sábado, 19 de julho de 2025

O que Trump realmente quer

 Hoje não poderia deixar de “agradecer” ao Presidente Trump pelo favor que está prestando ao Brasil no que tange ao entendimento, por boa parte do cidadão comum, de como são elaboradas campanhas denominadas “guerras híbridas”. Com a sua intervenção aberta ficou mais fácil para este cidadão comum, desprovido de informação e reflexão mais aprofundada da realidade sócio-política, entender os interesses ocultos muitas vezes acobertados pelo embate de ideias de esquerda e direita; que na verdade se constitui uma mera simplificação. A intervenção direta neste momento do presidente norte-americano se diferencia daquela que se chamou “Operação Lava-Jato” bem engendrada e elaborada a partir dos think-tanks contratados pelo Departamento de Estado do governo americano. (neste mister sugiro assistir a entrevista esclarecedora que um pesquisador norte-americano da UFSC deu a Bob Fernades sobre as think-tanks americanas em:    https://youtu.be/0M_QiiNINYE?si=ILhWuxJqeecTO4d1)

Como mencionei no blog passado, e já de conhecimento comum ao cidadão mais simples desprovido de atenção a este tema, a dominação colonial se faz por um comensalismo entre a nação dominadora e os traidores e sátrapas da nação dominada. No Brasil os exemplos, passado o tempo mais do que suficiente para conscientização, são percebidas as operações, que hoje denominamos “guerra híbrida”:

  1. tentativa de derrubada de Getúlio Vargas em 1954;

  2. tentativa de derrubada do governo Juscelino Kubistchek em 1955;

  3. golpe de 1964 para derrubada do governo de João Goulart;

  4. campanhas difamatórias a torto e a direita com o uso aberto dos meios de comunicação contratados para interferência política culminando com as passeatas de protesto de 2013, inicialmente reclamando centavos no aumento das passagens de ônibus em São Paulo;

  5. Operação Lava-Jato muito bem arquitetada para dar início ao golpe de estado que derrubou o governo Dilma Roussef e o estendeu à demolição das grandes empresas de engenharia brasileira, inclusive como base de ação na Petrobrás;

  6. prisão do Presidente Lula- e hoje quero fazer uma breve pausa para lembrar que Lula não aceitou usar uma tornozeleira eletrônica.

O que ficou evidente para o cidadão mais atento, ainda que desprovido de cultura política, é que o Presidente Trump toma tais iniciativas de taxação, sanção etc..não é para proteger o chefe da orcrim Bolsonaro, talvez nem saiba quem seja; o alvo que quer atingir está mais do que claro, chama-se BRICS, organização cujo o Brasil, sendo um dos fundadores, passa a ter relevante influência. Está aí sim o objeto da ação do presidente americano preparando um ambiente intimidador que funcione como um apito-de-cachorro para a ação das hienas de plantão, estas, bem alimentadas pela imprensa que Pulitzer ( blog “A atualíssima frase de Pulitezer” -blog de 6/06/25) já em 1917 identificara.

De qualquer forma os campos de luta estão bem delimitados agora: quem é apoiador de Trump e que é apoiador do Brasil, sem rodeios de esquerda-direita, de “injustiçado” Bolsonaro e todos estes “aberratio ictus”1 . Trump na sua forma histriônica ajudou a montar o ringue, só não sabe bem quem são os reais contendores. Aliás, é uma característica que Trump tem demonstrado; pois neste momento de desmanche do império, tal como os passados, quer é briga com todo o Mundo.


1 Aberratio ictus - erro na execução de um crime, por desvio de direção, de cálculo, de pontaria, que leva o agente a atingir involuntariamente a terceiro. Oxford Languages

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Sobrevivência

 Atento (desde o blog “Lixo e Luxo” de 1/04/25 ) aos avanços tecnológicos relacionados a recuperação de resíduos urbanos em geral, o que se insere atualmente na pauta política e, mais propriamente geo-política, sigo buscando na internet (na nuvem como se diz) todas as menções e mesmo utilizando a ferramenta de busca Deep-Seek para me atualizar no tema, comme il faut.

Como a última ocorrência deriva das notícias sobre os avanços do MST (Movimento dos Sem Terra), que aliás está na vanguarda científica da agricultura orgânica, juntamente com a Fundação Baobá e instituições empresariais e universitárias chinesas, fui buscar no Deep-Seek mais informações sobre o tema. Extraí desta busca os dois seguintes parágrafos, sobre “Compostagem Acelerada”:

A) Biofertilizantes e Compostagem Acelerada (Tecnologias Chinesas):  Tecnologia de fermentação microbiana: Pesquisadores chineses desenvolvem enzimas e bactérias que aceleram a decomposição de resíduos orgânicos, substituindo parcialmente as minhocas.

   Exemplo: Empresas como Tongwei e Shandong Tianjie produzem aditivos biológicos para transformar lixo em fertilizante em 72h (processo mais rápido que a vermicompostagem).

B) Insetos como Alternativa (Ex.: Larvas de Mosca Soldado-Negra):  

Na China, Hermetia illucens (mosca soldado-negro) é usada para decompor resíduos orgânicos, gerando proteína animal (ração) e adubo.  Vantagem: Mais eficiente que minhocas em alguns casos, pois processa restos de carne e lixo úmido.

Evidentemente não dá para não fazer ilações políticas sobre a ação do MST, mas este espaço é curto para os desdobramentos que daí derivariam. Entretanto minimamente podemos afirmar que é este o caminho da Soberania: a busca de independência em todas as dimensões.

No blog anterior afirmávamos a busca da Soberania como forma de sobrevivência; no presente blog afirmamos que tal sobrevivência que mencionamos não se estende somente à sociedade e a politica mas também à sobrevivência física, orgânica.

Às favas as sobretaxas, sanções e o escambau. Soberania é Sobrevivência em todos os sentidos.

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Conseguiremos também

Ontem externei a opinião que não dava para confiar mais nos países poderosos do norte, mesmo “sendo um pobre rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior...etc.. ”, como dizia maravilhosamente o gênio musical Belchior. A saída, diria eu, brasileira e nossa, latino-americana, é lutar pela sobrevivência e pela Soberania. Pois o império do norte e seus antepassados estão ruindo, não apenas economicamente, mas moralmente. Há mais de um século, como relatei nos dois últimos blogs, os árabes foram traídos vilmente e hoje, para justificar domínio de reservas petrolíferas, terras raras inter alia, as ditas democracias são capazes dos mais vis e degradantes atos; o genocídio na Palestina é o mais atual e mais obsceno retrato da moral que guia estes países.

Não podemos é esquecer entretanto que o domínio que tais nações impuseram as demais foi conseguido com o auxílio e participação de traidores e sátrapas destas nações. Tivemos recentemente no Brasil exemplos gritantes como Collor, Temer, Moro et caterva. A lista de traidores não se esgota nestes pois, se considerarmos os jornalistas pagos pela mídia de aluguel e ainda parlamentares de triste espetáculo, militares de alta patente, a lista é longa mesmo.

O que nos incomoda, daí sermos chamados de subdesenvolvidos no sentido pejorativo, é a acomodação passiva e indulgente para quem os explora nesse imenso cenário geopolítico. Temos até quem diga que com domingo ensolarado e, parafraseando Barbosa Lima Sobrinho, uma bela feijoada regada a caipirinha não há subversivo que resista. Em outras palavras, ainda não estaria na nossa zeitgeist a rebelião, ainda que passiva, em direção à conquista definitiva de nossa soberania. 

Será mesmo ? Ainda me pergunto, pois as consequências sociais desta dominação são cada vez mais funestas: violência urbana, distribuição de renda imoral, degradação de instituições…;a lista é preocupante. Mas, ao fim e ao cabo, sabemos que não há saída senão levantar a cabeça, tomar riscos e desafiar o destino imposto pelos covardes. Para isso temos a missão de clarear a consciência coletiva, mudar as ideias dos conformados e “criar” a ideia de soberania. Afinal, como dizia Apparicio Torelly, o “Barãu de Itararé”: Não é triste mudar de ideias. Triste é não ter ideias para mudar" . Portanto, vamos em frente e como cantam os franceses: Allons, enfants de la Patrie Le jour de gloire est arrivé.  Se lá conseguiram, conseguiremos também. 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Não dá para confiar...

 Ontem 14 de julho foi lembrada a data nacional francesa. Imediata à esta lembrança surge do ideal Liberté, Égalité, Fraternité” que é o lema nacional da França, mas deve se lembrar também outra importante data do início do século XX, quando as potências coloniais europeias, que antes se digladiavam, ou seja França e Reino Unido, em busca de território e hegemonia, agora dividiam ao seu gosto uma boa parte do mundo no Oriente Médio, na minha época de ginásio chamada Ásia Menor, o que sobrara do finado império otomano. O ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade” não era para todos evidentemente, mas apenas para os europeus. Após terem prometido aos árabes os despojos de findo império otomano, em 1917 quebraram a promessa os oferecendo aos judeus, como já mencionei no penúltimo blog1, pelas mãos de Lord Balfour então beneficiadas pelo banqueiro Lionel Rothschild.

Já em 1916 o Tratado Sykes-Picot (Mark Sykes (Reino Unido),François Georges-Picot (França)) acordava secretamente com o apoio da Rússia dividir o Oriente Médio. Ou seja, o de importante que sobrara do Império Otomano. Á França caberia o controle da Síria, Líbano, norte do Iraque e parte da Turquia. Ao Reino Unido caberia o sul do Iraque, a Jordânia e a Palestina. E à então Rússia dos Czares caberia Istambul e o Estreito Turco. Criar-se-ia uma zona internacional na Palestina (Jerusalém e áreas adjacentes).

Ocorre que o dito tratado, como disse, era secreto; mas o bolcheviques em 1917 que assumiram a Rússia na famosa revolução “deram com a língua nos dentes”. E, desnecessário dizer, deixaram os árabes sabe-se como, para não utilizar uma expressão “não diplomática” e pouco educada.

Vejamos então o cenário após um século, quando toda a região se revelava como a maior fonte de petróleo ( nem as da Venezuela, nem as da Rússia e nem as do Mar do Norte ainda eram conhecidas ):

. O Reino Unido pereniza alianças com os descendentes da família de seu antigo aliado Muhammad bin Saud, o fundador do Emirado de Diriyah, que foi o Primeiro Estado Saudita. Lembremo-nos ainda que o Coronel Lawrence lutou ao lado deles na Primeira Guerra Mundial. Atualmente o príncipe herdeiro goza de absoluta liberdade para liquidar opositores.

. Os Estados Unidos junto com ingleses, já em meio a Segunda Guerra Mundial, patrocinam no Irã, então Pérsia, um golpe de estado derrubando Mossadegh, eleito legitimamente, e entregam o poder e as reservas de petróleo já descobertas a empresas petrolíferas ocidentais; obra bem esquematizada e apoiada pelo então filho do Presidente Roosevelt, Elliot Roosevelt.

. Israel se consolida militarmente na região com o apoio dos Estados Unidos

. Descoberta de imensas reservas de gás no campo “Leviatã” em frente a Faixa de Gaza.

Paralelamente o resto do mundo segue sobrevivendo, mesmo após tropeços e crises geradas pela caça aos despojos da Segunda Guerra Mundial. A França da Liberdade, Igualdade e Fraternidade já tendo perdido a Indochina (Vitenã, Laos e Camboja), massacrado milhares de argelinos (Sétif, Guelma e Kherrata); o Reino Unido perdido a Índia e dividindo-a em Paquistão Ocidental e Paquistão Oriental (atual Bangladesh); os Estados Unidos reafirmando sua influência na América Latina e fechando os olhos à execuções e torturas; o Japão enterrando prisioneiros chineses vivos; a Rússia, já despojada após as maldades com os húngaros em 1953, a Primavera de Praga em 1968, todos os poderosos com um passado sombrio. Confiar nestes “exemplos” de democracia é impossível. Só nos resta então lutar pela nossa soberania; nós brasileiros, povo considerado, pelo menos pela classe de cima, como subdesenvolvido. Só consigo ver este caminho, pois europeus há mais tempo, americanos mais recentemente já mostraram do que são capazes. Acho que os chineses pensaram da mesma maneira, e ainda pensam. Não dá para confiar...





1“Meu tio sabia das coisas” de 1 de julho de 2025

sábado, 5 de julho de 2025

Nacionalismo e Estado

 Assisti, no evento comemorativo dos dez anos da Sputnik, paralelo ao encontro dos BRICS+ no Rio de Janeiro, ao encontro de quatro figuras expoentes na geopolítica, com diferentes gradações em diferentes formas de relacionamento com esta matéria: Pepe Escobar, Paulo Nogueira Batista Jr., Glenn Greenwald e o Professor Elias Jabbour. Todos dividindo opiniões mas colimados no foco BRICS, suas implicações geopolíticas, suas contradições, fraquezas e potencialidades. Antes das falas destes houve a fala, desde Moscou, do Professor Alexander Dugin que pontuou a questão dos BRICS+ como um contraponto a unipolaridade, que hoje se apoia no poder hegemônico, mas...decadente, dos EUA.

O que se depreendeu das diversas falas foi a constatação que a recente ação de bombardeio do Irã, membro dos BRICS foi expor a sua fraqueza militar, dado a incapacidade de seus membros mais poderosos, China e Rússia, juntamente com os demais, poder acudi-lo senão diplomaticamente. Por parte dos EUA foi uma demonstração de força orientada aos BRICS considerados “inimigos mais fortes”, ou seja, realmente a China e a Rússia.

O que posso sintetizar é que foi consenso os BRICS+, que somam a maior parte da população mundial juntamente ao maior PIB -PPC, serem percebidos por todos como a saída visível, e única no momento, para o problema mundial criado pela decadência econômica, social, moral do mundo dito “ocidental”, que vê nas guerras a única forma de se relacionar com os demais países. Herança direta do poder colonial.

O que chamou minha atenção foi a posição do Professor Elias Jabbour que, sendo um ativista e profundo intelectual de esquerda que afirma que a resultante possível do socialismo se dá a partir do nacionalismo. Por que esta postulação chamou a minha atenção? Foi poder compará-la a do outro importante pensador da esquerda e experiente economista com experiência de diretor do FMI e vivência em Shangay como vice-presidente do NDB, Paulo Nogueira Batista Jr. Seu livro, o best-seller “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” – LeYa -Brasil 2021, expressa deias sobre nacionalismo. Quanto a ideia de “nacionalismo” preciso cotejá-la comparando-a com a ideia expressa pelo Professor Jabbour. Este é categórico na relação causal e de dependência e a expressa didaticamente na sua obra premiada “China-O socialismo do século XXI”.

Ocorre que as comparando acabo por ver os dois olhando para direções opostas e vendo a mesma coisa. Como decifrar este enigma então?

Na sua obra o Professor Paulo Nogueira Batista Jr. na página 368, no capítulo “NACIONALISMO E DESENVOLVIMENTO”, cita: “Fica evidente portanto, que nacionalismo é um fenômeno histórico e não um valor universal e atemporal. Não faz sentido inventar uma axiologia em que a Nação, com “n” maiúsculo, seja considerada o valor supremo. Exageros desse tipo podem ser o primeiro passo para a perversão do nacionalismo e sua transformação em xenofobia e motivo para agressões e guerra externas.” Refere-se ao “nacionalismo” que observou no episódio concreto e que viceja no ideário americano. Refere-se mesmo ao “nacionalismo” americano. Daí a menção aos exageros. Seria este o “nacionalismo” que o Professor Elias Jabbour se refere? Quem sou eu para decifrar este enigma, pois não tenho suficiente leitura tampouco formação para esta tarefa, mas não posso deixar de refletir e buscar a gema preciosa escondida dentro desta aparente contradição.

O que construí como elemento de comparação lendo o texto, não este curto aqui mencionado mas todo o conteúdo do “Brasil não cabe no quintal de ninguém” e tampouco a fala isolada do Professor Jabbour, foi ter o “nacionalismo” como, além da sua conotação sim, de compromisso com a existência e a vida de seus próximos nacionais, valores, pessoas e tudo que constitua “a nação”, como entidade, como Estado, também se opor a ideia pueril de “estado mínimo”; ideia estapafúrdia que inculcaram na cabeça frouxa de muitos, independentemente de sua tendência ideológica. A ideia de “estado mínimo” não vinga na cabeça daqueles que, independentemente de nacionalidade, se comprometem existencialmente com os seus próximos, sejam pessoas, sejam valores humanos;  seja os apoiadores de direita da Hungria, ou os defensores da esquerda da China ou do Vietnã. O socialismo não vicejará em um “estado mínimo”, ou seja, não conseguirá ou buscará justiça social e tampouco a própria direita que estiver comprometida com este mesmo propósito.

Estejam partindo da esquerda, ou da direita, ideias pueris sobre “estado mínimo” e “livre concorrência”, descompromissadas com a nacionalidade, estas serão, em curto espaço de tempo, destruídas juntamente com as nações que as defenderem e praticarem.

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Insiro aqui, retirado do “histagram” do Professor Elias Jabbour uma mensagem sua que ilustra melhor este pensamento:

bugando a cabeça da turma do “Estado mínimo” e da “livre-concorrência””
A questão nacional é tão complexa quanto contraditória. Ainda mais em um mundo onde as coisas se decidem, também, no âmbito da formação e fortalecimento do capital nacional.
Enfim, hoje a JBS - empresa com muito investimento público do BNDES - acaba de lançar ações na bolsa de valores de Nova Iorque, está disputando o mercado de proteínas no mundo
Os países fazem suas escolhas. Discursos morais sobre o papel do Estado na economia e ter o fornecimento de proteínas nas mãos de empresas estrangeiras ou simplesmente constroi suas próprias empresas.
Pensem antes de julgar moralmente.
Alguém acha que o vale do Silicio caiu do ceu?

terça-feira, 1 de julho de 2025

Meu tio sabia das coisas

 Pensei muito nesta semana sobre este sofrimento do povo palestino. Pensei em relatar então uma experiência pessoal:-

Tinha em torno dos meus vinte anos e ouvia de meu tio Mello, irmão de minha mãe, nas noites ao som do mar batendo na Praia Grande em Santos, então ainda deserta, as suas aventuras quando ele aos dezoito anos serviu como soldado (apanhado à força no Líbano, já que era apátrida) no exército inglês na Palestina, sob as ordens do Coronel Thomas Lawrence (depois imortalizado em filme pelo ator Peter O`Toole). Contava as peripécias e os sofrimentos, mas não deixava de mencionar contradições dentro das fileiras britânicas, já que estes apesar da guerra, era 1917, nutriam uma amizade pelos habitantes daquela região, a Palestina. Eu mesmo não tinha idade para perceber as contradições e seu profundo significado e ele mesmo talvez não tivesse o preparo naquela época, com dezoito anos, para entender a complexidade do drama humano que transcorria a sua volta.

Hoje ainda me recordo daquelas charlas mas, já amadurecido, vejo nos episódios por ele relatados, não contradições, mas a raiz do sofrimento daquele povo que convivia pacificamente apesar das profundas diferenças de suas proporções: 568.000 muçulmanos, 74.000 cristão e 58 mil judeus.

Lembremo-nos que o Coronel Lawrence já havia lutado, ao lado dos árabes palestinos, na insurgência destes arábes contra o Império Otomano. Alí se formara uma aliança tácita entre Lawrence e seus comandados britânicos com os árabes; aliança esta que fui perceber quando trabalhei na britânica Cable & Wireless, herança da centenária The Western Telegraph Company.

Está registrado: o Coronel Lawrence havia avisado ao chefe do MI6, Sir Gilbert Clayton: - “the jewish influence in european finance might not be sufficient to deter the arabs from refusing to quit – or worse!”1. Ora, quando Lawrence se referia a “jewish influence” estava se referindo ao banqueiro Lord Lionel Rothschild que “convenceu” o chefe do Foreign Office, o Ministério das Relações Exteriores da época, Lord Balfour a declarar em 2 de novembro de 1917 que a Grã-Bretanha iria favorecer “the establihment in Palestine of a national home for the jewish people (Eretz Yisrael)”. Isso tudo custou o êxodo de 700.000 árabes de Haifa, Jaffa, Acre, Nazareth, Safad e tantos outros povoados. Meu tio ainda me disse: - “Isso não vai acabar tão cedo, nem seis dias , nem seis anos, nem sessenta”. Era 1965, começava a se preparar a “Guerra dos Seis Dias”.

Nem meu tio, nem Thomas Lawrence, partícipes que foram da causa primeira do sofrimento do povo palestino, faziam ideia do quão aviltante fora ao Império Britânico o comportamento do banqueiro Rothschid, do Lord Balfour e de tutti quanti, dos que apoiaram, e ainda apoiam, este vil sofrimento.

Ocorre agora uma causa que ainda “justifica” este comportamento aviltante: a existência de reservas de gás, em frente a Faixa de Gaza, na quantidade de 1,4 trilhão de metros cúbicos com valor aproximado de US$ 4 bilhões, segundo a BG (British Gas); empresa contratada pela autoridade palestina para a prospecção e futura exploração. Agora é só refletir...

Já em 2007 Israel havia atacado a Faixa de Gaza devastando e matando milhares e milhares de civis(2)...e até hoje continua o sofrimento...Aí estão as causas dessa mortandade, sintetizadas em uma só palavra que já existia nos tempos de Sir Lionel Rothschild et caterva: “kehsef”….Sim, meu tio sabia das coisas.



1Lawrence ''', 1995,pp275-391. Luiz Alberto Muniz Bandeira

2-https://www.jpost.com/middle-east/experts-clash-over-palestinian-demographic-statistics-386443: 

The report released this week by the Palestinian Central Bureau of Statistics summarized data from 2014, determining that the projected number of Palestinians in the world is approximately 12.1 million, of whom 4.62 million live in the West Bank and Gaza, 1.46 million live in Israel, 5.34 million are in Arab countries, and some 675,000 reside in foreign countries

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Irã, Israel e nós mesmo

     Após esperar o aparecimento de algum ponto de inflexão no contencioso (apesar da chuva de bombas, não dá para chamar de guerra se não tem participação da “rainha das armas”) Irã x Israel. Ao que parece este ponto foi flexionado pelas circunstâncias internas dos Estados Unidos. Deve se considerar também o telefonema de Trump para Putin. Ao final todos saíram ganhando a “guerra”, e realmente “todos” significa “todos”, todas as nações, pois o preço do petróleo inevitavelmente iria explodir caso o Irã viesse fechar o estreito de Ormuz. Mas o que pude observar foi o pretexto da construção da bomba nuclear iraniana para o ataque de Israel. O que se pode constatar é que o Irã possui um recurso muito mais explosivo que o nuclear, são as suas reservas de petróleo com os maiores campos petrolíferos do mundo; maiores até que os campos sauditas:

Campo de petróleo de Ahvaz, um dos maiores campos de petróleo do mundo, localizado na província de Khuzistão, Campo de Gachsaran, Campo de Marun – Situado perto de Ahvaz, Azadegan (Norte e Sul) – Um dos maiores campos petrolíferos do mundo, compartilhado parcialmente com o Iraque (chamado de Majnoon no lado iraquiano) e Campo de Yadavaran – Localizado na fronteira com o Iraque, com reservas estimadas em muitos bilhões.

As reservas ainda não cubadas e já identificadas tornam o Irã aí sim o objeto da cobiça a ser disputado com um novo pretendente, a China. Daí todo o empenho na tentativa de domínio daquela riqueza. As jazidas petrolíferas já identificadas, mas não cubadas, são tão grandes quanto as atuais já exploradas, como antes mostramos, a saber:

Indícios de possíveis depósitos de petróleo a leste do Irã, em regiões menos exploradas, que podem conter reservas ainda não mapeadas ou não comercialmente viáveis. Vamos analisar as áreas com potencial. Vejamos o resultado de pesquisa na internet (DeepSeek):

1. Bacia de Kopeh Dagh (Nordeste do Irã, perto do Turcomenistão)

Localizada na fronteira com o Turcomenistão, essa bacia sedimentar tem potencial para petróleo e gás, mas a exploração tem sido limitada devido a:
Complexidade geológica.
Infraestrutura insuficiente.
Foco histórico do Irã no sudoeste (Khuzistão).
O Turcomenistão já explora petróleo e gás em sua parte da bacia, sugerindo que o lado Irãiano pode ter reservas similares.

2. Bacia de Lut (Leste do Irã, região desértica)

Uma das áreas mais inexploradas do Irã, com possíveis reservas não convencionais (xisto betuminoso, tight oil).O Paquistão já explora petróleo em sua parte da bacia (ex.: campo de Sui), o que sugere possível extensão para o lado Irãiano.

Foco histórico no sudoeste: A maioria dos investimentos está nos campos já conhecidos (Khuzistão). Dificuldades geopolíticas: Sanções e falta de parceiros tecnológicos para exploração.1

Condições geográficas: Áreas desérticas e montanhosas aumentam custos.

Conclusão:Há possíveis depósitos não cubados no leste do Irã, especialmente nas bacias de Kopeh Dagh, Lut e Sistão-Baluchistão. No entanto, a exploração comercial ainda depende de:
. Investimentos em tecnologia de prospecção.
. Melhoria das condições de segurança (especialmente no Baluchistão).
. Flexibilização de sanções para atrair empresas estrangeiras.
(2)
. Investimentos em tecnologia de prospecção. 

. Melhoria das condições de segurança (especialmente no Baluchistão).

. Flexibilização de sanções para atrair empresas estrangeiras.(2)
. Investimentos em tecnologia de prospecção.
. Melhoria das condições de segurança (especialmente no Baluchistão).
. Flexibilização de sanções para atrair empresas estrangeiras.(2)
    (1) Estaria a China “interessada” nestes depósitos e disposta a realizar investimentos
    (2) Até onde as “sanções” irão impedir investimentos estrangeiros? 
A desertificação e a falta de infraestrutura dificultam a prospecção. Dados sísmicos limitados, mas estudos geológicos sugerem potencial.
3. Fronteira com o Afeganistão e Paquistão (Sistão e Baluchistão)
Há indícios de bacias sedimentares que podem conter petróleo, mas:
Conflitos regionais e instabilidade no Baluchistão desencorajam investimentos.
4. Mar Cáspio (Norte do Irã)
Embora mais ao norte, o Cáspio tem reservas subexploradas no lado Irãiano.
O Azerbaijão e o Cazaquistão já produzem petróleo na região, mas o Irã tem focado mais no Golfo Pérsico.
    
    Para adicionar um complicador neste cenário geopolítico podemos avaliar a crescente perda do poder hegemônico americano, que acaba induzindo as diversas componentes de poder estadonidense, incluindo aí as diversas “nações internas” de segurança, que praticamente se constituem em um poder paralelo (1-rodapé) a interferirem nas decisões políticas e no comportamento vacilante de Trump . Os EUA continuam insistindo “comme il faut” na intervenção híbrida nos estados nacionais vizinhos da Rússia: Georgia, Armênia, Moldávia. Estados estes que não foram alcançados pelas revoluções coloridas e nem incorporados a OTAN. Neste momento que escrevo vejo a real intervenção na Armênia, com a prisão do bispo Galstanyan, sob o pretexto de usar a religião contra o governo de legitimidade dúbia.
    Tenho a sensação que, assim como o bispo ortodoxo armênio, teremos a incômoda repetição da ação americana na Lavajato, que cumpriu a missão de demolir o poderoso plantel das empresas de engenharia brasileiras que viabilizaria o Pré-Sal. 
    Pelo que vejo já temos no Legislativo uma trupe contratada para esta missão, já que além da competência em engenharia já temos agora ao norte (Amapá até R.G do Norte)  novas jazidas petrolíferas. Concluo : - enquanto houver petróleo e EUA teremos o incômodo das tentativas de intromissão, como ocorre com os outros países.
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1. Agências de Inteligência e Contraespionagem

Central Intelligence Agency (CIA) – Coleta inteligência externa e conduz operações clandestinas.
National Security Agency (NSA) – Responsável pela inteligência de sinais (SIGINT) e cibersegurança.
Defense Intelligence Agency (DIA) – Inteligência militar estrangeira.
National Geospatial-Intelligence Agency (NGA) – Inteligência geoespacial (imagens de satélite, mapas).
National Reconnaissance Office (NRO) – Desenvolve e opera satélites espiões.
Federal Bureau of Investigation (FBI) – Investiga crimes federais, contraespionagem e terrorismo interno.

2. Segurança Nacional e Antiterrorismo

Department of Homeland Security (DHS) – Coordena a segurança interna contra ameaças terroristas e desastres.Transportation Security Administration (TSA) – Segurança em aeroportos e aviação.
U.S. Secret Service (USSS) – Protege autoridades e combate crimes financeiros.
U.S. Customs and Border Protection (CBP) – Controle de fronteiras e imigração.
Immigration and Customs Enforcement (ICE) – Imigração ilegal e crimes transfronteiriços.
Federal Emergency Management Agency (FEMA) – Resposta a desastres naturais e emergências.
National Counterterrorism Center (NCTC) – Integra informações antiterrorismo entre agências.

3. Aplicação da Lei Federal
Drug Enforcement Administration (DEA) – Combate ao narcotráfico.
Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives (ATF) – Fiscaliza armas, explosivos e crimes relacionados.
U.S. Marshals Service (USMS) – Protege tribunais, captura fugitivos e gerencia testemunhas protegidas.