sábado, 13 de setembro de 2025

Chegou a hora - cont.

 Dou aqui uma breve continuidade ao blog anterior “Chegou a hora”, pois assisti a manifestação do chefe da OTAN, o holandês Mark Rutte. Realmente cheguei a conclusão que dentro da OTAN, talvez por tanto tempo ter sido um prolongamento do Pentágono, lá se vão setenta e cinco anos, ficaram inertes. O que Rutte publicamente descreveu foi a participação de aviões franceses holandeses, poloneses, abastecedores italianos, fragatas para abater os drones russos que invadiram o território da Polônia. Ocorre que isso aconteceu após os drones terem já entrado no território e de terem derrubado menos da metade dos drones. Os poloneses invocaram o artigo quarto do regulamento da OTAN que, diz que se um dos membros for atacado, todos os demais serão convocados à defesa.

O que ocorreu foi um pouco diferente, segundo a insuspeita fonte Deutsche Welle: Segundo o principal comandante militar da Otan na Europa, Alexus Grynkewich, a missão batizada de Sentinela Oriental (Eastern Sentry) adicionará equipamentos militares da França, Dinamarca, Alemanha e Reino Unido às bases aéreas e terrestres já existentes. ...O objetivo, segundo ele, é dissuadir uma possível agressão russa na região. "A chave para isso é um desenho de defesa totalmente novo", disse o general em coletiva de imprensa em Bruxelas.

O que concluí foi que, diferentemente da quantidade de drones que, eu pessoalmente contando no mapa do blog passado, informei, foram 20 drones e não 14. Entretanto o que o mapa não permitia ver foi o tempo que levou a defesa aérea da OTAN para detectar a invasão. O tempo que levou para acionar todo o dispositivo multinacional foi tal que, se os drones estivessem armados, ou seja, fosse um ataque real, a Polônia, mais uma vez seria o “saco de pancada”. No passado, em 1939. foi a Polônia que inaugurou a pancadaria alemã.

O discurso de chefe da OTAN fez lembrar Neville Chamberlain em 1938, no Pacto de Munich, onde outra nação eslava, a então Tchecoslovávia, foi devidamente servida na bandeja com honras e tudo mais, pelas mesmas nações que hoje defenderam a Polônia: França, Inglaterra e mesmo a Itália. Até suspeito que estes países eslavos sirvam, como estão mais próximo à Rússia, de escudo.

Se observarmos que:

. os Estados Bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia), de origem teutônica, próximos a Rússia “não foram atacados”, apesar de estarem tirando partido da Aliança Atlântica e;
. que um destes, a Estônia, é noriamente o mais emblematicamente opositor à Rússia, talvez por fazer divisa diretamente, sendo os demais1 até mais conciliadores;
. e que estes estão ao alcance de armamento instalado no enclave de Kaliningrado.

Podemos inferir que a Polônia, este sim um país eslavo, serve como o melhor exemplo de teste, juntamente com a Rússia, a Ucrânia, a Eslováquia, a Tchéquia, a Eslovênia, a Bulgária e a Romênia (este não eslavo). Historicamente a França, a Alemanha, a Itália e o Reino Unido tiveram estes estados eslavos2 como escudo nas inúmeras escaramuças e guerras que vivem arrumando ao longo destes últimos trezentos anos. Já era hora, até já passou, dos europeus deixarem de lado os ódios eternos que cultivam entre si ao longo do período desde a Idade Média. Quando não lutam entre si, vão buscar guerra, até santas, mundo afora.

Que venham fazer um estágio de pacificação em nossas terras alterosas, o povo de lá ensina: Mar de Espanha, Santo Antônio dos Aventureiros, Santana do Deserto, Estrela Dalva. Ihh, tem tanto lugar onde reina a paz e a tolerância...É trem bom mesmo.


1Tive a oportunidade, há uns doze anos, ainda no serviço público, de entrevistar uma representante diplomática da Letônia e vi que a “unidade báltica” era mais emblemática do que real, e que ainda restavam fortes diferenças, ainda oriundas dos tempos da União Soviética, a serem corrigidas. Espero sinceramente que já as tenham conseguido.

2Eslavo: historicamente derivado de “eslave”, escravo.

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