sábado, 19 de julho de 2025

O que Trump realmente quer

 Hoje não poderia deixar de “agradecer” ao Presidente Trump pelo favor que está prestando ao Brasil no que tange ao entendimento, por boa parte do cidadão comum, de como são elaboradas campanhas denominadas “guerras híbridas”. Com a sua intervenção aberta ficou mais fácil para este cidadão comum, desprovido de informação e reflexão mais aprofundada da realidade sócio-política, entender os interesses ocultos muitas vezes acobertados pelo embate de ideias de esquerda e direita; que na verdade se constitui uma mera simplificação. A intervenção direta neste momento do presidente norte-americano se diferencia daquela que se chamou “Operação Lava-Jato” bem engendrada e elaborada a partir dos think-tanks contratados pelo Departamento de Estado do governo americano. (neste mister sugiro assistir a entrevista esclarecedora que um pesquisador norte-americano da UFSC deu a Bob Fernades sobre as think-tanks americanas em:    https://youtu.be/0M_QiiNINYE?si=ILhWuxJqeecTO4d1)

Como mencionei no blog passado, e já de conhecimento comum ao cidadão mais simples desprovido de atenção a este tema, a dominação colonial se faz por um comensalismo entre a nação dominadora e os traidores e sátrapas da nação dominada. No Brasil os exemplos, passado o tempo mais do que suficiente para conscientização, são percebidas as operações, que hoje denominamos “guerra híbrida”:

  1. tentativa de derrubada de Getúlio Vargas em 1954;

  2. tentativa de derrubada do governo Juscelino Kubistchek em 1955;

  3. golpe de 1964 para derrubada do governo de João Goulart;

  4. campanhas difamatórias a torto e a direita com o uso aberto dos meios de comunicação contratados para interferência política culminando com as passeatas de protesto de 2013, inicialmente reclamando centavos no aumento das passagens de ônibus em São Paulo;

  5. Operação Lava-Jato muito bem arquitetada para dar início ao golpe de estado que derrubou o governo Dilma Roussef e o estendeu à demolição das grandes empresas de engenharia brasileira, inclusive como base de ação na Petrobrás;

  6. prisão do Presidente Lula- e hoje quero fazer uma breve pausa para lembrar que Lula não aceitou usar uma tornozeleira eletrônica.

O que ficou evidente para o cidadão mais atento, ainda que desprovido de cultura política, é que o Presidente Trump toma tais iniciativas de taxação, sanção etc..não é para proteger o chefe da orcrim Bolsonaro, talvez nem saiba quem seja; o alvo que quer atingir está mais do que claro, chama-se BRICS, organização cujo o Brasil, sendo um dos fundadores, passa a ter relevante influência. Está aí sim o objeto da ação do presidente americano preparando um ambiente intimidador que funcione como um apito-de-cachorro para a ação das hienas de plantão, estas, bem alimentadas pela imprensa que Pulitzer ( blog “A atualíssima frase de Pulitezer” -blog de 6/06/25) já em 1917 identificara.

De qualquer forma os campos de luta estão bem delimitados agora: quem é apoiador de Trump e que é apoiador do Brasil, sem rodeios de esquerda-direita, de “injustiçado” Bolsonaro e todos estes “aberratio ictus”1 . Trump na sua forma histriônica ajudou a montar o ringue, só não sabe bem quem são os reais contendores. Aliás, é uma característica que Trump tem demonstrado; pois neste momento de desmanche do império, tal como os passados, quer é briga com todo o Mundo.


1 Aberratio ictus - erro na execução de um crime, por desvio de direção, de cálculo, de pontaria, que leva o agente a atingir involuntariamente a terceiro. Oxford Languages

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