“Onde o poder público descuidou da integridade física dos mais pobres, o regime democrático não passa de uma fachada de papelão esburacada por tiros, chamuscada por pólvora queimada e borrifada de sangue.”
— Eugênio Bucci, O Estado de SP, 30/10/2025
Embora a aludida “elite” exista desde antes da Lei Áurea, e mesmo depois dela sobrevivendo, ainda assim colaborava com a produção industrial e, juntamente as suas companheiras cartoriais e as financiais, aproveitava o resultado, ainda que pequeno em termos mundiais, do trabalho, este também ainda que pequeno em termos salariais.
Até os anos 80 do século passado tínhamos a produção industrial em torno de 40% do PIB, hoje mal chegamos a 13%. Isto indica que os empregos, ainda que mal remunerados, disputavam, mesmo com dificuldade, com a ocupação na rede do tráfico de drogas...em todas as capitais brasileiras.
O que a aludida “elite” fez ao final da década de 80 apoiando impudens o Consenso de Washington? Jogou a água do banho e a criança juntos fora. Absolutamente despreparada e sem referencial político, (patriotismo já seria um exagero) abraçou as medidas do FMI, que proclamava a salvação econômica dos povos da América Latina, promovendo a desindustrialização a toque de caixa. Elegeu um “Caçador de Marajás”, estimulado este por aquela anafórica elite.
Se as mais de cem vidas ora perdidas estivessem antes se dedicando ao emprego melhor remunerado, que ora lhes falta devido à incompetência herdada do insucesso escolar, ao despreparo, a ausência do mínimo capital social, diria Bourdeu 1, a brutal realidade seria diferente. Se…
Se esta anafórica elite não estivesse oferecendo tais vidas no altar dos sacrifícios do império, renomeando o tráfico de drogas de “narcoterrorismo” a fim de justificar a tentativa de assalto as riquezas latino-americanas, não haveria também a tentativa de interromper o processo de neo-reindustrialização e do pleno-emprego que, com todas as dificuldades criadas pelo sabujo Parlamento, agora se busca com o auxílio dos BRICS.
Este é o cenário onde as vidas de invisíveis pouco contam: a tentativa de interromper um processo de desenvolvimento social e manter a dependência aos tutores.
A matilha adestrada colocou as presas aos pés de seu tutor. Assim sempre o fizeram.
1“A distinção, crítica social do julgamento”, Pag. 112 – Pierre Bourdie – Editora Zouk, 2011
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