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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Acabou-se a folia

Já faz um tempo Chico Buarque, hoje homem maduro, cantou que se preparava "pra quando o carnaval chegar". Juntava energias, sugeria a letra, pra gastar desabridamente na folia. 
Como a palavra mesmo diz "folia", pode ser traduzida do francês "folie", loucura. E é inspirado nas loucuras de Carnaval que canto e escrevo "pra quando carnaval passar". 
É, observador desta "folie", desta loucura que estou assistindo, que deixo um pouco de lado as memórias e passo a interpretá-las.

Chegou a hora de dizer um basta a toda esta loucura insuflada, e financiada é óbvio, por uma mídia à serviço ( serviço por sinal muito bem pago ) pelas petroleiras e pelos interesses do império. Quando falo império, não falo apenas do império do capital, do Império Britânico, mas também do império da estultícia que vemos na Europa. Não apenas a Alemanha, a Espanha, mas também a Hungria que parece voltou aos tempos medievais, também a França. Mas por aqui temos de dar um basta.

Várias organizações de classe, a OAB, e várias outras entidades que congregam gente que está observando o carnaval midiático à preparar a tomada da Petrobrás, hoje, após o Carnaval, vêem que já passou dos limites do burlesco. Vão, ou melhor, vamos, parar com esta farra e botar o Brasil pra andar de novo e dizer àqueles a quem interessa a desordem para dar margem a tomada do poder de forma oportunista, tal qual a Aids, que esta terra tem dono, já dizia Sepé Tiarajú. 

Vamos preparar as ações "pra quando o Carnaval passar" e "botar o bloco na rua", a "marcha do justos", a "caravana da legalidade", a "passeata dos cem mil", tal como já fizemos em passado recente.
Hoje fazem 70 anos que os americanos fincaram a bandeira no Monte Suribati, após sangrenta luta.
Portanto eles tem motivos para comemorar, tal como nós que comemoramos agora a hora da verdade.
Vamos fincar nossa bandeira, para marcar nosso "território livre da democracia" (está escrito lá no Teatro Casagrande, dito por Tancredo Neves), para dizer que não somos bobos e há muito percebemos que o que está financiando toda esta encenação chama-se petróleo. Não vamos deixar destruírem o que nossos antepassados lutaram tanto para criar. Acabou o carnaval, acabou a aparente letargia, acabou a aparente imobilização.
Chegou a hora da verdade...todos para a rua.  







quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Depois do Carnaval

Querem estragar o Carnaval do povo aqui do Rio de Janeiro, ah, querem. Mas não vão conseguir, pois esquecem que por baixo dessa aparente letargia existe, existe sim, um indomável espírito que sobrevive, é eterno. No Carnaval já cantou o Brasil de todas as formas, já pintou aquarelas, já cantou com Bidú Saião, já cantou as obras de Monteiro Lobato, já manifestou de infinitas formas o seu feitio, a sua alma. É certo que também vendeu e comercializou um espetáculo que não é exatamente tudo que falei. Enfeitaram as Escolas com o supérfluo e mesmo as travestiram com a contravenção, mas sobreviveram. 

Sei que também existe uma parte desta gente que não liga pra gente, pra qualquer gente. Pouco se dá pelo outro, pelo sofrimento do outro. E já está assim há muito tempo, vem desde os tempos de colônia, são os aliados do colonizador. São os seus apaniguados e também os capatazes, capitães do mato, que se contentam com o que sobra da casa-grande. Fizeram escola também.
Mas o Carnaval lava a alma. E este ano vai lavar e encher os mananciais que estavam secos. Vai haver enchente até.

Ah, quando o Carnaval passar. Esperem e verão o início das aulas de civismo e cidadania que virão. Esperem e verão.