sábado, 5 de julho de 2025

Nacionalismo e Estado

 Assisti, no evento comemorativo dos dez anos da Sputnik, paralelo ao encontro dos BRICS+ no Rio de Janeiro, ao encontro de quatro figuras expoentes na geopolítica, com diferentes gradações em diferentes formas de relacionamento com esta matéria: Pepe Escobar, Paulo Nogueira Batista Jr., Glenn Greenwald e o Professor Elias Jabbour. Todos dividindo opiniões mas colimados no foco BRICS, suas implicações geopolíticas, suas contradições, fraquezas e potencialidades. Antes das falas destes houve a fala, desde Moscou, do Professor Alexander Dugin que pontuou a questão dos BRICS+ como um contraponto a unipolaridade, que hoje se apoia no poder hegemônico, mas...decadente, dos EUA.

O que se depreendeu das diversas falas foi a constatação que a recente ação de bombardeio do Irã, membro dos BRICS foi expor a sua fraqueza militar, dado a incapacidade de seus membros mais poderosos, China e Rússia, juntamente com os demais, poder acudi-lo senão diplomaticamente. Por parte dos EUA foi uma demonstração de força orientada aos BRICS considerados “inimigos mais fortes”, ou seja, realmente a China e a Rússia.

O que posso sintetizar é que foi consenso os BRICS+, que somam a maior parte da população mundial juntamente ao maior PIB -PPC, serem percebidos por todos como a saída visível, e única no momento, para o problema mundial criado pela decadência econômica, social, moral do mundo dito “ocidental”, que vê nas guerras a única forma de se relacionar com os demais países. Herança direta do poder colonial.

O que chamou minha atenção foi a posição do Professor Elias Jabbour que, sendo um ativista e profundo intelectual de esquerda que afirma que a resultante possível do socialismo se dá a partir do nacionalismo. Por que esta postulação chamou a minha atenção? Foi poder compará-la a do outro importante pensador da esquerda e experiente economista com experiência de diretor do FMI e vivência em Shangay como vice-presidente do NDB, Paulo Nogueira Batista Jr. Seu livro, o best-seller “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” – LeYa -Brasil 2021, expressa deias sobre nacionalismo. Quanto a ideia de “nacionalismo” preciso cotejá-la comparando-a com a ideia expressa pelo Professor Jabbour. Este é categórico na relação causal e de dependência e a expressa didaticamente na sua obra premiada “China-O socialismo do século XXI”.

Ocorre que as comparando acabo por ver os dois olhando para direções opostas e vendo a mesma coisa. Como decifrar este enigma então?

Na sua obra o Professor Paulo Nogueira Batista Jr. na página 368, no capítulo “NACIONALISMO E DESENVOLVIMENTO”, cita: “Fica evidente portanto, que nacionalismo é um fenômeno histórico e não um valor universal e atemporal. Não faz sentido inventar uma axiologia em que a Nação, com “n” maiúsculo, seja considerada o valor supremo. Exageros desse tipo podem ser o primeiro passo para a perversão do nacionalismo e sua transformação em xenofobia e motivo para agressões e guerra externas.” Refere-se ao “nacionalismo” que observou no episódio concreto e que viceja no ideário americano. Refere-se mesmo ao “nacionalismo” americano. Daí a menção aos exageros. Seria este o “nacionalismo” que o Professor Elias Jabbour se refere? Quem sou eu para decifrar este enigma, pois não tenho suficiente leitura tampouco formação para esta tarefa, mas não posso deixar de refletir e buscar a gema preciosa escondida dentro desta aparente contradição.

O que construí como elemento de comparação lendo o texto, não este curto aqui mencionado mas todo o conteúdo do “Brasil não cabe no quintal de ninguém” e tampouco a fala isolada do Professor Jabbour, foi ter o “nacionalismo” como, além da sua conotação sim, de compromisso com a existência e a vida de seus próximos nacionais, valores, pessoas e tudo que constitua “a nação”, como entidade, como Estado, também se opor a ideia pueril de “estado mínimo”; ideia estapafúrdia que inculcaram na cabeça frouxa de muitos, independentemente de sua tendência ideológica. A ideia de “estado mínimo” não vinga na cabeça daqueles que, independentemente de nacionalidade, se comprometem existencialmente com os seus próximos, sejam pessoas, sejam valores humanos;  seja os apoiadores de direita da Hungria, ou os defensores da esquerda da China ou do Vietnã. O socialismo não vicejará em um “estado mínimo”, ou seja, não conseguirá ou buscará justiça social e tampouco a própria direita que estiver comprometida com este mesmo propósito.

Estejam partindo da esquerda, ou da direita, ideias pueris sobre “estado mínimo” e “livre concorrência”, descompromissadas com a nacionalidade, estas serão, em curto espaço de tempo, destruídas juntamente com as nações que as defenderem e praticarem.

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Insiro aqui, retirado do “histagram” do Professor Elias Jabbour uma mensagem sua que ilustra melhor este pensamento:

bugando a cabeça da turma do “Estado mínimo” e da “livre-concorrência””
A questão nacional é tão complexa quanto contraditória. Ainda mais em um mundo onde as coisas se decidem, também, no âmbito da formação e fortalecimento do capital nacional.
Enfim, hoje a JBS - empresa com muito investimento público do BNDES - acaba de lançar ações na bolsa de valores de Nova Iorque, está disputando o mercado de proteínas no mundo
Os países fazem suas escolhas. Discursos morais sobre o papel do Estado na economia e ter o fornecimento de proteínas nas mãos de empresas estrangeiras ou simplesmente constroi suas próprias empresas.
Pensem antes de julgar moralmente.
Alguém acha que o vale do Silicio caiu do ceu?

terça-feira, 1 de julho de 2025

Meu tio sabia das coisas

 Pensei muito nesta semana sobre este sofrimento do povo palestino. Pensei em relatar então uma experiência pessoal:-

Tinha em torno dos meus vinte anos e ouvia de meu tio Mello, irmão de minha mãe, nas noites ao som do mar batendo na Praia Grande em Santos, então ainda deserta, as suas aventuras quando ele aos dezoito anos serviu como soldado (apanhado à força no Líbano, já que era apátrida) no exército inglês na Palestina, sob as ordens do Coronel Thomas Lawrence (depois imortalizado em filme pelo ator Peter O`Toole). Contava as peripécias e os sofrimentos, mas não deixava de mencionar contradições dentro das fileiras britânicas, já que estes apesar da guerra, era 1917, nutriam uma amizade pelos habitantes daquela região, a Palestina. Eu mesmo não tinha idade para perceber as contradições e seu profundo significado e ele mesmo talvez não tivesse o preparo naquela época, com dezoito anos, para entender a complexidade do drama humano que transcorria a sua volta.

Hoje ainda me recordo daquelas charlas mas, já amadurecido, vejo nos episódios por ele relatados, não contradições, mas a raiz do sofrimento daquele povo que convivia pacificamente apesar das profundas diferenças de suas proporções: 568.000 muçulmanos, 74.000 cristão e 58 mil judeus.

Lembremo-nos que o Coronel Lawrence já havia lutado, ao lado dos árabes palestinos, na insurgência destes arábes contra o Império Otomano. Alí se formara uma aliança tácita entre Lawrence e seus comandados britânicos com os árabes; aliança esta que fui perceber quando trabalhei na britânica Cable & Wireless, herança da centenária The Western Telegraph Company.

Está registrado: o Coronel Lawrence havia avisado ao chefe do MI6, Sir Gilbert Clayton: - “the jewish influence in european finance might not be sufficient to deter the arabs from refusing to quit – or worse!”1. Ora, quando Lawrence se referia a “jewish influence” estava se referindo ao banqueiro Lord Lionel Rothschild que “convenceu” o chefe do Foreign Office, o Ministério das Relações Exteriores da época, Lord Balfour a declarar em 2 de novembro de 1917 que a Grã-Bretanha iria favorecer “the establihment in Palestine of a national home for the jewish people (Eretz Yisrael)”. Isso tudo custou o êxodo de 700.000 árabes de Haifa, Jaffa, Acre, Nazareth, Safad e tantos outros povoados. Meu tio ainda me disse: - “Isso não vai acabar tão cedo, nem seis dias , nem seis anos, nem sessenta”. Era 1965, começava a se preparar a “Guerra dos Seis Dias”.

Nem meu tio, nem Thomas Lawrence, partícipes que foram da causa primeira do sofrimento do povo palestino, faziam ideia do quão aviltante fora ao Império Britânico o comportamento do banqueiro Rothschid, do Lord Balfour e de tutti quanti, dos que apoiaram, e ainda apoiam, este vil sofrimento.

Ocorre agora uma causa que ainda “justifica” este comportamento aviltante: a existência de reservas de gás, em frente a Faixa de Gaza, na quantidade de 1,4 trilhão de metros cúbicos com valor aproximado de US$ 4 bilhões, segundo a BG (British Gas); empresa contratada pela autoridade palestina para a prospecção e futura exploração. Agora é só refletir...

Já em 2007 Israel havia atacado a Faixa de Gaza devastando e matando milhares e milhares de civis(2)...e até hoje continua o sofrimento...Aí estão as causas dessa mortandade, sintetizadas em uma só palavra que já existia nos tempos de Sir Lionel Rothschild et caterva: “kehsef”….Sim, meu tio sabia das coisas.



1Lawrence ''', 1995,pp275-391. Luiz Alberto Muniz Bandeira

2-https://www.jpost.com/middle-east/experts-clash-over-palestinian-demographic-statistics-386443: 

The report released this week by the Palestinian Central Bureau of Statistics summarized data from 2014, determining that the projected number of Palestinians in the world is approximately 12.1 million, of whom 4.62 million live in the West Bank and Gaza, 1.46 million live in Israel, 5.34 million are in Arab countries, and some 675,000 reside in foreign countries

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Irã, Israel e nós mesmo

     Após esperar o aparecimento de algum ponto de inflexão no contencioso (apesar da chuva de bombas, não dá para chamar de guerra se não tem participação da “rainha das armas”) Irã x Israel. Ao que parece este ponto foi flexionado pelas circunstâncias internas dos Estados Unidos. Deve se considerar também o telefonema de Trump para Putin. Ao final todos saíram ganhando a “guerra”, e realmente “todos” significa “todos”, todas as nações, pois o preço do petróleo inevitavelmente iria explodir caso o Irã viesse fechar o estreito de Ormuz. Mas o que pude observar foi o pretexto da construção da bomba nuclear iraniana para o ataque de Israel. O que se pode constatar é que o Irã possui um recurso muito mais explosivo que o nuclear, são as suas reservas de petróleo com os maiores campos petrolíferos do mundo; maiores até que os campos sauditas:

Campo de petróleo de Ahvaz, um dos maiores campos de petróleo do mundo, localizado na província de Khuzistão, Campo de Gachsaran, Campo de Marun – Situado perto de Ahvaz, Azadegan (Norte e Sul) – Um dos maiores campos petrolíferos do mundo, compartilhado parcialmente com o Iraque (chamado de Majnoon no lado iraquiano) e Campo de Yadavaran – Localizado na fronteira com o Iraque, com reservas estimadas em muitos bilhões.

As reservas ainda não cubadas e já identificadas tornam o Irã aí sim o objeto da cobiça a ser disputado com um novo pretendente, a China. Daí todo o empenho na tentativa de domínio daquela riqueza. As jazidas petrolíferas já identificadas, mas não cubadas, são tão grandes quanto as atuais já exploradas, como antes mostramos, a saber:

Indícios de possíveis depósitos de petróleo a leste do Irã, em regiões menos exploradas, que podem conter reservas ainda não mapeadas ou não comercialmente viáveis. Vamos analisar as áreas com potencial. Vejamos o resultado de pesquisa na internet (DeepSeek):

1. Bacia de Kopeh Dagh (Nordeste do Irã, perto do Turcomenistão)

Localizada na fronteira com o Turcomenistão, essa bacia sedimentar tem potencial para petróleo e gás, mas a exploração tem sido limitada devido a:
Complexidade geológica.
Infraestrutura insuficiente.
Foco histórico do Irã no sudoeste (Khuzistão).
O Turcomenistão já explora petróleo e gás em sua parte da bacia, sugerindo que o lado Irãiano pode ter reservas similares.

2. Bacia de Lut (Leste do Irã, região desértica)

Uma das áreas mais inexploradas do Irã, com possíveis reservas não convencionais (xisto betuminoso, tight oil).O Paquistão já explora petróleo em sua parte da bacia (ex.: campo de Sui), o que sugere possível extensão para o lado Irãiano.

Foco histórico no sudoeste: A maioria dos investimentos está nos campos já conhecidos (Khuzistão). Dificuldades geopolíticas: Sanções e falta de parceiros tecnológicos para exploração.1

Condições geográficas: Áreas desérticas e montanhosas aumentam custos.

Conclusão:Há possíveis depósitos não cubados no leste do Irã, especialmente nas bacias de Kopeh Dagh, Lut e Sistão-Baluchistão. No entanto, a exploração comercial ainda depende de:
. Investimentos em tecnologia de prospecção.
. Melhoria das condições de segurança (especialmente no Baluchistão).
. Flexibilização de sanções para atrair empresas estrangeiras.
(2)
. Investimentos em tecnologia de prospecção. 

. Melhoria das condições de segurança (especialmente no Baluchistão).

. Flexibilização de sanções para atrair empresas estrangeiras.(2)
. Investimentos em tecnologia de prospecção.
. Melhoria das condições de segurança (especialmente no Baluchistão).
. Flexibilização de sanções para atrair empresas estrangeiras.(2)
    (1) Estaria a China “interessada” nestes depósitos e disposta a realizar investimentos
    (2) Até onde as “sanções” irão impedir investimentos estrangeiros? 
A desertificação e a falta de infraestrutura dificultam a prospecção. Dados sísmicos limitados, mas estudos geológicos sugerem potencial.
3. Fronteira com o Afeganistão e Paquistão (Sistão e Baluchistão)
Há indícios de bacias sedimentares que podem conter petróleo, mas:
Conflitos regionais e instabilidade no Baluchistão desencorajam investimentos.
4. Mar Cáspio (Norte do Irã)
Embora mais ao norte, o Cáspio tem reservas subexploradas no lado Irãiano.
O Azerbaijão e o Cazaquistão já produzem petróleo na região, mas o Irã tem focado mais no Golfo Pérsico.
    
    Para adicionar um complicador neste cenário geopolítico podemos avaliar a crescente perda do poder hegemônico americano, que acaba induzindo as diversas componentes de poder estadonidense, incluindo aí as diversas “nações internas” de segurança, que praticamente se constituem em um poder paralelo (1-rodapé) a interferirem nas decisões políticas e no comportamento vacilante de Trump . Os EUA continuam insistindo “comme il faut” na intervenção híbrida nos estados nacionais vizinhos da Rússia: Georgia, Armênia, Moldávia. Estados estes que não foram alcançados pelas revoluções coloridas e nem incorporados a OTAN. Neste momento que escrevo vejo a real intervenção na Armênia, com a prisão do bispo Galstanyan, sob o pretexto de usar a religião contra o governo de legitimidade dúbia.
    Tenho a sensação que, assim como o bispo ortodoxo armênio, teremos a incômoda repetição da ação americana na Lavajato, que cumpriu a missão de demolir o poderoso plantel das empresas de engenharia brasileiras que viabilizaria o Pré-Sal. 
    Pelo que vejo já temos no Legislativo uma trupe contratada para esta missão, já que além da competência em engenharia já temos agora ao norte (Amapá até R.G do Norte)  novas jazidas petrolíferas. Concluo : - enquanto houver petróleo e EUA teremos o incômodo das tentativas de intromissão, como ocorre com os outros países.
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1. Agências de Inteligência e Contraespionagem

Central Intelligence Agency (CIA) – Coleta inteligência externa e conduz operações clandestinas.
National Security Agency (NSA) – Responsável pela inteligência de sinais (SIGINT) e cibersegurança.
Defense Intelligence Agency (DIA) – Inteligência militar estrangeira.
National Geospatial-Intelligence Agency (NGA) – Inteligência geoespacial (imagens de satélite, mapas).
National Reconnaissance Office (NRO) – Desenvolve e opera satélites espiões.
Federal Bureau of Investigation (FBI) – Investiga crimes federais, contraespionagem e terrorismo interno.

2. Segurança Nacional e Antiterrorismo

Department of Homeland Security (DHS) – Coordena a segurança interna contra ameaças terroristas e desastres.Transportation Security Administration (TSA) – Segurança em aeroportos e aviação.
U.S. Secret Service (USSS) – Protege autoridades e combate crimes financeiros.
U.S. Customs and Border Protection (CBP) – Controle de fronteiras e imigração.
Immigration and Customs Enforcement (ICE) – Imigração ilegal e crimes transfronteiriços.
Federal Emergency Management Agency (FEMA) – Resposta a desastres naturais e emergências.
National Counterterrorism Center (NCTC) – Integra informações antiterrorismo entre agências.

3. Aplicação da Lei Federal
Drug Enforcement Administration (DEA) – Combate ao narcotráfico.
Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives (ATF) – Fiscaliza armas, explosivos e crimes relacionados.
U.S. Marshals Service (USMS) – Protege tribunais, captura fugitivos e gerencia testemunhas protegidas.
 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

O silêncio tronitroante da mídia

     Pesquisei esta semana na imprensa alguma boa nova que nos pudesse, não alegrar propriamente, mas ter alguma esperança que a tal imprensa estivesse melhorando ou tivesse adquirindo a consciência que sua ação deletéria está contribuindo para a desorganização mundial e até promovendo as misérias atuais. Com isso as perguntas permanecem:

Quem as financia? Aqui no Brasil a resposta é mais do que óbvia; os mesmos que financiaram o movimento de “8 de janeiro” e o mentor deste.

Quais os objetivos? Se não a manutenção do estado neo-liberal (neo-bobo na definição de FHC) e a situação econômica, impossível de se perenizar tanto do ponto de vista político-econômico quanto do ponto de vista teórico-sistêmico, os seus ganhos imorais a curto prazo

    Nem é preciso individualizar, pois tais agentes financiadores atendem pela nome de “mercado”. Os mesmos que conseguiram emplacar um agente que atendia pela alcunha de “Posto Ypiranga” e plantá-lo como super-ministro que fez a proeza de derrubar o Brasil da sexta economia do mundo para a décima terceira… . Os mesmos que elegeram este que hoje debocha cinicamente como réu de uns dos crimes de sua imensa coleção; coleção esta não tão grande quanto a coleção de imóveis comprados com dinheiro em espécie.

Se não bastasse estas credenciais já citadas, hoje a mídia silencia diante desta aberração:

https://www.instagram.com/reel/DKUdDhhO8gO/?igsh=ZjFkYzMzMDQzZg%3D%3D

    Deste episódio posso concluir a origem da“false-flag” da Colômbia, o “julgamento” de Cristina Kirchner na Argentina, a “eleição” na Romênia, e demais mazelas mundo afora.


sexta-feira, 6 de junho de 2025

A atualíssima frase de Pulitzer

     Vejo na imprensa notícias sobre a guerra da Ucrânia, sobre todos os tipos de mazelas políticas; mas quando espero ver notícias sobre os progressos para coibir o brutal massacre de crianças palestinas, vejo uma imprensa surda, cega e muda, senão sórdida. Não esperaria mais do que isso confesso, pois tenho consciência de quem as financia e manipula. Quanto aos temas da guerra é mais do que óbvio que tomarão partido, mesmo que emitam opinião e distorçam dados e fatos: às favas a verdade. Mas sobre o genocídio de Gaza não poderia tolerar tal sordidez.

    O próprio Pulitzer, já no início do século XX, esculpiu no granito da história uma frase que se tornou célebre: -“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”. Portanto não é de se espantar quanto tivemos há pouco tempo, gente rezando para pneus, fazendo código morse com telefones na cabeça...e mesmo depredando o patrimônio público a mando de um torpe e ignóbil que não só confessa cultuar a tortura, como a dizer que “rolou um clima” com uma menina de quatorze anos.  Estamos falando de um personagem, mas o que dizer daqueles eleitos (para confirmar a frase de Pulitzer) para o parlamento... 

    E a imprensa? A imprensa nada mais fez do que ratificar a frase de Pulitzer.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Esta é uma guerra ainda colonial - continuação

     O blog de ontem (Esta é uma guerra ainda colonial), expressando a percepção que as causas do presente conflito na Ucrânia remontam há muito mais tempo; não somente aos desdobramentos dos interesses da Chevron desde os anos 2000, representados então pelos senadores americanos, lobistas da petroleira, John McCain e Christopher Murphy, juntamente à ação malévola de Victoria Nuland, levaram-me a outro tema que se conecta a este tanto historicamente quanto geopoliticamente: o evento conhecido como a “Carga da Brigada Ligeira”.

    Este evento, a carga de cavalaria comandada então por Lord Cardigan que resultou na perda de metade do contingente, se desenrolou na Guerra da Crimeia, na tentativa de tomada da fortaleza de Balaclava em Sebastopol. Apesar de ter sido um desastre militar passou à história com um glamour inexplicável. Aliás, bem explicável, pois o lord, representando a nobreza inglesa, nem foi responsabilizado nem incomodado pelo erro. Como mostrado no blog, tanto a Inglaterra, na figura da Rainha Victória; a França que tinha Napoleão III querendo imitar mediocremente o tio Napoleão I; a Russia do Czares Nicolau I e Alexandre II; a Itália, com o Conde Cavour (que aliás, mais tarde, veio a ser punido pelo Papa por querer fazer uma “reforma agrária” à custa do clero), representavam o poder colonial da Europa.

    Mas apresento agora uma outra faceta histórica: - O que fora um erro militar acabou por ser imortalizado no cinema pela arte inglesa e pela industria cinematográfica americana em 1934: “A carga da Brigada Ligeira”. No cinema  Errol FlinnOlivia de Havilland e o jovem David Niven, este último, que alias já no final de sua carreira, veio expor nos seus dois livros as misérias (exploração sexual, drogas e perseguições políticas) de Hollywood, transformaram a derrota em sucesso de bilheteria. Só eu, já na década de cinquenta, fui ver duas vezes. Nas seções de cinema aos domingos depois da missa no colégio, havia debate. Os alunos mais velhos do científico, inexplicavelmente – para mim ainda no ginásio – , “baixaram o sarrafo” no Major Vickers (Errol Flinn) por aquele erro histórico. Lá ia eu saber…

    Mas queria realmente expor desde a exteriorização desde evento, foi o que se desenvolveu como consequência da Guerra da Crimeia, o “Tratado de Paris” de 1856, o que inexoravelmente fortaleceu a Alemanha em detrimento ao Império Austro-Húngaro e a fez se opor a Rússia. Foi daí que nasceram hostilidades que se propagaram...até hoje. Fazendo justiça, os americanos só herdaram as faturas dessas guerras europeias...só que as ampliaram. O butim das guerras:  os "chernozem" ucranianos, o gaz e o patrimônio mineral russo que abarca toda a "cadeia de Mendeleiev".

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Esta é uma guerra ainda colonial.

     A atual “Conversações sobre Acordo de Paz” entre Rússia e Ucrânia é uma retomada daquela de 2022, onde Boris Johnson se intrometeu e fez abortar uma paz, quase alcançada, quando ainda não havia um milhão de mortos. Realmente só posso entender este volume de mortos se gerados deliberadamente, pois há experiência histórica de conflito na mesma região com este mesmo número1, a “Guerra da Crimeia” que durou de 1853 até 1856. São as mesmas nações beligerantes e só não havia ainda os Estados Unidos da América, pois este estava ocupado com as prévias da sua guerra particular, a Guerra Civil (1861 – 1865). A experiência sangrenta de mais um século não serviu para nada?

    A Guerra da Ucrânia hoje, revive através da OTAN, os mesmos beligerantes, que vou chamar de “Ocidente”, de 1853. Ou seja, estas nações, outrora impérios coloniais (França, Inglaterra, Itália e mesmo Turquia) tem como motivação, inter alia, a cobiça da Eurásia, ou seja, as imensas terras e riquezas da Rússia. Só pode.

    O que não é informado para os felizes desavisados do ocidente é que o atual conflito teve sua origem muito antes de 2022, i.e. a “invasão pela Rússia”. A própria existência da OTAN, desnecessária após a extinção do “Pacto de Varsóvia”, já é um elemento que nos indica a permanência das causas da secular beligerância. Só que agora impulsionada, há mais de dez anos pela cobiça da Chevron, que teve seus interesses representados pelo então senadores americanos John McCain e Christopher Murphy; estes, juntamente com Victoria Nuland, já haviam “determinado” quem deveria governar a Ucrânia após a queda do então presidente eleito Yanukovich promovida pelo golpe de estado em curso, este objetivamente parido pela Revolução Laranja. Tal manobra fora motivo de uma ligação telefônica com o embaixador americano na época. Ocorre que a ligação fora raqueada por algum serviço secreto, (altamente provável que fosse o russo) e foi postada no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=YBWP48O_5Mo). Mais tarde Victória Nuland pede desculpas etc..etc… mas a gravação, eivada de palavrões, deixava claro o espírito que orientava os acontecimentos que iriam desaguar nos tristes episódios da “Praça Maidan” e no consequente morticínio de hoje.

    Para quem ingenuamente acha que tal beligerância se iniciou em 2022, deixo abaixo um triste quadro (um único apenas) de um vídeo datado de mais de 10 anos, onde se vê o tratamento que era dado a população de Donetsk, para que não sobre dúvida da motivação desta guerra. Motivação que insiste em sobreviver após o ano de 1856. Motivação que só deve ser consequência da perda dos impérios coloniais europeus, agora alimentada pela perda de um mais novo império colonial, que neste momento também resiste desesperadamente em sobreviver.


Esta é uma guerra ainda colonial.

1Rússia: 450.000 mortos e 80.000 feridos - 

Turquia, França, Inglaterra e Itália: 225.000 mortos e 50.000 feridos