Assisti, no evento comemorativo dos dez anos da Sputnik, paralelo ao encontro dos BRICS+ no Rio de Janeiro, ao encontro de quatro figuras expoentes na geopolítica, com diferentes gradações em diferentes formas de relacionamento com esta matéria: Pepe Escobar, Paulo Nogueira Batista Jr., Glenn Greenwald e o Professor Elias Jabbour. Todos dividindo opiniões mas colimados no foco BRICS, suas implicações geopolíticas, suas contradições, fraquezas e potencialidades. Antes das falas destes houve a fala, desde Moscou, do Professor Alexander Dugin que pontuou a questão dos BRICS+ como um contraponto a unipolaridade, que hoje se apoia no poder hegemônico, mas...decadente, dos EUA.
O que se depreendeu das diversas falas foi a constatação que a recente ação de bombardeio do Irã, membro dos BRICS foi expor a sua fraqueza militar, dado a incapacidade de seus membros mais poderosos, China e Rússia, juntamente com os demais, poder acudi-lo senão diplomaticamente. Por parte dos EUA foi uma demonstração de força orientada aos BRICS considerados “inimigos mais fortes”, ou seja, realmente a China e a Rússia.
O que posso sintetizar é que foi consenso os BRICS+, que somam a maior parte da população mundial juntamente ao maior PIB -PPC, serem percebidos por todos como a saída visível, e única no momento, para o problema mundial criado pela decadência econômica, social, moral do mundo dito “ocidental”, que vê nas guerras a única forma de se relacionar com os demais países. Herança direta do poder colonial.
O que chamou minha atenção foi a posição do Professor Elias Jabbour que, sendo um ativista e profundo intelectual de esquerda que afirma que a resultante possível do socialismo se dá a partir do nacionalismo. Por que esta postulação chamou a minha atenção? Foi poder compará-la a do outro importante pensador da esquerda e experiente economista com experiência de diretor do FMI e vivência em Shangay como vice-presidente do NDB, Paulo Nogueira Batista Jr. Seu livro, o best-seller “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” – LeYa -Brasil 2021, expressa deias sobre nacionalismo. Quanto a ideia de “nacionalismo” preciso cotejá-la comparando-a com a ideia expressa pelo Professor Jabbour. Este é categórico na relação causal e de dependência e a expressa didaticamente na sua obra premiada “China-O socialismo do século XXI”.
Ocorre que as comparando acabo por ver os dois olhando para direções opostas e vendo a mesma coisa. Como decifrar este enigma então?
Na sua obra o Professor Paulo Nogueira Batista Jr. na página 368, no capítulo “NACIONALISMO E DESENVOLVIMENTO”, cita: “Fica evidente portanto, que nacionalismo é um fenômeno histórico e não um valor universal e atemporal. Não faz sentido inventar uma axiologia em que a Nação, com “n” maiúsculo, seja considerada o valor supremo. Exageros desse tipo podem ser o primeiro passo para a perversão do nacionalismo e sua transformação em xenofobia e motivo para agressões e guerra externas.” Refere-se ao “nacionalismo” que observou no episódio concreto e que viceja no ideário americano. Refere-se mesmo ao “nacionalismo” americano. Daí a menção aos exageros. Seria este o “nacionalismo” que o Professor Elias Jabbour se refere? Quem sou eu para decifrar este enigma, pois não tenho suficiente leitura tampouco formação para esta tarefa, mas não posso deixar de refletir e buscar a gema preciosa escondida dentro desta aparente contradição.
O que construí como elemento de comparação lendo o texto, não este curto aqui mencionado mas todo o conteúdo do “Brasil não cabe no quintal de ninguém” e tampouco a fala isolada do Professor Jabbour, foi ter o “nacionalismo” como, além da sua conotação sim, de compromisso com a existência e a vida de seus próximos nacionais, valores, pessoas e tudo que constitua “a nação”, como entidade, como Estado, também se opor a ideia pueril de “estado mínimo”; ideia estapafúrdia que inculcaram na cabeça frouxa de muitos, independentemente de sua tendência ideológica. A ideia de “estado mínimo” não vinga na cabeça daqueles que, independentemente de nacionalidade, se comprometem existencialmente com os seus próximos, sejam pessoas, sejam valores humanos; seja os apoiadores de direita da Hungria, ou os defensores da esquerda da China ou do Vietnã. O socialismo não vicejará em um “estado mínimo”, ou seja, não conseguirá ou buscará justiça social e tampouco a própria direita que estiver comprometida com este mesmo propósito.
Estejam partindo da esquerda, ou da direita, ideias pueris sobre “estado mínimo” e “livre concorrência”, descompromissadas com a nacionalidade, estas serão, em curto espaço de tempo, destruídas juntamente com as nações que as defenderem e praticarem.
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Insiro aqui, retirado do “histagram” do Professor Elias Jabbour uma mensagem sua que ilustra melhor este pensamento:
A questão nacional é tão complexa quanto contraditória. Ainda mais em um mundo onde as coisas se decidem, também, no âmbito da formação e fortalecimento do capital nacional.
Enfim, hoje a JBS - empresa com muito investimento público do BNDES - acaba de lançar ações na bolsa de valores de Nova Iorque, está disputando o mercado de proteínas no mundo
Os países fazem suas escolhas. Discursos morais sobre o papel do Estado na economia e ter o fornecimento de proteínas nas mãos de empresas estrangeiras ou simplesmente constroi suas próprias empresas.
Pensem antes de julgar moralmente.
Alguém acha que o vale do Silicio caiu do ceu?
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