Hoje de manhã ouvi a fala do Chanceler Mauro Vieira desde lá de Washington. Comedido, tecnicamente diplomático, disse ao que veio; aliás, ao que foi. Alguns jornalões escreveram parábolas, hipérboles fazendo um baita esforço para diminuir. Ainda farão muito mais quando ficar mais do que claro que a carta de Trump, que motivou o preparatório encontro destes chanceleres e de corpo técnico, esta “ainda” falando de Eduardo Bolsonaro nada mais foi do que um expediente , ou mesmo de uma esperteza; um “truc d´intelligence”, se viesse do Macron.
Mas não, Trump, como qualquer outro dirigente, sabe que um indivíduo que pede para que ataque seu próprio país é um ser não qualificável; uma Maria Corina, ou coisa assim. Mas serve a um propósito. Por que não aproveitá-lo, então? Servirá como moeda de troca talvez.
No entanto, se o assunto “terras-raras”, que virá inexoravelmente, for bem conduzido por ambas as partes, EUA e Brasil, os dois espantalhos já não serão tão úteis e poderão ser descartados, como todos os que se prestaram a esse enredo. Uns “Silvério dos Reis” de papel; nada mais.
Mas falando do assunto terras-raras, já que o “café e suco de laranja” já foi praticamente resolvido, faltando apenas a venda de soja para a China (mas este já não será assunto nosso, e sim de Xi Jinping), uma coisa ficará clara e definitiva e que deve ser tratada com responsabilidade. Senão vejamos:
.O processo da simples mineração (extração, britagem e flotação) está no âmbito de nossas competências e não requer intervenção ou ajuda externa. Aliás já o fazemos com a Mineração Serrana, lá de Goiás, mas não temos ainda a separação de elementos pois estes processo requer técnicas ainda não dominadas.
. Não conheço quão avançado está o EUA no restante do processo de extração dos elementose e suas aplicações1, mas sei que é complexo e ainda requer tratamento da radioatividade derivada de seu refino.
Então duas questões, que terão de ser digeridas tanto no estágio da negociação diplomática quanto na etapa comercial e técnica, irão emergir:
. As empresas já instaladas no território poderão se adaptar tanto patrimonial (ativos e recursos técnicos) quanto economicamente?
. Os processos de produção (instalação, equipamentos e pessoal) irão atender as limitações e os requisitos de produtividade, ecológicos, logísticos?
Pessoalmente, mesmo não tendo competência técnica e conhecimento para assertividade, mesmo baseando-me apenas em experiência profissional passada no contato com os recursos técnicos, empresariais e acadêmicos no Brasil, não temo afirmar que as questões adrede levantadas, serão satisfeitas se forem financiadas, sem qualquer outra interferência ideológica ou política que seja nefasta. E ainda adiciono uma questão que me parece pertinente que é a evolução dos processos tecnológicos. Historicamente a evolução tecnológica faz transmutar insumos e processos, por exemplo:
. A evolução dos plásticos, que por sua vez derivou em compósitos, fez mudar a demanda por alumínio e aço no que se referia a indústria automobilística e aeronáutica.
. A capacidade de reprodução de moléculas derivadas de elementos botânicos e animais na natureza, não somente protegeu ecologicamente tais recursos como fez mais econômicos muitos produtos farmacêuticos e químicos industriais.
Penso ainda que seja necessário mencionar a mudança e evolução tecnológica, visto que estaremos próximos a um salto sistêmico na produção dos “chips”, não apenas no processo litográfico de produção quanto nas próprias exigências de miniaturização. O atual processo litográfico de produção dos “waffles” não será mais tolerado dado seu custo e suas implicações ecológicas (altíssima demanda de água pura e custoso descarte desta com metais pesados); além do fato que expandindo o uso de IA se oportunizará menores demandas de processamento para problemas até então altamente custosos e complexos, além do uso de computação quântica.
Quão distante estamos destas mudanças não posso (podemos) quantificar, mas podemos afirmar sim com segurança que estas virão...E com estas profundas alterações e implicações econômicas e políticas. Teremos de nos preparar para enfrentá-las e só com as capacidades de coragem, determinação e...EDUCAÇÃO PARA TODOS é que conseguiremos. Sem estas, esquece.
Catalisadores: (Ce, La) para refino de petróleo e conversores catalíticos de automóveis.
Polimento: (Ce) para polimento de vidros e lentes de precisão.
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