domingo, 21 de setembro de 2025

Ainda há esperança?

 Hoje, depois de ver e ouvir pela internet os dois discursos de Trump e de Charles III durante o jantar no Castelo de Windsor, confirmando a herança benigna, apesar de George Washington segundo as palavras de Sua Majestade, eivadas do sutil humor britânico, pude concluir que os demais europeus, que vivem do outro lado do Canal, continuam sendo colocados em segundo plano. Confesso que esta minha afirmação, também carregada de uma semelhante fleugma, não está longe da verdade no momento presente pois, mais adiante, quando Trump jogava golf no seu resort particular da Escócia, ao receber Sir Starmer e logo após Ursula Von der Leyne lhes impôs uma vexaminosa regra, mascarada como “acordo comercial”, igual aquelas que a Grã-Bretanha impunha aos membros da Commonwealth, ou seja: zero impostos as importações americanas e a imposição de uma taxa única para o restos dos europeus, com o já conhecido “acordo” de pagar armas americanas a serem fornecidas a Ucrânia. Se é para vencer guerra, ou lá o que seja, não importa; o que importa é que sejam fornecidas pelas indústrias de guerra americanas e pagas pelos europeus.

O que acabaram de ler no parágrafo anterior poderia ser interpretado como uma leitura equivocada da minha parte, mas não, é a pura verdade. Trump, acostumado a deixar sentados esperando os chefes de estados europeus, sapecou-lhes este “acordo comercial”.

Coloquei este episódio primeiro para marcar a diferença que o mundo, as novas gerações, doravante estão a exigir dos novos dirigentes das nações do mundo, inclusive das mais poderosas, incluindo aí a China.

Falando em China, quando das comemorações dos oitenta anos da vitória da guerra contra o Japão, juntamente com a majestosa, e muito significativa, parada militar, Xi Jimping discursou declarando cinco princípios que deveriam doravante guiar as relações entre as nações, referindo-se claramente a uma nova ordem mundial. O que na realidade pouco difere da Carta das Nações Unidas escrita já há oitenta anos, e que os governos americanos há muito já esqueceram. Pelo menos desde a encenação do ataque no Golfo de Tonkin em 1964.

Os cinco princípios(abaixo) a que Xi se referia nada mais são que um recado, juntamente com a parada militar, a Trump e que esperamos venham a prevalecer daqui por diante. Será mera utopia? Cabe a esta geração provar que não - Que podem ser alcançados. Quanto a minha geração dos anos quarenta do século passado, acho que já anda meio desiludida...Mas há uns cabras septuagenários que discordam...Força, saúde e sabedoria para eles.

(1) o respeito pela soberania de todos os Estados, independentemente de sua força;

(2) o respeito ao direito internacional;

(3) a prática igualitária de um multilateralismo renovado;

(4) a criação de uma ordem voltada para a proteção e desenvolvimento das pessoas, na sua condição universal de seres humanos, e não apenas de indivíduos; e por fim,

(5) a adoção de medidas concretas e imediatas, com o objetivo último de obter a paz entre os povos baseada no desenvolvimento conjunto e cooperativo de todos, sem nenhum tipo de dominação e colonialismo.

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