Hoje nem tive coragem de buscar na internet a recepção de Lula no Vietnam, e nem sei se já chegou na hora que escrevo. Irá chegar na capital naturalmente em, Hanoi, mas estarei com o coração em “Ho-Chi-Mim”, antiga Saigon, na minha juventude palco de tanta tristeza e tanto sofrimento inútil. Nem vale a pena lembrar, mas só a menção do nome “Saigon” faz-me rememorar a canção que Emilio Santiago, dentre outros, interpretou magistralmente.
Esta música, criação de um músico que já não está mais entre nós, Claudio Cartier, Ele, juntamente com mais dois magos da música, PC Feital e Carlão me toca profundamente por razões próprias, mas também pela lembrança do sofrimento daqueles que lá travaram uma luta encarniçada, feroz, desumana e absolutamente sem sentido. De um lado, um povo que já fora invadido por franceses, quando ainda fazia parte da Indochina e ainda pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial, e por outro, rapazes que nem sabiam porque lá estavam, americanos imberbes defendendo o que nem faziam ideia. Na realidade, a derrota dos franceses em Dien Bien Phu em 1954 pelo General Giap, nunca fora tolerada pelos coloniais europeus. Mas não fora por falta de aviso; René Dumont, no seu livro “Agronome de la faim” de 1974 relata que à época de sua estada no Viet Nam, anos 40, como agrônomo, na missão de melhorar o plantio de arroz, avisava que a exploração a preço aviltante pelos franceses levaria inevitavelmente a uma rebelião. O que de fato ocorreu com a liderança de Ho Chi Mim e aí já vai uma longa história, que vale a pena conhecer:
- Como um povo resiste a séculos de invasões e domínios e ainda encontra força para ainda lutar pela sua independência contra a maior potência militar do planeta?
A entrevista que Sílvio Tendler1 fez com o General Giap vale a pena ser vista e aí talvez teremos a resposta.
Mas voltando a “Saigon”, e a interpretação magistral de Emílio Santiago; é uma letra triste, uma melodia linda, que fala à alma de qualquer um. Claudio Cartier de onde estiver receberá a minha gratidão...2
Para quem quiser então conhecer o “noir” que corria à época do domínio colonial francês sugiro o romance “A prostituta de Saigon” de Jean Hougron, lá pelos anos 70, que já doei ao sebo do meu amigo Jorginho. Ou ver o que o “Apocalipse now” de F.F. Copolla “queria” mostrar.
Na esperança que Lula traga bons negócios e bons fluidos, vou ficando com Emílio Santiago cantando Saigon, antes que a lágrima que se equilibra no canto do olho caia sobre o teclado; pior então seria no tempo que eu escrevia no papel, lá nos anos 60. Cho đến khi có thông báo mới
1https://www.google.com/search?q=a+entrevista+de+silvio+tendler+do+general+giap&rlz=1C1GCEA_enBR1127BR1128&oq=a+entrevista+de+silvio+tendler+do+general+giap&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQABjvBTIHCAIQABjvBTIKCAMQABiABBiiBDIKCAQQABiABBiiBNIBCjIxMzM0ajBqMTWoAgiwAgHxBU0rhIyR6QvS&sourceid=chrome&ie=UTF-8#fpstate=ive&vld=cid:970a347a,vid:M7dzKIIjylM,st:0
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