Hoje finalmente dei-me o trabalho de assistir um voto, da seção da Primeira Turma do STF referente a aceitação da denúncia do Procurador Geral da República dos participantes da tentativa do golpe, se é que se pode assim nomear tamanha destruição, não somente do patrimônio publico, como da já combalida ordem institucional, com riscos de morte inclusive. Escolhi então o voto da Ministra Carmen Lúcia, pois já havia visto parte deste. A motivação deste texto daí deriva: da menção à reconstituição histórica das ameaças e quebras da ordem constitucional.
Quando cita a quebra da ordem costitucional de 1937 aí já se configurava o que viria pela frente. Os detentores de poder político e econômico remanescentes da república velha, lembrando que os ex-presidentes desde Wnceslau Braz ainda estavam vivos, e alguns deles ainda ativos na política, principalmente os paulistas e os mineiros, com destaque para Artur Bernardes que chegou a ser fundador da famigerada UDN. Muito houvia falar deste pelas minhas tias-avós testemunhas atentas de todo processo político desde a proclamação da República.
Quando então se aproxima a crise de 1954 que notoriamente fora urdida pelos insatisfeitos com a criação da Petrobras e da Eletrobras, instrumentos de desenvolvimento que o Executiva criara, com muitas finalidades objetivas, mas para se desembaraçar de um Legislativo que lhe bloqueava qualquer tentativa de desenvolvimento. Lá ainda estava presente a velha oligarquia rural que não permitiu a aquisição de terras por parte de ex-escravos, e tampouco por imigrantes, pois estes eram menos submissos, principalmente aqueles recentes alemães e italianos do sul. . (https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/ha-170-anos-lei-de-terras-desprezou-camponeses-e-oficializou-apoio-do-brasil-aos-latifundios).
Na época a que me refiro, assistia aos debates políticos intensos na minha família, entre minhas tias apoiadores de Getúlio Vargas e seus irmãos, meu pai e meu tio, apoiadores de Carlos Lacerda, que no dia 5 de agosto de 1954, no incidente da Rua Tonelero no Rio de Janeiro fora atacada pelos pistoleiros de Getúlio. Há quem testemunhe que o próprio Carlos Lacerda, dera um tiro no pé, quando viu que o seu guarda-costa, o Major Rubend Vaz, fora vitimado. Lembro-me perfeitamente deste dia, uma quinta-feira, pois naquela época as quinta-feiras não havia aula nas escolas primárias publicas na capital federal. Ficou gravado na minha memória; dezenove dias depois, aí sim ficou definitivamente gravado, assim como todos os debates acalorados que assistira. Ajudou-me muito a construir uma concepção política nos anos posteriores, incluindo as tentativas de golpe contra JK, Aragarças e Jacareacanga, ambos insuflados pela recem-criada CIA. Na minha juventude, apesar de muito mais ligado às maravilhas tecnológicas ligadas a aviação, recem admitido na PANAIR do BRASIL, não tinha mais dúvidas quanto a origem de 1964.
Citei a minha herança política, para explicar minha admiração pelo voto da Ministra Carmen Lúcia, que desvenda, à luz da História, a tácita conspiração.
Quanto a denúncia, só tenho a dizer: - Setenta anos depois, observo a mesma motvação, os mesmos financiadores, os mesmos tolos. Faz-me lembrar as aulas de latim do ginásio:
"indocti discant et ament meminisse periti"
que aprendam os ignorantes e os doutos achem prazer em recordar".
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