terça-feira, 28 de outubro de 2025

Ordem do dia

 Tenho buscado a atualização de conhecimento sobre a evolução dos “chips”, isto é, os circuitos integrados que no presente têm sua tecnologia de fabricação baseada em fotolitografia das camadas CMOS baseados em substratos de silício. Esta tecnologia teve nos últimos anos uma evolução que penso hoje esteja beirando os limites físicos (miniaturização e dissipação de calor) tanto quanto de complexidade. Trato aqui o limite de complexidade como inerente a própria lógica de funcionamento dos chips quanto a de produção. Tenho forte impressão que tal limite se relaciona mais ao custo que se impõe na utilização de água, tanto para resfriamento, quanto para purificação e limpeza. Em artigo recente no Brasil247, que aconselho a leitura, o pesquisador Reynaldo Aragon 1 aborda a questão da fabricação e dá ênfase aos aspectos geopolíticos da tecnologia dos chips.

O que posso agregar a este é a premência de se resolver o problema do consumo de água, tanto devido ao seu custo quanto ao limite de obtenção e da descontaminação do despejo industrial.

Evidentemente esta questão de natureza ecológica que afeta os processos de fabricação se avizinha as tecnologias urbanas de purificação da água e indiretamente ao tratamento dos efluentes, então contaminados por despejos industriais juntamente ao descarte dos RSU (Resíduos Sólidos Urbanos), já mencionados aqui em “Já é uma questão de sobrevivência mesmo” de 23 de abril último.2

Acredito que estas duas questões (independência tecnológica na fabricação de chips e a tentativa solução do problema do descarte do lixo urbano), deverão entrar na ordem do dia das políticas governamentais e terão que afluír aos debates parlamentares...no mundo todo. Já que a mais badalada questão financeira está sendo equacionada esperando que as nações do mundo inteiro deem partida urgente aos processos de distribuição de renda. Estes processos, mesmo sendo escamoteados pelo famigerado “mercado”, epíteto para a turma da agiotagem, desde quando, mais recentemente, Piketty3 dera o alarme.

O que se espera é que a temperatura do caldo geopolítico, que hora está em ebulição devido ao retorno de Trump com suas diatribes tarifárias, na desesperada tentativa de estancar o processo de esgotamento econômico, venha abaixar e viabilizar um novo tempo, seja de prosperidade com paz, seja de paz apenas, ainda que a prosperidade seja reservada, permitida apenas aos povos que lutam por ela. Sem luta, a prosperidade será sempre uma distante ilusão.

1https://www.brasil247.com/blog/a-geopolitica-dos-semicondutores-a-guerra-dos-chips

2 https://www.blogger.com/blog/post/edit/7714812914870144096/9171058728865880645

3“O Capital no século XXI” – Thomas Piketty -Editora Intrínseca – 2014;

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Política e Terras-raras

 Hoje de manhã ouvi a fala do Chanceler Mauro Vieira desde lá de Washington. Comedido, tecnicamente diplomático, disse ao que veio; aliás, ao que foi. Alguns jornalões escreveram parábolas, hipérboles fazendo um baita esforço para diminuir. Ainda farão muito mais quando ficar mais do que claro que a carta de Trump, que motivou o preparatório encontro destes chanceleres e de corpo técnico, esta “ainda” falando de Eduardo Bolsonaro nada mais foi do que um expediente , ou mesmo de uma esperteza; um “truc d´intelligence”, se viesse do Macron.

Mas não, Trump, como qualquer outro dirigente, sabe que um indivíduo que pede para que ataque seu próprio país é um ser não qualificável; uma Maria Corina, ou coisa assim. Mas serve a um propósito. Por que não aproveitá-lo, então? Servirá como moeda de troca talvez.

No entanto, se o assunto “terras-raras”, que virá inexoravelmente, for bem conduzido por ambas as partes, EUA e Brasil, os dois espantalhos já não serão tão úteis e poderão ser descartados, como todos os que se prestaram a esse enredo. Uns “Silvério dos Reis” de papel; nada mais.

Mas falando do assunto terras-raras, já que o “café e suco de laranja” já foi praticamente resolvido, faltando apenas a venda de soja para a China (mas este já não será assunto nosso, e sim de Xi Jinping), uma coisa ficará clara e definitiva e que deve ser tratada com responsabilidade. Senão vejamos:

.O processo da simples mineração (extração, britagem e flotação) está no âmbito de nossas competências e não requer intervenção ou ajuda externa. Aliás já o fazemos com a Mineração Serrana, lá de Goiás, mas não temos ainda a separação de elementos pois estes processo requer técnicas ainda não dominadas.

. Não conheço quão avançado está o EUA no restante do processo de extração dos elementose e suas aplicações1, mas sei que é complexo e ainda requer tratamento da radioatividade derivada de seu refino.

Então duas questões, que terão de ser digeridas tanto no estágio da negociação diplomática quanto na etapa comercial e técnica, irão emergir:

 As empresas já instaladas no território poderão se adaptar tanto patrimonial (ativos e recursos técnicos) quanto economicamente?

.  Os processos de produção (instalação, equipamentos e pessoal) irão atender as limitações e os requisitos de produtividade, ecológicos, logísticos?

Pessoalmente, mesmo não tendo competência técnica e conhecimento para assertividade, mesmo baseando-me apenas em experiência profissional passada no contato com os recursos técnicos, empresariais e acadêmicos no Brasil, não temo afirmar que as questões adrede levantadas, serão satisfeitas se forem financiadas, sem qualquer outra interferência ideológica ou política que seja nefasta. E ainda adiciono uma questão que me parece pertinente que é a evolução dos processos tecnológicos. Historicamente a evolução tecnológica faz transmutar insumos e processos, por exemplo:

. A evolução dos plásticos, que por sua vez derivou em compósitos, fez mudar a demanda por alumínio e aço no que se referia a indústria automobilística e aeronáutica.

. A capacidade de reprodução de moléculas derivadas de elementos botânicos e animais na natureza, não somente protegeu ecologicamente tais recursos como fez mais econômicos muitos produtos farmacêuticos e químicos industriais.

  Penso ainda que seja necessário mencionar a mudança e evolução tecnológica, visto que estaremos próximos a um salto sistêmico na produção dos “chips”, não apenas no processo litográfico de produção quanto nas próprias exigências de miniaturização. O atual processo litográfico de produção dos “waffles” não será mais tolerado dado seu custo e suas implicações ecológicas (altíssima demanda de água pura e custoso descarte desta com metais pesados); além do fato que expandindo o uso de IA se oportunizará menores demandas de processamento para problemas até então altamente custosos e complexos, além do uso de computação quântica.

Quão distante estamos destas mudanças não posso (podemos) quantificar, mas podemos afirmar sim com segurança que estas virão...E com estas profundas alterações e implicações econômicas e políticas. Teremos de nos preparar para enfrentá-las e só com as capacidades de coragem, determinação e...EDUCAÇÃO PARA TODOS é que conseguiremos. Sem estas, esquece.


.1Ímãs Permanentes: (Nd, Pr, Dy, Tb) para motores de carros elétricos, turbinas eólicas e drones.
    Baterias: (La, Ce) para baterias de níque-hidreto metálico (Ni-MH).
   Catalisadores: (Ce, La) para refino de petróleo e conversores catalíticos de automóveis.   
   Polimento: (Ce) para polimento de vidros e lentes de precisão.
   Fosforescentes: (Eu, Y, Tb) para telas de LED, LCD e lasers.
 


quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Cautela

 Hoje vi a notícia da autorização de Trump para a invasão da Venezuela pela CIA. Obviamente não me surpreendi, pois já está na história uma coleção de invasões, assassinatos e campanhas de golpe de estado, tanto diretamente quanto através de “guerras frias”. Neste caso particular, a Venezuela, existe um motivo evidente da invasão, ou “anexação” mesmo:

- A maior reserva de petróleo do planeta.

A Venezuela já foi vítima de vários golpes, a maioria apoiada ou perpetrados pelos EUA. Só na minha memória lembro de 1958 com a queda de Perez Gimenez, que por sua vez tinha derrubado o presidente Angarita. Mais recentemente Hugo Chavez, que foi derrubado e retomou o governo em uma semana. E agora Maduro que, acusado de intervir nas eleições, está ameaçado pela oposição financiada abertamente pelo ouro da própria Venezuela “escamoteado” pela Inglaterra.

Em síntese, o motivo, “e pluribus, unum”, senão o principal, habita no subsolo da Venezuela. O resto é fabricação midiática regiamente paga. E não é de hoje, data do fim da Segunda Guerra Mundial, quando se intensificaram as buscas geológicas.

Aliás, também já fomos alvo, com o famoso caso do geólogo DeGolyer da Schlumberger que desaconselhava pesquisa e exploração de petróleo no Brasil, após pesquisa paga pelo Departamento de Estado americano. Os documentos que provam já foram desclassificados.

Quanto ao Prêmio Nobel da Paz dado a venezuelana Da. Corina, não é também surpresa, pois Kissinger e Obama já foram premiados.

Mas as consequências desta última “ordem de invasão” serão imprevisíveis. No passado contemporâneo, Vietnan, Iraque e Afganistão servirão de exemplo. Mais recentemente a Ucrânia, desde 2008, também serve como exemplo de fácil memória.

Caminhemos então, e com cautela saberemos enfrentar as consequências do que aqui respingar... Amat victoria curam. (a vitória ama a cautela)



quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Poder e destino

 Hoje li um artigo sobre o Professor John Mearsheimer onde este trata da progressiva queda da hegemonia americana e suas causas. Ele cita que “a armadilha da hegemonia é acreditar que o poder sem limites pode durar para sempre” e a tentativa de manter o domínio global aumenta o risco de colapso”.

Este teórico americano, que vem desde West Point refletindo sobre o que ocorria no cenário mundial, passou a ter uma posição independente sobre a realidade hegemônica americana quando a submeteu à evolução do seu saber acadêmico desde a Universidade de Cornell, bem distante da que se badalava à época na Universidade de Chicago. Por força do destino veio a lecionar nesta meca do saber Straussiano mas com independência e capacidade crítica, herdada desde a libertária Cornell. Por essa independência e equilíbrio procuro ouvir e assistir suas entrevistas e ler seus textos.

Quanto a queda do poder hegemônico americano, na minha humilde maneira de pensar, esta se inicia quando Nixon em agosto de 1971 anunciou a suspensão da conversibilidade do dólar em ouro. Para mim esta míope medida condenou o hegemon a sustentar ele mesmo, seu povo, o próprio peso em equivalente “ouro”, cada vez mais escasso e mais caro.

Naquele ano de 1971 o preço da onça era de... 40,00 $USD;

......................em 1980 era de……...........…...850,00 $USD;

……………em 1990, foi de………………..250,00 $USD; 1

……………em 2010 ………………..…... 1920,00 $USD

……………em 2020 ………………....…. 2075,00 $USD e

……………em 2023/2024  variou de…. 1800,00 a 2200,00 $USD.

A questão que fica evidente: Neste período, mesmo sem contar os custos das inúmeras guerras, quem pagou por este disparate de Nixon foi o povo americano, sem dúvida; nem é preciso ser economista para entender que ao “desligar” o regulador da “mais-valia” o diferencial de custo teve de ser compensado por outro componente da riqueza...Nem precisa mesmo ser economista, nem marxista, basta ser realista para entender o fenômeno e poder responder “quem pagaria a conta”. E quem lucraria também não é preciso possuir conhecimentos esotéricos para responder: os especuladores de todo tipo de “papéis”, para não usar o pesado termo “agiota”. 

Muitos se beneficiaram desta distorção a partir dos anos 70 e com comportamento “esperto” apoiaram esta cambalhota financeira. Houve até quem teorizasse e deitasse falação. Por volta do anos 90 apareceu também um cidadão americano, à época não sabia se mal ou bem intencionado, que andou engabelando os que foram comprar o seu livro “O fim da História”, como eu, que se escorava em Platão, Nietzsche, citando Kant e Hegel etc...para justificar ou explicar o inexplicável: Francis Fukuyama. Ano passado, após dar uma olhada nas anotações de pé de pagina doei o best-seller para um sebo daqui da cidade. Hoje, octogenário, não tenho dúvidas sobre o livro e o tal cidadão escritor Fukuyama, um esperto.

Quanto ao Professor John Mearsheimer, um lúcido. Uma de suas sentenças o explica e justifica:                           A história raramente poupa as nações que confundem poder com destino



1Era do "Brown's Bottom" quando a Inglaterra vendeu tudo...(ainda vamos comentar este episódio).

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Responsabilidade

 Antes de comentar as notícias predominantemente geopolíticas que fico garimpando diariamente na mídia eletrônica, gostaria de dar ênfase a que retransmito desde o Jornal da USP1, sobre o tema que pesquiso diariamente, ou seja, o tratamento dos resíduos sólidos urbanos (lixo); tema que enfatizo desde o blog de 01/04/25 “Lixo e Luxo”.

O artigo, que convido a ler, fala do bisfenol A (BPA) derivado do descarte do plástico de forma inadequada e do trabalho de pesquisadores da USP, campus de Ribeirão Preto, que estabelece: - O tratamento eletroquímico gera radicais altamente reativos que iniciam a degradação química dos poluentes, enquanto o tratamento enzimático acelera ainda mais esse processo”. Realmente mostra a oportunidade deste trabalho de pesquisa que se junta aos outros com ênfase biológica. Reitero a leitura deste - acesso na nota abaixo.

Além do já bastante noticiado e oportuno “cessar-fogo” na Palestina, o qual torcemos para que seja definitivo, chama minha atenção a busca por parte dos EUA, agora desenfreada, pelas reservas de terras-raras mundo afora. Sabendo que as maiores reservas estão, a maior em território chinês, e a segunda maior em território brasileiro, já antevejo as consequências da cobiça americana, assim como fora em 1953 no caso do petróleo e, em episódio mais recente, quando da descoberta do “Pré-Sal”. No primeiro caso, que acabou tragicamente com a morte de Getúlio Vargas, a criação da Petrobras viabilizou a proteção desta riqueza do subsolo. Já no segundo, que acabou em golpe de estado parlamentar, derrubando a presidente Dilma Rousseff, acabou viabilizando a ascensão de um fenômeno social desastrado que deu base a um governo de extrema-direita presidido por um sociopata. Este, onde o quadro dirigente com mentes absolutamente distorcidas por ideias pseudo-acadêmicas e pueris, acabou em destruição e corrupção desenfreada. Ficou mais do que evidente (só agora para muitos) que tal movimento de demolição do Estado e rapinagem deslavada fora patrocinada pelo império do norte com a ajuda de seus acólitos e ladrões enrustidos de plantão, apoiados também por aqueles possuidores de pouca ou muita ingenuidade, ou até esperteza, que acabaram vendo tardiamente o estrago. O que sobrou de estrutura de Estado alimentada pelo nacionalismo, acabou por meter o pé no freio, antes do precipício que se aproximava.

Cabe agora uma pergunta: - Como será no caso das terras-raras? Teremos resiliência e soberania para gerir a exploração desta riqueza de modo responsável? Com ajuda externa ou não, teremos que controlar antes do esgotamento, antes que venhamos a repetir o caso do estanho da Bolívia, ou mesmo do cobre no Chile. Esperamos também que, no caso do minério de ferro, o início da produção em Simandou na Guiné não venha derrubar os preços deste minério, já que irá disputar em qualidade com o de Carajás.

No caso das terras-raras a cobiça será maior pois é esta que dá base a tecnologia eletrônica de ponta; tecnologia hodierna que sustenta poder militar e capacidade de comunicação em escala planetária.

Penso que ainda teremos muito que resistir para gerir com responsabilidade esta riqueza, pois o nosso histórico recente foi repleto da interferência de apedeutas e traiçoeiros. Entretanto, nossas competências, tanto na área química, na física teórica, na matemática e em áreas outras tecnológicas podem abrir uma janela de oportunidade antes somente oportunizadas pela Petrobras. Cabe agora ter mais responsabilidade e nacionalismo...aliás, como os chineses.




1https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/novo-metodo-elimina-ate-92-de-residuos-plasticos-presentes-na-agua-em-duas-horas/

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Não há nada de novo sob o Sol

 Não sou economista, não invisto em “papéis”, mas acompanho a variação do dólar e leio notícias dos “espertos” em finanças e economia. No entanto, tenho boa memória...ainda. Sinto um cheiro de queimado igual ao que senti em 2008, quando conversava com um empresário do ramo atacadista para qual prestava consultoria. Algo dizia que há variações que desestabilizam sistemas complexos, iguais a que Norbert Wiener nos ensinava na “teoria dos jogos” e no “equilíbrio de sistemas”. Nyquist já nos alertava dos ruídos desestabilizadores. Senti-me tal como animal que pressente o temor de terra...Mas a base desta sensibilidade está na percepção e detecção do ciclo de esgotamento de capacidade de acumulação, a qual os chineses se adequaram ao longo dos últimos cinquenta anos; tanto que o baque de 2008 pouco lhes afetou. Ou melhor, haviam já estabelecido mecanismos de acomodação/equilíbrio.

Aí me ocorre a pergunta: Mesmo que esteja errado nesta “sensibilização” existem mecanismos universais de acomodação anticíclicos? Se existem, por que não operaram em 2008? Esta pergunta realmente deve tirar o sono dos responsáveis pela fazenda dos países...pobres e ricos. Agora se agregue o efeito, pelo menos no Brasil, político que tem interferido na economia, dado que a destruição dos mecanismos de acomodação/equilíbrio foram literalmente destruídos pela administração passada. Se é que se pode chamá-la de administração, senão um processo deliberado de geração do caos; do caos como ferramenta política. Tal como se opera nas “revoluções coloridas”; como se operou no “Mensalão”, na “Lava-Jato”, no “Golpe contra Dilma Roussef” e como se opera hoje na distante Georgia, na Moldávia, no Equador e quem sabe sendo gestados mundo afora.

Realmente preocupo-me com o momento presente onde a Europa, ao perder sua capacidade de extrair riqueza real de colônias, começa a se fagocitar; os Estados Unidos tentando sair do processo de queda econômica apela para um discurso de afirmação do poder militar, entre ridículo e desesperado, onde generais gordos são ameaçados, ou de dieta ou sei lá de que, já que o “tarifaço” não deu certo e se voltou contra a própria economia americana.

Se eu estiver errado vendo fantasmas, carpe diem; mas se a sensação for verdadeira, curta o momento do mesmo jeito; conquanto sejamos tão produtivos como já o fomos no passado não tão distante, quando não havia neoliberalismo, não havia “Consenso de Washington” e todas as outras “poções venenosas” que adoeceram mentalmente, ou emburreceram, uma geração inteira.

Que a minha experiência, ou melhor, a nossa, nos sirva de lição. “Nihil sub sole novi” diziam os romanos e o meu professor de latim, Irmão Arthur Ildefonso: Não há nada de novo sob o Sol.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Ora...Os ucranianos?

 Em meio a toda sorte de notícias das ações beligerantes mundo afora, atento principalmente para aquelas que se originam, e se originaram, da permanência do espírito intolerante e belicoso que não abandonou os europeus desde a Segunda Guerra Mundial e o fim da “Guerra Fria”. (Não excluindo ninguém1, vide a quantidade de Estados participantes da OTAN; alguns que até se transformaram em um “hub” de tráfico de pessoas e entorpecentes. )

Recentemente chamou-me atenção na mídia europeia, como uma epidemia, a aparição de UAV´s, drones por toda parte: primeiro os aeroportos, depois bases militares, campos e cidades. A origem destes ninguém sabe.

Com isso aparecem teorias, as mais variadas, que me fazem pensar se a situação europeia, já desgastada economicamente, não é senão herança fantasmagórica de seu espírito bélico.

Há teorias que, plausíveis que sejam, ainda precisariam passar pelo teste da oportunidade diria Clauzevitz. Aqui elenco algumas que extraí do noticiário europeu que sempre cita “drones russos”:

- Atividades de grupos clandestinos pró-Rússia: É plausível, mas muito duvidosa. Pessoas simpatizantes dos russos não desperdiçariam seus recursos inutilmente saindo da clandestinidade. Estes, os "agentes e espiões", aguardariam um comando mais eficaz.

- Provocações de ucranianos (ou não) banderistas: É bastante provável, embora a trajetória de um UAV típico geralmente possa ser rastreada. Um bando de ucranianos e apologistas sem noção vive na Europa. Lançar drones desde a Europa é bem mais seguro do que na linha de frente.

- Ação de vândalos: É claro que os desocupados locais podem se divertir lançando drones. Por que não irritar os policiais e autoridades ? Divertido, não?

- Testes de resiliência: Sim é plausível, os serviços especiais e as forças armadas nacionais devem verificar sua prontidão para repelir ataques de drones. Essa teoria é altamente viável.

- Infiltração direta de drones da Rússia: Teoria que não se sustenta devido ao desperdício de energia militar.

Na realidade, as causas do pânico em torno dos "drones russos" podem ser quaisquer das razões apresentadas ou combinação destas. Mas, no fundo mesmo, está aí visível a consequência dos ódios que europeus ainda nutrem entre eles mesmos.

Ainda, se não bastasse todo o sofrimento da guerra; se não bastasse a miopia e a falsidade das assinaturas de Minsk I e Minsk II; se não bastasse a torpe ação de Nuland na Praça Maidan; se não bastasse a irresponsabilidade de Boris Johnson em 2022; se não bastasse a irresponsável “cobertura” dos crimes de Hunter Biden, pelo próprio pai, ainda resta a lucrativa influência do complexo industrial militar americano, já advertida por Eisenhower há mais de sessenta anos.

E os ucranianos? Ah, os ucranianos, ora essa...

1Países da OTAN: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, República Tcheca, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia do Norte, Montenegro, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, Romênia, Suécia e Turquia.