A leitura hoje das variadas mídias não deu para esclarecer ou
adicionar mais informação sobre os três acontecimentos do dia: 1)
as conversas obscenas no smartfone do pastor Malafia, 2) a flotilha
americana desembarcando em Curaçao, 3) as negativas de Zelensky e
Putin em aceitar a prestimosa colaboração de Trump para dar fim a
guerra.
Avaliando
previamente achei que nenhuma delas afeta e desloca significantemente
a situação política, e mesmo econômica do nosso país.
Realmente
não deu para melhorar a visão do cenário seja internacional ou
mesmo o que corre na nossa terra; resiliente como disse ontem.
Atualmente tenho fortes suspeitas que nossa resiliência repousa
muito mais nas novenas das igrejas de Minas Gerais, nas encomendas
dos terreiros de candomblé da Bahia do que nas patifarias do
Legislativo e nas elucubrações do Banco Central com sua escorchante
taxa de juros.
Em
relação a (2), ao ataque de Trump, que chamamos de “tarifaço”,
vejo que não vai muito longe pois o consumidor americano acabará
dando um basta. Quanto ao desembarque dos “marines” na Venezuela,
a resultante final vai ser bem pior do que deixar o Maduro ir caindo
de maduro, pois elevaria o preço do brent de 66 USD para, no mínimo,
uns 100 USD...Quem pagaria este preço? O consumidor americano que
esbanja gasolina por não ter um sistema de transporte público
satisfatório. Nós, que já temos trinta por cento de álcool na
nossa gasolina iríamos, como já fizemos no passado aliás,
compensar medianamente o impacto.
O
que sobra mesmo para marcar o compasso do nosso progressivo
“phase-out”,i.e da saída, ainda que lenta, do ambiente tóxico
na nossa sociedade gerado pelos seis anos de “soberba
míope-udenismo-entreguismo-bolsonarismo”, complicações da grave
queda de 2016, é a até oportuna crise gerada pelo “Tarifaço”
combinado com as “descobertas” pela PF das sórdidas relações
familiares com milícias e crime organizado. Mal sabe Trump onde foi
amarrar sua canoa quando se achou esperto por aproveitar os “favores”
do deputado auto-degredado, filho do Seu Jair, este sim chefe da
quadrilha; favores que ajudariam a atacar os BRICS+. Onde estão seus
think-tanks? Onde estão seus conselheiros?
Basta
que ajude a acabar com o morticínio na Ucrânia, que eles mesmos
americanos iniciaram em 2014, para ser minimamente útil a sociedade
U.S.A. Na nossa sociedade ajuda arrancar a bandeira do nacionalismo
de fancaria da mão dos falsos cristãos, patriotas de conveniência.
Só isso já foi um passo importante…
(3)
Quanto ao terceiro tema das leituras na mídia, confesso que fico
muito triste quando escrevo estas linhas, não apenas pelo estrago
que o poder americano faz em nossa sociedade, como em várias outras
mundo afora, mas sim com a própria que conheci nos anos setenta e
admirei, mesmo em meio a feridas que se abriram com a Guerra do
Vietnan. Ainda era uma sociedade que cultivava o trabalho dentre
outras virtudes. Suas universidades lideravam a criação, o saber, a
pesquisa; hoje se não forem os estudantes estrangeiros pouco
produzem. Aí veio o "Consenso de Washington" pronto...
As
consequências desse caminho estão aí a prova: - Agora mal
conseguem corrigir os efeitos de seu “Consenso de Washington”.
Seus pares europeus já decadentes acorrem atônitos a 1600
Pennsylvania Avenue NW, Washington D.C. para
salvar o que puderem:
-
Macron se equilibrando entre uma eleição perdida e um pretérito
poder colonial na região do Sael e em todo sul do Saara;
-Merz
catando os cacos deixados por Olaf Scholz nem consegue aprovação na
Alemanha em relação ao que externou junto a Trump, dentro do
próprio partido;
-
Keir Stamer infelizmente pouco representa pois sua função é fazer
barulho já que propôs enviar metade do contingente militar do Reino
Unido para Ucrânia;
-
Giorgia Meloni representando um importante país foi fazer número
para não perder o apoio interno da direita, depois de publicamente
sapecar um beijo na boca em Elon Musk que deixou a ala conservadora
italiana enfurecida;
-
Stubb não explicou bem o que a Finlândia sugeria, se entrega de
território ou o quê mesmo;
-
Mark Rutte da OTAN estava no papel dele mas é um porta-voz e
-
Ursula von der Leyen dispensa comentários pois suspeita-se até que
teria ajudado no atentado ao NordStream.
Ou
seja, recai sobre Trump, que faz o que pode, e Putin, qualquer
discussão séria sobre o fim do conflito. Sinceramente não levo
mais em conta estas discussões e sei que tampouco muitos no
ocidente.
Quanto
a influência de Trump no cenário brasileiro, este descobrirá mais
cedo ou mais tarde realmente onde foi amarrar a canoa, e aí terá de
consertar o erro ou continuar com todos os riscos a este inerentes.
Com
isso vamos andando, pois como diz o poeta espanhol Antonio Machado,
“Caminante no hay camino. El caminar hace el camino, se ahace em
camino al andar”. Pé na estrada então...vamos em frente