quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Resiliência

 Vejo hoje uma notícia que até não foi muito comentada mas que considero que expressa e reflete um fato relativo a complexidade de sistemas. Tal notícia, alvissareira por si só, guarda uma questão que agrega vários fatores econômicos, sociais, políticos e mesmo científicos: “A China perante  o contencioso com os EUA deixa de importar a soja deste e passa a comprar do Brasil”. Aparentemente não traz muita novidade mas considerando que a soja, que é uma cultura que se instalou com sucesso no Brasil a partir da expansão para o oeste nos anos 60 e das pesquisas científicas da Professora Johanna Döbenreimer sobre fixação de nitrogênio por bactérias no solo, fez do país o maior produtor de soja do mundo.

Tal situação, a presente capacidade agrícola do país, se assemelha a que os Estados Unidos tinha na segunda metade do século XX: a enorme suficiência agrícola que suportava o desenvolvimento industrial. Batia todos os países do mundo na capacidade de produção de grãos e de proteína animal. Se hoje somos o maior exportador de carne bovina do mundo, só perdendo para os Estados Unidos, deve-se ao desenvolvimento da agricultura, da agroindústria e da ampla abertura de mercados do início do século XXI. A capacidade de exportação implementada no governo Lula I (2003-2006) nos colocou nesta posição superavitária...Entretanto tal situação não reverteu o desastre da desendustrialização promovida pela abertura irresponsável e descontrolada dos, “talvez ingênuos”, neoliberais que eclodiram da ninhada do Consenso de Washington, Collor e FHC.

Se por um lado os anos 50 de JK atraíram imigrantes, profissionais e pesquisadores (como Johanna Döbereimer que veio a ser reconhecida mundialmente), e mesmo durante os governos militares que expandiram as fronteiras agrícolas, diferentemente das bactérias fixadoras de nitrogênio no solo, não fomos capazes de fixar nossos interesses soberanos nas terras brasileiras, mesmo após os governos militares. Não valorizamos suficientemente nossa ciência, nossa pesquisa científica; não valorizamos suficientemente nossa cultura, nossa arte. Em síntese, não valorizamos o nosso Povo. As causas dessa nossa desvalorização residem nas nossas idiossincrasias, nos nossos defeitos de colonização que se intoxicaram com a escravidão de mais de trezentos e cinquenta anos; aliás, por mais tempos que temos de república.

Se por um lado conseguimos (será?) como diz Gilberto Freyre em “Casa Grande e Senzala” valorizar a nossa miscigenação, não foi possível instituí-la, já que a nação no período imperial e mesmo o republicano já teria sido contaminada pela excessiva valorização da cultura letrada europeia. Mas, talvez desta distopia é que emerja nossa resiliência pois, se estivéssemos engessados na disciplina europeia ou até a oriental, não teríamos a capacidade de continuamente “mudando de estado” ir driblando a entropia natural em direção a fragmentação, tal como assistimos alhures (não quero exemplificar, pois vemos neste momento um triste exemplo). Quero lembrar Aldous Huxley quando nos alertava no “Admirável mundo novo” sobre a férrea disciplina social. Lembro também que perdemos várias oportunidades de, numa destas “mudanças de estado”, termos perdido nossa “Muiraquitã”, mas que a encontraremos quando “subirmos ao céu” nesta nossa caminhada em direção à plena afirmação de nossa identidade e nossa soberania.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Vamos em frente 2

 Mesmo acompanhando o momento político, não deixei de rever o relatório SINISA (Sistema Nacional de Saneamento Básico da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades) para ter uma ideia da estatística da evolução deste segmento da atividade econômica que reflete, juntamente ao consumo de energia elétrica, o comportamento da economia e a melhoria dos serviços públicos, não apenas nesta atividade, relacionados ao consumo e aqueles diretamente aplicados a esta atividade. 

Já em blogs anteriores 1 mostrava interesse e preocupação com este tema, tanto que prossegui com a busca de notícias tanto aqui como no exterior, dado a sua importância.

Hoje entretanto, fui avaliar a evolução desde o Relatório SINISA sobre o tema e comparar com o silêncio da mídia sobre ele devido a atenção quase absoluta dada ao presente político. Realmente é tal o imbróglio político que vivemos que não se dá atenção a mais nada por mais importante que seja no plano dos interesses nacionais.

Tal situação é realmente superalimentada pela máquina de propaganda que a extrema-direita financia e mesmo produz, localmente e nas oficinas de AI sediadas internacionalmente.

O comportamento do hoje principal agente desta extrema direita tanto em propaganda quanto em provocação, o filho do ex-presidente, acho que levou à uma saturação tal que o objetivo óbvio de desestabilizar o governo atual, juntamente com o parlamento, está se revertendo em rejeição por parte daqueles que compõem o alvo da campanha de desestabilização. Já começo a perceber uma mudança em determinados segmentos sociais, que acompanho de perto, predominantemente “evangélicos”. Tudo isto ocasionado pela ação improrrogável do STF de mostrar a realidade, a verdadeira natureza do ex et caterva; sua família, seus asseclas, segmentos das ffaa etc...sem esquecer dos malucos, conforme mencionou em juízo o réu Jair Bolsonaro. 

Agora...combine-se esta situação local e a tentativa de Trump de interferência juntamente com o “tarifaço” e teremos um ambiente onde a preocupação com assuntos de maior importância, cultura, economia, ecologia, saneamento urbano, educação, defesa etc.. será totalmente obliterada….Aliás, é este o objetivo da propaganda: -Substituir a preocupação e atenção aos temas principais por uma pauta de ódios e desesperança. Contra este mal só há um remédio: compromisso com o futuro. O futuro quer dizer, as gerações futuras. Talvez seja isso, esse compromisso, que diferenciou orientais chineses e japoneses da nossa sociedade ocidental...tão preocupada em desfrutar o presente ao máximo. Aliás, de quem silencia e se omite diante do assassinato de crianças palestinas não se pode esperar grande coisa...Mas…vamos em frente.

1(https://www.blogger.com/blog/post/edit/7714812914870144096/8493837822620079316?hl=pt-BR) 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Vamos em frente

 A leitura hoje das variadas mídias não deu para esclarecer ou adicionar mais informação sobre os três acontecimentos do dia: 1) as conversas obscenas no smartfone do pastor Malafia, 2) a flotilha americana desembarcando em Curaçao, 3) as negativas de Zelensky e Putin em aceitar a prestimosa colaboração de Trump para dar fim a guerra.

Avaliando previamente achei que nenhuma delas afeta e desloca significantemente a situação política, e mesmo econômica do nosso país.

Realmente não deu para melhorar a visão do cenário seja internacional ou mesmo o que corre na nossa terra; resiliente como disse ontem. Atualmente tenho fortes suspeitas que nossa resiliência repousa muito mais nas novenas das igrejas de Minas Gerais, nas encomendas dos terreiros de candomblé da Bahia do que nas patifarias do Legislativo e nas elucubrações do Banco Central com sua escorchante taxa de juros.

Em relação a (2), ao ataque de Trump, que chamamos de “tarifaço”, vejo que não vai muito longe pois o consumidor americano acabará dando um basta. Quanto ao desembarque dos “marines” na Venezuela, a resultante final vai ser bem pior do que deixar o Maduro ir caindo de maduro, pois elevaria o preço do brent de 66 USD para, no mínimo, uns 100 USD...Quem pagaria este preço? O consumidor americano que esbanja gasolina por não ter um sistema de transporte público satisfatório. Nós, que já temos trinta por cento de álcool na nossa gasolina iríamos, como já fizemos no passado aliás, compensar medianamente o impacto.

O que sobra mesmo para marcar o compasso do nosso progressivo “phase-out”,i.e da saída, ainda que lenta, do ambiente tóxico na nossa sociedade gerado pelos seis anos de “soberba míope-udenismo-entreguismo-bolsonarismo”, complicações da grave queda de 2016, é a até oportuna crise gerada pelo “Tarifaço” combinado com as “descobertas” pela PF das sórdidas relações familiares com milícias e crime organizado. Mal sabe Trump onde foi amarrar sua canoa quando se achou esperto por aproveitar os “favores” do deputado auto-degredado, filho do Seu Jair, este sim chefe da quadrilha; favores que ajudariam a atacar os BRICS+. Onde estão seus think-tanks? Onde estão seus conselheiros?

Basta que ajude a acabar com o morticínio na Ucrânia, que eles mesmos americanos iniciaram em 2014, para ser minimamente útil a sociedade U.S.A. Na nossa sociedade ajuda arrancar a bandeira do nacionalismo de fancaria da mão dos falsos cristãos, patriotas de conveniência. Só isso já foi um passo importante…

(3) Quanto ao terceiro tema das leituras na mídia, confesso que fico muito triste quando escrevo estas linhas, não apenas pelo estrago que o poder americano faz em nossa sociedade, como em várias outras mundo afora, mas sim com a própria que conheci nos anos setenta e admirei, mesmo em meio a feridas que se abriram com a Guerra do Vietnan. Ainda era uma sociedade que cultivava o trabalho dentre outras virtudes. Suas universidades lideravam a criação, o saber, a pesquisa; hoje se não forem os estudantes estrangeiros pouco produzem. Aí veio o "Consenso de Washington"  pronto...

As consequências desse caminho estão aí a prova: - Agora mal conseguem corrigir os efeitos de seu “Consenso de Washington”. Seus pares europeus já decadentes acorrem atônitos a 1600 Pennsylvania Avenue NW, Washington D.C. para salvar o que puderem:

- Macron se equilibrando entre uma eleição perdida e um pretérito poder colonial na região do Sael e em todo sul do Saara;

-Merz catando os cacos deixados por Olaf Scholz nem consegue aprovação na Alemanha em relação ao que externou junto a Trump, dentro do próprio partido;

- Keir Stamer infelizmente pouco representa pois sua função é fazer barulho já que propôs enviar metade do contingente militar do Reino Unido para Ucrânia;

- Giorgia Meloni representando um importante país foi fazer número para não perder o apoio interno da direita, depois de publicamente sapecar um beijo na boca em Elon Musk que deixou a ala conservadora italiana enfurecida;

- Stubb não explicou bem o que a Finlândia sugeria, se entrega de território ou o quê mesmo;

- Mark Rutte da OTAN estava no papel dele mas é um porta-voz e

- Ursula von der Leyen dispensa comentários pois suspeita-se até que teria ajudado no atentado ao NordStream.

Ou seja, recai sobre Trump, que faz o que pode, e Putin, qualquer discussão séria sobre o fim do conflito. Sinceramente não levo mais em conta estas discussões e sei que tampouco muitos no ocidente.

Quanto a influência de Trump no cenário brasileiro, este descobrirá mais cedo ou mais tarde realmente onde foi amarrar a canoa, e aí terá de consertar o erro ou continuar com todos os riscos a este inerentes.

Com isso vamos andando, pois como diz o poeta espanhol Antonio Machado, “Caminante no hay camino. El caminar hace el camino, se ahace em camino al andar”. Pé na estrada então...vamos em frente




quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Por quê?

 Ainda comentando o blog de ontem (19/0/25) “Alguns”, estamos assistindo a temperatura aumentando no plano internacional, e nacional também, com a decisão do envio de uma flotilha naval com quatro mil soldados embarcados em direção a Venezuela. Não é nada de se estranhar pois no passado Trump, quando soube das reservas petrolíferas da Venezuela teria dito a assessores: “Por que não vamos lá tomar?”. Com a maior reserva de petróleo do mundo, a Venezuela é um butim valioso. Só no século XX a Venezuela teve vinte e sete presidentes (sem contar Hugo Chávez), vários deles com mandato de menos de um ano. Não seria de estranhar agora, depois que os ingleses tomaram impunemente as suas reservas de ouro, viessem a oferecer recompensa pela cabeça do seu Presidente, com a justificativa de ser narcotraficante, já que a desculpa de eleições fraudadas não colou de tão esfarrapada que era. É muito petróleo...

Mas, deixando de lado a Venezuela, estou acompanhando o rumoroso affair Magnitsky; um dos instrumentos de pressão para que um dos membros dos BRICS+, talvez o atualmente mais fraco politicamente, venha a se enfraquecer a ponto de ano que vem, venha ser derrotado e substituído por um governo de “extrema direita” que venha retirar o país dos BRICS+. Friso aqui “extrema direita”, pois se vencedor um governo de direita, ou centro-direita, a este não será permitido dispensar a imensa receita de exportação do agronegócio para o nosso melhor e maior parceiro comercial. Ou seja, as manobras em direção a desestabilização do atual governo não reverterá necessariamente em afastamento da China. Só restará a ação da força e do golpe de estado novamente, como foi conseguido em 2016, com auxílio de Lava-Jato, forças armadas e tudo mais...e nem assim foi possível desgarrar o agronegócio e demais exportadores da dependência comercial da China, ainda que tentado o fastamento político.

Ou seja, não nos confundam com Venezuela, Irã e Etiópia, pois nações, assim como sistemas, animais, nações e qualquer aglomeração viva, principalmente as de grande complexidade e tamanho físico, está constituída de uma capacidade de resiliência proporcionada pela equifinalidade de seus componentes, “ainda que haja componentes em oposição a sua função final”, segundo Bertalanfy, Walter Ashby, Norbert Wiener e tantos outros.

Não espero que Hugo Motta, Alcolumbre e muito menos o capitão Tarcísio, o Ratinho, o Zema, Caiado e todos estes candidatos aos despojos políticos do bolsonarismo venham entender que este nosso caos brasileiro, estas nossas complexidades1, expressam a interação das diversas camadas sociais, étnicas, culturais da nossa vida, que é o locus onde a magia acontece – onde a vida, a inovação e a adaptação florescem. É essa a sutil dinâmica do nosso, ainda que lento, progresso; fronteira entre a fina flor da ordem e a bagunça do caos carnavalesco. 

As diversas tentativas de golpe e levantes que há muito, à sorrelfa, foram tramados e financiados pela “ordem” e pela “meritocracia” acabam por trombar e ter que enfrentar as suas próprias e complexas macunaímicas contradições.

Nestes últimos tempos, desde Juscelino que eu me lembre, lá se vão setenta anos, após tantas tentativas ainda não se conseguiu dividir o “gigante adormecido”… e não se sabe o porquê. Que pena que Darcy Ribeiro não está mais entre nós para explicar melhor estas nossas sutilezas, complexidades e porquês.


1"Complexity: The Emerging Science at the Edge of Order and Chaos" - M. Mitchell Waldrop.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Alguns

 Após o anúncio da tão badalada reunião do Alaska fiquei de tocaia para capturar na imprensa mundial as diversas leituras, a maioria delas tendenciosas para um lado e para o outro, e entender, à luz da percepção dos tempos presente e pretérito, as motivações de ambas as partes.

Na percepção deste zeitgeist também não posso deixar de considerar meus referenciais éticos, políticos e ideológicos; todavia deixando deliberadamente operar um filtro para que não viesse a repetir a vulgaridade das várias matérias que correm na “mídia”. Como disse, a maioria tendenciosa e sem a preocupação de aplicar qualquer filtro ético. Entretanto também não posso deixar de pesar a consciência e julgamento de quem pouco se preocupa com o genocídio de Gaza e o assassinato deliberado de crianças.

Coloco que a questão de entender como motivação do encontro é perceber a imensa pressão que sofre Trump, em meio ao ataque de neocons, a contínua briga entre as agências de inteligência do governo americano1 e a nua e crua realidade de uma economia que se desconstrói mais rapidamente do que se esperava. O MAGA era a tábua de salvação que se apresentava à época das eleições, pois os democratas fracassaram exatamente por se afogarem na corrupção e na rasputza2 da Guerra da Ucrânia. Lembremo-nos que Trump prometera na campanha eleitoral acabar com a guerra em vinte e quatro horas, depois de cem dias; ou seja precisava dar alguma resposta ao povo americano. 

Ao mesmo tempo a administração republicana passou a perceber, como já o fizera no primeiro mandato, (basta ver o famoso discurso de Vice Vance na Europa onde dizia claramente que não era justo o cidadão americano pagar pelo social welfare europeu, enquanto vários deles americanos eram moradores de rua) que ao europeus cabia o ônus, ou a maior parte deste, das despesas de defesa militar. O que há décadas os cidadãos americanos, democratas de um lado e republicanos de outro, cobram dos governos que se alternam são os USD 55 – 80 bilhões 3 que todo o ano se escoam quando europeus mal contribuem com menos de um décimo desta montanha de dinheiro público.

Hoje os governos americanos dos últimos anos, sejam democratas ou republicanos, e mesmo o povo americano se dão conta de que enquanto gastavam estes quase cem bilhões de dólares anuais arrumando briga mundo afora, os chineses gastavam em torno de USD 1 trilhão em educação e USD 1,2 trilhões em saúde. Pergunte-se então porque passaram à segunda posição no ranking econômico.

Qualquer que seja a orientação ideológica de quem venha a avaliar a situação do que Trump herdou, inclusive do seu primeiro mandato, com um mínimo de atenção, verá que a “Guerra da Ucrânia” fora uma herança, na qual o Departamento de Estado (considere-se aí Victoria Nuland et caterva), têm absoluta responsabilidade. Tivessem olhado com respeito para o trabalhador americano mantendo as indústrias de base em seu território hoje não estariam estendendo tapete vermelho para Putin no Alaska. Não estariam perdendo o enorme valor da indústria aeronáutica (aviônicos, motores, etc…) que os russos deixaram de comprar devido as milhares de sanções aplicadas irresponsavelmente a torto e a direito. Tampouco explodido o NordStream, um ativo que hoje enorme falta faz a economia ocidental.

Mas o que incomoda de facto, pelo menos a mim e à aqueles brasileiros com responsabilidade social, independentemente da sua raiz ideológica, é Trump ceder a chantagem, ou se aproveitar dela para fraquejar os BRICS, de um foragido da lei que, desesperadamente tenta salvar seu pai, outro fora-da-lei, de um julgamento isento, dentro dos trâmites legais normais (assim como o fizeram com o ex-presidente Lula quando preso por quase dois anos por um juiz vassalo e sem pudor algum do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e das inúmeras agências de inteligência no exterior CIA, DIA, NSA, NRO, NGA ). Tivesse o pai feito o que fez, se fosse nos Estados Unidos da América, hoje já estaria em Guantanamo ou talvez sendo “homenageado” em Arlington Memorial VA.USA. Mas...somos brasileiros no coração. Alguns...

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1 O sistema de inteligência dos EUA é dividido entre agências que focam no exterior (CIA, DIA, NSA, NRO, NGA) e agências que focam no interior do país (FBI, DHS), todas trabalhando (em teoria) de forma integrada para proteger os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos
2Rasputza – Lama que se forma no fim da primavera e que historicamente impediu o avanços dos exércitos.
3Forças no Exterior:
Alemanha: O epicentro das forças dos EUA na Europa.
Total: Aproximadamente 35.000 a 38.000 militares.
Principais Bases:
Wiesbaden: Sede do Comando dos EUA para a Europa (USEUCOM) e do Comando do Exército dos EUA na Europa (USAREUR).
Ramstein: A base aérea americana mais importante fora dos EUA. Sede do Comando da Força Aérea dos EUA na Europa (USAFE) e uma plataforma crucial para projeção de poder, medical evacuation (MEDEVAC) e inteligência.
Grafenwöhr/Hohenfels: Maior área de treinamento e campo de provas do Exército dos EUA fora dos Estados Unidos.
Stuttgart: Sede do Comando dos EUA para a África (USAFRICOM) e do Comando da Marinha dos EUA na Europa e África.
Spangdahlem: Base Aérea importante para caças e outras aeronaves.
Itália:
Total: Cerca de 13.000 militares.
Principais Bases:
Aviano: Base Aérea com esquadrões de caças F-16 e, futuramente, F-35.
Gaeta: Porto-base para a Esquadra Six da Marinha dos EUA, que inclui destróieres e cruzadores com sistema de defesa Aegis.
Sigonella: Base Naval e Aérea crucial para operações no Mediterrâneo, Oriente Médio e África, servindo como hub de logística, inteligência e vigilância (com drones Global Hawk, por exemplo).
Vicenza: Base do 173ª Brigada Aerotransportada e das forças de operações especiais.
Reino Unido:
Total: Cerca de 9.500 militares.
Principais Bases:
RAF Lakenheath e RAF Mildenhall: Bases da Força Aérea fundamentais. Lakenheath é a base de caças F-15E e F-35A, enquanto Mildenhall abriga aeronaves de reabastecimento aéreo (KC-135) e transporte especial.
Espanha:
Total: Cerca de 3.500 militares.
Principais Bases:
Rota: Base Naval que serve como porto-base para quatro destróieres Aegis, parte do sistema de defesa de mísseis da OTAN.
Morón: Base Aérea que serve como ponto de apoio para forças de reação rápida, incluindo uma "Força-Tarefa Aérea de Resposta de Crise" (Crisis Response Air Task Force).
Polônia: A presença na Polônia cresceu dramaticamente após 2014. Embora não seja uma "presença permanente" no sentido clássico (por questões de acordos com a Rússia), há uma presença rotativa e contínua.
Força: A missão principal é a Força-Tarefa Polónia, que inclui uma brigada de combate blindada rotativa. O número de tropas dos EUA no país varia, mas é uma das maiores presenças na linha de frente do Leste.
Outros Países com Presença Significativa:
Romênia, Letônia, Lituânia, Estônia: Esses países, assim como a Polónia, abrigam forças de Presença Avançada Reforçada (eFP) da OTAN, que incluem tropas dos EUA em caráter rotativo. O objetivo é dissuasão e defesa coletiva.
Noruega: Presença rotativa de fuzileiros navais para treinamento no Ártico.
Grécia e Turquia: Possuem bases importantes para a OTAN e os EUA (ex: Incirlik, na Turquia), mas a presença permanente é menor se comparada aos países listados acima.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

A atuais trinta moedas

 Há dois dias, seis de agosto, lembrávamos dos oitenta anos do acionamento da “Little boy”, cínico nome dado a bomba atômica lançada sobre Hiroshima. Nesta mesma data naquele ano eu sobrevivia de uma operação na cabeça, da qual escondo uma cicatriz até hoje. Enquanto eu escapava com vida, milhares morriam torrados. Muitos milhares morreram depois devido aos efeitos da explosão. Desde esta época, há oitenta anos, que os EUA impõe pelas armas a “paz americana”. Só que esta paz, além de sutil e progressivamente corroer o seu próprio poder e o seu tecido social, devido a contínua interferência na vida política e social de nações amigas, acabou por granjear inimigos por toda a parte.

Teria sido a laboriosa sociedade americana que Max Weber identificara, já no início do século XX, como herdeira da ética protestante, o motor do progresso e da projeção do poder industrial? Teria sido o mesmo capitalismo industrial que impregnou essa sociedade ainda escravagista em direção à busca insaciável por matérias-primas, então abundantes mundo afora?. Os sociólogos, e não eu na minha insignificância, que poderão dar a resposta; ou as respostas, pois há várias interpretações históricas, teóricas e (quem sabe?) encomendadas. O que a minha experiência de oitenta anos de alegrias e sofrimentos diz é que, memento mori, nada é perene mesmo na mais profunda ciência humana. O capitalismo industrial americano morreu convertendo-se no capitalismo financeiro e daí, et pour cause, a laboriosa e instruída sociedade americana passou a participar da farra do juro relegando a própria sobrevivência à pura e simples rapinagem dos países considerados seus... amigos, é claro.

No nosso caso brasileiro já passamos poucas e boas, (lembro de 1950 para cá)1. A diferença das interferências na nossa soberania no passado para a de agora é que esta se expressa publicamente, mas também não abre mão do financiamento da matilha de aduladores e de ingênuas mentes também.

O que, mesmo após estes oitenta anos, surpreende é a sabujice dos que pedem anistia para quem concebeu e articulou o assassinato do Ministro Moraes, do Vice-presidente Alckmin e do Presidente Lula. Abanar o rabo para Trump já não surpreende, faz parte do enredo; pressionar à capitulação está incluído no cachê; mas anistia obviamente é o obstáculo sabidamente intransponível a qualquer sociedade minimamente soberana. Nenhuma imagem que a represente, a anistia se assim podemos dizer, me vem a mente a que não seja vulgar e impossível de aqui descrever, pois obscena. Aliás obscenidade foi o que vimos na Mesa da Câmara, nem dá para descrevê-la. A que ponto trinta moedas valeram tanto.

1Ver blog “O que Trump realmente quer” de 19 de julho p.p.

sábado, 26 de julho de 2025

Só temos uma escolha

 Complementando blog anterior, lamentavelmente esqueci de mencionar que aqui no Brasil, financiadores dos nossos deputados, os defensores do “estado mínimo” gozam de isenção fiscal no valor de quase um trilhão de reais. Não têm um mínimo de moral para estabelecer um debate sobre aquela questão sobre o nacionalismo; tampouco esta questão trafega na esfera geopolítica. Trata-se de oportunismo pura e simples apoiado pela mídia de aluguel. Simples assim.

Andei ocupado com as sobras da obra na casa e não acompanhei amiúde a repercussão do “tarifaço” de Trump...Que aliás é apoiado pelas hienas de plantão, sejam elas jornalistas pagos ou mesmo “pensadores” intelectuais. Mas, como dizia John Locke que considerava as ações dos homens as melhores intérpretes dos seus pensamentos, o ato de apoio as ações de Trump revela plenamente o que sentem e o que pensam sobre nossa soberania. Aliás nem fazem ideia do que seja soberania, pois não a consideram na sua própria personalidade: Mas o que fazer? Fazem, na democracia, parte da “opinião pública”.

Entendemos que o que hoje chamamos de opinião pública nada mais é do que a percepção mediana das incertezas lançadas nas mentes; dos que dançam conforme a música e daqueles que sequer a escutam. Trump fez o favor de ajudar a separar bem estes dois lados no baile que vivemos. Há muito, pelo menos desde os tempos da minha juventude, que aqueles que buscam tocar a soberania na forma mais variada de sua rapsódia, mas com o coração, são julgados insanos. Como dizia Nietzche, são julgados insanos por aqueles que sequer conseguem escutá-la.

Hoje, melhor que ontem, (desde os tempos da torpe e ignóbil Lava-Jato que, pela sua ação maligna, acabou levando ao suicídio o reitor Luiz Carlos Cancellier, se não houvesse mais destruição, só essa ação já justificaria a absoluta censura daquele público que “tem opinião” entreguista) Trump ajudou a desnudar a fantasia que, no passado recente, já levou a mais de setecentos mil mortes, pelo deboche e pelo descaso com a pandemia. Perto dessa demência social que já vivemos o entreguismo de hoje parece até ingênuo. Mas a ira de Trump nos ajudou e ainda ajuda e ajudará a separar bem os que buscam a soberania, daqueles que pouco a valorizam e mesmo tampouco a entendem.

Quanto aos que no passado apoiavam abertamente tortura e ditadura e hoje, que contraste, reclamam clemência, tolerância e, pasmem, isenção e justiça só posso dizer que o ato de traição está exposto para aqueles que, sem senso de soberania, autoestima e desprezo pelo povo brasileiro (pobre, preto, subdesenvolvido, indolente que não gosta de trabalhar, e tantas outras que Sérgio Buarque de Holanda enfeitou com a “cordialidade”) tentam atemorizar com as ameaças e as consequências funestas.

As máscaras caíram e não dá mais para esconder: - Trump atacou no ponto mais fraco da corrente sul-global (BRICS). Ou escolhemos a soberania, ou perenizamos o estupro social.