terça-feira, 15 de julho de 2025

Não dá para confiar...

 Ontem 14 de julho foi lembrada a data nacional francesa. Imediata à esta lembrança surge do ideal Liberté, Égalité, Fraternité” que é o lema nacional da França, mas deve se lembrar também outra importante data do início do século XX, quando as potências coloniais europeias, que antes se digladiavam, ou seja França e Reino Unido, em busca de território e hegemonia, agora dividiam ao seu gosto uma boa parte do mundo no Oriente Médio, na minha época de ginásio chamada Ásia Menor, o que sobrara do finado império otomano. O ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade” não era para todos evidentemente, mas apenas para os europeus. Após terem prometido aos árabes os despojos de findo império otomano, em 1917 quebraram a promessa os oferecendo aos judeus, como já mencionei no penúltimo blog1, pelas mãos de Lord Balfour então beneficiadas pelo banqueiro Lionel Rothschild.

Já em 1916 o Tratado Sykes-Picot (Mark Sykes (Reino Unido),François Georges-Picot (França)) acordava secretamente com o apoio da Rússia dividir o Oriente Médio. Ou seja, o de importante que sobrara do Império Otomano. Á França caberia o controle da Síria, Líbano, norte do Iraque e parte da Turquia. Ao Reino Unido caberia o sul do Iraque, a Jordânia e a Palestina. E à então Rússia dos Czares caberia Istambul e o Estreito Turco. Criar-se-ia uma zona internacional na Palestina (Jerusalém e áreas adjacentes).

Ocorre que o dito tratado, como disse, era secreto; mas o bolcheviques em 1917 que assumiram a Rússia na famosa revolução “deram com a língua nos dentes”. E, desnecessário dizer, deixaram os árabes sabe-se como, para não utilizar uma expressão “não diplomática” e pouco educada.

Vejamos então o cenário após um século, quando toda a região se revelava como a maior fonte de petróleo ( nem as da Venezuela, nem as da Rússia e nem as do Mar do Norte ainda eram conhecidas ):

. O Reino Unido pereniza alianças com os descendentes da família de seu antigo aliado Muhammad bin Saud, o fundador do Emirado de Diriyah, que foi o Primeiro Estado Saudita. Lembremo-nos ainda que o Coronel Lawrence lutou ao lado deles na Primeira Guerra Mundial. Atualmente o príncipe herdeiro goza de absoluta liberdade para liquidar opositores.

. Os Estados Unidos junto com ingleses, já em meio a Segunda Guerra Mundial, patrocinam no Irã, então Pérsia, um golpe de estado derrubando Mossadegh, eleito legitimamente, e entregam o poder e as reservas de petróleo já descobertas a empresas petrolíferas ocidentais; obra bem esquematizada e apoiada pelo então filho do Presidente Roosevelt, Elliot Roosevelt.

. Israel se consolida militarmente na região com o apoio dos Estados Unidos

. Descoberta de imensas reservas de gás no campo “Leviatã” em frente a Faixa de Gaza.

Paralelamente o resto do mundo segue sobrevivendo, mesmo após tropeços e crises geradas pela caça aos despojos da Segunda Guerra Mundial. A França da Liberdade, Igualdade e Fraternidade já tendo perdido a Indochina (Vitenã, Laos e Camboja), massacrado milhares de argelinos (Sétif, Guelma e Kherrata); o Reino Unido perdido a Índia e dividindo-a em Paquistão Ocidental e Paquistão Oriental (atual Bangladesh); os Estados Unidos reafirmando sua influência na América Latina e fechando os olhos à execuções e torturas; o Japão enterrando prisioneiros chineses vivos; a Rússia, já despojada após as maldades com os húngaros em 1953, a Primavera de Praga em 1968, todos os poderosos com um passado sombrio. Confiar nestes “exemplos” de democracia é impossível. Só nos resta então lutar pela nossa soberania; nós brasileiros, povo considerado, pelo menos pela classe de cima, como subdesenvolvido. Só consigo ver este caminho, pois europeus há mais tempo, americanos mais recentemente já mostraram do que são capazes. Acho que os chineses pensaram da mesma maneira, e ainda pensam. Não dá para confiar...





1“Meu tio sabia das coisas” de 1 de julho de 2025

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