Tenho buscado a atualização de conhecimento sobre a evolução dos “chips”, isto é, os circuitos integrados que no presente têm sua tecnologia de fabricação baseada em fotolitografia das camadas CMOS baseados em substratos de silício. Esta tecnologia teve nos últimos anos uma evolução que penso hoje esteja beirando os limites físicos (miniaturização e dissipação de calor) tanto quanto de complexidade. Trato aqui o limite de complexidade como inerente a própria lógica de funcionamento dos chips quanto a de produção. Tenho forte impressão que tal limite se relaciona mais ao custo que se impõe na utilização de água, tanto para resfriamento, quanto para purificação e limpeza. Em artigo recente no Brasil247, que aconselho a leitura, o pesquisador Reynaldo Aragon 1 aborda a questão da fabricação e dá ênfase aos aspectos geopolíticos da tecnologia dos chips.
O que posso agregar a este é a premência de se resolver o problema do consumo de água, tanto devido ao seu custo quanto ao limite de obtenção e da descontaminação do despejo industrial.
Evidentemente esta questão de natureza ecológica que afeta os processos de fabricação se avizinha as tecnologias urbanas de purificação da água e indiretamente ao tratamento dos efluentes, então contaminados por despejos industriais juntamente ao descarte dos RSU (Resíduos Sólidos Urbanos), já mencionados aqui em “Já é uma questão de sobrevivência mesmo” de 23 de abril último.2
Acredito que estas duas questões (independência tecnológica na fabricação de chips e a tentativa solução do problema do descarte do lixo urbano), deverão entrar na ordem do dia das políticas governamentais e terão que afluír aos debates parlamentares...no mundo todo. Já que a mais badalada questão financeira está sendo equacionada esperando que as nações do mundo inteiro deem partida urgente aos processos de distribuição de renda. Estes processos, mesmo sendo escamoteados pelo famigerado “mercado”, epíteto para a turma da agiotagem, desde quando, mais recentemente, Piketty3 dera o alarme.
O que se espera é que a temperatura do caldo geopolítico, que hora está em ebulição devido ao retorno de Trump com suas diatribes tarifárias, na desesperada tentativa de estancar o processo de esgotamento econômico, venha abaixar e viabilizar um novo tempo, seja de prosperidade com paz, seja de paz apenas, ainda que a prosperidade seja reservada, permitida apenas aos povos que lutam por ela. Sem luta, a prosperidade será sempre uma distante ilusão.
1https://www.brasil247.com/blog/a-geopolitica-dos-semicondutores-a-guerra-dos-chips
2 https://www.blogger.com/blog/post/edit/7714812914870144096/9171058728865880645
3“O Capital no século XXI” – Thomas Piketty -Editora Intrínseca – 2014;
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