segunda-feira, 14 de abril de 2025

Degradação dos plásticos- sequência de "Lixo e Luxo"

     Voltando ao tema “Lixo e Luxo” fiz uma pesquisa superficial para avaliar os avanços no tema mencionado que explora as possibilidades da degradação dos RSU´s, mais precisamente a degradação dos plásticos. Os recursos utilizados na busca, o Deep Seek e a revista Nature, são transcritos aqui diretamente, já que não ofende qualquer direito de reprodução, pois é matéria que não domino. Entretanto apresentar o resultado das pesquisas sobre microorganismos degradantes serve para reforçar a necessidade de investimento, já que obtivemos sucesso com uma das vertentes da solução do problema, a produção de plástico biodegradável a partir do bagaço de cana. 1

    Há diversos microorganismos (bactérias, fungos e enzimas microbianas) capazes de degradar plásticos, principalmente os derivados de petróleo, como poliuretano (PUR), polietileno (PE), poliestireno (PS) e tereftalato de polietileno (PET).

    Abaixo está uma síntese extraída do “DeepSeek” dos principais microorganismos estudados e suas fontes:

1. Bactérias

a) Ideonella sakaiensis

- Plástico degradado: PET (garrafas plásticas).

- Mecanismo: Produz duas enzimas (PETase e MHETase) que quebram o PET em ácido tereftálico e                             etilenoglicol.

- Fonte: Yoshida et al. (2016), Science

(DOI: 0.1126/science.aad6359](https://doi.org/10.1126/science.aad6359)).

b) Pseudomonas sp. e Bacillus sp.

- Plásticos degradados: PE e PS.

- Mecanismo: Oxidam plásticos em condições específicas (como alta temperatura).

- Fonte: Urbanek et al. (2018), Journal of Environmental Management

[DOI: 0.1016/j.jenvman.2017.12.060](https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2017.12.060)).

c) Rhodococcus ruber

- Plástico degradado: PE (filmes plásticos).

- Mecanismo: Forma biofilmes e degrada PE em CO₂ e biomassa.

- Fonte: Sivan et al. (2006), Environmental Microbiology

([DOI: 10.1111/j.1462-2920.2006.01186.x](https://doi.org/10.1111/j.1462-2920.2006.01186.x)).

2. Fungos

a) Aspergillus tubingensis

- Plástico degradado: PUR e PE.

- Mecanismo: Enzimas como lipases e esterases quebram ligações químicas.

- Fonte: Khan et al. (2017), Environmental Pollution

([DOI: 10.1016/j.envpol.2017.03.012](https://doi.org/10.1016/j.envpol.2017.03.012)).

b) Fusarium solani

- Plástico degradado: PET.

- Mecanismo: Produz cutinases que hidrolisam o PET.

- Fonte: Ronkvist et al. (2009), Macromolecules

([DOI: 10.1021/ma8014578](https://doi.org/10.1021/ma8014578)).

c) Zalerion maritimum

- Plástico degradado: PE (em ambientes marinhos).

- Fonte: Paço et al. (2017), Science of The Total Environment

([DOI: 10.1016/j.scitotenv.2017.02.165](https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2017.02.165)).

3. Consórcios Microbianos

Misturas de bactérias e fungos podem melhorar a degradação:

-Exemplo: Bacillus + Aspergillus aumentam eficiência no PE.

- Fonte: Wilkes & Aristilde (2017), Microbial Biotechnology

([DOI: 10.1111/1751-7915.12710](https://doi.org/10.1111/1751-7915.12710)).

Desafios e Limitações

- Velocidade lenta: Degradação natural pode levar meses/anos.

- Condições controladas: Muitos estudos são “in vitro” (não em larga escala).

- Subprodutos tóxicos: Alguns plásticos liberam microplásticos ou compostos nocivos.

Fontes Adicionais para Consulta

- Revisão sobre enzimas PET-degradantes: Tournier et al. (2020),

Nature ([DOI: 10.1038/s41586-020-2149-4](https://doi.org/10.1038/s41586-020-2149-4)).

- Banco de dados de enzimas plástico-degradantes: [PETase Database](https://petasedb.org).

Esses microorganismos têm potencial para biorremediação e reciclagem, mas ainda são necessários avanços em engenharia metabólica e otimização de processos.

Estimativas atuais sugerem que, dos 359 milhões de toneladas de plásticos produzidos anualmente em todo o mundo 150–200 milhões de toneladas se acumulam em aterros sanitários ou no ambiente natural. O poli(tereftalato de etileno) (PET) é o plástico poliéster mais abundante, com quase 70 milhões de toneladas fabricadas anualmente em todo o mundo para uso em têxteis e embalagens.

O principal processo de reciclagem do PET, por meios termomecânicos, resulta na perda de propriedades mecânicas.

Consequentemente, a síntese de novo é preferida e os resíduos de PET continuam a se acumular. Com uma alta proporção de unidades de tereftalato aromático — que reduzem a mobilidade da cadeia — o PET é um poliéster extremamente difícil de hidrolisar.

Aqui, descrevemos uma hidrolase de PET aprimorada que, em última análise, atinge, ao longo de 10 horas, um mínimo de 90% de despolimerização do PET em monômeros, com uma produtividade de 16,7 gramas de tereftalato por litro por hora (200 gramas por quilograma de suspensão de PET, com uma concentração de enzima de 3 miligramas por grama de PET). Essa enzima otimizada e altamente eficiente supera todas as hidrolases de PET relatadas até o momento, incluindo uma enzima da bactéria Ideonella sakaiensis cepa 201-F6 (mesmo auxiliada por uma enzima secundária e variantes aprimoradas relacionadas que têm atraído interesse recentemente. Também mostramos que o PET reciclado biologicamente, exibindo as mesmas propriedades do PET petroquímico, pode ser produzido a partir de resíduos de PET despolimerizados enzimaticamente, antes de ser processado em garrafas, contribuindo assim para o conceito de uma economia circular do PET.

https://www.nature.com/articles/s41586-020-2149-4

1 https://www.novacana.com/noticias/pesquisadores-usp-sao-carlos-criam-plastico-bagaco-cana-de-acucar-061020  

domingo, 13 de abril de 2025

Carpe diem

     O “Tarifaço do Trump” já perdeu a fantasia e o glamour da imprensa ocidental, até porque o objetivo de Trump já foi alcançado: colocar a Europa no seu lugar, isto é, na mesma condição de outros países ditos do “terceiro mundo”; expressão formalizada por Sauvy, mas concebida mesmo por Nehru no anos cinquenta, e que hoje, a resultante dos desdobramentos políticos, econômicos e sociais deste segmento geopolítico, se corporifica nos BRICS. Estes sim, e não os estados europeus, alvo de atenção redobrada de Trump.

    Os estados europeus, depois do atentado ao Nord-Stream (I e II), não somente se desmoralizaram, como também desconstruíram suas economias. E como ainda dependem dos EUA para sua defesa, já que o estado do bem-estar-social fora conseguido ao longo de décadas com a ajuda de economia de manutenção de seus exércitos (hoje tão corruptos quanto os congêneres latino-americanos), ficam agora, à mercê da vontade política de Trump. No último discurso de Vance ele deixou claro, afora a tremenda reprimenda, que os EUA não mais aceitariam financiar o dito estado de bem-estar-social à custa do povo americano. Para reafirmar sua política de não mais fornecer armamento para os ucranianos, (o que não acredito que demore muito tempo, pois somente o fornecimento para Israel continuar matando crianças não satisfará o apetite do complexo industrial militar americano) este busca uma saída honrosa, um cessar-fogo ou o que seja, na negociação com Putin, para o qual, ao que tudo parece, tem mais afinidades do que com Scholtz, Annalena Baerbock, Ursula Van de Leyen, Keir Starmer, Macron, e outros, que agora também se desmoralizaram perante não somente ao russos, mas também ao restante dos países “terceiro-mundistas”. A salvação destes agora reside na estabilidade política e econômica da China; para lá acorrerão inexoravelmente na tentativa, que espero não seja em vão, de salvar o que sobrou de desenvolvimento econômico. É obvio que há Estados que continuarão a reboque, os Estados Bálticos especialmente, os outros antigos participantes da URSS, e os novos Macedônia do Norte, Kosovo, Montenegro, que a rigor nem são necessariamente Estados.

    O que podemos dizer é que Trump, na forma histriônica que lhe é peculiar, tenta salvar os dedos, pois os anéis já se foram, assim como os dos estados europeus.

Se não, vejamos, os exemplos de anéis da ex capitânia das indústrias, a automobilística(1):

Marcas Internacionais que Usam Componentes Chineses

   1. Tesla – Produz veículos na Gigafactory de Xangai e utiliza muitas peças de fornecedores locais.
2. BMWTem joint ventures na China (como a BMW Brilliance) e importa componentes chineses para                         modelos globais.
3. Mercedes-Benz Parceria com a BAIC e uso de peças chinesas em alguns modelos.
4. Volkswagen Uma das marcas mais estabelecidas na China, com ampla rede de fornecedores locais                                      (via joint ventures como SAIC-VW e FAW-VW).
5. Volvo (propriedade da Geely) – Utiliza componentes chineses em modelos globais, incluindo os                                                                             produzidos na Europa e EUA.
6. GM Parcerias com SAIC e Wuling, com peças chinesas em modelos como o Buick Envision.
7. FordAlguns modelos na China e globalmente usam componentes de fornecedores chineses.
8. Toyota, Honda e Nissan Todas têm joint-ventures na China e utilizam peças locais em veículos                                                                 produzidos lá e exportados.

Marcas Chinesas que Fornecem Componentes para Outras Montadoras

Além das marcas ocidentais, fabricantes chinesas como BYD, Geely, SAIC (MG), Great Wall (GWM), NIO e CATL são grandes fornecedoras de peças, especialmente em:

- Baterias para veículos elétricos (CATL, BYD).
- Sistemas eletrônicos
- Componentes estruturais e motores

Tendência Global

Com a crescente competitividade da indústria chinesa, até mesmo marcas premium (como Porsche e Audi) estão incorporando mais peças da China para reduzir custos. Além disso, a produção de veículos elétricos tem dependido fortemente de baterias e componentes eletrônicos chineses.


Vamos agora abordar a indústria de ponta, o caso mais notório, a fotolitografia, que produz chips eletrônicos, até para sair do domínio da ASML da Holanda e as americanas Applied Materials e Lam Research.2

Principais Empresas Chinesas na Fabricação de Máquinas para Chips

  1. SMEE (Shanghai Micro Electronics Equipment)

    • Foco: Máquinas de fotolitografia (usadas na produção de chips).
      Tecnologia atual: Capaz de produzir máquinas de imersão em litografia a 28nm (equivalente a tecnologias de uma década atrás da ASML).
      Desafio: Ainda não consegue competir com a ASML em litografia EUV (Extreme Ultraviolet), essencial para chips abaixo de 7nm.

  2. NAURA (Beijing NAURA Technology Group)

    • Foco: Equipamentos de etching (gravação de wafer) e deposição de filmes finos.
      Parcerias: Trabalha com a SMIC (maior fundição de chips da China).

  3. AMEC (Advanced Micro-Fabrication Equipment Inc. China)

    • Foco: Máquinas de plasma etching (usadas em processos avançados de fabricação de chips).
      Clientes: SMIC, YMTC (fabricante de memórias).

  4. CETC (China Electronics Technology Group Corporation)

    • Foco: Desenvolve equipamentos para teste e montagem de chips.

Situação Atual e Dependência Externa

  • A China ainda não tem autonomia na produção de máquinas de litografia de última geração (EUV).
    ASML (Holanda) domina o mercado de máquinas EUV, essenciais para chips 5nm e abaixo.
    Devido a sanções dos EUA, a China está acelerando investimentos para criar alternativas locais, mas ainda está anos atrás.

Futuro: Auto-suficiência em Chips?

O governo chinês está injetando bilhões em subsídios para desenvolver uma cadeia de semicondutores independente, mas levará anos para alcançar a tecnologia de ponta. Empresas como SMEE e NAURA são as principais esperanças, mas ainda dependem de componentes estrangeira. Mas...quantos anos? Eles sempre nos surpreendem; agora então que têm economia de escala.


Dada uma rápida vista ao potencial chinês que ora determina o cenário geopolítico, temos que voltar a Trump, e à política americana para ter uma razoável ideia de como evoluiu este cenário na última década i.e. desde 2014.

O cenário geopolítico atual, considerando o período Democrata e a herança do primeiro mandato Trump, conduz Trump e não o contrário. Trump ao jeito dele, tenta com este jogo de cena, é “jogar a culpa” pela situação geopolítica (guerra na Ucrânia principalmente) nas costas do decrépito Biden e dos Democratas principalmente. Lembremos que em 2014, era Obama o Presidente e Biden seu vice, ou seja, Democratas, desde 2009. Nesta época, 2014, Victoria Nuland operava como a patrocinadora da carnificina da Praça Maidan, mas durante todo o período Democrata era Hillary Clinton o verdadeiro casus belli de todas as invasões, guerras, e todas demais as agressões ao que o império se dedicava. Não dá então para aceitar a crucificação de Trump pela situação atual dos EUA, ainda que o seu comportamento ajude. Trump é resultado de uma situação de decrepitude social, tal como tivemos com Bolsonaro no Brasil. Lá na terra de Trump não há muita chance de salvação, pelo menos com Trump, maioria no Congresso etc… E nós, que nem maioria no Congresso temos? Só posso dizer: Carpe diem.

1Fonte: ChatGpt principalmente

2Fonte: MOFCOM, XINHUA

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Bateu na trave

     Como não podia deixar de ser, o assunto mais badalado na imprensa, tanto a nacional quanto a estrangeira, é a “Tarifação do Trump”. Mas, para um observador atento mas simplório como eu, vejo que o recuo de noventa dias, ou por “deixar respirar um pouco a economia europeia”, ou por perceber que as tarifas acabarão por provocar uma queda no PIB mundial de 2%, e aí todo mundo saindo perdendo, inclusive os EUA, dará tempo de se inflar os “salva-vidas” do “mercado mundial”, (afinal Trump nada mais é que o produto do “mercado” e da jogatina) incluindo os chineses, e também nós aqui no quintal da Casa Branca.

    Mas o “nosso quintal”, expressão utilizada pelo próprio Trump, nos inclui e todos os demais países da América Latina.

    É oportuno entretanto lembrar que a última reunião da CELAC1, da qual não se esperava consenso sobre o tema “tarifação” (pra não pronunciar “domínio”, afinal é uma reunião de diplomatas e presidentes), muitos países sequer compareceram e alguns já estão absolutamente integrados ao “quintal” de corpo e alma; a maioria do Caribe, mas também Argentina e Paraguay aqui na América do Sul.

    Sobre este tema, duas questões temos que ressaltar:

- A primeira se relaciona a dominação mesmo. Não apenas no plano político mas, principalmente, no plano econômico, onde se revelam “os mercados”, ou seja, grupos sociais que operam a economia da especulação e do jogo, da qual usufruem a riqueza financeira. (Infelizmente tenho que utilizar a palavra riqueza, embora só considero riqueza aquela produzida pelo trabalho; para os praticantes do “mercado” existe no vernáculo a expressão mais adequada correta, i.e. esbulho).

- A segunda, é a que afeta maior população e mais crítica na dominação, referem-se aos países que são alvo da cobiça, tanto pelas condições econômicas objetivas, ou seja, aquelas expressas nos seguintes itens: riqueza mineral, população, produção agrícola, produção industrial, tecnologia própria, saúde pública, nível educacional desde a alfabetização até ao nível universitário, estabilidade política; este último até escasso, devido aos efeitos das próprias intervenções, espionagem e golpes perpetrados pelo próprio Estados Unidos. Aqui no Brasil temos o caso típico da “Lava Jato” que mirou a destruição das grandes empresas empreiteiras de engenharia2 em conluio com elementos do “mercado”.

    Nem posso abordar o caso do Brasil, tanto por ser tão complexo como os demais na situação de interferência política e econômica, quanto por se distanciar do objetivo do presente texto, mas temos que diferenciar o caso brasileiro, pois mesmo estando sob ataque político e cibernético, ainda existe alguma resiliência. Quanto ao Paraguay e Argentina a situação está bem caracterizada como “quintal”.

    O primeiro caso, o Paraguay, que esteve quase instalando uma base militar americana, depende da sua produção agrícola quase exclusivamente de “brasilguaios” que, segundo últimos levantamentos, são responsáveis pela quase totalidade da produção de soja e arroz. Quanto a energia elétrica nem se fale, pois dependem integralmente da Itaipú Binacional. Entretanto o Paraguay ainda se recente no presente, não somente da interferência direta dos EUA, mas também dos efeitos do longo período de ditadura do pedófilo Stroessner.

    Quanto a Argentina de Milei, o que posso dizer é que o processo de “quintalização”, desculpe o neologismo, vem desde o golpe contra Ramón Castillo nos anos quarenta. Daí em diante, mesmo durante Perón, o nacionalismo argentino era um embuste que, piorando com os anos sujos da ditadura militar, acaba com Menen destruindo a economia argentina por completo. Milei então é o coroamento da dominação cultural, econômica, política e militar. Nada de melhor poder-se-ia esperar.

    Após então esta divagação sobre o “quintal” quero deixar claro que, muito antes de Trump mencioná-lo, Paulo Nogueira Batista Jr. já o fizera magistralmente no livro “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Nem vale a pena expandir o tema, seria contraproducente, tampouco deitar falação, já que o autor fala a partir sua experiência de dentro do FMI e da trajetória intelectual, a partir de uma formação acadêmica e histórica ímpar.

    O que pretendia humildemente expressar, nem sei se consegui, era mostrar que a tal crise da “tarifação” é endêmica, pelo menos na América Latina. Só não era percebida no pós-guerra no continente europeu, pois este, além do Plano Marshall, ainda recebeu por longos anos das colônias, e ainda recebe, juntamente com a participação econômica e militar dos EUA, o produto com a tarifação praticamente zero. Acho até mesmo que Fukuyama “bateu na trave”.

1 Países insulares do Caribe: Barbados, Belize, Dominica, Cuba, Granada, Haiti, Jamaica,  República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago

Países da América Central continentais: México, Honduras, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Panamá,

Países da América do Sul: Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru,  Suriname, Uruguai e Venezuela

2Odebrecht, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Carioca Engenharia e Camargo Corrêa....   

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Deu no que Deu

     Dois dias após o anúncio da “Tarifação de Trump” os “mercados” ainda andam nervosos, a ponto de algumas bolsas acionarem a parada do pregão. Mas, a nosso juízo, a tarifação não somente terá um efeito  pífio   na   política americana, do ponto  de  vista  econômico,  como  também  não  provocará o déclenchement” de  uma   crise aos moldes  de 2008.  Não tenho conhecimento de economia a ponto “deitar falação técnica” sobre o tema, mas percebo claramente a diferença de cenário e da constatação que a economia tão discutida pelos teóricos está longe de se tratar de um processo ergódico, e até por ser influenciada por componentes sócio-ambientais e socio-culturais e muito distante de características holomórficas que nos permita previsões precisas. Só mesmo quem está no ramo de venda e compra de ações, ou seja, um “esperto” do tão badalado “mercado” é que arrisca palpites precisos. “Mercado” este que não foi capaz de prever a crise de 2008 nem um mês antes desta eclodir. Nem tampouco posso assegurar com precisão a estabilidade e o retorno a economia produtiva que vigorou no nosso país nos tempos do JK.

    O que queremos dizer é que o sistema, não sendo ergódico, nos permite afirmar que o atrator econômico centrado na China e nos seus satélites asiáticos do ASEAN, (sendo que Filipinas, Brunei e Singapura pouco contam por estarem ainda no cabresto americano) têm um ballast que lhes permite vencer as ondas criadas pelas economias ocidentais. Na histeria de 2008 à cada variação de um ponto percentual na bolsa de Ulan-Bator o mundo vinha a baixo, era o caos. Barack Obama tomou posse e com uma penada acabou com a histeria; mas custou quanto? A que preço?

    Mesmo superficialmente podemos mencionar que a intervenção de Obama, que custou US$ 1,5 trilhão ao Tesouro Americano, na verdade é insignificante perante ao total da dívida atual. Os atuais US$ 35 trilhões, estes sim, foram engordados pela combinação de mecanismos de “mercado” e pela corrupção desenfreada nas encomendas ao complexo industrial militar, um foco de desperdício de riqueza. Para ilustrar: - na encomenda do último navio porta-aviões americano e seus aviões gastaram o equivalente na construção dos três equivalentes chineses.
    Agora com Trump a motivação do “tarifaço”, o verdadeiro atrator da crise, reside dentro da economia que se “financeirisou”, baseada nos “mercados” relegando a produção da verdadeira riqueza a terceiros que, para engabelar os simplórios e ingênuos, e mesmo os “espertos”, dizia ser feita por trabalho escravo. Referiam-se a China evidentemente, e nem diziam que parte daquele trabalho era divido com o Vietnam, com o Laos, com o Camboja, com a Indonésia, e quem mais quisesse trabalhar, já que os “ocidentais” não se lembravam mais do tempo em que seus pais construíam na indústria a riqueza que agora desperdiçam no “mercado”.

    Só para refrescar a nossa memória colocamos como referência o que ocorreu no Brasil, e a sua produção industrial.

   1. Décadas de 1930–1950: Industrialização Incipiente
        Contexto: Substituição de importações (Getúlio Vargas).
        Crescimento médio anual (1930–1940): ~4,5% ao ano.
        Marcos: CSN (1941) – siderurgia. - Fábrica Nacional de Motores (1942).
        Produção industrial em 1950 (estimativa): ~US$ 10 bilhões (em valores atuais, ajustados pela paridade de             poder de compra – PPC).
                Fonte: IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

2. Décadas de 1960–1980: "Milagre Econômico" e Crise
        1968–1973 (Milagre): Crescimento industrial de +11% ao ano.
    Expansão da indústria automotiva (Volkswagen, Ford).
        Década de 1980 (Crise da Dívida): Queda acumulada de −7% (1981–1983).
        Produção industrial em 1980 (em valores atuais): ~US$ 200 bilhões (PPC).
                Dados: IBGE (Contas Nacionais).

3. Décadas de 1990–2010: Abertura Econômica e Volatilidade
        1994 (Plano Real): Estabilização, mas desindustrialização relativa.
        2004–2010 (Commodities): Recuperação (média de +3,5% ao ano).
    Pico em 2011: Produção industrial valia ~US$ 500 bilhões (em PPC, preços atuais).
        2014–2016 (Recessão): Queda de −20% (pior retração desde 1930).
                Fonte: FGV (Fundação Getúlio Vargas).

4. 2020–2023: Pandemia e Recuperação Frágil
        2020: Queda de −4,5% (COVID-19).
        2023: Produção industrial em ~US$ 450 bilhões (PPC), ainda abaixo do pico de 2011.
        Setores em alta: Agroindústria, mineração e energia.
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Dados recentes: IBGE (PIM-PF – Pesquisa Industrial Mensal).

Gráfico de Referência (Valores Ajustados)

Ano Produção Industrial (US$ bi, PPC)* Evento Histórico
1950     ~10           Base industrial incipiente
1980     ~200         Crise da dívida
2011     ~500         Pico pré-recessão
2023     ~450         Recuperação pós-pandemia
(Valores aproximados, corrigidos por inflação e PPC).


Tendo vivido a experiência do meu país, o que posso concluir é que o “tarifaço do Trumo” pretende trazer de volta a produção industrial. Mas dificilmente conseguirá alcançar os níveis de antes do “milagre japonês” dos anos 70. Em vez, naquela época, de aprimorarem a qualidade dos produtos e da capacidade gerencial, como já estavam mergulhados na financeirização e em outro patamar tecnológico, preferiram “punir” os japoneses. Deu no que deu. Cabe agora correr atrás do prejuízo....Pesquisa, pesquisa, indústria....e menos jogatina.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Mercado?

 Há pouco comentava sobre a necessidade de Estados financiarem a pesquisa sobre a decomposição dos RSU´s, especialmente os plásticos, pois aí repousa o desafio tecnológico 1 que inevitavelmente terá de contar com a contribuição de micro-organismos; assim como nós 2 na nossa bio-constituição.

Daí tenho que migrar para outra esfera, onde o tema da necessidade de financiamento pelo Estado, se opõe a peroração neoliberal que desconhece os sucessos das economias capitalistas, onde casos de sucesso foram antecedidos por forte financiamento estatal; basta ver o Vale do Silício nos Estados Unidos e as encomendas governamentais na área militar e aeroespacial nos EUA e em toda Europa. China nem vale mencionar; essa nunca aceitou pisar na ratoeira do Consenso de Washington.

Mas já saltando para esfera da política econômica, hoje não poderia deixar de dizer o que me incomoda após o alarido na imprensa após a “tarifação do Trump” que diz que o “mercado vai despencar”. Vamos ao que me incomoda:

1. O “mercado” não é o mesmo que apoiou a eleição de Trump?

2. Trump não é senão uma criação do mercado e do jogo?

3. Por que ele iria “tocar fogo no barraco”?

4. Quando a imprensa fala em reeditar a crise de 2008, pergunto se a China naquela época já teria construído a estratosférica reserva “em dólares”.

5. Será essa a intenção de Trump? Queimar o superavit chinês?

6. Se o Estado Americano em 2008 salvou GM, Ford, Citi dentre vários, por que a China agora não faria o mesmo?

7. Por que eu iria agora esquecer a 500 crianças que foram ontem brutalmente assassinadas pelos donos do “mercado”? Ou o sionismo é o que?


Não sei mesmo responder nenhuma destas perguntas, mas não tenho a menor preocupação com o “mercado”, principalmente aqui no meu país, que pratica uma extorsão que resulta em milhares de crianças dependendo de favor na fila da matrícula da escola; escola sem acesso aos progressos das tecnologias, mas que cedem espaço para reuniões de pastores evangélicos politiqueiros que se esforçam para engrossar as fileiras dos que ainda acreditam “no mercado” e “na anistia para os injustiçados”.

E o “mercado” da Faria Lima? Ah…prefiro não responder, ou responder com o dito latino:

"Bonis nocet, qui malis parcit." (Ofende os bons, quem poupa os maus)

1https://www.xataka.com.br/diversos/ha-decadas-pensamos-que-reciclar-plasticos-valia-alguma-coisa-talvez-estivessemos-errados

2Ver “10% Humano” , de Alanna Collen, onde mostra a constituição biológica humana, que somente possui 10% das células, quando 90% são micro-organismos.