quarta-feira, 30 de abril de 2025

Tem macuco no embornal

 Hoje pela manhã vi a notícia da invasão das instalações da JBS, gigante mundial da produção de proteína animal, com dezenas de marcas de produtos alimentícios no mundo e de higiene pessoal além de produtos na área de engenharia florestal. Tal invasão, segundo a nota da imprensa, foi perpetrada pela ong GreenPeace. Se realmente foi a financiadora e instrumentadora desse ato, ao que tudo indica, fica desmascarada mais uma vez a “missão” desta ong.

Sinto-me na obrigação de falar sobre este episódio pois estou consciente da importância e da imediata missão de reciclagem dos RSU´s e da pesquisa ecológica, -principalmente na área dos plásticos; estes sim, a resultante do processo de evolução tecnológica que requer a contrapartida urgente de anulação dos seus efeitos nefastos ao equilíbrio trófico do planeta.

Sabemos que a JBS, multinacional brasileira, também está engajada no processo de aperfeiçoamento de sua cadeia produtiva, incluindo aí a proteção ecológica. Em suas políticas globais esta incorpora uma gama de vai além da proteção ecológica, como1:, Cadeia de Fornecimento Livre de Desmatamento, Engajamento com a Comunidade, Diversidade e Inclusão, Meio Ambiente e Biodiversidade, Direitos Humanos, Embalagens e Reciclagem, Compra responsável de Matéria-prima, Saúde e Segurança do Colaborador, Uso da Água e Desperdício de Alimento.Bem-estar Animal

Qual seria então a motivação da ong no vandalismo? Buscar notoriedade? Isso esta já tem em nível mundial. Não seria então. Criticar alguma ação “antiecológica” ? Melhor seria a pregar a abstinência de carne, seria mais honesto. Ao que parece tal organização tem, como parece tal ato de vandalismo, o objetivo de ir além, como já vimos em outras oportunidades. Ocorre que acaba tendo prepostos dentro das organizações governamentais. Nem estou acusando de corrupção ou favorecimentos pessoais, por mais que possa parecer, pois a ignorância e, usando expressão popular bem ao gosto da minha gente mais simples: o espírito de porco. Mas que tal procedimento criminal requer imediata ação do poder público está óbvio. Qual a motivação? Porque esta empresa?

Mas, aproveitando a oportunidade, podemos até lembrar de episódios onde o “espírito”, de proteção, no caso, impediu o progresso sem ter uma contrapartida ecológica:

. A mais recente que é a recalcitrante e estranha não liberação da pesquisa de petróleo na costa do Amapá.

. A exigência da opção “a fio d‘água” da Usina de Belomonte, que não beneficiou ninguém, nem as espécies mencionadas.

. A “proteção das tartarugas” no projeto do Porto de Linhares, que atenuaria sobremaneira a influência do Porto de Tubarão.

Há mais algumas nacionais que me fogem no momento, muito embora conheça bem casos internacionais de ongs de “proteção de meio ambiente” que servem apenas a “desconto de imposto”.

Em suma: Temos que ir fundo na investigação deste caso da JBS, pois há por aqui um velho mote popular que bem expressa o que queremos expor: “ tem macuco no embornal”.

1Fonte: Página da Empresa.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Nêmesis

     A varredura que fiz neste final de semana na mídia dita oficial e na alternativa, de todos os matizes possíveis, varou desde a internação do Jair Bolsonaro até a Guerra da Ucrânia. Procurei não “cobrir” o massacre dos palestinos, pois não teria estômago para tanto. Pois bem, quanto a internação não vou perder tempo, pois sei que já há suficiente racionalidade para se perceber o quanto nos aproximamos do abismo e quanto nos deixamos entorpecer deixando seguir a mais torpe e entreguista mentalidade inaugurada pela quartelada de 1964, evidentemente financiada e apoiada pelo império do norte, que hoje se encolhe na imagem decadente vista por todos quando se preparavam as exéquias do Papa Francisco.


Compostura, respeito e um mínimo de dignidade foi desconsiderada pelo Presidente dos Estados Unidos da América. Pelo outro interlocutor nada de melhor poder-se-ia esperar mesmo.
    O que se perdeu para que se chegasse a este ponto de avacalhação (desculpem-me o termo) fora o capital cultural que a América há tempos amealhava. 

    A tão poderosa indústria cinematográfica, e ainda financiada pelo poder público no que é possível, outrora encantando corações e mentes, já não mais funciona pois fora substituída pelo “mercado”.

    A nêmesis que agora pune a mercantilização extrema de sua cultura, cultura esta que
 aprendi a valorizar junto a tecnologia aplicada nos aviônicos dos Douglas DC-8 da Panair do Brasil, não perdoou a sua vulgarização e a corrupção que alimentava regimes ditatoriais na América Latina principalmente e mundo afora. Ficou o cacoete: Anastas Somoza, Rafael Trujillo, Carlos Castillo Armas, Alfred Strossner, Aramburu, Fulgencio Batista; todos resultados de golpes armados contra governos latino-americanos eleitos. Por pudor ou vergonha não mencionei Castelo Branco, pois este era, se comparado a Medici, até democrata. Mas o “mercado” exagerou quando resolveu apoiar Cao Ki no Vietnã. Parece que agora Zelensky tomou o lugar de Cao Ki. 
    A lição da Praça Maidan não foi aprendida, pois Victoria Nuland era a precursora do castigo chamado Zelensky. Trump que parece só entender de “mercado”, não se importou muito com estas minúcias e práticas do Nêmesis.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Já é uma questão de sobrevivência mesmo.

     A ênfase que quis dar em blog anterior (“Lixo e Luxo” - 2º parágrafo) fazendo referência a “ilha de resíduos de plástico” no Oceano Pacífico 1 e que merece ser vista na matéria publicada cujo endereço está inserido na nota de rodapé, se dá pela dimensão da “ilha de plástico”. Juntamente a esta notícia gostaria de comentar a recente referente a importação de resíduos. Embora não seja um especialista estou convicto que tal importação, e por conseguinte, a exportação se deve não apenas a “capacidade de fazer lucro” dos importadores, mas a incapacidade de tratar tais resíduos por parte dos exportadores.
    A legislação atual (ler em 2 sobre a importação) deixa espaços para importação de RSU´s não toleráveis e até tóxicos, portanto requer acompanhamento da sociedade civil e do poder público, já que temos arcabouço legal (lei nº 12.305 de 2010) para dar sustentação as cabíveis ações preventivas e corretivas governamentais e civis.
    A matéria publicada, nota abaixo3 , é mais informativa e mais completa, para a qual sugiro a leitura. Esta enfatiza a tolerância aos resíduos de vidro. O que enfatizo, no entanto, são os plásticos que, tanto no sentido da produção, quanto na decomposição, afetam a cadeia trófica extensiva desde os micro-organismos até a nossa alimentação.
    O que mencionei em relação a capacidade de exportação de RSU´s está baseado em outros artigos que, em síntese, afirmam que a reciclagem do plástico “não dá lucro”. É uma questão de foco….afirmo: O problema da reciclagem do plástico é uma questão agora de “Segurança Nacional”. Se não for abordado com esta dimensão vai trazer, para os países “importadores”, problemas insolúveis, inclusive para os exportadores. É só ver a imagem abaixo, tirada por satélite.
  • Detalhes:
    Localização: Norte do Oceano Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí. 
    Tamanho: Aproximadamente três vezes o tamanho da França. 
    Composição: Imensa acumulação de resíduos plásticos, incluindo sacos, garrafas, embalagens e redes de pesca abandonadas. 
    Impacto: Causa sérios danos aos ecossistemas marinhos, com milhares de animais marinhos sendo mortos a cada ano. 
    Origem: Os resíduos plásticos são arrastados pelas correntes marítimas e acumulam-se nessa área. 
    Nome: Também chamada de "o oitavo continente" ou "continente de plástico". 

1https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/ilha-invisivel-conheca-setimo-continente-que-prejudica-vida-na-terra/193989/

1Temos de concordar que já não é mais um problema de “lucro”, é de sobrevivência.

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2https://www.abrema.org.br/2025/03/13/valorizacao-da-cadeia-nacional-da-reciclagem-e-proibicao-de-importacao-de-residuos/

3https://www.brasil247.com/blog/retrocesso-na-politica-de-residuos-solidos-ministerio-do-meio-ambiente-nao-responde-se-houve-pressao-da-industria

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Shijin ou Sísifo?

 Hoje vejo no noticiário a tentativa de mudança na lei que proíbe a “importação” de RSU´s que apesar de vetada é alvo de pressão por parte, em última instância, do “mercado”. Não tenho interesse em comentar pois estou apenas dando notícia para que seja ressaltada a importância do tema que tenho procurado pesquisar na série “Lixo e Luxo”. Abaixo reproduzo parte da matéria publicada hoje (18/04/25) pela ABREMA-Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente,


O Senado aprovou nesta terça-feira, 17, um projeto de lei que restringe a importação de resíduos sólidos. O Brasil comprou ao menos 44 mil toneladas de lixo em 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Esses materiais são usados pela indústria recicladora, como a de embalagens de papelão e vidro. O texto final, porém, abre brecha para a entrada de lixo tóxico no País.

O que motivou realmente o blog de hoje foi a notícia que Trump pode elevar a tarifação de produtos chineses para 245%. Obviamente não se trata mais de guerra comercial com a China. Quando a questão chega a estas proporções é evidente para qualquer ser pensante que o que se busca não é a proteção do mercado local americano. O que se busca é o caos econômico e social. Acho que pensam ser a única saída para a crise americana.

Por que digo isso? Pois já não é a primeira vez que ocorre. Vou citar para ilustração Naomi Klein em “A doutrina do choque” quando lembra o episódio da destruição pelo tufão Katarina das escolas em Nova Orleans. Naquela oportunidade, em vez de reconstruírem as escolas, aproveitaram o caos e emitiram voucher para instituições privadas que lucraram o que quiseram enquanto a reconstrução das escolas, e outros prédios públicos, seguiu a passos de cágado; sendo que algumas escolas estão fechadas até hoje, i.e. há vinte anos. “A doutrina do choque” explica como o caos é perseguido para “gerar oportunidades” de investimento (se é este o nome, não desejo usar outro pouco cortês) por parte do “mercado”. A crise de 2008 hoje já é entendida por muitos pesquisadores e estudiosos independentes como que, no mínimo, desejada.

O que Trump exterioriza realmente não é guerra comercial, é o desejo de criar um ambiente tal, onde as economias desenvolvidas e proto-desenvolvidas, agora potencializadas política e economicamente pelos BRICS, não consigam seguir com o processo de desenvolvimento e de independência política. Daí o caos. Daí a “reserva” latinoamericana retomada na expressão “quintal”, outrora lançada pelo Presidente Monroe. Será o que resta aos economistas e think-tanks que usam o presidente Trump como ventríloquo, pois este realmente cumpre um papel difícil: dizer e fazer ameaças e desdizê-las dias depois. A estratégia de aproximação com a Rússia, por exemplo, é uma manobra diversionista, a instigação com a China é uma tentativa de ganhar tempo; mas o capital que manipula “o mercado”...aaah esse saberá usar esta oportunidade (ou caos) e transferir interesses ora estacionados nos EUA (zeitgeist) para países mais promissores; caso contrário serão absorvidos pela China. Esta manobra envolverá não apenas recursos financeiros, ou melhor, produtivos, mas também a cultura, o showbusiness, o soft-power. Por esta razão não somente a “economia” está mudando de endereço, mas os heróis também.

Trump se configura hoje como o Luthor da série televisiva, pois tentará inexoravelmente fugir do papel que lhe impõe Clark Kent. Por mais que ameace terá de retroceder ou correr em direção a autodestruição. Diferente do nosso Major Quaresma que teve seus sonhos e missão abortados pelo realismo sórdido, ainda em 1915, Trump hoje, em meio aos devaneios MAGA não poderá enfrentar o Clark Kent da realidade: Shijin ou Sísifo?

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Degradação dos plásticos- sequência de "Lixo e Luxo"

     Voltando ao tema “Lixo e Luxo” fiz uma pesquisa superficial para avaliar os avanços no tema mencionado que explora as possibilidades da degradação dos RSU´s, mais precisamente a degradação dos plásticos. Os recursos utilizados na busca, o Deep Seek e a revista Nature, são transcritos aqui diretamente, já que não ofende qualquer direito de reprodução, pois é matéria que não domino. Entretanto apresentar o resultado das pesquisas sobre microorganismos degradantes serve para reforçar a necessidade de investimento, já que obtivemos sucesso com uma das vertentes da solução do problema, a produção de plástico biodegradável a partir do bagaço de cana. 1

    Há diversos microorganismos (bactérias, fungos e enzimas microbianas) capazes de degradar plásticos, principalmente os derivados de petróleo, como poliuretano (PUR), polietileno (PE), poliestireno (PS) e tereftalato de polietileno (PET).

    Abaixo está uma síntese extraída do “DeepSeek” dos principais microorganismos estudados e suas fontes:

1. Bactérias

a) Ideonella sakaiensis

- Plástico degradado: PET (garrafas plásticas).

- Mecanismo: Produz duas enzimas (PETase e MHETase) que quebram o PET em ácido tereftálico e                             etilenoglicol.

- Fonte: Yoshida et al. (2016), Science

(DOI: 0.1126/science.aad6359](https://doi.org/10.1126/science.aad6359)).

b) Pseudomonas sp. e Bacillus sp.

- Plásticos degradados: PE e PS.

- Mecanismo: Oxidam plásticos em condições específicas (como alta temperatura).

- Fonte: Urbanek et al. (2018), Journal of Environmental Management

[DOI: 0.1016/j.jenvman.2017.12.060](https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2017.12.060)).

c) Rhodococcus ruber

- Plástico degradado: PE (filmes plásticos).

- Mecanismo: Forma biofilmes e degrada PE em CO₂ e biomassa.

- Fonte: Sivan et al. (2006), Environmental Microbiology

([DOI: 10.1111/j.1462-2920.2006.01186.x](https://doi.org/10.1111/j.1462-2920.2006.01186.x)).

2. Fungos

a) Aspergillus tubingensis

- Plástico degradado: PUR e PE.

- Mecanismo: Enzimas como lipases e esterases quebram ligações químicas.

- Fonte: Khan et al. (2017), Environmental Pollution

([DOI: 10.1016/j.envpol.2017.03.012](https://doi.org/10.1016/j.envpol.2017.03.012)).

b) Fusarium solani

- Plástico degradado: PET.

- Mecanismo: Produz cutinases que hidrolisam o PET.

- Fonte: Ronkvist et al. (2009), Macromolecules

([DOI: 10.1021/ma8014578](https://doi.org/10.1021/ma8014578)).

c) Zalerion maritimum

- Plástico degradado: PE (em ambientes marinhos).

- Fonte: Paço et al. (2017), Science of The Total Environment

([DOI: 10.1016/j.scitotenv.2017.02.165](https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2017.02.165)).

3. Consórcios Microbianos

Misturas de bactérias e fungos podem melhorar a degradação:

-Exemplo: Bacillus + Aspergillus aumentam eficiência no PE.

- Fonte: Wilkes & Aristilde (2017), Microbial Biotechnology

([DOI: 10.1111/1751-7915.12710](https://doi.org/10.1111/1751-7915.12710)).

Desafios e Limitações

- Velocidade lenta: Degradação natural pode levar meses/anos.

- Condições controladas: Muitos estudos são “in vitro” (não em larga escala).

- Subprodutos tóxicos: Alguns plásticos liberam microplásticos ou compostos nocivos.

Fontes Adicionais para Consulta

- Revisão sobre enzimas PET-degradantes: Tournier et al. (2020),

Nature ([DOI: 10.1038/s41586-020-2149-4](https://doi.org/10.1038/s41586-020-2149-4)).

- Banco de dados de enzimas plástico-degradantes: [PETase Database](https://petasedb.org).

Esses microorganismos têm potencial para biorremediação e reciclagem, mas ainda são necessários avanços em engenharia metabólica e otimização de processos.

Estimativas atuais sugerem que, dos 359 milhões de toneladas de plásticos produzidos anualmente em todo o mundo 150–200 milhões de toneladas se acumulam em aterros sanitários ou no ambiente natural. O poli(tereftalato de etileno) (PET) é o plástico poliéster mais abundante, com quase 70 milhões de toneladas fabricadas anualmente em todo o mundo para uso em têxteis e embalagens.

O principal processo de reciclagem do PET, por meios termomecânicos, resulta na perda de propriedades mecânicas.

Consequentemente, a síntese de novo é preferida e os resíduos de PET continuam a se acumular. Com uma alta proporção de unidades de tereftalato aromático — que reduzem a mobilidade da cadeia — o PET é um poliéster extremamente difícil de hidrolisar.

Aqui, descrevemos uma hidrolase de PET aprimorada que, em última análise, atinge, ao longo de 10 horas, um mínimo de 90% de despolimerização do PET em monômeros, com uma produtividade de 16,7 gramas de tereftalato por litro por hora (200 gramas por quilograma de suspensão de PET, com uma concentração de enzima de 3 miligramas por grama de PET). Essa enzima otimizada e altamente eficiente supera todas as hidrolases de PET relatadas até o momento, incluindo uma enzima da bactéria Ideonella sakaiensis cepa 201-F6 (mesmo auxiliada por uma enzima secundária e variantes aprimoradas relacionadas que têm atraído interesse recentemente. Também mostramos que o PET reciclado biologicamente, exibindo as mesmas propriedades do PET petroquímico, pode ser produzido a partir de resíduos de PET despolimerizados enzimaticamente, antes de ser processado em garrafas, contribuindo assim para o conceito de uma economia circular do PET.

https://www.nature.com/articles/s41586-020-2149-4

1 https://www.novacana.com/noticias/pesquisadores-usp-sao-carlos-criam-plastico-bagaco-cana-de-acucar-061020  

domingo, 13 de abril de 2025

Carpe diem

     O “Tarifaço do Trump” já perdeu a fantasia e o glamour da imprensa ocidental, até porque o objetivo de Trump já foi alcançado: colocar a Europa no seu lugar, isto é, na mesma condição de outros países ditos do “terceiro mundo”; expressão formalizada por Sauvy, mas concebida mesmo por Nehru no anos cinquenta, e que hoje, a resultante dos desdobramentos políticos, econômicos e sociais deste segmento geopolítico, se corporifica nos BRICS. Estes sim, e não os estados europeus, alvo de atenção redobrada de Trump.

    Os estados europeus, depois do atentado ao Nord-Stream (I e II), não somente se desmoralizaram, como também desconstruíram suas economias. E como ainda dependem dos EUA para sua defesa, já que o estado do bem-estar-social fora conseguido ao longo de décadas com a ajuda de economia de manutenção de seus exércitos (hoje tão corruptos quanto os congêneres latino-americanos), ficam agora, à mercê da vontade política de Trump. No último discurso de Vance ele deixou claro, afora a tremenda reprimenda, que os EUA não mais aceitariam financiar o dito estado de bem-estar-social à custa do povo americano. Para reafirmar sua política de não mais fornecer armamento para os ucranianos, (o que não acredito que demore muito tempo, pois somente o fornecimento para Israel continuar matando crianças não satisfará o apetite do complexo industrial militar americano) este busca uma saída honrosa, um cessar-fogo ou o que seja, na negociação com Putin, para o qual, ao que tudo parece, tem mais afinidades do que com Scholtz, Annalena Baerbock, Ursula Van de Leyen, Keir Starmer, Macron, e outros, que agora também se desmoralizaram perante não somente ao russos, mas também ao restante dos países “terceiro-mundistas”. A salvação destes agora reside na estabilidade política e econômica da China; para lá acorrerão inexoravelmente na tentativa, que espero não seja em vão, de salvar o que sobrou de desenvolvimento econômico. É obvio que há Estados que continuarão a reboque, os Estados Bálticos especialmente, os outros antigos participantes da URSS, e os novos Macedônia do Norte, Kosovo, Montenegro, que a rigor nem são necessariamente Estados.

    O que podemos dizer é que Trump, na forma histriônica que lhe é peculiar, tenta salvar os dedos, pois os anéis já se foram, assim como os dos estados europeus.

Se não, vejamos, os exemplos de anéis da ex capitânia das indústrias, a automobilística(1):

Marcas Internacionais que Usam Componentes Chineses

   1. Tesla – Produz veículos na Gigafactory de Xangai e utiliza muitas peças de fornecedores locais.
2. BMW – Tem joint ventures na China (como a BMW Brilliance) e importa componentes chineses para                         modelos globais.
3. Mercedes-Benz – Parceria com a BAIC e uso de peças chinesas em alguns modelos.
4. Volkswagen – Uma das marcas mais estabelecidas na China, com ampla rede de fornecedores locais                                      (via joint ventures como SAIC-VW e FAW-VW).
5. Volvo (propriedade da Geely) – Utiliza componentes chineses em modelos globais, incluindo os                                                                             produzidos na Europa e EUA.
6. GM – Parcerias com SAIC e Wuling, com peças chinesas em modelos como o Buick Envision.
7. Ford – Alguns modelos na China e globalmente usam componentes de fornecedores chineses.
8. Toyota, Honda e Nissan – Todas têm joint-ventures na China e utilizam peças locais em veículos                                                                 produzidos lá e exportados.

Marcas Chinesas que Fornecem Componentes para Outras Montadoras

Além das marcas ocidentais, fabricantes chinesas como BYD, Geely, SAIC (MG), Great Wall (GWM), NIO e CATL são grandes fornecedoras de peças, especialmente em:

- Baterias para veículos elétricos (CATL, BYD).
- Sistemas eletrônicos
- Componentes estruturais e motores

Tendência Global

Com a crescente competitividade da indústria chinesa, até mesmo marcas premium (como Porsche e Audi) estão incorporando mais peças da China para reduzir custos. Além disso, a produção de veículos elétricos tem dependido fortemente de baterias e componentes eletrônicos chineses.


Vamos agora abordar a indústria de ponta, o caso mais notório, a fotolitografia, que produz chips eletrônicos, até para sair do domínio da ASML da Holanda e as americanas Applied Materials e Lam Research.2

Principais Empresas Chinesas na Fabricação de Máquinas para Chips

  1. SMEE (Shanghai Micro Electronics Equipment)

    • Foco: Máquinas de fotolitografia (usadas na produção de chips).
      Tecnologia atual: Capaz de produzir máquinas de imersão em litografia a 28nm (equivalente a tecnologias de uma década atrás da ASML).
      Desafio: Ainda não consegue competir com a ASML em litografia EUV (Extreme Ultraviolet), essencial para chips abaixo de 7nm.

  2. NAURA (Beijing NAURA Technology Group)

    • Foco: Equipamentos de etching (gravação de wafer) e deposição de filmes finos.
      Parcerias: Trabalha com a SMIC (maior fundição de chips da China).

  3. AMEC (Advanced Micro-Fabrication Equipment Inc. China)

    • Foco: Máquinas de plasma etching (usadas em processos avançados de fabricação de chips).
      Clientes: SMIC, YMTC (fabricante de memórias).

  4. CETC (China Electronics Technology Group Corporation)

    • Foco: Desenvolve equipamentos para teste e montagem de chips.

Situação Atual e Dependência Externa

  • A China ainda não tem autonomia na produção de máquinas de litografia de última geração (EUV).
    A ASML (Holanda) domina o mercado de máquinas EUV, essenciais para chips 5nm e abaixo.
    Devido a sanções dos EUA, a China está acelerando investimentos para criar alternativas locais, mas ainda está anos atrás.

Futuro: Auto-suficiência em Chips?

O governo chinês está injetando bilhões em subsídios para desenvolver uma cadeia de semicondutores independente, mas levará anos para alcançar a tecnologia de ponta. Empresas como SMEE e NAURA são as principais esperanças, mas ainda dependem de componentes estrangeira. Mas...quantos anos? Eles sempre nos surpreendem; agora então que têm economia de escala.


Dada uma rápida vista ao potencial chinês que ora determina o cenário geopolítico, temos que voltar a Trump, e à política americana para ter uma razoável ideia de como evoluiu este cenário na última década i.e. desde 2014.

O cenário geopolítico atual, considerando o período Democrata e a herança do primeiro mandato Trump, conduz Trump e não o contrário. Trump ao jeito dele, tenta com este jogo de cena, é “jogar a culpa” pela situação geopolítica (guerra na Ucrânia principalmente) nas costas do decrépito Biden e dos Democratas principalmente. Lembremos que em 2014, era Obama o Presidente e Biden seu vice, ou seja, Democratas, desde 2009. Nesta época, 2014, Victoria Nuland operava como a patrocinadora da carnificina da Praça Maidan, mas durante todo o período Democrata era Hillary Clinton o verdadeiro casus belli de todas as invasões, guerras, e todas demais as agressões ao que o império se dedicava. Não dá então para aceitar a crucificação de Trump pela situação atual dos EUA, ainda que o seu comportamento ajude. Trump é resultado de uma situação de decrepitude social, tal como tivemos com Bolsonaro no Brasil. Lá na terra de Trump não há muita chance de salvação, pelo menos com Trump, maioria no Congresso etc… E nós, que nem maioria no Congresso temos? Só posso dizer: Carpe diem.

1Fonte: ChatGpt principalmente

2Fonte: MOFCOM, XINHUA

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Bateu na trave

     Como não podia deixar de ser, o assunto mais badalado na imprensa, tanto a nacional quanto a estrangeira, é a “Tarifação do Trump”. Mas, para um observador atento mas simplório como eu, vejo que o recuo de noventa dias, ou por “deixar respirar um pouco a economia europeia”, ou por perceber que as tarifas acabarão por provocar uma queda no PIB mundial de 2%, e aí todo mundo saindo perdendo, inclusive os EUA, dará tempo de se inflar os “salva-vidas” do “mercado mundial”, (afinal Trump nada mais é que o produto do “mercado” e da jogatina) incluindo os chineses, e também nós aqui no quintal da Casa Branca.

    Mas o “nosso quintal”, expressão utilizada pelo próprio Trump, nos inclui e todos os demais países da América Latina.

    É oportuno entretanto lembrar que a última reunião da CELAC1, da qual não se esperava consenso sobre o tema “tarifação” (pra não pronunciar “domínio”, afinal é uma reunião de diplomatas e presidentes), muitos países sequer compareceram e alguns já estão absolutamente integrados ao “quintal” de corpo e alma; a maioria do Caribe, mas também Argentina e Paraguay aqui na América do Sul.

    Sobre este tema, duas questões temos que ressaltar:

- A primeira se relaciona a dominação mesmo. Não apenas no plano político mas, principalmente, no plano econômico, onde se revelam “os mercados”, ou seja, grupos sociais que operam a economia da especulação e do jogo, da qual usufruem a riqueza financeira. (Infelizmente tenho que utilizar a palavra riqueza, embora só considero riqueza aquela produzida pelo trabalho; para os praticantes do “mercado” existe no vernáculo a expressão mais adequada correta, i.e. esbulho).

- A segunda, é a que afeta maior população e mais crítica na dominação, referem-se aos países que são alvo da cobiça, tanto pelas condições econômicas objetivas, ou seja, aquelas expressas nos seguintes itens: riqueza mineral, população, produção agrícola, produção industrial, tecnologia própria, saúde pública, nível educacional desde a alfabetização até ao nível universitário, estabilidade política; este último até escasso, devido aos efeitos das próprias intervenções, espionagem e golpes perpetrados pelo próprio Estados Unidos. Aqui no Brasil temos o caso típico da “Lava Jato” que mirou a destruição das grandes empresas empreiteiras de engenharia2 em conluio com elementos do “mercado”.

    Nem posso abordar o caso do Brasil, tanto por ser tão complexo como os demais na situação de interferência política e econômica, quanto por se distanciar do objetivo do presente texto, mas temos que diferenciar o caso brasileiro, pois mesmo estando sob ataque político e cibernético, ainda existe alguma resiliência. Quanto ao Paraguay e Argentina a situação está bem caracterizada como “quintal”.

    O primeiro caso, o Paraguay, que esteve quase instalando uma base militar americana, depende da sua produção agrícola quase exclusivamente de “brasilguaios” que, segundo últimos levantamentos, são responsáveis pela quase totalidade da produção de soja e arroz. Quanto a energia elétrica nem se fale, pois dependem integralmente da Itaipú Binacional. Entretanto o Paraguay ainda se recente no presente, não somente da interferência direta dos EUA, mas também dos efeitos do longo período de ditadura do pedófilo Stroessner.

    Quanto a Argentina de Milei, o que posso dizer é que o processo de “quintalização”, desculpe o neologismo, vem desde o golpe contra Ramón Castillo nos anos quarenta. Daí em diante, mesmo durante Perón, o nacionalismo argentino era um embuste que, piorando com os anos sujos da ditadura militar, acaba com Menen destruindo a economia argentina por completo. Milei então é o coroamento da dominação cultural, econômica, política e militar. Nada de melhor poder-se-ia esperar.

    Após então esta divagação sobre o “quintal” quero deixar claro que, muito antes de Trump mencioná-lo, Paulo Nogueira Batista Jr. já o fizera magistralmente no livro “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Nem vale a pena expandir o tema, seria contraproducente, tampouco deitar falação, já que o autor fala a partir sua experiência de dentro do FMI e da trajetória intelectual, a partir de uma formação acadêmica e histórica ímpar.

    O que pretendia humildemente expressar, nem sei se consegui, era mostrar que a tal crise da “tarifação” é endêmica, pelo menos na América Latina. Só não era percebida no pós-guerra no continente europeu, pois este, além do Plano Marshall, ainda recebeu por longos anos das colônias, e ainda recebe, juntamente com a participação econômica e militar dos EUA, o produto com a tarifação praticamente zero. Acho até mesmo que Fukuyama “bateu na trave”.

1 Países insulares do Caribe: Barbados, Belize, Dominica, Cuba, Granada, Haiti, Jamaica,  República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago

Países da América Central continentais: México, Honduras, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Panamá,

Países da América do Sul: Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru,  Suriname, Uruguai e Venezuela

2Odebrecht, OAS, UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Carioca Engenharia e Camargo Corrêa....