Pensei muito nesta semana sobre este sofrimento do povo palestino. Pensei em relatar então uma experiência pessoal:-
Tinha em torno dos meus vinte anos e ouvia de meu tio Mello, irmão de minha mãe, nas noites ao som do mar batendo na Praia Grande em Santos, então ainda deserta, as suas aventuras quando ele aos dezoito anos serviu como soldado (apanhado à força no Líbano, já que era apátrida) no exército inglês na Palestina, sob as ordens do Coronel Thomas Lawrence (depois imortalizado em filme pelo ator Peter O`Toole). Contava as peripécias e os sofrimentos, mas não deixava de mencionar contradições dentro das fileiras britânicas, já que estes apesar da guerra, era 1917, nutriam uma amizade pelos habitantes daquela região, a Palestina. Eu mesmo não tinha idade para perceber as contradições e seu profundo significado e ele mesmo talvez não tivesse o preparo naquela época, com dezoito anos, para entender a complexidade do drama humano que transcorria a sua volta.
Hoje ainda me recordo daquelas charlas mas, já amadurecido, vejo nos episódios por ele relatados, não contradições, mas a raiz do sofrimento daquele povo que convivia pacificamente apesar das profundas diferenças de suas proporções: 568.000 muçulmanos, 74.000 cristão e 58 mil judeus.
Lembremo-nos que o Coronel Lawrence já havia lutado, ao lado dos árabes palestinos, na insurgência destes arábes contra o Império Otomano. Alí se formara uma aliança tácita entre Lawrence e seus comandados britânicos com os árabes; aliança esta que fui perceber quando trabalhei na britânica Cable & Wireless, herança da centenária The Western Telegraph Company.
Está registrado: o Coronel Lawrence havia avisado ao chefe do MI6, Sir Gilbert Clayton: - “the jewish influence in european finance might not be sufficient to deter the arabs from refusing to quit – or worse!”1. Ora, quando Lawrence se referia a “jewish influence” estava se referindo ao banqueiro Lord Lionel Rothschild que “convenceu” o chefe do Foreign Office, o Ministério das Relações Exteriores da época, Lord Balfour a declarar em 2 de novembro de 1917 que a Grã-Bretanha iria favorecer “the establihment in Palestine of a national home for the jewish people (Eretz Yisrael)”. Isso tudo custou o êxodo de 700.000 árabes de Haifa, Jaffa, Acre, Nazareth, Safad e tantos outros povoados. Meu tio ainda me disse: - “Isso não vai acabar tão cedo, nem seis dias , nem seis anos, nem sessenta”. Era 1965, começava a se preparar a “Guerra dos Seis Dias”.
Nem meu tio, nem Thomas Lawrence, partícipes que foram da causa primeira do sofrimento do povo palestino, faziam ideia do quão aviltante fora ao Império Britânico o comportamento do banqueiro Rothschid, do Lord Balfour e de tutti quanti, dos que apoiaram, e ainda apoiam, este vil sofrimento.
Ocorre agora uma causa que ainda “justifica” este comportamento aviltante: a existência de reservas de gás, em frente a Faixa de Gaza, na quantidade de 1,4 trilhão de metros cúbicos com valor aproximado de US$ 4 bilhões, segundo a BG (British Gas); empresa contratada pela autoridade palestina para a prospecção e futura exploração. Agora é só refletir...
Já em 2007 Israel havia atacado a Faixa de Gaza devastando e matando milhares e milhares de civis(2)...e até hoje continua o sofrimento...Aí estão as causas dessa mortandade, sintetizadas em uma só palavra que já existia nos tempos de Sir Lionel Rothschild et caterva: “kehsef”….Sim, meu tio sabia das coisas.
1Lawrence ''', 1995,pp275-391. Luiz Alberto Muniz Bandeira
2-https://www.jpost.com/middle-east/experts-clash-over-palestinian-demographic-statistics-386443:
The report released this week by the Palestinian Central Bureau of Statistics summarized data from 2014, determining that the projected number of Palestinians in the world is approximately 12.1 million, of whom 4.62 million live in the West Bank and Gaza, 1.46 million live in Israel, 5.34 million are in Arab countries, and some 675,000 reside in foreign countries
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