracia faz uns bons tempos, desde a Velha República. Está até disputando espaço com as Olimpíadas. Ocorre que hoje, até quem está mais sujo que pau de galinheiro, que é o caso do folhetim "Veja", também se dá ares de seriedade.
Lembro-me ainda menino do escarcéu que foi a Carta Brandi, lembro também da fuga do Lacerda no cruzador Tamandaré, sucata da Segunda Guerra Mundial que os americanos nos mandaram sem uma das hélices (o navio andava meio de esguelha). Depois de desvendada a falsidade nada ocorreu senão o julgamento da História. Os jornais não escrevam uma linha. A História sim, inexorável e, não diria justa, mas implacável.
O História do Julgamento, já no primeiro dia assisti ontem a trechos, se vê que não sobreviverá ao Julgamento da História, dado o sensacionalismo. E é aí que a grande mídia deixa de servir a Democracia e a Justiça, já que impõe um julgamento político, se pode-se dizer, em vez do julgamento dos atos da patranha.
Pessoalmente acho que não há nenhum inocente em se tratando da causa comum; todos estão, de um modo ou de outro, enroscados nesta trama. Ou por participação, ou por leniência. No entanto o fato de estarem metidos no negócio, de fato, não está sendo julgado. Percebe-se o que está sendo julgado é tão somente a pertinência do lado. De um lado a a Justiça, de outro lado a mídia, dando-se ares de juiz.
O estrago a democracia perpetrado pelos réus até se compara aquele que a própria mídia agora está a produzir.
Lembremos do Caso Dreyfus, da Carta Brandi, do Coronel Pantoja, e de tantos outros onde a aparência prevaleceu sobre a valência. Lembremo-nos da maior das injustiças que está estampada no nosso índice GINI, no nosso IDH, na absurda falta de oportunidade da Educação e que não merece a devida atenção por parte dos jornalões.
Mas a maior delas é a impunidade da mídia que se dá ao direito da não retratação de seus erros. O comportamento da mídia quando deveria ajudar a desvendar e elucidar, esfumaça propositalmente a realidade, quando não a constrói segundo interesses inconfessáveis. Se tomarmos a "Veja" como exemplo, fico a imaginar o que a História não estará reservando para o crime hediondo cometido contra Pedro Collor.
Realmente acho que falta ainda muito de maturidade nossa para se fazer da Justiça um valor ético e não um valor econômico. Com isso vou errando ao escrever sobre a produção, para não produzir erros ao escrever sobre assunto tão abjeto. Mas ainda tenho esperança na minha Pátria e acredito na sabedoria dos Provérbios: - Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela.
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22
Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela.
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22
Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela.
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22
Porque os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela.
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados.
Provérbios 2:21-22
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Gratidão ao mestre
Após ter escrito sobre produção com qualidade me recordo dos anos 70 e 80 quando estava na moda a "Qualidade Total". Vários consultores, animadores de congresso, falavam e davam conselhos sobre a qualidade nesta época. Os inspetores de qualidade valorizaram seus currículos; os desempregados
pela iniciante crise industrial já buscavam colocação munidos de
diplomas em cursos especializados em TQC (total quality control), CEP( controle estatístico de processo), KANBAN (conceito intraduzível, pois seria apenas "cartão").
Os malabaristas do palco e da palavra cobravam rios de dinheiro para animar seminários, cujo tema hoje se perde na memória. Muitos dos que participavam, nem mais se lembram do que tratava o assunto e a tal "Qualidade" passou a ser uma palavra vazia e desacreditada. Afinal ela implica em valores cívicos.
No entanto, incólume aquela onda que derivada do "Milagre Japonês", a globalização se alastrava pelo mundo alimentando a recém acesa fogueira neo-liberal; queimando indústrias iniciantes e mesmo as antigas mal administradas. Ninguém podia fazer frente aos japoneses. O Japão produzia de tudo e vendia toda a sua produção para o ocidente, pois em preço e qualidade eram imbatíveis. Alguns se perguntavam como os japoneses conseguiam realizar tal proeza, já que não possuíam matéria-prima alguma, apenas munidos de disciplina, vontade férrea e excesso de trabalho.
Lembro-me de ter assistido a um seminário do saudoso Eliyahu Goldratt em 1978 em Hollywood-by-Sea onde ele mostrava a causa do milagre japonês que diferia do ocidente, já que disciplina e vontade não faltava também nos lados do sol poente, simplesmente as indústrias japonesas trabalhavam com folga de capacidade. Baseado na sua "Teoria das Restrições" recém formada, Eliyahu Goldratt percebeu que com sobra de capacidade fabril (mão-de-obra) as faltas e atrasos acabavam se acomodando melhor ao fluxo produtivo desejado.
O que o ocidente guardava nos estoques, os japoneses geravam de ocupação de mão-de-obra. Isto é, pleno emprego fazendo frente à variações de demanda, apesar de salários baixos se comparados ao do primeiro mundo ocidental, melhor dizendo Estados Unidos e Europa rica. Os japoneses aproveitaram a lição bélica da derrota e fizeram das suas deficiências e de suas qualidades, um conjunto de vantagens competitivas que os alçou a condição de G8.
Se formos encurtar a história, podemos dizer que se repetiu agora com a China o que ocorreu com o Japão. Realidade cujos fundamentos técnicos e sociológicos foram magistralmente tornados públicos e simplificados por Eliyahu Goldratt, cuja memória hoje homenageio.
A síntese fundamental está na geração do pleno emprego, na geração da capacidade técnica, científica e educacional, mas sobretudo na proteção absoluta de seu mercado e seus interesses econômicos. Tiveram que atropelar algumas restrições impostas pelos seus concorrentes e por na frente de tudo a sua vontade de produzir. O que o mestre Goldratt percebeu muito bem.
Vivenciamos o momento de recuperação da pandemia neo-liberal que veio desaguar na atual crise econômica. Não consigo comparar a crise econômica atual com a destruição absoluta sofrida pelo Japão na Segunda Guerra. Consigo sim, ver a superação de qualquer crise vivida pelo homem e pelas nações que dela sobreviveram. Nós não seremos ex cessão ( se quisermos sobreviver ).
Este meu pensamento amadurece desde a conversa com Eliyahu Goldratt em 1978; estou mais do que seguro dele. Daí minha gratidão ao mestre.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Produzir com qualidade
Vemos que positivo tenha sido o resultado econômico dos governos Lula, pode se dizer que foi uma resultante ortodoxa. Pois ao ter democratizado o crédito interno, ter investido nas politicas sociais, no aumento do crédito, no salário mínimo,
aumentando os beneficios previdenciários, construiu-se então um mercado interno
de massas, antes praticamente falido. São receitas já provadas, pode se dizer ortodoxas. Foi o que alavancou a economia com melhoria, ainda insatisfatória, da distribuição de renda e o aumento
do emprego formal.
Mas precisamos ainda inovar, no tratamento do deficit primário e, principalmente na sua
aplicação. Precisamos rever investimentos, melhorar a industria sim ,
pois a realidade mudou; agora dramatizada pela situação econômica européia. Precisamos rever muitas coisas sem mitificações. Inovar tem sido a palavra de ordem, mas não tem sido a resultante final. A resultante útil desejada é aplicar maciçamente esta montanha de dinheiro chamada de superavit primário, sem esquecer que este serve também ao pagamento de juros da dívida pública atrelada a esta coisa esquisita chamada "selic" que nos escraviza a avareza e ao capital especulativo.
Realmente a campanha inciada pelo inesquecível Zé Alencar terá de dar resultado, pois ainda vivemos tempos de taxas de juros imorais e nada mais justifica tais valores de juro e de cotação da moeda. Não precisamos fazer esforço para provar este raciocínio; a Europa já o faz.
Tais medidas de redução já são sobejamente conhecidas e defendidas por toda a sociedade brasileira lúcida. Há aqueles que vivem de juros, mas esses sabemos o fim que deverão ter: viver à sua própria sorte.
Temos que investir na nossa Educação, na nossa Saúde, na nossa Infra-estrutura, nas nossas Empresas e na nossa Cultura ao criar uma rede de comunicação social mais limpa e mais funcional, para libertar nossa população da escravidão midiática à lhes impor péssima qualidade de conteúdo. O nosso "Made in Brazil" também tem que ter qualidade. Não podemos aceitar que nosso produto seja inferior. Nossa soberania e independência dependem de nosso trabalho e também de nossa qualidade, caso contrário teremos é "Independência ou Sorte".
domingo, 22 de julho de 2012
Poderia ser continuação do artigo anterior !
Elites do Brasil enriqueceram com paraísos fiscais, diz relatório
22/7/2012 16:41, Por Redação, com ABr - de Brasília
Um estudo inédito, que, pela primeira vez, chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore sobre as quais as autoridades tributárias dospaíses não têm como cobrar impostos, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) emparaísos fiscais. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.
O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.
O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais. Henry estima que, desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.
A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo. Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como o México, a Argentina e Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.
John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou ao jornal da BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, para enviarem seus recursos ao exterior. “Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros”, afirma.
Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais. “As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos”, observa Christensen. “No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo”.
Chistensen diz ainda que no caso do México, da Venezuela e Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”. O diretor da Tax Justice Network destaca que há enormes recursos de países africanos em contas offshore.
Outros virão
Tenho muito falado e trazido textos sobre industrialização, e sobre desendustrialização também, mas é preciso sobretudo fazermos algumas reflexões acerca da nossa própria vontade e capacidade de nos tornarmos industrializados; aqui utilizando o termo na sua plenitude; ou seja, pesquisando, projetando e fabricando.
Mas para conseguir cumprir o ciclo completo será necessário que nós como profissionais e empresários, mais do que governos, sejamos capazes de construir nossas empresas baseadas nos princípios da democracia e respeitando também nossa cultura. Em artigo anterior "Por que o Brasil se atrasa" de Adriano Benayon, transcrito do www.algoadizer.com.br, pode-se observar que a própria política de industrialização está eivada de erros. Já é mais do que sabido que as "cabeças pensantes" da tecnocracia dos quadros do governo também foram formadas nos mesmos centros de formação dos tecnocratas neoliberais dos quadros das transnacionais. Como disse uma vez a Profa. Maria da Conceição Tavares, "esta rapaziada pode ter o coração na esquerda, mas a cabeça ainda pensa com a direita". E isso também é verdade para o empresariado que está aculturado no processo de geração de riqueza de antanho, quando os filhotes iam gastar o resultado do trabalho alheio nas praias de Biarritz, San Sebastian, Côte D´Azur e mais tarde iam esquiar em Chamonix; alguns iam para Aspen CO, e os mais simplesinhos iam para Bariloche ali pertinho.
Quando a insigne professora falou da bipolaridade coração e cabeça, conseguiu uma síntese quase perfeita do conflito, se existe, que ainda habita a cabeça de empresários e mesmo dos tecnocratas; afinal ambos disputam os mesmos postos na classe média e foram formadas nos mesmos centros acadêmicos. Não importando aí qual a gradação desta média, se alta ou baixa. Importa sim, a competência e o compromisso de quem dirige os destinos da organização, ou privada ou governamental.
O que temos visto é um descolamento da realidade brasileira, por parte daqueles desta classe que não firmaram um compromisso com o futuro. Quando falo futuro obviamente estou falando dos nossos filhos; e nossos aqui significa todos.
A industrialização é apenas fruto da capacidade de trabalho e superação, como foi provado na maior e mais poderosa nação do mundo, independentemente dos meios de exploração interna e externa que utilizaram, e ainda utilizam. Mas foi o resultado do insofismável sacrifício de seu povo
O nosso povo também tem mostrado esta capacidade, mas as nossas próprias elites não. Mas já começamos com o Irineu Evangelista de Souza que trouxe a energia e a necessidade de sobreviver lá dos pampas. Igual ao Barão, tenho certeza que outros virão.
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